Liturgia do Dia – 31/07/2016

Lucas 12,13-21“A vida do ser humano, quando voltada apenas para as conquistas materiais, torna-se vazia de sentido e causa de profunda angústia.  Jesus nos revela que nossas vidas não podem consistir na mera abundância de bens, mas em sermos ricos diante de Deus.  é isso que nos fará verdadeiramente felizes e plenos de alegria.”

Primeira leitura:  Eclesiastes 1,2; 2,21-23

Salmo Responsorial:  89

Segunda leitura:  Colossenses 3, 1-5.9-11

Evangelho: Lucas 12,13-21

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Em que consiste a vida do ser humano? Que sentido possui? O que faz realmente, de modo definitivo, uma existência humana valer a pena? Como o homem pode, de verdade, ganhar a vida? – eis algumas perguntas seríssimas para quem deseja viver de verdade e não fazer da existência um tempo perdido e uma paixão inútil.

O Senhor Jesus nos adverte: “A vida do homem não consiste na abundância de bens!” Esta frase recorda-nos uma outra: “O homem não vive somente de pão!” (Mt 4,4). Ao contrário do que o mundo nos quer colocar na cabeça e no coração, não se pode medir o valor de uma vida pelos bens materiais ou pelo sucesso de alguém.

Todos temos um desejo enorme de encontrar um porto seguro para nossa existência. Buscamos segurança: segurança econômica, segurança quanto à saúde, segurança afetiva, segurança profissional, sempre segurança.
O problema tremendo é que nesta vida e neste mundo nada é seguro e toda segurança não passa de uma ilusão, que cedo ou tarde desaba. O Eclesiastes é de um realismo cortante: Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!” – Em outras palavras: pó do pó, tudo é pó; inconsistência da inconsistência, tudo é inconsistência, tudo passa, tudo é transitório e fugaz… E o Salmista hoje faz coro a essa tremenda realidade: “Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: ‘Voltai ao pó, filhos de Adão!’ Pois mil anos para Vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos. De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca”.
O Autor do Eclesiastes coloca a questão tão dramática: será que tudo quanto construímos, será que nossos amores e sonhos, será que tudo isso caminha para o nada? “Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração!” São palavras duríssimas e, à primeira vista, de um pessimismo sem remédio. Mas, não é assim: o Autor sagrado nos quer acordar do marasmo, nos quer fazer compreender que não podemos enterrar a cabeça e o coração no simples dia-a-dia, sem cuidar do sentido que estamos dando à nossa existência como um todo!

Então, onde apostar nossa vida, para que ela realmente tenha um sentido? Como fugir da angústia de uma vida que vai passando como lançadeira do tear – para usar um imagem da Escritura?
É interessante observar como hoje se procura fazer a vida valer a pena… Preocupação com a estética, com a saúde, com a satisfação dos desejos; preocupação em ter os últimos bens de consumo que estão na moda… Preocupação em ser vip na sociedade, em ter prestígio e poder, em se esbaldar no divertimento, nos esportes, nos eventos, no turismo…
Pois bem, a Palavra de Deus nos adverte de modo seco e solene: tudo passa, tudo é vaidade; não consiste nisso a vida de uma pessoa! Com tudo isso, podemos ser infelizes; com tudo isso, podemos danar para sempre nossa única existência; com tudo isso, passaremos, morreremos: seremos uma lembrança, depois, uma saudade, depois ainda um esquecimento! É assim – e não há apelo!

Então, em que consiste a vida?
Que caminho seguir para repousar nosso coração naquilo que não passa?
Como usar as coisas que passam de modo a abraçar as que não passam?
Os cristãos têm uma resposta, que para o mundo é incompreensível. Escutemos o Apóstolo: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do Alto, onde está Cristo, sentado à Direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa Vida está escondida com Cristo em Deus”.
Palavras fortes; palavras que o mundo não poderá nunca compreender!
Para o cristão, a Vida verdadeira é Cristo, Aquele que morreu e ressuscitou, Aquele que Se encontra à Direita do Pai e daí nos doa continuamente o dom do Seu Espírito nos sacramentos! Esse Espírito é Vida, é Paz, é Consolo, é Vigor, é Eternidade, é Energia de ressurreição. Ele ilumina nosso entendimento, cura nossa cegueira, faz-nos perceber as coisas com o olhar luminoso do Senhor!
Nós cremos, portanto, que tudo quanto vivamos com Cristo-Deus e de modo coerente com o Seu Evangelho, é Vida e nos faz felizes, livres e maduros.
Cremos que viver de verdade a vida é apostar Nele a existência, pois somente Nele, no Cristo Senhor, está a Vida verdadeira!
Cremos que viver é viver como Ele viveu. Portanto, revestidos de Cristo desde o Batismo, procuremos viver seriamente a exortação do Apóstolo: “Fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria!”
Façamos nossa existência uma vida transfigurada em Cristo pelo Espírito em total doação ao Pai e aos outros, por amor do Pai. Total despojamento, numa total liberdade – foi assim que o Cristo passou entre nós! Pois bem, é nisso que consiste a Vida verdadeira; é nisto que consiste o que Jesus chama no Evangelho de ser “rico diante de Deus” e não ajuntar tesouros para si apenas. Tesouros aqui é tudo quanto de bom, de valioso, de desejável tenhamos… Tudo isto devemos usar e vivenciar não nos fechando em nós, mas colocando diante de Deus e também a serviço dos outros…

Pensemos bem: num mundo que já não mais sabe olhar para o Alto, num mundo que desaprendeu a ouvir Aquele que tem palavra de Vida eterna, não é fácil viver este caminho de Jesus. E, no entanto, esta é a condição para ser cristão de verdade e para encontrar a verdadeira Vida.
Não queiramos, portanto, reduzir o Evangelho ao tamanho da nossa mediocridade; tenhamos a coragem de dilatar nosso coração, de ampliar nossos horizontes à medida do apelo do Cristo Jesus e de viver a vida de criaturas novas, ressuscitadas para uma Vida nova! Que o Senhor, o Cristo nosso Deus, no-lo conceda, Ele que é bendito pelos século dos séculos! Amém.

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

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