Liturgia do Dia – 10/04/2017

João 12, 1-11“É necessário esbanjar-se na consagração do serviço do Reino e na meditação da Palavra do Evangelho que nos dá vida. Daquele que se fez humilde e servidor, temos sempre o que aprender.”

Primeira leitura:  Isaías 42,1-7

Salmo Responsorial:  26

Evangelho:  João 12, 1-11

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A liturgia de hoje nos abre dois caminhos de meditação, complementares e de igual importância.  O primeiro é a aproximação da Paixão e por isso a liturgia da semana aponta os momentos que antecederam o singular momento, em que a Misericórdia se sobrepõe à Justiça.

A Igreja contempla o Servo Sofredor e dá início da caminhada junto a Jesus rumo ao Calvário.  Muitas comunidades celebram hoje a Procissão de Nosso Senhor dos Passos, ou a Procissão do Encontro, onde se reflete também as Sete Dores de Nossa Senhora.

Nos aproximamos do centro da ação restauradora da Aliança definitiva, que acontecerá no ponto exato de sua ruptura, a morte.  A morte consequência do pecado, será vencida, pela morte, consequência da fidelidade, obediência e amor infinito e que por isso, gera a Vida.

A primeira leitura nos remete ao sentido do sofrimento da Paixão e revela na unicidade da Santíssima Trindade (nele se compraz a minh’alma; pus meu espírito sobre ele), que a missão é reunificar Criador e Criatura, logo, abre-se o caminho para uma nova Esperança.

O segundo caminho se dá ao contemplarmos, já no Evangelho, a refeição em grupo, um gesto sagrado que indica a comunhão de sentimentos e de vida, cujo desejo é sempre dar graças a Deus por todos os seus dons, a começar pela vida, – e por isso a presença de Lázaro ressuscitado, e, a ação de Marta, Maria e Judas. Assim, somos convidados a refletir basicamente sobre duas escolhas: percorrer as sendas que levam da morte à Vida, ou que levam da “vida” para a morte.

Numa cena de presságios, a ação de Maria é de Adoração e retrata a imagem de Igreja-Esposa, unida ao sacrifício de Cristo-Esposo, cheia de afeto, amizade e cuidado, que em Marta se reflete não só para com Jesus, mas também, para com os seus; enquanto Judas, fechado em si mesmo, não se importa com as ações de acolhida e amor, e resistente aos seus interesses, deixa escorrer entre os dedos a magnitude do que estava ali disponível, gratuito, genuíno e pleno de riqueza.

Desta forma, somos chamados a viver a Grande Semana, como Maria e Marta, aquela que mesmo sem perceber a grandeza de seu gesto, agiu com espírito de gratidão, de recolhimento, na certeza de amar e ser correspondida, e esta no cuidado não só para com Jesus, mas para com os próximos.

Uma Santa Semana a todos!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento