Maria visita Isabel e leva a alegria da presença de Deus em sua vida

Ao fechar os olhos e deixar-se levar pelo Espírito de Deus, participamos nos passos de Maria, nos caminhos de Jesus. Vemos uma mulher simples e piedosa, caminhando pelas estradas tortuosas e íngremes das montanhas da Galiléia. Vislumbramos ao longe uma mulher, caminhando lentamente por carregar um filho em seu ventre. Aqueles passos firmes e corajosos vencem as estradas e ela caminha como missionária para servir, com humildade e amor, uma pessoa necessitada. Essa mulher é Maria, a mulher missionária, a mãe do divino Salvador. Maria deixa seu lar e seus afazeres, suas fainas diárias, para servir sua prima Isabel. A anunciação do anjo Gabriel já tinha dado a Maria a grandeza de sua missão: ser a mãe do divino Salvador, a arca da aliança. Mesmo conhecendo sua situação sublime e grandiosa na história da salvação da humanidade, Maria não se apega à sua condição de co-redentora, mas com delicadeza faz-se serva da humanidade. No seu serviço gentil e amável à sua prima, ela está se tornando serva dos pobres e necessitados, como modelo do ser cristão. Sua missão não é exibicionista. Ela vai participar da vida familiar de seus primos Zacarias e Isabel e preparar a vinda do precursor, João Batista. Este é o desígnio divino: Maria prepara a chegada do precursor do Messias, para que esse precursor prepare a chegada do Filho de Deus no coração da humanidade. Sua missão é singela: Maria vai servir a casa, cuidar dos afazeres domésticos, lavar panelas, varrer a casa, coisas que as mulheres fazem para servir as futuras mães, os enfermos e os idosos. Coisas que os homens fazem em favor dos companheiros da comunidade: levantar paredes, acompanhar no hospital, encher lajes em mutirões. Maria visita Isabel e leva a alegria da presença de Deus em sua vida, para propagar a mensagem evangélica, que é o serviço missionário, o anúncio da palavra divina, a caridade cristã. Maria leva Deus no ventre, o Filho de Deus; portanto, sua presença é força de paz e de solidariedade. A grande missionária de Deus anuncia vida nova para a família de Zacarias e Isabel. O encontro de Jesus Cristo, o Messias, Filho de Maria, e de João Batista, o precursor, inaugura o tempo da nova aliança. O encontro misterioso de duas crianças, ainda no ventre de suas mães, revela que a missão divina já tinha sido acolhida por eles. Assim, nunca terão dúvidas de sua missão, mas irão colocar-se a cada instante no plano salvífico de Deus. O Messias torna-se o Emanuel e João, seu precursor. A mão divina estava presente em suas vidas desde o princípio, uma vez que ambos foram concebidos pela ação misteriosa de Deus. Os dois protagonistas do messianismo divino foram concebidos por graça divina, como uma ação gratuita de sua generosidade. Ao receber a saudação de Maria, o menino vibrou de alegria no ventre de Isabel. Muitas vezes, eles irão se encontrar nos caminhos misteriosos de Deus traçados em suas vidas. João acompanha os passos de Jesus e prepara os caminhos para sua missão no mundo. Jesus revela aos discípulos de João seus prodígios, para que possam crer que o reino de Deus está presente no mundo. Quando João Batista foi encarcerado, a notícia entristeceu Jesus, que protestou contra a prepotência de Herodes. Os seus caminhos se cruzavam como sinal de comunhão e partilha. Maria nos ensina que, se Deus estiver presente em nosso coração, em todos os lugares que chegarmos a vida vibrará e a alegria será exultante e grandiosa. Se Cristo estiver em nossas vidas, nossas palavras e ações trarão vontade de viver aos desanimados e farão brotar alegria nos corações tristes. Maria nos convida a abrir nosso espírito para receber o Filho de Deus e nos envia, como missionários, ao encontro dos irmãos, que nos estendem as mãos com confiança.

Fonte: Nos Passos de Maria: para meditar o rosário a cada dia/Antonio Sagrado. São Paulo, Paulinas, 2003).

