Liturgia do Dia – 25/06/2017

Mateus 10, 26-33“Ontem e hoje continua o testemunho dos que abraçaram a Palavra de Jesus e foram abnegados no seu anúncio.  A Palavra nos chama para viver nessa mesma confiança, testemunhando a verdade de Cristo aqui e agora.”

Primeira leitura:  Jeremias 20, 10-13

Salmo Responsorial:  68

Segunda leitura:  Romanos 5,12-15

Evangelho: Mateus 10, 26-33

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Meditação para o XII Domingo

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

O Evangelho que escutamos neste Domingo é parte do capítulo décimo do Evangelho de São Mateus, que traz o Discurso Apostólico de Jesus: aí, Ele chama os Doze – como ouvimos no Domingo passado, previne Seus discípulos para as incompreensões e perseguições que sofrerão, exorta-os a não terem medo de falar, afirma claramente que Ele mesmo, Cristo, é causa de divisão e, finalmente, renova o convite para segui-Lo.

Então, estejamos atentos, pois o Senhor nos está falando dos desafios próprios da missão de ser cristão, ontem como hoje!

Claramente, Ele nos previne sobre as dificuldades e perseguições: “Não existe discípulo superior ao mestre, nem servo superior ao seu senhor. Se chamaram Beelzebu ao Chefe da casa, quanto mais chamarão assim Seus familiares” (Mt 10,24s).

Estamos vivendo hoje, neste início de terceiro milênio, a verdade dessas palavras de Jesus. Basta que recordemos as terríveis censuras da cultura pós-cristã e neo-pagã atual à Igreja por suas posições o campo da moral sexual e da bioética. Num mundo que não aceita mais Deus como critério do homem e a religião como ministra do Eterno – a não ser no âmbito da vida privada, sem nenhuma importância para a sociedade –, anunciar o Cristo e Suas exigências virou um crime insuportável para a sociedade paganizada!

E, no entanto, a ordem que o Senhor nos dá é clara: “O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!” A Igreja e cada cristão não podemos calar a novidade e a Vida que encontramos em Cristo, não podemos passar por alto as exigências do amor ao Senhor! Não se trata de querer impor, não se trata de nos julgarmos superiores, não se trata de uma atitude fechada, moralista e antipática de quem se sente dono da verdade; trata-se, sim, do humilde serviço à Verdade, que é Cristo Senhor, Verdade do mundo, Verdade da história, Verdade do homem! A Igreja propõe ao mundo a Verdade não porque seja dono dela ou porque a viva perfeitamente! Nada disto! A Verdade é Cristo e a caminho dela nós todos estamos – inclusive a própria Igreja. Longe de ser dona da Verdade, a Igreja é dela peregrina e sem medo deve dizê-la toda ao mundo, quer agrade quer desagrade! Dizer a Verdade com doçura, com paciência, mas também com inteireza e com firmeza: eis a missão dos cristãos! Para isto fomos chamados, para isto, feitos testemunhas, para isto, enviados como humildes missionários!

E o sofrimento? E as incompreensões? Fazem parte do anúncio do Evangelho. São Paulo claramente afirmava aos Gálatas: “Se eu quisesse agradar aos homens não seria servo de Cristo” (1,10). Seria trair o nosso Senhor esconder, mascarar as exigências do Evangelho em nome de um falso diálogo com o mundo, de uma falsa misericórdia e de uma falsa compreensão do homem de hoje. Somente Cristo liberta de verdade o ser humano – o Cristo inteiro, pregado integralmente, com todas as consequências do Seu Evangelho!

Qualquer um que deseje ser fiel a Deus experimentará a incompreensão e a solidão. Não há outro caminho! Recordemos, na primeira leitura, a queixa do Profeta Jeremias, as calúnias por ele sofridas.

Ora, a Igreja não pode fugir desse destino; o cristão – eu, você – não pode fugir desse compromisso com Cristo! Aliás, o século XX, ainda tão próximo de nós, foi o século que mais matou cristãos, que mais os perseguiu e exterminou. E o século XXI vai se anunciando ainda mais cruel e frio, totalmente indiferente à cristofobia e à cristianofobia! Só que os meios de comunicação e os governos politicamente corretos mudam e disfarçam a expressão “perseguição religiosa” com a mentira açucarada chamada “choque de culturas”. Não! É mesmo perseguição por causa do Evangelho, perseguição genuína por amor a Cristo, perseguição verdadeira que gera mártires!

