Entre lobos com pele de cordeiros: é preciso discernir

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No final do século XIX, na Rússia Czarista, foi publicado uma série de documentos que remetiam autoria a um determinado grupo de judeus, ditos, inclinados a dominar o mundo a partir de suas premissas e modus operandi, em detrimento e para o cerceamento da liberdade das nações e de todas as culturas, espiritualidades e etnias. Passados muitos anos, e depois de muitos estragos em escala mundial, diversos cientistas comprovaram que os aludidos documentos eram uma farsa, com o único objetivo de enfrentar, sem êxito, uma ameaça ao poder estabelecido e que por diversas razões não se sustentava mais.

Embora falaciosas, as premissas imputadas nos documentos, cuja publicação hoje é proibida em diversos países, nutriram desde então, inúmeras mentes mal intencionadas, em todos os níveis das relações sociais possíveis, chegando assim à casa de milhões de adeptos, cujo apreço pelo uso da razão e à verdade, nem sempre acompanha a voracidade pelo poder.

O embuste, tão rudimentar quanto imbecilizante partia da ideia de promover o medo e apontar um inimigo, que pode ser ou não específico, mas que é capaz de contaminar e assegurar um grande mal a toda sociedade. Uma vez estabelecido o medo, os interesses do seu promotor, visto agora como o grande herói e salvador da pátria, do qual todos dependiam, teriam assim, a realização garantida.

A grande falha da proposta é desconsiderar que nem todos são tão inocentes, a ponto de serem incapazes de apontar a incoerência no discurso proferido, que anos após anos, apresentou poucas variantes: uns mais agressivos, outros de humor ácido e debochado, outros ainda demonstrando uma falsa inocência e boa-fé.

O motivo pelo qual tantos ainda persistem em adotar o modelo farsante é a quantidade de inocentes úteis que insistem em multiplicar suas ideias, sem ao menos dedicar alguns minutos de seu tempo para uma leitura atenta dos fatos, criando assim, um verdadeiro exército de coscuvilheiros e especialistas em compartilhamentos cegos, que se multiplicam num piscar de olhos, especialmente nas denominadas fanpages e blogs, financiados não se sabe por quem, e com qual interesse.

Lamentavelmente, a Igreja também amarga as incongruências e mentiras propagadas por ideólogos das mais diferentes espécies. Hoje não basta distorcer os posicionamentos do Santo Padre, não basta apontar a Igreja como a responsável pela opressão à mulher, ao negro, aos homossexuais,  ao emperramento do avanço social e científico, a falta de liberdade (ou libertinagem) sexual, a descriminalização do aborto, a dificuldade para aprovação da redução da maioridade penal e toda sorte de aberrações, cujos argumentos não se sustentam pelo uso da razão lógica.

O modelo hoje é disseminar o ódio e a divisão dentro da própria Igreja, é caminhar no sentido contrário a cultura do encontro e ao diálogo inter-religioso, pois no mundo não há espaço para o outro, senão subjugado à minha vontade.  O grande pulo do gato, que diga-se de passagem, não é tão esperto quanto pensa, é fazer uso da imagem do bom cristão, vestir a pele do cordeiro, e buscar esconder a personalidade do lobo feroz, interesseiro, beliquoso, amante da auto-promoção, sensacionalista, que cai na própria armadilha, por defender premissas absolutamente contrárias ao Evangelho, ao Magistério da Igreja e àquilo que se conhece como bem comum.

A inocência pode até ser irmã da ignorância, como afirmava Cândido de Figueiredo, todavia, não se assemelham e ambas sofrem inevitavelmente os efeitos da evolução.  Assim, o que se faz e o que se compartilha, jamais pode ser considerado, hoje, causa ou consequência de uma delas.

Tanto os que promovem como os que se deixam instrumentalizar por ideias contrárias ao Evangelho e ao Magistério da Igreja, através de publicações ou mesmo pelas personalidades “midiáticas”, são igualmente responsáveis pelo sofrimento de tantos pobres e necessitados, estes sim, vítimas da promoção da confusão e do medo, que os afasta da Verdade e os coloca frente a frente com os lobos.

É importante que todo cristão católico, leigo ou não, atente para essa realidade e assuma o compromisso de ser luz do mundo e sal da terra, inclusive nas redes sociais. Fazer a leitura dos fatos é uma exigência cada vez maior no mundo de hoje, e não se trata de separar o joio e o trigo, posto que isso será feito no tempo oportuno, mas de discernir o que é Luz e o que é Treva, antes de emitir sua opinião, que deve ser coerente com a fé professada e não atender os interesses despudorados das conspirações imperialistas e diabólicas da atualidade.

Michelle Neves

Ministra do Acolhimento
Coordenadora dos Blogueiros Católicos do Rio de Janeiro

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