Liturgia do Dia – 31/03/2017

João 7, 1-2.10.25-30“O Justo de Deus é acusado porque fez o bem, perdoou os pecadores, libertou oprimidos, curou doentes.  Por que os justos são perseguidos? O bem é muito mais exigente do que o mal e a eliminação dos que o praticam.”

Primeira leitura:  Sabedoria  1a. 12-22

Salmo Responsorial:  33

Evangelho:  João 7, 1-2.10.25-30

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A Catequese do Papa Francisco – 29/03/2017

brasão-papa_-Francisco

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 29 de março de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho da Carta de São Paulo aos Romanos que acabamos de ouvir nos dá um grande presente. De fato, estamos habituados a reconhecer em Abraão o nosso pai na fé; hoje, o Apóstolo nos faz compreender que Abraão é para nós pai na esperança; não somente pai da fé, mas pai na esperança. E isso porque no seu relato podemos já colher um anúncio da Ressurreição, da vida nova que vence o mal e a própria morte.

No texto se diz que Abraão acredita no Deus “que dá vida aos mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4, 17); e depois precisa: “Ele não vacilou na fé, mesmo vendo já como morto o próprio corpo e morto o seio de Sara” (Rm 4, 19). Bem, esta é a experiência que somos chamados a viver também nós. O Deus que se revela a Abraão é o Deus que salva, o Deus que faz sair do desespero e da morte, o Deus que chama à vida. Na história de Abraão tudo se torna um hino ao Deus que liberta e regenera, tudo se torna profecia. E o torna para nós, para nós que agora reconhecemos e celebramos o cumprimento de tudo isso no mistério da Páscoa. Deus, de fato, “ressuscitou Jesus dos mortos” (Rm 4, 24), para que também nós possamos passar Nele da morte à vida. E realmente, então, Abraão pode muito bem ser chamado “pai de muitos povos”, enquanto resplandece como anúncio de uma humanidade nova – nós! – resgatada por Cristo do pecado e da morte e introduzida de uma vez por todas no abraço do amor de Deus.

Neste ponto, Paulo nos ajuda a colocar em foco o laço estreitíssimo entre a fé e a esperança. Ele de fato afirma que Abraão “acreditou, firme na esperança contra toda esperança” (Rm 4, 18). A nossa esperança não se rege por raciocínios, previsões e seguranças humanas; e se manifesta lá onde não há mais esperança, onde não há mais nada em que esperar, justamente como acontece com Abraão, diante de sua morte iminente e da esterilidade da mulher Sara. Aproximava-se o fim para eles, não podiam ter filhos e naquela situação Abraão acreditou e teve esperança contra toda esperança. E isso é grande! A grande esperança se enraiza na fé, e justamente por isso é capaz de seguir além de toda esperança. Sim, porque não se baseia na nossa palavra, mas na Palavra de Deus. Também neste sentido, então, somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que, mesmo diante da evidência de uma realidade que parece destinada à morte, confia em Deus, “plenamente convencido de que o que ele havia prometido também era capaz de cumprir” (Rm 4, 21). Eu gostaria de fazer uma pergunta a vocês: nós, todos nós, estamos convencidos disso? Estamos convencidos de que Deus nos quer bem e que tudo aquilo que nos prometeu está disposto a cumprir? Mas, padre, quanto devemos pagar por isso? Há somente um preço: “abrir o coração”. Abram seus corações e esta força de Deus vos levará adiante, fará coisas milagrosas e vos ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração à fé e Ele fará o resto.

Este é o paradoxo e ao mesmo tempo o elemento mais forte, mais alto da nossa esperança! Uma esperança baseada sobre uma promessa que, do ponto de vista humano, parece incerta e imprevisível, mas que não diminui nem diante da morte, quando quem promete é o Deus da Ressurreição e da vida. Não é qualquer um que promete! Aquele que promete é o Deus da Ressurreição e da vida.

Queridos irmãos e irmãs, peçamos hoje ao Senhor a graça de permanecermos fundados não tanto sobre as nossas seguranças, sobre as nossas capacidades, mas sobre a esperança que decorre da promessa de Deus, como verdadeiros filhos de Abraão. Quando Deus promete, cumpre o que prometeu. Nunca falta à sua palavra. E então a nossa vida assumirá uma luz nova, na consciência que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará também a nós e nos tornará realmente uma só coisa com Ele, junto a todos os nossos irmãos na fé. Nós todos acreditamos. Hoje estamos todos na praça, louvamos ao Senhor, cantaremos o Pai Nosso, depois receberemos a benção…Mas isso passa. Mas essa é também uma promessa de esperança. Se hoje temos o coração aberto, asseguro-vos que todos nós nos encontraremos na praça do céu que nunca passa. Essa é a promessa de Deus e esta é a nossa esperança, se nós abrimos os nossos corações. Obrigado.

Liturgia do Dia – 28/03/2017

joão 5, 1-16“A Palavra é fonte geradora e recriadora de vida.  O Senhor coloca o nosso alcance sua verdade que gera liberdade e dignidade.  A Palavra conduz para dentro da vida aqueles que têm fé. “

Primeira leitura: Ezequiel 47, 1-9.12

Salmo Responsorial:  45

Evangelho:  João 5, 1-6

Liturgia do Dia – 26/03/2017

João 9, 1-41 ou 1.6-9.13-17.34-38“Acolher a Palavra é acolher o próprio Cristo, que por meio dela vem a nosso encontro.  O Evangelho desperta-nos do sono e da morosidade com que muitas vezes vivemos nossa fé.  Na luz caminhamos para a Páscoa.”