Hino “acatistos” à Mãe de Deus (séc. VII)

Do céu foi enviado um arcanjo eminente para dizer à Mãe de Deus: “Alegra-te!”
Mas quando te viu, ó Senhora, a sua voz ganhou corpo e ele gritou a sua surpresa e o seu encantamento:


Alegra-te: em ti brilha a alegria da salvação.
Alegra-te: por ti o mal desapareceu.
Alegra-te, porque ergues Adão da sua queda.
Alegra-te, porque Eva também já não chora.
Alegra-te, montanha inacessível aos pensamentos dos homens.
Alegra-te, abismo insondável aos próprios anjos.
Alegra-te, porque te tornas o trono e o palácio do Rei.
Alegra-te: tu levas em ti Aquele que tudo pode.
Alegra-te, estrela que anuncias o nascer do Sol.
Alegra-te, porque em teu seio Deus tomou a nossa carne.
Alegra-te: por ti, toda a criação é renovada.
Alegra-te: por ti, o Criador fez-se menino.
Alegra-te, Esposa que não foste desposada.

A Puríssima, conhecendo o seu estado virginal, respondeu confiadamente ao anjo Gabriel: “Que estranha maravilha essa que dizes! Ela parece incompreensível à minha alma; como conceberei sem semente para engravidar, como tu está a dizer?” Aleluia, aleluia, aleluia!
      
Para compreender este mistério desconhecido, a Virgem dirige-se ao servo de Deus e pergunta-lhe como é que um Filho poderia ser concebido nas suas castas entranhas. Cheio de respeito, o anjo aclama-a:
     

Alegra-te: a ti Deus revela os seus desígnios inefáveis.
Alegra-te, confiança dos que rezam em silêncio.
Alegra-te: tu és a primeira das maravilhas de Cristo.
Alegra-te: em ti são recapituladas as doutrinas divinas.
Alegra-te, escada pela qual Deus desce do Céu.
Alegra-te, ponte que nos conduz da terra ao Céu.
Alegra-te, inesgotável admiração dos anjos.
Alegra-te, ferida incurável para os demónios.
Alegra-te: tu geras a luz de forma inexprimível.
Alegra-te: tu não revelas o segredo a ninguém.
Alegra-te: tu ultrapassas a sabedoria dos sábios.
Alegra-te: tu iluminas a inteligência dos crentes.
Alegra-te, Esposa que não foste desposada.

O poder do Altíssimo cobriu então com a sua sombra a Virgem que não tinha sido desposada, para a levar a conceber. E o seu seio fecundado tornou-se um jardim de delícias para os que nele querem colher a salvação, cantando: “Aleluia, aleluia, aleluia!”

Coroação de Nossa Senhora – Sábado às 18:30hs

É tradição cristã que aos 72 anos de idade, MARIA despediu-se de sua vida terrestre. Dizemos despediu-se, porque no sentido teológico ela não morreu, teve um “sono transitório” e nele, foi “visitada” e venerada por todos os Apóstolos, presentes naquele bendito dia, e foi transportada aos Céus, em Corpo e Alma, por um sonoro e alegre cortejo de Anjos. (Dógma de Fé).
Foi assim que ELA entrou no Paraíso de DEUS:

Uma música de indizível beleza formava uma atmosfera de arrebatamento e êxtase, que crescia com as vozes dos Anjos, Querubins, Serafins e toda família celeste, que entoavam maravilhosos acordes com harmonia e perfeição, expressando júbilo e contentamento, pela chegada ao Céu de MARIA DE NAZARÉ.

ELA habitualmente revestida de muita serenidade, via a tranquilidade fugir de seu Ser, ficando visivelmente perturbada, pelo calor e imenso esplendor daquela simpática recepção. E diante de tão majestosa e agradável surpresa, não conseguia dissimular, ou mais precisamente, não conseguia esconder a sua emoção e assim, enternecida e repleta de alegria, com singela humildade mostrava as suas lindas faces enrubescidas pelo fato inusitado. Acontecimento que realçava ainda mais a sua formosura, ao tempo em que caminhava suavemente pelos adros do Éden Divino, com passos tímidos, mas firmes e decididos, vencendo vagarosamente a distância que a separava do trono de DEUS.

De um lado e de outro do caminho, no meio de tantos olhares sorridentes, distinguia aqui e ali um rosto mais conhecido, uma fisionomia mais amada. No meio da multidão despontava o semblante de José, seu esposo virginal; Joaquim, seu pai; Ana, sua mãe; Sobé e Maria, as duas titias; Isabel, sua prima; Zacarias, João Batista, Nathan, Estêvão, Jacó e muitos outros.

