Liturgia do Dia – 03/07/2016

mateus 16, 13-19“A Palavra acolhida na fé tem força transformadora.  Conduz o cristão e todo o povo do Senhor no caminho do Reino, levando-o a professar a fé em Cristo como o apóstolo Pedro:  ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo'”.

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 12, 1-11

Salmo Responsorial:  33

Segunda leitura:  2Timóteo 4,6-8.17-18

Evangelho:  Mateus 16, 13-19

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Meditação para São Pedro e São Paulo

Por Dom Henrique Soares da Costa (*)

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. – Estas palavras que o Missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo.
A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.

Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado.
Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram.

Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de Sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a Ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero por volta do ano 64.

Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez Seu apóstolo.
Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero por volta do ano 67.

O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo.
Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho…
Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o Seu anjo para me libertar…”
Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”.
Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo!
Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo!
Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da Cruz e da esperança da Ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.

Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”.
Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos Seus sofrimentos, unindo a Ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de Sua Glória.
Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.

Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro.
Alguns loucos, dizem, deturpando totalmente a Escritura, que ela é a Grande Prostituta, a Babilônia, confundindo, por ignorância ou malícia, a Roma imperial com a Roma dos Apóstolos! Nós sabemos que ela é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste.
Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma.

Hoje, a missão de Pedro é exercida por Francisco, o Papa de Roma.
Ao Santo Padre, nossa adesão na fé, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o Papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho. Nossos sentimentos em relação ao Papa não podem ser orientados por simpatia ou antipatia, afinidade ideológica maior ou menor; nossa adesão à Cátedra de Pedro é por convicção de fé que nos Sucessores de Pedro na Sé romana o Senhor instituiu o princípio da unidade na verdadeira fé católica e na caridade. Mais que uma pessoa, o ministério petrino é uma instituição, um ministério de guardião último da fé e da caridade na Igreja de Cristo. O Papa não é o dono da Igreja, mas o primeiro que deve servi-la; não é o dono da doutrina católica, mas seu primeiro guardião, fiel à constante Tradição apostólica, viva na Santa Igreja!

Rezemos, hoje, pelo nosso Papa! Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, sabedoria e discernimento, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os Santos Apóstolos derramaram o próprio sangue.
Ao Senhor, que é admirável nos Seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

*Bispo Diocesano de Palmares/PE

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