Comunicar a razão da nossa esperança

Jesus_High_ResÀs vésperas do 51ª Dia Mundial das Comunicações Sociais, mais uma vez, o Santo Padre reforça em sua mensagem a importância de se promover a cultura do encontro.

A proposta que, definitivamente, é a marca de seu Pontificado, desde a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, datada de 2013, nunca foi tão urgente e mostra-se, cada dia mais necessária, em todos os âmbitos das relações sociais, no mundo inteiro.

Já em 2014, a mensagem do Santo Padre, intitulada “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro” destacava as múltiplas formas de exclusão, marginalização, pobreza e conflitos, que geram consequências nos diversos aspectos da vida em sociedade, destacando que uma boa comunicação é capaz de superar as divisões e nos permitir crescer na compreensão e no respeito. E mais. Abre-nos o coração para apreciar os grandes valores inspirados pelos Cristianismo, como a valorização da pessoa humana, do matrimônio e da família, e os princípios da solidariedade e subsidiariedade.

A chave de leitura cristã das comunicações, então, perpassa, segundo o Papa, pela ideia de que “não se trata de conhecer o outro como meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro”, também nos mass media.

Assim, o diálogo que leva ao verdadeiro encontro requer profundidade, atenção à vida e sensibilidade espiritual, “sem contudo exigir a renúncia as próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam elas únicas e absolutas”, afirmou o Santo Padre.

Em 2015, em vista ao Sínodo das Famílias, a mensagem de Sua Santidade intitulada “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor” destaca que o diálogo, acima de tudo, exulta a alegria do encontro.

É no ambiente familiar que aprendemos a acolhermo-nos mutuamente, e independente das diferenças, é na família que se aprende o valor da vida, da oração e acima de tudo, do amor e do perdão, por isso também, é ele um espaço virtuoso e de construção relacional. Ou seja, é na família que se promove a “verdadeira comunicação enquanto descoberta e construção da proximidade”.

Proximidade essa que a exemplo de Maria Santíssima, não se encerra em si, mas expande-se para o mundo, visando um futuro melhor para todos.

O Santo Padre, dando continuidade a promoção da cultura do encontro, somou a ela a importância da misericórdia, no ano de 2016 (Ano Santo da Misericórdia), e na sua LV Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, cujo tema “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”, defendeu que “a Igreja unida a Cristo é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir”.

A mensagem expandiu-se claramente à missão, e exortou o povo de Deus a romper com o estigma das incompreensões, vinganças, condenações e ódio, e construir a paz e a harmonia. Citando Shakespeare ressaltou que “A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe”.

Pela primeira vez o Santo Padre usou a data para falar abertamente às lideranças institucionais, políticas e de formação de opinião pública, chamando-os a ter coragem para agir em direção aos processos de reconciliação; e aos sacerdotes, cujo dever é advertir quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu, a exemplo de Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão, constitui a medida do modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça.

A misericórdia, afirmou o Santo Padre, não parte de uma visão idealista ou excessivamente indulgente, mas decorre da necessidade de, à inspiração da estrutura familiar, se construir uma sociedade onde a porta está sempre aberta e se procura aceitar uns aos outros, para melhor nos conhecermos e nos compreendermos, num sinal claro da construção da verdadeira cidadania.

Como dito, a cultura do encontro é um marco no Pontificado do Papa Francisco, e se torna cada dia mais urgente e necessária, frente à cultura da morte, quando a humanidade se vê cercada por tantas formas de violência, exclusão e exploração humana.

Longe de um discurso bucólico e sem ocultar a realidade que salta aos olhos de cada um, a mensagem desse 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais: “Não tenhas medo, que Eu estou contigo (Is 43,5) – Comunicar a esperança e a confiança, no nosso tempo” é, de certa forma, uma denúncia contra a ação do mal que leva à angústia e ao medo, tornando apáticas todas as iniciativas de se promover o bem comum. Mas não é só isso.

O próprio título da mensagem reafirma a promessa da Aliança, da qual Deus não abre mão, e que se encerra num contexto de um novo êxodo, de encorajamento frente à animosidade de um povo que corre o risco de acomodar-se diante das injustiças.

A mensagem do Dia Mundial das Comunicações de 2017 nos chama a ultrapassar as limitações do mundo e assumir uma postura proativa, rasgando as cortinas da apatia e do conformismo, e, dedicando um novo olhar para a realidade, propor soluções de forma aberta e criativa.

A história da humanidade se dá não como repetição de ciclos, mas pela ação de pessoas centradas na construção de propostas que representam ganhos para a sociedade, assim, é no contexto histórico que o comunicador deve agir e, não há fundamento melhor que pautar-se na mensagem do próprio Jesus, que não ignora o sofrimento, mas se lança sobre ele, à luz do Amor consolador, que assume toda a fraqueza humana, sofrendo por ela a própria morte, e que faz da dor, o alicerce para a comunhão e a vida plena.

A partir da comunicação dessa verdade é que os povos amadurecem na fé e compreendem que o Reino de Deus não é uma utopia, mas uma realidade, possível de ser alcançada desde já, por todos os que têm os olhos limpos pela ação do Espírito Santo, ainda que cercados pelas dores do mundo.

Por fim, o Santo Padre nos chama a erguer os olhos e a contemplar Jesus no quadro litúrgico da Festa da Ascensão, para que possamos compreender que Ele nunca se afastará de nós, mas que os horizontes se alargarão, na medida em que nossa humanidade, n’Ele, se eleve até o céu e que nos tornemos promotores de uma nova humanidade, redimida, através da comunicação da esperança.

Michelle Neves

Artigo publicado no Portal da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 23/05/2017 – Clique aqui para acessar.

 

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