Pétalas de lindas flores caíam de todos os lados, ornando-a com as cores do arco-íris, a medida que mais se aproximava do trono do Amor, da Vida e da Misericórdia.

Seu coração pulsava forte e todos os seus sentidos estavam concentrados, em suspense, na expectativa do encontro tão sublime e tão ansiosamente almejado.

De seus encantadores olhos reluziam um brilho intenso que traduzia deslumbramento e felicidade, reflexos de seu reconhecido agradecimento por tantas honrarias, distinções e por todas aquelas exaltações de carinho e afeto.

Por certo, aquelas manifestações de inconfundível apreço lhe trouxeram à mente os longos anos em que viveu na Terra, anelando pela chegada deste dia.

Lembrava-se de quantas vezes, sozinha em seu quarto, olhava para o Céu e perscrutava a imensidão do firmamento celeste, apreciando e admirando a invulgar beleza, toda ela, manifestação viva do Amor de DEUS. Não que quisesse sondar o espaço infinito e encontrar nele a solução de muitos segredos, ou uma luz que lhe revelasse o por que dos fatos, uma explicação para a vida e para o seu Mistério em particular. Ela não se preocupava com isto e nem sentia uma premente necessidade de conhecer e desvendar as verdades não conhecidas. O que MARIA realmente queria e procurava, eram outras maneiras, era descobrir um melhor caminho, inovar outro meio para cultivar ainda mais a pureza de seus desejos, uma criação sublime e carinhosa, que conduzisse com maior vigor os seus ilibados sentimentos a continuar evoluindo sempre, crescendo em ternura e em intensidade afetuosa, para melhor amar e agradar a DEUS.

Envolvida por tantas lembranças, a cada passo recordava também que meditando sobre os Mistérios de DEUS e de JESUS, seu querido e amado FILHO, involuntariamente ia compreendendo o seu próprio Mistério e a sua Vida no plano Divino.

E por tudo o que sentia e via, caminhava emocionada para o CRIADOR, meta única de sua vida, o seu objetivo final.

A esta indefinível alegria, somava um ardor a mais em seu coração, indicando que a sua expectativa estava crescendo, assim como aumentando o seu regozijo, porque também aproximava-se um momento de inolvidável prazer, ao reencontrar o seu Adorado FILHO JESUS, que agora, caminhava em sua direção.

Foi um longo abraço, repleto de ternura, para saciar uma saudade imensa, enquanto a multidão celeste acompanhando sensibilizada todos aqueles lances, se comovia e se agitava no meio de efusivos aplausos, de saudações espontâneas e cheias de afeto, e dos melodiosos acordes de uma linda canção.

JESUS segurando em seu braço, a conduziu a presença de DEUS.

MARIA DE NAZARÉ, num gesto de profundo respeito, prostrou-se com o rosto no chão e podemos ouvir em nosso coração as palavras que ELA pronunciou, expressando todo o seu incontido e dedicado amor:

“Meu SENHOR e meu DEUS, aqui estou para servi-LO por toda eternidade”.

DEUS PAI encantado com SUA OBRA PRIMA, levantou-se do trono e afetuosamente fez com que a DIVINA MÃE se erguesse e se assentasse à sua esquerda.

A música aumentou, o coro tornou-se mais vibrante e belo, as saudações se multiplicaram com maior intensidade, era o prenúncio de um clímax esperado e sonhado por todos. Os Arcanjos Gabriel, Miguel e Rafael, sorridentes, prevenidos e preparados para aquele evento tão especial, trouxeram uma maravilhosa coroa de ouro com belíssimas pedras preciosas incrustadas e depositou-a nas mãos de DEUS, que segurando numa parte ofereceu o outro lado à JESUS e ambos coroaram MARIA SANTÍSSIMA, “Rainha do Céu e da Terra”, ao mesmo tempo em que o ESPÍRITO SANTO, sob a forma de uma pequena pomba branca, deixava cair do alto em imensa profusão, uma esplendorosa luz que transluzia, que transparecia toda a sublimidade, toda a beleza e a infinita grandeza da Glória de DEUS.