Primeira leitura:  1Samuel 15, 1b.6-7.10-13a

Salmo Responsorial:  22

Segunda leitura:  Efésios 5, 8-14

Evangelho: João 9, 1.6-9.13-17.34-38

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Meditação para este IV Domingo da Quaresma
+ Pausa no Retiro Quaresmal +

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. Não esqueçamos que em muitas paróquias adultos estão terminando seus preparativos para o Batismo.

No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que Jesus é o Messias que dá a verdadeira água do Espírito Santo, água que jorra para a Vida eterna.

Neste hoje, “ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença”. Esse homem simboliza os judeus; pode simbolizar também a humanidade toda: enquanto não somos dados à luz no Batismo, somos cegos, nascemos cegos! Nunca esqueçamos que cristãos nos tornamos pela fé e o Batismo! Ninguém nasce cristão!

Os discípulos, apegados a uma crença popular antiga, tão combatida por Jeremias e Ezequiel, pensavam que o cego estava pagando pelos pecados seus ou dos seus antepassados. É a uma crença errada, semelhante à superstição da reencarnação: “Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” Não há resposta, não há explicação! Os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no Seu amor, se nos abandonarmos nas Suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece: “Nem ele nem seus pais pecaram: isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele!” Até na dor e no sofrimento Deus está presente quando somos abertos à sua presença. Pena que nosso mundo superficial e incrédulo não compreenda isso… Se se abrisse para Jesus, o Inocente crucificado e morto… Na sua luz, contemplamos a luz da Vida: “Enquanto estou no mundo, Eu sou a luz do mundo!” Mas, o nosso mundo se fecha na sua racionalidade cega e orgulhosa…

Jesus, cospe no chão e faz lama. A saliva, para os judeus, continha o espírito; simboliza, então, como a água, o dom do Espírito. Ao colocar a lama de Sua saliva infundida no barro, Jesus como que repete o gesto do Senhor Deus no Gênesis, criando o homem do pó da terra e insuflando em suas narinas o Sopro da vida! Depois, Jesus ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!” É a piscina do Enviado de Deus, do Messias, imagem da piscina do nosso Batismo, na qual somos iluminados pelo Senhor que é luz do mundo! Por isso o homem vai e retorna vendo.

Eis o que é o cristão, o discípulo de Cristo: aquele que era cego, foi lavado na piscina batismal e voltou vendo. Porque ele vê, os judeus o expulsam da sinagoga, como o mundo também nos expulsa de sua amizade a apreço! Não somos do mundo, como o Senhor nosso não é do mundo; Ele nos separou do mundo! Agora, curado da cegueira, aquele que foi iluminado pode ver Jesus; ver com a fé, ver a realidade mais profunda, ver que ele é o Senhor, Filho de Deus: “’Acreditas no Filho do Homem?’ ‘Quem é, Senhor para que eu creia nele?’ Jesus disse: ‘Tu o estás vendo; é Aquele que está falando contigo!’” Para isso te curei, para isso fiz-te enxergar! “’Eu creio, Senhor!’ E prostrou-se diante de Jesus!”

Também nós, fomos iluminados pelo Cristo no Batismo. Na Igreja Antiga, um dos nomes do sacramento batismal era “photismós”, iluminação, porque, renascidos em Cristo, os cristãos, curados da cegueira do pecado e da morte, passam a ver a Luz verdadeira! Para nós valem as palavras de São Paulo: “Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor! Vivei como filhos da luz! Não vos associeis às obras das trevas!”

Eis, caros irmãos: iluminados por Cristo não podemos pensar como o mundo, sentir como o mundo, agir como o mundo! Devemos viver na luz e ser luz para o mundo!

Mas, não é fácil; não basta querer! Sem a graça do Senhor, nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis! Por isso a necessidade dos exercícios quaresmais; por isso a oração, a penitência e a caridade fraterna, por isso a necessidade da confissão de nossos pecados!

Não nos esqueçamos: não poderemos zombar de Cristo: seremos julgados na Sua luz: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos!” – Eu vim para revelar a luz aos humildes, aos que se abrem à Minha Palavra e à Minha Presença, e vim revelar a cegueira do mundo confiado na sua própria razão, na prepotência de seus próprios caminhos! Porque este mundo diz que vê, que sabe, que está certo, seu pecado permanece; somente se abrir-se para a luz do Cristo, caminhará na luz e enxergará de verdade!

E nós, caminhamos na Luz ou permanecemos nas trevas? Que o Senhor ilumine a nossa vida e nos faça, na Sua Luz, vermos a luz. Amém!

24 horas para o Senhor – 24a. hora

D24 horas para o senhor blogos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo

Ps.32,29:CCL38,272-273)

(Séc.V)

Aqueles que estão de fora, queiram ou não, são nossos irmãos.

Irmãos, exortamos-vos instantemente à caridade, não apenas entre vós, mas também em relação aos que estão de fora, quer sejam os ainda pagãos e descrentes, quer se tenham separado de nós, e de modo que, professando conosco a Cabeça, separaram-se do corpo.

Sintamos pesar por eles, irmãos, porque eles continuam sendo nossos irmãos. Quer queiram, quer não queiram, são nossos irmãos. De fato, só deixariam de ser nossos irmãos se deixassem de dizer: Pai nosso.

Assim o Profeta falou de alguns: Àqueles que vos dizem: Não sois irmãos nossos, respondei: Sois nossos irmãos. Observai de quem se poderia dizer isto, será que dos pagãos? Não, pois nem os chamamos de nossos irmãos segundo as Escrituras e o modo de tratar da Igreja. Será que dos judeus que não creram em Cristo?

Lede o Apóstolo e notai que quando fala de “irmãos” sem mais, somente se refere aos cristãos: Tu, porém, por que julgas teu irmão, ou tu, por que desprezas teu irmão? E em outro trecho: Vós cometeis a iniqüidade e a fraude e isto fazeis contra irmãos.

Por conseguinte, aqueles que dizem: “Não sois nossos irmãos”, estão nos chamando de pagãos. Por isso eles querem batizar-nos de novo, declarando que não possuímos o que dão. Por conseguinte, seu erro consiste em negar que somos seus irmãos. Mas então  por que nos disse o Profeta: Quanto a vós, respondei-lhes: Sois nossos irmãos; a não ser porque reconhecemos neles aquele batismo que não repetimos? Não aceitando nosso batismo, eles negam que somos seus irmãos. Nós, porém, não repetindo o deles, mas reconhecendo-o como nosso, dizemos: Sois nossos irmãos.

Se eles disserem: “Por que nos procurais? Que quereis de nós?” respondamos: Sois nossos irmãos. Mesmo que nos digam: “Podeis ir embora, nada temos convosco!” Pelo contrário, nós temos muito convosco! Nós confessamos um mesmo Cristo, e assim devemos estar em um só Corpo, sob uma só Cabeça. Portanto, nós vos suplicamos, irmãos, por aquelas mesmas entranhas da caridade, cujo leite nos alimenta, cujo pão nos fortalece, isto é,por Cristo, nosso Senhor. Com efeito, é agora a ocasião de termos para com eles grande caridade, muita misericórdia, rogando a Deus por eles, a fim de que lhes conceda sobriedade de pensamento para caírem em si e enxergarem, porque nada absolutamente têm a dizer contra a verdade. De fato, apenas lhes resta a fraqueza da animosidade, tanto mais enferma quanto mais julga possuir maior força. Assim, pela mansidão de Cristo, nós vos conjuramos suplicando em favor dos fracos, dos sábios segundo a carne, dos puramente humanos e carnais, mas ainda nossos irmãos, que freqüentam os mesmos sacramentos, embora não conosco, mas os mesmos. Eles respondem um só Amém, embora não conosco, mas o mesmo. Portanto, derramai diante de Deus por eles o âmago de vossa caridade.

24 horas para o Senhor – 23a. hora

24 horas para o senhor blogDos Tratados sobre o Evangelho de São João,de Santo Agostinho, bispo

(Tract. 34,8-9:CCL36,315-316)   (Séc.V)

Cristo é o caminho para a luz, a verdade para a vida

Diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12). Estas breves palavras contêm um preceito e uma promessa. Façamos o que o Senhor mandou, para esperarmos sem receio receber o que prometeu, e não nos vir ele a dizer no dia do Juízo: “Fizeste o que mandei para esperares agora alcançar o que prometi?” Responder-te-á: “Disse quem e seguisses”. Pediste um conselho de vida. De que vida, senão daquela sobre a qual foi dito: Em vós está a fonte da vida? (Sl 35,10). Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor, e quebremos os grilhões que nos impedem de segui-lo. Mas quem é capaz de romper tais amaras se não for ajudado por aquele de quem se disse: Quebrastes os meus grilhões? (Sl 115,7). E também noutro salmo: É o Senhor quem liberta os cativos, o Senhor faz erguer-se o caído (Sl 145,7.8).

Somente os que assim são libertados e erguidos poderão seguir aquela luz que proclama: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas. Realmente o Senhor faz os cegos verem. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para restituir a vista ao cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com sua saliva misturada com terra. Cegos também nós nascemos de Adão, e precisamos de ser iluminados pelo Senhor. Ele misturou sua saliva com a terra: E a Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Misturou sua saliva com a terra, como fora predito: A verdade brotou da terra (cf. Sl 84,12). E ele próprio disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6).

A verdade nos saciará quando o virmos face a face, porque também isso nos foi prometido. Pois quem ousaria esperar, se Deus não tivesse prometido ou dado?

Veremos face a face, como diz o Apóstolo: Agora, conheço apenas de modo imperfeito; agora, nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face (1Cor 13,12). E o apóstolo João diz numa de suas cartas: Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é (1Jo 3,2). Eis a grande promessa!

Se o amas, segue-o! “Eu o amo, dizes tu, mas por onde o seguirei?” Se o Senhor te houvesse dito: “Eu sou a verdade e a vida”, tu que desejas a verdade e aspiras à vida, certamente procurarias o caminho para alcançá-la e dirias a ti mesmo: “Grande coisa é a verdade, grande coisa é a vida! Ah, se fosse possível à minha alma encontrar o caminho para lá chegar!”

Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: Eu sou o caminho. Antes de dizer aonde deves ir, mostrou por onde deves seguir. Eu sou, diz ele, o caminho. O caminho para onde? A verdade e a vida. Disse primeiro por onde deves seguir e logo depois indicou para onde deves ir. Eu sou o caminho, eu sou a verdade, eu sou a vida. Permanecendo junto do Pai, é verdade e vida; revestindo-se de nossa carne, tornou-se o caminho.

Não te é dito: “Esforça-te por encontrar o caminho, para que possas chegar à verdade e à vida”. Decerto não é isso que te dizem. Levanta-te, preguiçoso! O próprio caminho veio ao teu encontro e te despertou do sono em que dormias, se é que chegou a despertar-te; levanta-te e anda!

Talvez tentes andar e não consigas, porque te doemos pés. Por que estão doendo? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer? Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. “Eu tenho os pés sadios, respondes, mas não vejo o caminho”. Lembra-te que ele também deu a vista aos cegos.

 

24 horas para o Senhor – 22a. hora

24 horas para o senhor blogDa Carta aos Coríntios, de São Clemente I, papa

(Cap. 7,4-8,3; 8,5-9,1; 13,1-4; 19,2: Funk 1,71-73.77-79.87)  (Sec. I)

Fazei penitência

Fixemos atentamente o olhar no sangue de Cristo e compreendamos quanto é precioso aos olhos de Deus, seu Pai, esse sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.

Percorramos todas as épocas do mundo e verificaremos que em cada geração o Senhor concedeu o tempo favorável da penitência a todos os que a ele quiseram converter-se. Noé proclamou a penitência, e todos que o escutaram foram salvos. Jonas anunciou a ruína aos ninivitas, mas eles, fazendo penitência de seus pecados, reconciliaram-se com Deus por suas súplicas e alcançaram a salvação, apesar de não pertencerem ao povo de Deus.

Inspirados pelo Espírito Santo, os ministros da graça de Deus pregaram a penitência. O próprio Senhor de todas as coisas também falou da penitência, com juramento: Pela minha vida, diz o Senhor, não quero a morte do pecador, mas que mude de conduta (cf. Ez 33,11); e acrescentou esta sentença cheia de bondade:Deixa de praticar o mal, ó Casa de Israel! Dize aos filhos do meu povo: “Ainda que vossos pecados subam da terra até o céu, ainda que sejam mais vermelhos que o escarlate e mais negros que o cilício, se voltardes para mim de todo o coração e disserdes: ‘Pai’, eu vos tratarei como um povo santo e ouvirei as vossas súplicas” (cf. Is 1,18; 63,16; 64,7; Jr 3,4; 31,9).

Querendo levar à penitência todos aqueles que amava, o Senhor confirmou esta sentença com sua vontade todo-poderosa.

Obedeçamos, portanto, à sua excelsa e gloriosa vontade. Imploremos humildemente sua misericórdia e benignidade. Convertamo-nos sinceramente ao seu amor. Abandonemos as obras más, a discórdia e a inveja que conduzem à morte.

Sejamos humildes de coração, irmãos, evitando toda espécie de vaidade, soberba, insensatez e cólera, para cumprirmos o que está escrito. Pois diz o Espírito Santo: Não se orgulhe o sábio em sua sabedoria, nem o forte com sua força, nem o rico em sua riqueza; mas quem se gloria, glorie-se no Senhor, procurando-o e praticando o direito e justiça (cf. Jr 9,22-23; ICor 1,31).

Antes de mais nada, lembremo-nos das palavras do Senhor Jesus, quando exortava à benevolência e à longanimidade: Sede misericordiosos, e alcançareis misericórdia; perdoai, e sereis perdoados; como tratardes o próximo, do mesmo modo sereis tratados; dai, e vos será dado; não julgueis, e não sereis julgados; fazei o bem, e ele também vos será feito; com a medida com que medirdes, vos será medido (cf. Mt 5,7; 6,14; 7,1.2).

Observemos fielmente este preceito e estes mandamen­tos, a fim de nos conduzirmos sempre, com toda humildade, na obediência às suas santas palavras. Pois eis o que diz o texto sagrado: Para quem hei de olhar, senão para o manso e humilde, que treme ao ouvir minhas palavras ? (cf. Is 66,2).

Tendo assim participado de muitas, grandes e gloriosas ações, corramos novamente para a meta que nos foi proposta desde o início: a paz. Fixemos atentamente nosso olhar no Pai e Criador do universo e desejemos com todo ardor seus dons de paz e seus magníficos e incomparáveis benefícios.

24 horas para o Senhor – 21a. hora

24 horas para o senhor blogSalmo 44(45)

=2Transborda um poema do meu coração; †
vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção; *
minha língua é qual pena de um ágil escriba.

=3Sois tão belo, o mais belo entre os filhos dos homens! †
Vossos lábios espalham a graça, o encanto, *
porque Deus, para sempre, vos deu sua bênção.

4Levai vossa espada de glória no flanco, *
herói valoroso, no vosso esplendor;

5saí para a luta no carro de guerra *
em defesa da fé, da justiça e verdade!

