Liturgia do Dia – 09/10/2016

Lucas 17, 11-19“Naamã, após ser curado, volta para agradecer; e do mesmo modo agiu o leproso curado por Jesus.  Como anda nosso coração nas atitudes de generosidade e gratidão? Quem é amado mostra sua fé na gratidão.”

Primeira leitura:  2Reis 5,14-17

Salmo Responsorial:  97

Segunda leitura:  2 Timóteo 2, 8-13

Evangelho:  Lucas 17, 11-19

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Meditação para este Domingo, por Dom Henrique Soares da Costa (*)

Salta aos olhos a mensagem da Palavra de Deus neste Domingo: a gratidão, o reconhecimento cheio de amor pela ação benéfica de Deus na nossa vida. Gratidão e ingratidão – eis o que aparece nas leituras de hoje!
Primeiro, a gratidão de Naamã, um pagão, inimigo de Israel, lá no século IX antes de Cristo, que, no entanto, sabe ser grato a Deus. Curado de sua lepra, voltou para agradecer ao profeta Eliseu e, como sinal de conversão ao Deus verdadeiro, levou terra de Israel para Damasco, sua cidade, para, sobre essa terra, adorar a Deus.
Também a gratidão de outro pagão, o leproso samaritano sem nome, que soube, reconhecido, voltar a Jesus “para dar glória a Deus”, E foi salvo, graça à sua fé! Curado da lepra do corpo, foi também curado no seu coração, graças à sua gratidão!
Mas também, hoje, aparece a ingratidão Nove leprosos, filhos do povo de Israel, que curados, não retornam para agradecer o dom… Dez foram curados, somente um foi salvo: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou!”

Estejamos atentos! Hoje, temos tudo. Chegamos a um alto grau de desenvolvimento tecnológico e científico, compreendemos tantos dos processos e dinamismos da natureza e, num mundo ativista e autossuficiente, temos a sensação ilusória que nos bastamos, que tudo é nosso, que tudo é fruto de nossos esforços, que tudo foi conquista nossa, simplesmente. Vamos nos tornando cegos para a presença cuidadosa, providencial e cheia de amor de um Deus que sempre vela por nós…
É impressionante como o mundo nos vai tornando dormentes, insensíveis mesmo, para Deus! A vida já não mais é percebida como um dom e do nosso coração já não mais brota a ação de graças.
Mas, uma vida assim é ela mesma, sem graça, ela mesma uma “des-graça”! Somente quando abrimos o coração e os olhos da fé, podemos perceber que tudo é graça, imenso dom de um Amor sem fim e, então, seremos realmente curados de uma vida sem sentido e libertos para correr livres nos caminhos da existência. Poderemos ouvir a palavra de Jesus: “Levanta-te e vai! A tua fé te salvou!” Mas, para isso – nunca esqueçamos – é necessário um coração de pobre, um coração humilde, que reconheça que tudo quanto possuímos foi recebido de Deus, para lá de todo mérito e esforço nosso.

Vale, então, no corre-corre da vida, a advertência de São Paulo, na segunda leitura de hoje: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos!”
Lembrar-se de Cristo é tê-Lo como palavra última e total de amor que o Pai nos pronunciou.
Lembrar-se de Jesus é nunca esquecer que Deus está conosco, amando-nos, perdoando-nos e acolhendo-nos como Deus providente e misericordioso.
Lembrar-se de Jesus morto e ressuscitado é nunca duvidar da misericórdia de Deus e de Seu compromisso na nossa existência e na existência do mundo.
“Lembra-te de Jesus Cristo ressuscitado! Merece fé esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com Ele ficamos firmes, com Ele reinaremos. Se nós O renegarmos, também Ele nos negará. Se Lhe formos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-Se a Si mesmo!”
Aqui está o motivo último e irrevogável de toda a nossa gratidão a Deus: Jesus Cristo, dado-nos como carinho e fidelidade do Pai!
É de tal modo este dom, tão irrevogável, tão absoluto, que vale a pena morrer com Ele para, Nele, viver uma vida nova; vale a pena sofrer com Ele para, Nele, reinarmos.
É interessante como o Apóstolo sublinha a fidelidade amorosa de Deus em Jesus: “Se Lhe somos infiéis, Ele permanece fiel!” Eis um Deus que não se escandaliza com nossas debilidades, mas é sempre disposto a recomeçar conosco. “Se nós O negamos, também ele nos negará”… Esta é a única atitude que nos faz perdê-Lo para sempre: a ingratidão de negá-Lo em nossa vida, de fecharmo-nos de tal modo para ele, que já não mais O reconheçamos, que já não mais deixemos que Ele seja o Senhor de nossa existência, que já não mais percebamos que tudo é graça, tudo é presente de amor.

Cuidemos, então, do modo como estamos construindo a nossa existência: como um fechar-se sobre nós mesmos, na autossuficiência, ou como uma abertura livre e filial, pronta a acolher e viver a vida como um dom do Senhor. Como cantam os focolares: “Se um dia perguntares quem sou, não direi o meu nome. Direi: ‘Obrigado’, por tudo e pra sempre, ‘obrigado, obrigado’”!

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

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