O Manifesto de Dresden

“Em Lourdes, em Fátima e em outros santuários marianos, a crítica imparcial se encontra diante de fatos sobrenaturais, que tem relação direta com a Virgem Maria, seja mediante as aparições, seja por causa das causas milagrosas solicitadas por sua intercessão. Estes fatos são tais que desafiam toda a explicação natural.”

Sabemos, ou deveríamos saber, que as curas de Lourdes e Fátima são examinadas com elevado rigor científico por médicos católicos e não-católicos. Conhecemos a praxe da Igreja Católica, que deixa transcorrer vários anos antes de declarar alguma cura milagrosa. Até hoje, 1200 curas ocorridas em Lourdes foram consideradas pelos médicos cientificamente inexplicáveis, todavia a Igreja Católica só declarou milagrosas 44 delas.

Nos últimos 30 anos, 11 mil médicos passaram por Lourdes. E todos eles, qualquer que seja a sua religião ou posição científica, tem livre acesso ao Bureau des Constatatione Medicales. Por conseguinte, uma cura milagrosa é cercada das maiores garantias possíveis. Qual é, pois, o sentido profundo destes milagres no plano de Deus? Bem parece que Deus quer dar uma resposta irrefutável à incredulidade dos nossos dias. Como poderá um incrédulo continuar a viver de boa fé na sua incredulidade diante de tais fatos? E também nós, “cristãos evangélicos”, podemos ainda, em virtude de preconceitos, passar ao lado destes fatos sem nos aplicarmos a um atento exame?

Uma tal atitude não implicaria grave responsabilidade para nós? Por que um cristão evangélico pode ter o direito de ignorar tais realidades pelo fato de se apresentarem na Igreja Católica e não na sua comunidade religiosa? Tais fatos não deveriam, ao contrário, levar-nos a restaurar a figura da Mãe de Deus na Igreja Evangélica? Somente Deus pode permitir que Maria se dirija ao mundo, através de aparições. Não nos arriscamos, talvez a cometer um erro fatal, fechando os olhos diante de tais realidades e não lhes dando atenção alguma?

Cristãos evangélicos da Alemanha, deveremos talvez continuar a opor-lhes recusa e indiferença? Continuaremos a nos comportar de modo que o inimigo de Deus nos mantenha em atitude de intencional cegueira? Não deveremos talvez abrir o nosso coração a esta luz que Deus faz brilhar para a nossa salvação?

Tal problema evidentemente merece exame, não deve ser afastado de antemão, por preconceito, pelo único motivo de que tais curas são apresentadas pela Igreja Católica. Uma tal atitude acarretaria grave dano para nós mesmos e para o mundo inteiro. Grande responsabilidade nos toca. Temos o direito de examinar tais fatos. Não nos é possível passar ao largo e encampar tudo no silêncio. Hoje, em alguns países, está em causa a existência mesmo do Cristianismo. Seria o cúmulo da tolice ignorarmos a voz de Deus, que fala ao mundo pela mediação de Maria, e dar-lhes as costas unicamente porque Ele faz ouvir sua voz através da Igreja Católica. Como quer que seja, não podemos calar por muito tempo sobre tais realidades.

Temos que examiná-las, sem preconceito, pois é iminente uma catástrofe. Poderia acontecer que, rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus nos faz chegar através de Maria, estejamos recusando a última graça que Ele nos oferece para a nossa salvação.

É, por isso, um dever muito grave para todos os chefes da Igreja Luterana, e para outras comunidades cristãs, examinar tais fatos e tomar uma posição objetiva. Este dever impõem-se também pelo fato de que a Mãe de Deus não foi esquecida somente depois da Guerra dos 30 anos e na época dos livres pensadores da metade do século XVIII. Sufocando no coração dos evangélicos o culto da Virgem, destruíram os sentimentos mais delicados da piedade cristã.

No seu Magnificat, Maria declara que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada até o fim dos tempos. Todos nós verificamos que esta profecia se cumpre na Igreja Católica e, nestes tempos dolorosos, com intensidade sem precedentes. Na Igreja Evangélica tal profecia caiu em tão grande esquecimento que dificilmente se encontra algum vestígio da mesma.

