A árvore de Aleppo

jesus-natalPor Michelle Neves
Ministra do Acolhimento

Após cinco anos do início da guerra civil na Síria, a população da cidade de Aleppo, devastada pela ação humana, acolheu com alegria a construção de um dos mais significativos símbolos do cristianismo para esta época do ano, a árvore de Natal.

Construída no bairro cristão de Aziziyeh, localizado na zona oeste da cidade, às vésperas do Natal, a árvore é o primeiro sinal da libertação do povo de Aleppo, como afirmou o responsável pela Associação que ajuda aos cristãos do Oriente, Alexandre Goodarzy, que em entrevista concedida a ACI Imprensa também afirmou: “estão [todos] muito felizes, porque para eles é o símbolo da vinda de Jesus, da paz, para eles é o Senhor da paz que está voltando para as suas vidas. Estão felizes de ver o símbolo do Natal. Inclusive os muçulmanos estão contentes com esta grande árvore.”

O sentimento que pairou nos corações de Aleppo tem fundamento.  A relação entre a árvore e o nascimento do Menino Deus, remonta do século VII, na Europa Central.  São Vilfrido, (634-710) um monge anglo-saxão que encontrava dificuldades em fazer a comunidade pagã abandonar os ídolos e acolher a realização da promessa messiânica, protagonizou a história.

Conta a lenda que ele resolveu derrubar um velho e cultuado carvalho, que se encontrava diante de sua igreja e no momento em que este caía armou-se uma enorme tempestade. Quando os galhos tocaram o chão com grande estrondo, um raio partiu o tronco em quatro grandes pedaços, espalhando estilhaços de madeira por toda a parte. Mas, um pinheirinho, muito novo e verde, que nascera exatamente no lugar da queda, havia permanecido milagrosamente incólume.

Na noite de Natal, São Vilfrido associou o ocorrido ao nascimento do Jesus, ressaltando que o pinheirinho se conservava sempre verde, mesmo no inverno mais rigoroso e que, por isso, ele poderia também ser considerado um dos símbolos da imortalidade. A didática de São Vilfrido foi, ano após ano, sendo acolhida pelo povo e mais tarde repetida por São Bonifácio (637-754), numa pequena cidade da Alemanha, sempre no tempo de natal, onde o solstício hibernal era normalmente carregado de tempestades e vendavais.

A associação entre a árvore e o nascimento de Jesus também despertou o interesse do povo por outras passagens bíblicas, cuja a árvore aparecia como um elemento importante: árvore da vida no meio do jardim que distanciava a morte, oferecendo a possibilidade da eternidade; o Cristo declarado como o tronco, os seus seguidores como ramos e as boas obras (justiça, amor e paz) como frutos; a figueira que precisava ser podada (a renúncia ao pecado) para dar frutos, o madeiro da cruz, no qual Jesus, crucificado e morto, nos libertou e abriu as portas do paraíso à todos.

A árvore de Aleppo, não por mero acaso, abraça todas essas realidades, e clama ao mundo, seja acolhido Aquele que vem, para que todos tenham vida, e vida em abundância.

Paz na Terra!

 

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