O Papa Francisco e o Perdão Universal

papa francisco pombaPor Michelle Neves (*)

Na coletiva de imprensa, que levou o Papa Francisco de volta ao Vaticano, depois de sua viagem à Armênia, surgiu o tema que envolve as pessoas com tendências homoafetivas e a Igreja.

O assunto, partiu da repórter Cindy Wooden, da Catolic News Service – CNS, um canal de perfil católico, com sede em Roma, e com escritórios em outras grandes cidades da América, cuja missão é “informar plenamente, de forma justa e livremente, sobre o envolvimento da igreja no mundo de hoje”, nos exatos termos de seu site institucional.

Sim! Um canal católico questionou o Santo Padre sobre um eventual pedido de desculpas da Igreja Católica aos gays!

E o que isso tem de errado? Absolutamente, nada! É natural e salutar que as pessoas de bem procurem saber o que a Igreja pensa sobre os mais diversos assuntos, inclusive os mais polêmicos, antes de opinar e principalmente de transmitir.

Mas afinal, a Igreja Católica deve pedir desculpas aos gays ou não?

Segundo o Papa Francisco, sim e não.  A Igreja, como tal, não deve pedir desculpas, posto que é Santa, e seu entendimento não é excludente, mas está aberta e é acolhedora para todas as pessoas. Mas os cristãos, a igreja pecadora – e o Papa, na sua infinita humildade, se inclui na lista -, sim.

O Santo Padre falou que é preciso ir além, e não só pedir desculpas, mas pedir perdão, e não só aos gays, mas também, aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas pelo mercado de trabalho.

Como a divulgação nas grandes mídias se limitou a falar sobre os gays, vamos reservar, por um instante, nossa atenção a essas pessoas:

O Catecismo da Igreja Católica, como afirmou o Santo Padre, é claro! Não há que se discriminar os gays, mas acolhê-los, acompanha-los pastoralmente e neste sentido acrescento: deve promover ações que permita-lhes viver a experiência plena da presença de Deus em suas vidas, sem, contudo, abdicar das regras litúrgicas, do magistério da Igreja e do Santo Evangelho.

Estas ações não podem ser voltadas somente para os gays, mas para todos os homens e mulheres, de qualquer idade e condição social, de qualquer credo e, principalmente, para todos os que por alguma razão, consciente ou inconscientemente, tenham se afastado da graça santificante. Logo, corroborando a sabedoria do Sumo Pontífice urge alcançar todas aquelas pessoas que querem e precisam ser acolhidas pelos fiéis católicos.

O que o Santo Padre afirmou nada tem haver com a aceitação ou mesmo tolerância com ideologias que desrespeitam a fé alheia e são perniciosas à dignidade da pessoa humana, à família, à vida; essas ideologias visam o que se conhece como “reengenharia social”, visam legalizar a pedofilia, o aborto, a eutanásia, a liberação das drogas e tantas outras práticas nocivas ao bom e saudável desenvolvimento da sociedade civil.

A nobreza do perdão é própria dos que estão em conformidade com a Missão de Jesus; portanto, aqueles que foram, e são, beneficiados pela misericórdia divina, através dos sacramentos, não só podem, mas devem pedir perdão a todos àqueles (inclusive os gays, pobres, mulheres e crianças) que – por ação ou omissão, negligenciando a sua missão de acolher os irmãos e testemunhar o evangelho -, discriminaram, afastaram ou mesmo silenciaram diante de uma situação de sofrimento.  E atire a primeira pedra quem nunca pecou!

Não só na esfera do Ano Santo, mas o exercício da misericórdia vai muito além do alcance das indulgências.  O que está em questão aqui é a possibilidade de uma verdadeira renovação de vida.  Não é só quem pede perdão, mas também quem acolhe o reconhecimento do erro e o pedido correspondente, se torna protagonista de uma nova realidade, mais justa, fraterna e promissora.

Esta é pedagogia do Santo Padre que, através da cultura do encontro, ensina, dentre outras coisas, que não são as diferenças que nos tornam mais e menos santos, mas a possibilidade de acolhermos em nossos corações o entendimento que todos nós somos filhos de um único Deus, que entregou seu Filho para remissão dos nossos pecados, e nos enviou o Espírito Santo para que nunca mais estivéssemos longe d’Ele.  Esta é a principal razão pela qual cada católico deve, com alegria, a promover a paz e o bem comum.

(*) Ministra do Acolhimento

Fonte:  Portal Arquidiocese do Rio de Janeiro (clique aqui)

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