Lutero honrou Maria até o fim de sua vida; santificava suas festas e cantava diariamente o Magnificat. Perdeu-se na Igreja Evangélica, em tempos posteriores à Reforma, todas as festas a Maria e tudo o que nos trazia sua lembrança. Estamos padecendo as conseqüências dessa herança de receio e temor. Entretanto, Lutero nos diz que nunca poderemos exaltar suficientemente a Mulher que constitui o maior tesouro da Cristandade depois de Cristo.

É, portanto, um profundo desejo de meu coração poder ajudar agora a que, da nossa parte, católicos evangélicos, Maria seja novamente amada e venerada como a Mãe do Nosso Senhor. E isso corresponde ao testemunho da Sagrada Escritura e também ao que o reformador protestante Lutero indicou. O temor de diminuir a glória de Jesus foi a causa de que as Igrejas Evangélicas se negassem à Maria a veneração e os louvores devidos.

Entretanto, temos que afirmar que, através da justa veneração que aos apóstolos e a ela corresponde, multiplica-se a glória e o louvor ao Senhor, porque foi Ele que a elegeu (e a fez) pela Sua Graça um instrumento seu. Jesus espera que veneremos Maria e a amemos. Assim nos diz a Palavra de Deus e esta é, portanto, a Sua Vontade. E só aqueles que guardam a Sua Palavra são os que amam verdadeiramente a Jesus (Jo 14, 23).”

Fonte: Revista Luterana “Spiritus Domini”, nº 05, maio de 1982

Consagração diária à Virgem Maria, Imaculada Conceição (do Bem Aventurado, Papa João Paulo II)

Imaculada Conceição, Virgem Maria, minha Mãe,

Vive em mim. age em mim.

Fala em mim e através de mim.

Pensa os teus pensamentos na minha mente.

Ama através do meu coração.

Dá-me os teus sentimentos e disposições.

Ensina-me a seguir Jesus.

Ilumina e alarga os meus pensamentos.

Corrige o meu comportamento. Possui a minha alma.

Assume a minha inteira personalidade e vida substituindo-a com a tua.

Inclina-me à adoração e à ação de graças contínuas.

Reza em mim e através de mim.

Faze-me viver em ti e guarda-me sempre nesta união.

Amém.

Maria na experiência espiritual da igreja

O desenvolvimento da reflexão  mariológica e do culto à Virgem no decorrer dos séculos contribuiu para fazer aparecer cada vez  melhor o rosto mariano  da Igreja.

 A dimensão Mariana da Igreja constitui um elemento inegável na experiência do povo cristão. Ela revela-se em numerosas manifestações da vida dos crentes, testemunhando o lugar assumido por Maria no seu coração. Não se trata de um sentimento superficial, mas de um vínculo afetivo, profundo e consciente, arraigado na fé, que impele os cristãos de ontem e de hoje a recorrerem habitualmente a Maria, para entrarem em comunhão mais íntima com Cristo.

Hoje, a oração mais comum é a Ave Maria, cuja primeira parte é composta de palavras tiradas do Evangelho (cf.Lc 1,28. 42). Os cristão aprendem a rezá-la entre as paredes domésticas

À piedade mariana correspondeu depois uma riquíssima produção artística no Ocidente e no Oriente, que fez com que inteiras gerações apreciassem a beleza espiritual de Maria.

A arte cristã reconheceu em Maria a realização de uma humanidade nova, que corresponde ao projeto de Deus e, por isso, um sublime sinal de esperança para a humanidade inteira.

 A referência a Maria une não só os cristãos comprometidos, mas também os simples fiéis e até os “que estão afastados” para os quais, com freqüência, ela constitui também o único ligame com a vida eclesial. Sinal deste comum sentir do povo cristão para com a Mãe do Senhor são as peregrinações aos santuários marianos, que atraem, durante todo ano, numerosas multidões de fiéis.

 O povo de Deus, sob a guia dos seus Pastores, é chamado a discernir neste fato a ação do Espírito Santo, que impeliu a fé cristã pela via da descoberta do rosto de Maria. É Ele que realiza maravilhas nos lugares de piedade mariana. É Ele que, estimulando o conhecimento e amor por Maria, conduz os fiéis a tornarem-se discípulos da Virgem do Magnificat, a fim de aprenderem a ler os sinais de Deus na história e a adquirir a sabedoria, que torna cada homem e cada mulher construtores de uma nova humanidade.

