Liturgia do Dia – 11/04/2017

João 13, 21-33.36-38“Jesus experimenta a fraqueza humana dos discípulos, de Judas, que vai traí-lo, e de Pedro, que vai negá-lo, e mesmo assim oferece-lhes o amor e a liberdade.  Quais são as nossas escolhas diante do Evangelho de Cristo?”

Primeira leitura:  Isaías 49, 1-6

Salmo Responsorial:  70

Evangelho:  João 13, 21-33.36-38

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A primeira leitura corresponde ao Segundo Cântico do Servo de Javé, que por hora é Israel e por outra confunde-se com um rei.  Continuamos percorrendo os momentos que antecedem o ápice da Semana Santa e o que se destaca aqui é que, apesar de preparado para uma missão, este servo apresenta-se desanimado, contudo, confiante no desígnio de Deus, que o chamou para reunificar o povo, destruído e disperso, e seu Deus e, que na extensão de sua missão, será feito luz da nações e alcançará os confins de toda a terra.

A confiança do Servo é retratada pelo salmista que impõe uma postura  inabalável baseada na Palavra. Ele, ainda que em situação de perigo e sofrimento, mantinha-se firme, pois sabia que em Deus, o caminho se abriria para um horizonte libertador.

Jesus vivia os seus últimos momentos antes da paixão, ele exalava essa confiança. Servo obediente e fiel, em sua humanidade tinha consciência do ato libertador que experimentaria; que nEle, Deus seria glorificado; e, que no hiato da morte de cruz, a profecia se realizaria plenamente.

Chamados a refletir sobre acontecimentos que antecedem a Paixão do Senhor, o Evangelho de hoje, retrata a última ceia,  que, como dito na reflexão de ontem, indica a sacralidade da refeição como momento de comunhão de sentimentos e de vida, mas aqui revela a dramática experiência da traição, do sentimento de fracasso, de derrota, de hostilidade, ante sua missão, a partir daqueles aos quais chamava de amigos.

A mensagem não é de desalento, mas de esperança.  Tal qual o Servo da primeira leitura, Jesus também vai além das aparências e confia na poderosa ação do Deus que tudo transforma, nos ensinando que mesmo os maiores sofrimentos, quando vividos na fidelidade a Deus, transformam-se pelas mãos dEle.

Assim, os momentos de sofrimento de Jesus, cujo ápice é a sua Paixão, tem um novo significado, e nos inspira, em nossos sofrimentos, a agir como Ele, que acolheu a dor com generosidade, cônscio de que se trata de uma especial ocasião para glorificar a Deus, na certeza de que um dia sermos glorificados nEle.

Há ainda um questionamento pessoal importante a ser feito, especialmente, na proximidade do dia em que a Igreja celebra o sacrifício redentor, e que se constrói a partir da seguinte verdade: Se refeição indica a sacralidade de um momento de comunhão de sentimentos e de vida, ela também nos confronta com a posição que tomamos, diante de Jesus e como sacrários vivos de Jesus Eucarístico.

Uma Santa Semana a todos!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento