Liturgia do Dia – 15/01/2017

joão 1, 29-34“Deus nos chama à santificação em Jesus Cristo, o qual João Batista reconheceu como o ‘Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. Nele estão nossa vida e salvação, a santidade e a paz.”

Primeira leitura:  Isaías 49, 3.5-6

Salmo Responsorial:  39

Segunda leitura:  1 Coríntios 1,1-3

Evangelho:  João 1, 29-34

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Meditação para o II Domingo Comum

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

Amados em Cristo, este Domingo é o primeiro após o encerramento do santo Tempo do Natal e marca o início da segunda semana do Tempo Comum, tempo verde, que celebra o mistério de Cristo, Sua ação salvífica entre nós, no miúdo dia-a-dia de nossa existência.
A beleza do Tempo Comum, caros irmãos, é aquela de nos permitir, a conta-gotas, na miudeza da vida diária, domingo após domingo, encher a nossa vida pequena com a Eternidade de Deus. Por isso também a cor verde, que significa a esperança de quem sabe que o Cristo Emanuel, morto e ressuscitado, estará para sempre conosco.
Que graça tão grande: nos símbolos, nos gestos, nos sinais, nas palavras da Sagrada Liturgia, entrarmos em contato com os gestos salvadores do próprio Cristo, do Santo Messias que nasceu para nós e, morto e ressuscitado, enche-nos de Vida divina! Por isso, o cristão tem força, por isso o cristão tem algo diferente e novo a dizer ao mundo, por isso o cristão é sal e luz!

É na Santa Liturgia que tudo começa, é aqui que nosso encontro com o Cristo torna-se real e transformador de nossa vida e, através de nós, transformador da vida do mundo!

Mas, vamos à liturgia da Palavra deste hoje! Observai que ecoa ainda a Festa do Batismo do Senhor. Naquela Festa, este ano ocorrida na segunda-feira passada, testemunhamos que no Jordão, o Pai ungiu Jesus com o Espírito Santo, utilizando as palavras iniciais do primeiro dos quatro cânticos do Servo Sofredor anunciado no Profeta Isaías: “Este é o Meu Filho amado, no qual Eu pus o Meu agrado!” (Mt 3,17; cf. Is 42,1).

Pois bem, a primeira leitura desta nossa Missa de agora é o segundo cântico do Servo.

Seguindo a indicação do próprio Pai, a Igreja vai contemplando hoje a Pessoa e a missão de Jesus: Ele é o Ungido de Deus, é aquele mesmo Servo profetizado por Isaías, aquele que iria salvar Israel e a humanidade pelo caminho da mansidão, da humilhação e da vida oferecida como sacrifício. Ele é todo aberto e obediente em relação ao Pai: Nele o Senhor Deus será glorificado; Ele vem para Israel, mas também será luz para iluminar todas as nações da terra, vem para nós, para mim, para vós, para este mundo ferido e cansado!
Cabem bem neste bendito e santo Servo de Deus as palavras do Salmo da Eucaristia de hoje: “Sacrifício e oblação não quisestes,/ mas abristes, Senhor, meus ouvidos./ E então eu Vos disse: ‘Eis que venho!/ Com prazer faço a Vossa vontade!’” É este Jesus manso, obediente ao Pai, disponível para conosco, capaz de entregar toda a vida pelo mundo, que vamos contemplar durante todo o Ano Litúrgico!

Mas, voltemos ainda às margens do Jordão! Aí, João Batista hoje nos apresenta Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. “Cordeiro”, em aramaico, diz-se talya, que quer dizer também “servo”.  Jesus, portanto, é o Cordeiro-Servo de Deus que vem tirar o pecado do mundo. Ele é o Servo sofredor que vem tomar o lugar dos antigos cordeiros imolados pelo pecado de Israel. Na Sua vida humilde até a cruz, Nosso Senhor tomará sobre Si os pecados de toda a humanidade e nos redimirá! Por isso, o Pai O encheu com a plenitude do Espírito Santo, que O ungiu e Nele permaneceu em toda a Sua obra de salvação.

É este mesmo Santo Espírito que Jesus, uma vez ressuscitado, derramou sobre nós como Unção bendita que nos santificou. Por isso mesmo, na segunda leitura de hoje, São Paulo afirma que somos santos e também chamados a ser santos:
“Santos” porque marcados pelo Santo Espírito, consagrados em Cristo Jesus, por Ele renovados para uma Vida nova.

“Chamados a ser santos” porque é necessário que vamos nos abrindo ao Senhor, deixando-nos por Ele plasmar, por Ele transformar, tendo Seus sentimentos e atitudes, até que sejamos presença e transparência Dele no coração do mundo em que vivemos.

Irmãos amados no Senhor, ser santos é, portanto, viver em Jesus e ser como Jesus! E o caminho para isso é compreender que o Senhor Se manifesta na humildade, na simplicidade, na pobreza, no abandono nas mãos de Deus, na obediência à vontade do Pai, no amor que é capaz de entregar a vida. Recordai, caríssimos, as bem-aventuranças e, então, conhecereis o coração de Jesus e o que significa, concretamente, o chamado a ser santos!

Mas, atenção! Tudo isto é contrário ao sentir do mundo! O que vale para a nossa sociedade atual é a autoafirmação, é o sucesso, é o desfrutamento da vida até o excesso, é a realização de todos os caprichos, a satisfação de todas as paixões… Não estou falando de coisas distantes! Não! Olhai bem e vereis que esta é a tendência presente na dia de tantas famílias, no nosso trabalho, entre os nossos amigos, na nossa casa e até mesmo no nosso próprio coração! Entrar na dinâmica de Jesus, o Servo de Deus, humilde e obediente ao Pai até a morte, exige de nós conversão; exige crer de verdade que Deus é nosso sustento, nossa segurança, o alento da nossa vida e nossa verdadeira e última riqueza.

Ó cristãos do século XXI, dos princípios do terceiro milênio! Não tenhais medo de Jesus! O Batista hoje nos diz: “Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!” Acreditemos, pois: em Jesus está a Vida, em Jesus a salvação, em Jesus o sentido da existência, em Jesus a esperança da ressurreição que vence a morte! Não esqueço as palavras, o desafio de Bento XVI, o Papa Emérito, ao início do seu pontificado: “Não tenhais medo! Abri de par em par as portas a Cristo!

Porventura não temos todos nós, de um modo ou de outro, medo, se deixar entrar Cristo totalmente dentro de nós? Medo de, nos abrindo completamente a Ele, Ele possa tirar-nos algo da nossa vida?

Não temos porventura medo de renunciar a algo de grandioso, único, que torna a vida tão bela?

Não correríamos o risco, depois, de nos encontrarmos na angústia e privados da liberdade?
Não!

Quem faz entrar Cristo, nada perde, nada absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande.

Não!

Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida!

Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana.
Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta.

Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje: não tenhais medo de Cristo!

Ele não tira nada, Ele dá tudo!

Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo.

Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a Vida verdadeira! Amém”.

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