 João Paulo II ( Catequese do Papa sobre Nossa Senhora)

Enviado por Sonia Maria Sousa – Ministra da Sagrada Comunhão

Homilia da Missa Solene de Nossa Senhora de Fátima

“Cheia de Graça” – Maria guia a Igreja à redescoberta, à graça de Deus

A carta viva de Deus, que é Maria, começa com uma palavra tão ampla que encerra em si, como uma semente, toda a sua vida.  É a palavra graça.

Ao entrar em sua casa, o anjo disse-lhe: “Alegra-te, ó cheia de graça”, e outra vez: “Não tenhas receio, Maria, pois achastes graça” (Lc1,28.30).

 O anjo, cumprimentando-a, não chama Maria pelo nome, mas chama-a simplesmente “cheia de graça” ou “cumulada de graça”.

Na graça encontra-se a identidade mais profunda de Maria. 

Maria é aquela que é “cara” a Deus (“caro”, como também “caridade”, provém da mesma raiz de charis, que significa graça!). 

A graça de Maria está certamente em função daquilo que vem depois no anúncio do anjo, sua missão de Mãe do Messias, mas não se esgota nisso. 

Maria não é para Deus simplesmente uma função, mas antes de tudo uma pessoa, e é como pessoa que ela é tão cara a Deus desde toda a eternidade. 

Maria é assim a proclamação viva, concreta, que a graça é a realidade primordial no relacionamento entre Deus e as criaturas. A graça é o espaço, é o lugar onde a criatura pode encontrar o seu Criador. 

Deus também é apresentado na Bíblia como rico, cheio de graça (cf. Ex 34,6).

Deus é cheio de graça num sentido ativo, como aquele que preenche de graça.  Maria e junto com ela qualquer outra criatura – é cheia de graça num sentido passivo, como aquela que é preenchida de graça. 

Entre ambos está Jesus Cristo, o mediador, que é cheio de “graça” (Jo1, 14) nos dois sentidos: o ativo e o passivo. 

Como Deus e chefe da Igreja, ele doa a graça; como homem é preenchido de graça pelo Pai e até mesmo “cresce em graça” (Lc2, 52). 

Maria, pois lembra e proclama à Igreja isto em primeiro lugar: tudo é graça. A graça é característica do cristianismo, que por ela se diferencia de qualquer religião. 

A contemplação de Maria ajuda-nos hoje a reencontrar a síntese e a unidade da fé. Ela é o ícone da graça, ainda não partida, mas inteira. Nela a graça significa, tanto a plenitude do favor divino como a plenitude da santidade pessoal; indica a presença mesma de Deus na maneira mais forte que se possa conceber, física e espiritual ao mesmo tempo, e indica o efeito desta presença, aquilo pelo que Maria é Maria e nenhum outro é semelhante a ela, mesmo possuindo o mesmo Espírito que a santificou. 

A redescoberta da prioridade da graça acima de tudo ajuda-nos a encontrar a atitude certa para com a Igreja. 

A Igreja é desconhecida e rejeitada por muitos porque é considerada quase unicamente como uma organização humana, com as suas leis, os seus rituais e as incoerências dos seus ministros. 

Na tentativa de retificar este erro, nós freqüentemente o reproduzimos, porque permanecemos no mesmo nível dos adversários, que não o da graça, mas sempre e unicamente das obras.

Esta redescoberta da graça, à qual Maria nos está guiando, não muda a nossa maneira de considerar a Igreja em geral, mas também a maneira de considerar a nossa vida. Traz consigo uma chamada muito pessoal e urgente à conversão. 

“Nossa Senhora das Graças”. É um dos títulos mais queridos para o povo cristão.

 Um título ainda mais belo seria “Nossa Senhora da Graça”, no singular. Porque antes de pedir que Nossa Senhora nos obtenha as graças deveríamos pedir que ela nos obtivesse a Graça.

 ( Raniero Catalamessa – Maria um espelho para a Igreja)

Enviado por Sonia Maria de Sousa – Ministra da Sagrada Comunhão

Senhora do Silêncio

Mãe do Silêncio e da Humildade, tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do Mistério do Senhor

Tu és disponibilidade e receptividade. Tu és fecundidade e plenitude. Tu és atenção e solicitude pelos irmãos. Estás revestida de fortaleza. Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual. És Senhora de ti mesma antes de ser nossa Senhora.