= Vossa mão vos ensine valentes proezas, †

6vossas flechas agudas abatam os povos *
e firam no seu coração o inimigo!

=7Voso trono, ó Deus, é eterno, é sem fim; †
vosso cetro real é sinal de justiça: *

8Vós amais a justiça e odiais a maldade.

= É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo, †
deu-vos mais alegria que aos vossos amigos. *

9Vossas vestes exalam preciosos perfumes.
– De ebúrneos palácios os sons vos deleitam. *

10 As filhas de reis vêm ao vosso encontro,
– e à vossa direita se encontra a rainha *
com veste esplendente de ouro de Ofir.

11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: *
“Esquecei vosso povo e a casa paterna!

12 Que o Rei se encante com vossa beleza! *
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

13 O povo de Tiro vos traz seus presentes, *
os grandes do povo vos pedem favores.

14 Majestosa, a princesa real vem chegando, *
vestida de ricos brocados de ouro.

15 Em vestes vistosas ao Rei se dirige, *
e as virgens amigas lhe formam cortejo;

16 entre cantos de festa e com grande alegria, *
ingressam, então, no palácio real”.

17 Deixareis vossos pais, mas tereis muitos filhos; *
fareis deles os reis soberanos da terra.

18 Cantarei vosso nome de idade em idade, *
para sempre haverão de louvar-vos os povos!

24 horas para o Senhor – 20a. hora

24 horas para o senhor blogDas Cartas de São Leão Magno, papa

(Epist. 28, ad Flavianum, 4: PL 54,763-767)     (Séc.V)

O sacramento da nossa reconciliação

A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.

Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-se participante dos nossos delitos.

Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível, e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não uma falha do seu poder. Por conseguinte, aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo a condição de escravo, se fez homem.

Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido;existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte.

Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus.

Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.

A natureza divina resplandece nos milagres, a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça.

É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14).

24 horas para o Senhor – 19a. hora

24 horas para o senhor blogDos Comentários sobre o livro de Jó, de São Gregório Magno, papa

(Lib. 13,21-23: PL75,1028-1029)   (Séc.VI)

O mistério da nossa vida nova

O bem-aventurado Jó, como figura da santa Igreja, ora fala em nome do corpo, ora em nome da cabeça. Mas, às vezes, ocorre que, quando fala dos membros, toma subitamente as palavras da cabeça. Eis por que diz: Sofri tudo isso, embora não haja violência em minhas mãos e minha oração seja pura(Jó 16,17).

Sem haver violência alguma em suas mãos, teve também que sofrer aquele que não cometeu pecado e em cuja boca não se encontrou falsidade; no entanto, pela nossa salvação, suportou o tormento da cruz. Foi ele o único que elevou a Deus uma oração pura, pois mesmo em meio aos sofrimentos da paixão orou por seus perseguidores, dizendo: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem! (Lc 23,34).

Quem poderá dizer ou pensar uma oração mais pura do que esta em que se pede misericórdia por aqueles mesmos que infligem a dor? Por isso, o sangue de nosso Redentor, derramado pela crueldade dos perseguidores,se transformou depois em bebida de salvação para os que nele acreditariam e o proclamariam Filho de Deus.

Acerca deste sangue, continua com razão o texto sagrado: Ó terra, não cubras o meu sangue, nem sufoques o meu clamor (Jó 16,18). E ao homem pecador foi dito: És pó e ao pó hás de voltar (Gn 3,19).

A terra, de fato, não ocultou o sangue de nosso Redentor, pois qualquer pecador, ao beber o preço de sua redenção, o proclama e louva e, como pode, o manifesta aos outros.

A terra não cobriu também o seu sangue porque a santa Igreja já anunciou em todas as partes do mundo o mistério de sua redenção.

Notemos no que se diz a seguir: Nem sufoques meu clamor. O próprio sangue da redenção, por nós bebido, é o clamor de nosso Redentor. Por isso diz também Paulo: Vós vos aproximastes da aspersão do sangue mais eloquente que o de Abel (Hb 12,24). E do sangue de Abel fora dito: A voz do sangue de teu irmão está clamando da terra por mim (Gn 4,10).

O sangue de Jesus é mais eloquente que o de Abel, porque o sangue de Abel pedia a morte do irmão fratricida, ao passo que o sangue do Senhor obteve a vida para seus perseguidores.

Assim, para que não nos seja inútil o sacramento da paixão do Senhor, devemos imitar aquilo que recebemos e anunciar aos outros o que veneramos.

O clamor de Cristo fica sufocado em nós, se a língua não proclama aquilo em que o coração acredita. Para que esse clamor não seja sufocado em nós, é preciso que, na medida de suas possibilidades, cada um manifeste aos outros o mistério de sua vida nova.

24 horas para o Senhor – 18a. hora

24 horas para o senhor blogSalmo 51(52)
Contra a maldade do caluniador

Quem se gloria, glorie-se no Senhor (1Cor 1,31).
3 Por que é que te glorias da maldade, *
ó injusto prepotente?
=4 Tu planejas emboscadas todo dia, †
tua língua é qual navalha afiada, *
fabricante de mentiras!

5 Tu amas mais o mal do que o bem, *
mais a mentira que a verdade!
6 Só gostas das palavras que destroem, *
ó língua enganadora!

