Liturgia do dia – 25/09/2016

estudo do evangelho de lucas“O profeta Amós denuncia a vida extravagante dos esbanjadores, e anuncia que Deus irá tratá-los com justiça.  Jesus, na parábola do rio e do pobre Lázaro, reafirma que Deus escolhe os pequenos e oprimidos para estarem a seu lado.  Feliz quem combate a batalha da vida com fé e segue os mandamentos do Senhor, pois repousará no colo amoroso do Pai Celestial!”

Primeira leitura:  Amós 6, 1a.4-7

Salmo Responsorial:  145

Segunda leitura:  1Timóteo 6, 11-16

Evangelho:  Lucas 16, 19-31

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Meditação por Dom Henrique Soares da Costa

Antes de entrar no tema próprio da Palavra de Deus deste Domingo, convém chamar atenção para três idéias do Evangelho que desmentem três erros que se pregam por aí afora:

(1) Jesus hoje desmente os que afirmam que os mortos estão dormindo. É verdade que, antes do Exílio de Babilônia, quando ainda não se sabia em Israel que havia ressurreição, os judeus e seus textos bíblicos diziam que quem morria iria dormir junto com os pais no sheol, isto é, na mansão dos mortos. Tal ideia foi superada já no próprio Antigo Testamento, lá pelo século II antes de Cristo, quando Israel compreendeu que o Senhor nos reserva a ressurreição: “Quanto a mim, estou sempre Contigo! Minha carne e meu coração podem se consumir: a rocha do meu coração é Deus para sempre!” (Sl 73/72,23.26) – rezava um salmista desta época… Então, os judeus pensavam que quem morresse, ficava bem vivo, na mansão dos mortos, à espera do Julgamento Final. Já aí, havia uma mansão dos mortos de refrigério e paz, para os amigos de Deus, e uma mansão dos mortos de tormento para os ímpios: “Sim, os que se afastam de Ti se perdem!” (Sl 73/72,27) É esta crença que Jesus supõe ao contar a parábola do mau rico e do pobre Lázaro. Então, nem mesmo para os judeus, que não conheciam o Messias, os mortos ficavam dormindo! Quanto mais para nós, cristãos, que sabemos que “nem a morte nem a vida nos poderão separar do amor de Cristo” (Rm 8,38-39). Afirmar que os mortos em Cristo ficam dormindo é desconhecer o poder da ressurreição de Nosso Senhor. Muito pelo contrário, para nós, como para São Paulo, o desejo do cristão é “partir para estar com Cristo” (Fl 1,23). Deus nos livre da miséria de pensar que os mortos em Cristo ficam presos no sono da morte!

(2) Outro erro que a parábola corrige é aquele de quem prega que o inferno não é eterno. Muitas vezes nas Escrituras – e aqui também – Jesus deixou claro que o Céu e o inferno são por toda a eternidade. Na parábola, aparece claro que “há um grande abismo” entre um e outro! Assim, cuidemos bem de viver unidos ao Senhor nesta única vida que temos, pois “é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9,27). Que ninguém se iluda com falsas esperanças e vãs ilusões, como a reencarnação! Acolhamos com fé o que nos foi revelado pela Palavra do Senhor!

(3) Note-se também como os mortos não podem voltar, para se comunicarem com os vivos. O cristão deve viver orientado pela Palavra de Deus e não pela doutrina dos mortos! Morto não tem doutrina, morto não volta, morto não se comunica com os vivos! É ingenuidade e ignorância atribuir aos mortos fenômenos que são fruto do nosso inconsciente! Além do mais, os judeus não pensavam que os espíritos se comunicassem com os vivos: a comunicação com os mortos é peremptoriamente proibida nas Escrituras Sagradas! O modo de comunhão com os mortos é a oração, é entrega-los ao Cristo nosso Deus, Senhor da Vida, que tem vivos e mortos nas Suas mãos benditas! Observe-se bem que o que o rico pede é que Lázaro ressuscite, não que apareça aos vivos como um espírito desencarnado. Daí, a resposta de Jesus: “Eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”!