Em ti não existe dispersão. Em um ato simples e total, tua alma, toda imóvel, está paralisada e identificada com o Senhor. Estás dentro de Deus, e Deus dentro de ti.

O Mistério total te envolve e te penetra e te possui, ocupa e integra todo o teu ser.

Parece que em ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo: o tempo, o espaço, a palavra, a música, o silêncio, a mulher, Deus. Tudo em ti foi divinizado.

Teu silêncio não é ausência, mas presença. Estás abismada no Senhor e ao mesmo tempo atenta aos irmãos, como em Cana.

 Faz-nos compreender que o silêncio não é desinteresse pelos irmãos, mas fonte de energia e de irradiação, não e encolhimento, mas projeção. Faz-nos compreender que, para derramar, é preciso preencher-se.

 Afoga-se o mundo no mar da dispersão, e não é possível amar os irmãos com um coração disperso. Faz-nos compreender que o apostolado, sem silêncio, é alienação, e que o silêncio, sem apostolado, é comodidade.

Envolve-nos em teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza de tua Fé, a altura de tua Esperança e a profundidade do teu Amor.

Ó Mãe admirável do silêncio!

Inácio Larrañaga( O Silêncio de Maria)

Enviado por Sonia Maria Sousa – Ministra da Sagrada Eucaristia

Mãe Imaculada

Durante todo o mês de maio nossas comunidades católicas do mundo inteiro cantam a “Ladainha de Nossa Senhora”. Entre os títulos com os quais a Virgem Maria é invocada está aquele de “Mãe Imaculada”. Nesta invocação está presente a singularidade da maternidade da Maria: sua total ligação e dependência do mistério de Cristo. O já Beato João Paulo II, quando governava reinante na Cátedra de Pedro escrevera: “Só no mistério de Cristo se esclarece plenamente seu mistério (de Maria). Foi assim, de resto, que a Igreja, desde o princípio, procurou fazer sua leitura: o mistério da Encarnação permitiu-lhe entender e esclarecer cada vez melhor o mistério da Mãe do Verbo Encarnado” (Redemptoris Mater, n. 4).

O Autor Sagrado, no livro do Gênesis, havia prefigurado a ligação intrínseca entre a salvação do gênero humano e a maternidade da Imaculada, mostrando a vitória desta em contraposição à vergonhosa derrota de Eva, “mãe dos viventes”. Diz o texto sagrado em Gn 3, 15: “Ela te esmagarás à cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. Sendo a Virgem Maria, desde sempre, Mãe Imaculada, teologicamente, a tradução mais coerente é aquela apresentada por S. Luiz Maria G. de Montfort: “Ela (Maria e sua descendência, isto é, o Cristo total: Cabeça e membros, que constituem a única Igreja) te esmagará a cabeça, e tu armarás ciladas ao seu calcanhar” (Tratado da Verdadeira Devoção, n. 51). Note-se bem: uma coisa é ferir o calcanhar, outra, bem diferente, é “armar ciladas”.

S. Luiz de Montfort – que não era um piedoso ingênuo, como alguns pensam, mas um teólogo muito bem preparado – sabia que a Mãe de Deus jamais poderia ser ferida com qualquer mancha ou gota do veneno da Antiga serpente. O demônio pode até lançar sua fumaça maldita no Santuário de Deus, como vez por outra vemos acontecer, mas a Mãe Imaculada é intacta e, por causa de Cristo e da sua íntima união com ele, Satanás não ousou aproximar-se para tentá-la. Se o próprio Cristo foi tentado deve-se ao fato de ser necessário redimir o homem em todas as suas debilidades. Como dizem os Santos Padres “foi tentado para nos ensinar a vencer as tentações”. Mas Maria foi “salva” por privilégio e graça singular não podendo passar pelas tentações, uma vez que o Pai a preservou desde o exato momento de sua concepção. Aquilo que os Santos, remidos pelo sangue do Cordeiro, recebem na Glória, Maria recebeu desde a sua geração: a impossibilidade do contágio do mal.

Esta é a Mãe do Redentor, esta é a Mãe da humanidade. Em tempos difíceis para a Igreja, o modelo e a intercessão da Mãe Imaculada devem ser uma constante em nossa vida. Depois de Jesus, só ela pode nos ensinar o caminho certo, seguro e decidido para esmagar a cabeça de Satã seja qual for a sua veste nestes dias. O filme “o Ritual” mostra que ele não está parado, e a história da Igreja comprova suas infernais investidas. Mãe Imaculada, Rogai por nós!