7 Por isso Deus vai destruir-te para sempre *
e expulsar-te de sua tenda;
– vai extirpar-te e arrancar tuas raízes *
da terra dos viventes!

8 Os justos hão de vê-lo e temerão, *
e rindo dele vão dizer:
9 “Eis o homem que não pôs no Senhor Deus *
seu refúgio e sua força,
– mas confiou na multidão de suas riquezas, *
subiu na vida por seus crimes!”

10 Eu, porém, como oliveira verdejante *
na casa do Senhor,
– confio na clemência do meu Deus *
agora e para sempre!

11 Louvarei a vossa graça eternamente, *
porque vós assim agistes;
– espero em vosso nome, porque é bom, *
perante os vossos santos!

24 horas para o Senhor – 17a. hora

24 horas para o senhor blogSalmo 15(16)
O Senhor é minha herança

Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte (At 2,24).

=1 Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! †
2 Digo ao Senhor: ‘Somente vós sois meu Senhor: *
nenhum bem eu posso achar fora de vós!’

3 Deus me inspirou uma admirável afeição*
pelos santos que habitam sua terra.

4 Multiplicam, no entanto, suas dores *
os que correm para os deuses estrangeiros;
seus sacrifícios sanguinários não partilho, *
nem seus nomes passarão pelos meus lábios.

5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *
meu destino está seguro em vossas mãos!
6 Foi demarcada para mim a melhor terra, *
e eu exulto de alegria em minha herança!

7 Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, *
e até de noite me adverte o coração.
8 Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

=9 Eis por que meu coração está em festa, †
minha alma rejubila de alegria, *
e até meu corpo no repouso está tranquilo;

10 pois não haveis de me deixar entregue à morte, *
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

=11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; †
junto a vós, felicidade sem limites, *
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

24 horas para o Senhor – 16a. hora

24 horas para o senhor blogSalmo 142(143),1-11
Prece na aflição

Ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo (Gl 2,16).

1 Ó Senhor, escutai minha prece, *
ó meu Deus, atendei minha súplica!
Respondei-me, ó vós, Deus fiel, *
escutai-me por vossa justiça!

=2 Não chameis vosso servo a juízo, †
pois diante da vossa presença *
não é justo nenhum dos viventes.

3 O inimigo persegue a minha alma, *
ele esmaga no chão minha vida

e me faz habitante das trevas, *
como aqueles que há muito morreram.
4 Já em mim o alento se extingue, *
o coração se comprime em meu peito!

=5 Eu me lembro dos dias de outrora †
e repasso as vossas ações, *
recordando os vossos prodígios.
=6 Para vós minhas mãos eu estendo; †
minha alma tem sede de vós, *
como a terra sedenta e sem água.

7 Escutai-me depressa, Senhor, *
o espírito em mim desfalece!
= Não escondais vossa face de mim! †
Se o fizerdes, já posso contar-me *
entre aqueles que descem à cova!

8 Fazei-me cedo sentir vosso amor, *
porque em vós coloquei a esperança!
Indicai-me o caminho a seguir, *
pois a vós eu elevo a minha alma!
9 Libertai-me dos meus inimigos, *
porque sois meu refúgio, Senhor!

10 Vossa vontade ensinai-me a cumprir, *
porque sois o meu Deus e Senhor!
Vosso Espírito bom me dirija *
e me guie por terra bem plana!

11 Por vosso nome e por vosso amor *
conservai, renovai minha vida!
Pela vossa justiça e clemência, *
arrancai a minha alma da angústia!

24 horas para o Senhor – 15a. hora

Salmo 224 horas para o senhor blog
O Messias, rei e vencedor 

Uniram-se contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste (At 4,27).

1 Por que os povos agitados se revoltam? *
por que tramam as nações projetos vãos?
=2 Por que os reis de toda a terra se reúnem, †
e conspiram os governos todos juntos *
contra o Deus onipotente e o seu Ungido?

3 “Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, *
“e lançar longe de nós o seu domínio!”
4 Ri-se deles o que mora lá nos céus; *
zomba deles o Senhor onipotente.
5 Ele, então, em sua ira os ameaça, *
em seu furor os faz tremer, quando lhes diz:

6 “Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, *
e em Sião, meu monte santo, o consagrei!”
=7 O decreto do Senhor promulgarei, †
foi assim que me falou o Senhor Deus: *
“Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!

=8 Podes pedir-me, e em resposta eu te darei †
por tua herança os povos todos e as nações, *
e há de ser a terra inteira o teu domínio.
9 Com cetro férreo haverás de dominá-los, *
e quebrá-los como um vaso de argila!”

10 E agora, poderosos, entendei; *
soberanos, aprendei esta lição:
11 Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória *
e prestai-lhe homenagem com respeito!

12 Se o irritais, perecereis pelo caminho, *
pois depressa se acende a sua ira!
– Felizes hão de ser todos aqueles *
que põem sua esperança no Senhor!

