Liturgia do Dia – 19/02/2016 (comentada)

mateus 5, 20-26“O justo persevera e ama a retidão.  Deus nos oferece sua misericórdia e nele temos a oportunidade de recomeçar sempre.  Sem amor e sem misericórdia, de nada vale a nossa ação.”

Primeira leitura:  Ezequiel 18, 21-28

Salmo Responsorial:  129

Evangelho:  Mateus 5, 20-26

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As leituras de hoje destacam a urgência de se adotar uma vida reta e da reconciliação, em perspectiva escatológica.

Na primeira leitura temos um povo cônscio de que seu sofrimento no exílio era decorrente dos pecados cometidos pelos antepassados, mas que o destino não é algo imutável, pois Deus é Deus da vida e sua felicidade é a conversão do pecador, para que este viva.

Assim, em Ezequiel, a responsabilidade do destino de cada um corresponde ao seu modo de agir.  A vida eterna é uma possibilidade ao alcance de todos, basta viver segundo os critérios da justiça.

Neste sentido o chamado também é dirigido aos justos, para que perseverem no cumprimento da vontade de Deus.

Em Jesus, o critério da justiça acolhe a realidade da misericórdia em sua plenitude. É através da sua Paixão que a reconciliação da humanidade com Deus acontece.

A justiça a partir do Novo Testamento ultrapassa o conceito adotado por mestres da Lei e Fariseus, pois exige que esta brote do coração dos homens, local onde nascem as motivações do nosso agir.

A essência aqui é que esta motivação deve se basear no fato de que Deus nos pede tão somente aquilo que ele nos dá.  A nossa ação não decorre pura e simplesmente de um exercício racional, mas do verdadeiro acolhimento da Misericórdia que redimiu nossos pecados, através da morte, e morte de cruz.

E é sobre a dimensão dessa morte, que o Evangelho, a partir do versículo 21, nos fala: ela parte do coração humano, portanto, antes mesmo que aconteça materialmente, ela já aconteceu no âmago de quem a comete. O pecado assim, já existe, pelo simples fato de desejá-la ao outro.

Nos casos da ira e da injúria nada difere quanto ao futuro de quem as comete, portanto, a sorte pessoal do indivíduo é traçada a partir não de sua ação, mas de sua pré-disposição, confirmando portanto, o que fora citado acima: o destino não é algo imutável, é preciso vigiar e orar sempre, pedindo a conversão, em especial quando somos acometidos pelos sentimentos que nos levam ao pecado.

O Evangelho também faz um alerta quanto ao comportamento daqueles que apresentam suas ofertas ao Senhor com o coração espúrio. A reconciliação a que somos chamados significa restituir à graça de Deus, e não necessariamente, compactuar com as ações do outro.  O culto ao Senhor, portanto, exige de nós  um coração pacificado e construtor da paz, como condição para, efetivamente, estarmos em comunhão com Ele.   Os que assim não agem, demonstram abdicar da espera digna de seu juízo pessoal e pior, assumem uma postura de total escárnio com a Misericórdia do Pai.

Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

Bacharel em Teologia pelo ISCR -ArqRio

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