Padre José Lenilson de Morais, pároco da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Nísia Floresta (RN), Arquidiocese de Natal

Maria, aquela que acreditou…

Na narração evangélica da Visitação, Isabel “cheia do Espírito Santo”, acolhendo Maria em casa, exclama: “Feliz aquela que acreditou  que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte  do Senhor” (Lc1,45). Esta Bem-aventurança, a primeira referida pelo Evangelho de Lucas, apresenta Maria como àquela que, com sua fé, precede a Igreja na realização do espírito das bem-aventuranças.

 O elogio feito por Isabel à fé de Maria é fortalecido pelo confronto com o anúncio do anjo a Zacarias. Uma leitura superficial das duas anunciações poderia considerar semelhantes às respostas de Zacarias e de Maria ao mensageiro divino.

 A Maria é proposto aderir uma verdade muito mais excelsa do que aquela anunciada a Zacarias. Este é convidado a crer num nascimento maravilhoso, que se realizará no seio de uma união matrimonial estéril, que Deus quer tornar fecunda: intervenção divina análoga àquelas que tinham beneficiado algumas mulheres do Antigo Testamento.

Maria é chamada a crer numa maternidade virginal, da qual o Antigo Testamento não recorda precedente algum. Na realidade, o conhecido oráculo de Isaias: “Olhai: a Virgem está grávida e dará um filho, por-lhe-á o nome de Emanuel”, embora não excluindo esta perspectiva, foi explicitamente interpretado neste sentido, só depois da vinda de Cristo, e à luz da revelação evangélica.

 A Maria é pedido que dê adesão a uma verdade jamais enunciada no tempo precedente. Ela acolhe-a com ânimo simples e audaz. Com a pergunta: “Como será isso?”, ela exprime a fé no poder divino de conciliar a virgindade com a excepcional e única maternidade.

 O ato de fé de Maria recorda a fé de Abraão, que nos primórdios da Antiga Aliança acreditou em Deus, tornando-se assim o arquétipo de uma prosperidade numerosa. No início da Nova Aliança, também Maria com a sua fé exerce uma influência decisiva no cumprimento do mistério da Encarnação, inicio e compêndio de toda a missão de Jesus.

 João Paulo II (catequese sobre Maria)

Enviado por Sonia Maria Sousa – Ministra da Sagrada Comunhão

Maria: Discípula e Mestra

A teologia católica professa:  Maria não foi estigmatizada pela maldade humana, porque foi imaculada desde sua concepção.  Por isso, seus devotos repetem com frequência: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Foi a única exceção entre todas as criaturas humanas, em vista de sua prerrogativa de mãe de Deus.  Por causa desse privilégio, toda a sua história é uma caminhada ascendente em direção ao que Jesus estabelecera como medida de crescimento para seus seguidores:  “Sede perfeitos como o Pai celestial é perfeito.”

Nessa perspectiva, Maria absorveu as lições de Jesus, guardando tudo em seu coração, como está registrdo em Lc 2,51.  Sua grande sabedoria consistiu em escutar sempre o Filho e reconhecer nele o Mestre capaz de levá-la a descobrir a verdade, num percurso de fé e esperança, de coerência e humildade. Assim como é comum o bom discípulo tornar-se um mestre abalizado, Maria se revela uma mestra exemplar, principalmente porque aprendeu que toda sabedoria vem do Pai mediante os testemunhos do Filho.  Nunca se sentiu dona da verdade e, quando aconselha os empregados das bodas de Caná, não lhes dá nenhuma ordem direta, mas pede que obedeçam à orientação de Jesus:  “Façam tudo o que ele lhes disser.”

Num mundo de muita autossuficiência, envaidecido por seus êxitos, é possível que o processo de aprendizagem venha manchado pelas nódoas do orgulho e da vaidade:  alunos não admitem suas limitações e os mestres expõem suas lições como donos da verdade.  Que, a exemplo de Maria, cada cristão seja um discípulo simples e humilde para atender à sua vocação de evangelizador.

D. Geraldo Majella Agnelo

Cardeal Arcebispo Emérito de Salvador