Liturgia do Dia – 24/02/2016 (comentada)

Mateus 20, 17-28.jpg“Os injustos não toleram a firmeza e a harmonia dos justos.  Sentem-se perturbados e querem fazê-lo calar.  Assim foi com Jesus e os profetas.  Mas a verdade não morre, ela triunfa sempre.”

Primeira leitura:  Jeremias 18, 18-20

Salmo Responsorial:  30

Evangelho: Mateus 20, 17-28

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A liturgia de hoje aponta-nos alguns aspectos interessantes e presentes na vida cristã: a perseguição, a ambição, o serviço e a humildade.

Jeremias sofre o complô de autoridades que, sob o argumento de proteger um valor maior, buscam desmoralizá-lo, mas a verdade que está por trás da perseguição sofrida é o fato dele ter desvendado as práticas injustas que oprimiam a sociedade e desvirtuavam o sentido do que podemos considerar bem comum.

Sentindo-se só,  Jeremias roga a Deus a punição de seus inimigos declarados, alegando ter intercedido por eles no passado.   Ele assume aqui o aspecto do servo sofredor que se realizará plenamente em Jesus.

O diferencial é que ao contrário de Jeremias, Jesus, que foi perseguido pela mesma classe de autoridades, tem plena consciência de que o sofrimento vindouro o levará à morte (e a conseguinte ressuscitação), e que com ela toda a humanidade será libertada da escravidão do pecado, abrindo o caminho para que todos experimentem a definitiva Misericórdia de Deus.

Jesus anuncia aos seus discípulos o que está para acontecer, porém, o destaque não está numa reação de indignação ou pesar por parte dos presentes, mas na figura da mãe de Tiago e João, que não aparece no Evangelho de São Marcos, onde o pedido de uma posição privilegiada no Reino é feita diretamente pelos dois apóstolos (Mc 10, 35-36).

A reação dos outros dez discípulos revelam personalidades que ainda careciam de correção. Não haviam compreendido no que consistia a missão dAquele o qual já reconheciam como o Messias e ainda se preocupavam com posições e talvez privilégios. O anúncio profético de seu sofrimento e morte era insignificante demais para quem só se interessava com a glória do seu reinado.

Quando Jesus afirma aos discípulos que estes não sabiam o que estavam pedindo, quis dizer que antes de participar da glória do Rei, era necessário participar de sua humilhação, pois aquela se manifestaria no calvário e não num palácio ou na ostentação dos que se reconheciam como poderosos.
Jesus destacou que a história da humanidade prova que o poder sem serviço ao povo é a causa da tirania e da opressão e não tem qualquer relação com o Reino de Deus, que consiste em se colocar a serviço dos semelhantes, com amor, para transformar as trevas em luz.

Mais uma vez a liturgia nos chama a acolher o exemplo de Jesus, o filho do Homem que assume a sua condição de enviado do Pai, para servir aqueles aos quais se fez semelhante e entregar a sua vida pela salvação de todos, mesmo que a conspiração exista, ainda que venha de onde não poderia vir.

A comunhão com Deus se confirma definitivamente na cruz e o nosso ‘sim’ não deve ser condicionado pela perseguição ou pelo desejo de gozar de privilégios, mas deve corresponder à vocação ao serviço, especialmente direcionado aos mais pobres, necessitados e excluídos.

A ambição se mostra também na vida cotidiana contrária ao projeto de Deus, e é nociva para os que realmente desejam dar testemunho da fé, por isso é singular tomar por mantra diário, por exemplo, a Oração de São Francisco, e seguir as práticas quaresmais —jejum, esmola e oração— que nos auxiliam neste crescimento espiritual.

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

Bacharel em Teologia pelo ISCR-ArqRio

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