Também nós, estejamos prontos e nos acostumemos aos ataques contra a Igreja, que visam desmoralizar o cristianismo: na imprensa, muitas vezes, nas universidades, na opinião pública em geral…

Como responder a esta dolorosa realidade? Certamente, com uma atitude de fé, colocando-se nas mãos do Senhor, como Jesus colocou-Se nas mãos do Pai: “Ó Senhor, que provas o homem justo e vês os sentimentos do coração… eu te declarei a minha causa!” Não irá se sustentar na fé quem não cravar os olhos e o coração no Senhor crucificado por nós, quem não estiver disposto a participar do mistério de Sua cruz! As perseguições de hoje dão-nos a chance de testemunhar nosso amor ao Senhor e escutar aquelas comoventes palavras suas aos discípulos: “Fostes vós que permanecestes Comigo em todas as Minhas tentações” (Lc 22,31).

O que não podemos, caríssimos, é nos acovardar, negociar com um mundo que refuta Jesus: “Todo aquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do Meu Pai que está nos Céus!”

Também não podemos pagar o mal com o mal, violência com violência, calúnia com calúnia, mentira com mentira! Não devemos nunca nos deixar vencer pelo mal: Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais Seus passos. Quando injuriado, não revidava; ao sofrer, não ameaçava; antes, punha a Sua causa nas mãos Daquele que julga com justiça” (1Pd 1,21.23).

A Igreja – e nós somos Igreja – não deve se calar ante os inimigos do Evangelho! Com paciência, firmeza, coragem e amor à verdade deve fazer ouvir sua voz, quer agrade quer desagrade, quer aceitem quer não!

Mas – pode alguém perguntar -, por que essas dificuldades? Por que a rejeição ao anúncio do Evangelho? Todos ouvimos São Paulo falar hoje, na segunda leitura, do mistério do pecado: “O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a Morte”. O Apóstolo quer dizer que toda a humanidade encontra-se numa situação de fechamento em relação ao Deus vivo e vivificante, encontra-se, portanto, numa situação de Morte! “Todos pecaram!” – quão triste é a condição do coração humano; quão triste, a situação do mundo! Pecaram os judeus, desobedecendo os preceitos da Lei; pecaram os pagãos, mesmo sem terem conhecido um preceito como aquele dado a Adão ou os preceitos da Lei de Moisés! Pecamos e embotou-se o nosso entendimento, a nossa sensibilidade para as coisas de Deus! O Senhor, tanta vez, parece-nos pesado demais, distante demais, até inexistente demais; as exigências do Seu amor, às vezes parecem nos oprimir. É que somos egoístas, somos fechados sobre nós mesmos! Por isso, a primeira palavra de Jesus é “convertei-vos”!

E, no entanto, ainda que dirigido a um mundo fechado no seu pecado e na sua prepotência, o anúncio de Cristo é anúncio de uma maravilhosa novidade para a humanidade: se nos primeiros homens, iniciou-se uma corrente maldita, uma cadeia de pecado, em Cristo, o novo Adão, iniciou-se a possibilidade de uma humanidade nova: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos”.

Eis! Ainda que incompreendido, o anúncio que a Igreja faz é de Vida e salvação para toda a humanidade!

O cristianismo não é negativo, nunca dirá que o mundo está perdido, que as coisas não têm jeito! É verdade que o mundo crucificou o Senhor Jesus – e nos crucifica e crucificará com Ele; mas também é verdade que o Senhor ressuscitou, venceu para a Vida do mundo e estará sempre presente conosco!

Caríssimos, vivamos com coerência, com coragem, com amor a nossa fé! Não tenhamos medo, não desanimemos, não vivamos como os que não conhecem a Cristo! Não nos fechemos em nós mesmos! De esperança em esperança, vivamos e anunciemos o Senhor, certos de Sua presença e de Seu amor. Ele jamais nos deixará! A Ele a glória para sempre. Amém.

 

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