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

24 horas para o Senhor – 14a. hora

24 horas para o senhor blogConversão, um dom de Deus

Converter-se é fundamentalmente afastar-se do pecado e dirigir-se de novo, voltar para o Deus vivo, o Deus da Aliança: “Vinde, retornemos ao Senhor! Porque Ele despedaçou e nos há de curar;  Ele feriu e nos ligará as feridas” (Os 6,1).  Eis o convite do profeta Oséias, que insiste no caráter interior da autêntica conversão, que deve ser sempre inspirada e animada pelo amor e pelo conhecimento de Deus. E o profeta Jeremias, o grande mestre da religiosidade interior, promete em nome de Deus uma extraordinária transformação espiritual dos membros do povo eleito: “Eu lhes darei um coração para que reconheçam que eu sou o Senhor.  Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, porque eles retornarão a mim de todo o coração” (Jr 24,7)

A conversão é um dom de Deus, que o homem deve pedir fervorosamente na oração, e nos foi merecido pelo “novo Adão”, que é Cristo.  Pela desobediência do primeiro Adão, a morte e o pecado entraram no mundo, e agora dominam o homem.  Mas se é verdade que “pela transgressão de um só reinou a morte por obra de um só, muito mais reinarão na vida aqueles que recebem a abundância da graça e o dom da justiça por ogra de um só, Jesus Cristo” (Rm 5,17).  O fiel cristão, com a força que lhe vem de Cristo, afasta-se sempre mais do pecado, dos pecados concretos, mortais ou veniais, superando as más inclinações, os vícios, o pecado habitual, e em assim fazendo, enfraquecerá sempre mais os gemidos do pecado, quer dizer:  a triste realidade da desobediência originária.  Isto se passa na medida em que se torna sempre mais abundante em nós a Graça, dom divino, concedido pelos méritos “de um só homem, Jesus Cristo” (Rm 5,15).

A conversão é deste modo uma passagem quase gradual, eficaz e contínua do “velho” Adão par o “novo”, que é Cristo.

São João Paulo II, Meditações e Orações

24 horas para o Senhor – 13a. hora

24 horas para o senhor blogA conversão, dom de Deus para a Igreja

“Retornai a mim… e eu retornarei a vós! (Zc 1,3) A Igreja se converte a Cristo para renovar a consciência e a certeza de todos os seus dons, daqueles dons de que foi par ele agraciada mediante a Cruz e a Ressurreição.  De fato, Cristo é ao mesmo tempo o Redentor e o Esposo da Igreja.  Cristo, como Redentor e Esposo, a instituiu entre homens fracos, entre homens pecadores e falíveis, mas ao mesmo tempo , a instituiu santa, forte e infalível.

E ela é assim não por força humana, mas pela força dos dons de Cristo.  Crer na força da Igreja não quer dizer crer na força dos homens que a compõem, mas crer no dom de Cristo, no poder “que se manifesta plenamente na fraqueza” (2Cor 12,9).

Crer na santidade da Igreja não quer dizer crer na perfeição natural humana, mas crer no dom de Cristo, o dom que de nós, herdeiros do pecado, nos faz os herdeiros da santidade divina.  Crer na infalibilidade da Igreja não quer dizer, – de modo algum – crer na infalibilidade humana, mas crer no dom de Cristo, o dom que aos homens falíveis permite proclamar infalivelmente e infalivelmente confessar a verdade revelada para a nossa salvação.

A Igreja da nossa época – desta difícil e perigosa época em que vivemos, uma época crítica – deve ter particular certeza do dom de Cristo, o dom da força, o dom da santidade, o dom da infalibilidade.

Quanto mais estiver consciente da fraqueza, pecaminosidade, falibilidade humana, tanto mais deve conservar a certeza destes dons, que provêm do seu Redentor e Esposo.  E este  é também um caminho essencial da conversão quaresmal da Igreja a Cristo.

São João Paulo II, Meditações e Orações

 

24 horas para o Senhor – 12a. hora

24 horas para o senhor blogA conversão interior, fundamental para o Ecumenismo

Enquanto os cristãos, hoje, se esforçam para reconciliar o mundo, sentem mais que nunca a forte necessidade de se reconciliarem plenamente entre si.  Com efeito, o pecado da divisão entre os cristãos, que existe há séculos, pesa fortemente sobre a Igreja.  A gravidade desse pecado foi claramente demonstrada no Concílio Vaticano II, que declarou: “Sem dúvida alguma, esta discórdia está em aberta contradição com a vontade de Cristo; provoca um obstáculo no mundo e prejudica a santa causa da proclamação da boa nova a toda criatura” (Unitatis redintegratio,1).

A restauração da unidade entre os cristãos é uma das maiores preocupações da Igreja na última parte do século XX.  E essa tarefa compete a todos nós.

Ninguém pode eximir-se a esta responsabilidade.  Ao contrário, cada fiel pode dar a sua contribuição, por menor que pareça, e todos são chamados àquela conversão interior que é a condição fundamental do Ecumenismo.  Como ensinou o Concílio Vaticano II:  “Esta mudança no coração e na santidade de vida, juntamente com as orações públicas e privadas pela unidade dos cristãos, deve ser considerada a alma de todo o movimento ecumênico, e pode com toda razão chamar-se de ‘ecumenismo espiritual'” (Unitatis redintegratio, 8).

São João Paulo II, Meditações e Orações

24 horas para o Senhor – 11a. hora

A família: uma realidade insubstituível

Como em Nazaré, assim também em cada família, Deus se torna presente e se insere na história humana.  A família, de fato, por ser a união do homem e da mulher, está voltada por sua natureza à procriação de novos seres humano, os quais necessitam ser acompanhados na existência através de uma cuidadosa obra educativa para o seu crescimento físico, mas  principalmente espiritual e moral.  Por isso a família é o lugar privilegiado e o santuário onde se desenvolve toda a grande e íntima história de cada pessoa humana irrepetível.  Por conseguinte, incumbem à família deveres fundamentais, cujo exercício generoso não deixa de enriquecer amplamente os principais responsáveis da própria família fazendo deles os cooperadores de Deus na formação de novos seres humanos.

Eis porque a família é insubstituível e, como tal, precisa ser defendida com todo vigor.  É necessário fazer todo esforço para que a família não seja substituída.  Exige isso não somente o bem “privado” de cada pessoa, mas também o bem comum de toda sociedade, Nação e Estado.  A família é colocada no centro mesmo do bem comum nas suas várias dimensões, precisamente porque nela é concebido e nasce o ser humano.

24 horas para o Senhor – 10a hora

24 horas para o senhor blogSalmo 118(119),145-152
Meditação sobre a Palavra de Deus na Lei

Naquele que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado (1Jo 2,5). 

145 Clamo de todo o coração: Senhor, ouvi-me! *
Quero cumprir vossa vontade fielmente!
146 Clamo a vós: Senhor, salvai-me, eu vos suplico, *
e então eu guardarei vossa Aliança!

147 Chego antes que a aurora e vos imploro, *
e espero confiante em vossa lei.
148 Os meus olhos antecipam as vigílias, *
para de noite meditar vossa palavra.

149 Por vosso amor ouvi atento a minha voz *
e dai-me a vida, como é vossa decisão!
150 Meus opressores se aproximam com maldade; *
como estão longe, ó Senhor, de vossa lei!

151 Vós estais perto, ó Senhor, perto de mim; *
todos os vossos mandamentos são verdade!
152 Desde criança aprendi vossa Aliança *
que firmastes para sempre, eternamente.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

24 horas para o Senhor – 9a hora

24 horas para o senhor blogSalmo 8 
Majestade de Deus e dignidade do homem

Ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja (Ef  1,22).

2 Ó Senhor nosso Deus, como é grande *
vosso nome por todo o universo!

Desdobrastes nos céus vossa glória *
com grandeza, esplendor, majestade.
=3 O perfeito louvor vos é dado †
pelos lábios dos mais pequeninos, *
de crianças que a mãe amamenta.

Eis a força que opondes aos maus, *
reduzindo o inimigo ao silêncio.
4 Contemplando estes céus que plasmastes *
e formastes com dedos de artista;

vendo a lua e estrelas brilhantes, *
5 perguntamos: ‘Senhor, que é o homem,
para dele assim vos lembrardes *
e o tratardes com tanto carinho?’

6 Pouco abaixo de Deus o fizestes, *
coroando-o de glória e esplendor;
7 vós lhe destes poder sobre tudo, *
vossas obras aos pés lhe pusestes:

8 as ovelhas, os bois, os rebanhos, *
todo o gado e as feras da mata;
9 passarinhos e peixes dos mares, *
todo ser que se move nas águas.

10 Ó Senhor nosso Deus, como é grande *
vosso nome por todo o universo!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

24 horas para o Senhor – 8a. hora

24 horas para o senhor blogDa cruz de Cristo, o exemplo da obediência

“Jesus Cristo humilhou-se, feito obediente até a morte , até a morte de cruz” (Fl 2,8).  Humilhou a Si mesmo;  se fez obediente.  São palavras que hoje parecem desatualizadas, quando há toda uma oposição sistemática à obediência, que é apresentada como uma humilhação própria personalidade, uma derrota da inteligência e da vontade, uma abdicação à própria dignidade humana, pregando-se autonomia, a revolta e a rebelião.

Do contrário, o próprio Jesus nos deu exemplo de obediência até a morte de cruz.  Todos os Santos passaram através da provação, por vezes até mesmo heroica da obediência:  como Nossa Senhora, como São José, os quais não fizeram outra coisa senão obedecer à voz de Deus que os chamava para uma missão bem sublime, mas ao mesmo tempo desconcertante e misteriosa!

Por que vocês devem obedecer? Antes de mais nada porque a obediência é necessária no quadro geral da Providência:  Deus não nos criou ao acaso, mas para uma finalidade bem clara e linear: a sua história eterna e a nossa felicidade.  Todos aqueles que têm responsabilidade sobre nós, devem em nome de Deus, ajudar-nos a alcançar o fim determinado pelo Criador.  Além disso, a obediência externa ensina também a obedecer à lei interior da consciência, ou seja à vontade de Deus expressa na lei moral.

E de que maneira se deve obedecer? Com amor e também com santa coragem, sabendo com certeza que quase sempre a obediência é difícil, custa sacrifício, exige empenho e ás vezes implica até mesmo um esforço heroico.  É preciso olhar a Jesus Crucificado! É preciso também obedecer com confiança, convictos de que a graça de Deus nunca falta e que depois a alma é cumulada de imensa alegria interior.  O esforço da obediência vem recompensado com um constante contentamento interior.

São João Paulo II, Meditações e Orações