Com estes esclarecimentos, vamos à mensagem da Palavra para este hoje.

Jesus continua o tema de Domingo passado, quando nos exortou a fazer amigos com o dinheiro injusto. Este é o pecado do rico do Evangelho de hodierno: não fez amigos com suas riquezas! Se tivesse aberto o coração para Lázaro, teria um amigo a recebê-lo no Céu!
É importante notar que esse rico não roubou, não ganhou seu dinheiro matando ou fazendo mal aos outros. Seu pecado foi unicamente viver somente para si: “se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias”. Ele foi incapaz de enxergar o “pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava no chão”, à sua porta.

“Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas”. O rico nunca se incomodou com aquele pobre, nunca perguntou o seu nome – nome que Deus conhecia! –, nunca procurou saber sua história, nunca abriu a mão para ajudá-lo, nunca deu-lhe um pouco de seu tempo. O rico jamais pensou que aquele pobre, cujo nome ninguém importante conhecia, era conhecido e amado por Deus. Não deixa de ser impressionante que Jesus chama o miserável pelo nome, mas ignora o nome do rico! É que o Senhor Se inclina para o pobre, mas olha o rico de longe! Afinal, os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos!

É esta falta de compaixão e de solidariedade que Jesus não suporta, sobretudo nos Seus discípulos; não suporta em nós! Já no Antigo Testamento, Deus recrimina duramente os ricos de Israel: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho; os que cantam ao som da harpa, bebem vinho em taças, se perfumam com os mais finos ungüentos e não se preocupam com a ruína de José”. É necessário que compreendamos isso: não podemos ser cristãos sem nos dar conta da dor dos irmãos, seja em âmbito pessoal seja em âmbito social.

Olhemos em volta: a enorme parábola do mau rico e do pobre Lázaro se repetindo nos tantos e tantos pobres do nosso País, do nosso Estado, da nossa Cidade, muitas vezes bem ao lado da nossa indiferença. Pensemos no dinheiro miseravelmente surrupiado dos cofres públicos por aqueles que deveriam governar com retidão, empregando o dinheiro de todos para os bem de todos, sobretudo dos menos favorecidos! Como o mau rico, estamos nos acostumando com os meninos de rua, com os cheira-colas, com os miseráveis e os favelados, com o assassinato dos moradores de rua… E uma das causas da existência desses é a corrupção estrutural! A advertência do Senhor é duríssima: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião… e não se preocupam com a ruína de José!”

Talvez, ouvindo essas palavras, alguém pergunte: mas, que posso eu fazer? Pois eu digo: comece por votar com vergonha nestas eleições municipais! Não vote nos ladrões, não vote por interesse, não vote nos corruptos, não vote nos descomprometidos com os mais fracos, não vote em que não tem nada além de palavras e promessas vazias! Não vote nos partidos que instalaram neste Brasil a República da Propina! Nada justifica a corrupção, nada pode ser álibi para a gatunagem com o dinheiro público!

Vote com sua consciência, vote buscando o bem comum! Dê-se ao trabalho de escolher com cuidado seus candidatos, dê-se ao trabalho, por amor aos pobres, de pensar bem em quem votar!

Só isso? Não! Olhe quem está ao seu lado: no trabalho, na rua, no sinal de trânsito, no seu caminho. Olhe quem precisa de você: abra o coração, abra os olhos, abras as mãos, faça-se próximo do seu irmão e ele o receberá nas moradas eternas.

Durante dois domingos seguidos o Senhor nos alertou para nosso modo de usar nossos bens… Fomos avisados! Um dia, ele nos pedirá severíssimas contas!
Que pela Sua graça, nós tenhamos, um dia, amigos que nos recebam nas Moradas eternas. Amém.

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

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