COPACABANA: A VOCAÇÃO DO BAIRRO E A ESPERANÇA CRISTÃ

pelicano.jpg

Desordem pública, violência generalizada, insegurança, corrupção, solidão, abandono, morte.  Infelizmente são realidades do homem contemporâneo, as quais é impossível fugir ou ignorar.

Mesmo os que fecham seus olhos, na tentativa de não enfrentar a dolorosa realidade, devem admitir que de alguma forma eu, você, o nosso vizinho, os mais pobres e mesmo os mais ricos, e ele próprio, estamos, dia após dia, experimentando a agonia de uma sociedade enferma, fruto de uma cultura laicista, materialista que desumaniza e coisifica o homem.

Os noticiários sobre os últimos acontecimentos no bairro retratam que seus moradores, conscientes ou não, cada vez se distanciam de sua vocação principal, na medida em que afastam do centro de sua vida o seu Criador, renunciando a própria essência e origem.

É indubitável que a reorganização humano-social do bairro passa necessariamente por um conjunto de medidas multi-disciplinares e do compromisso dos envolvidos.  Todavia, de nada adiantará qualquer ação se não for resgatada a vocação do bairro.

A dinâmica da vida e a propagação de uma cultura contrária a dignidade da pessoa humana afastou dos moradores do bairro a sua história, o seu alicerce, e com isso, muito daquilo que lhe dava firmeza, segurança e solidez perdeu-se pelo caminho dos seus quase 130 anos.

A Princesinha do Mar e Coração da Zona Sul hoje pede socorro! É preciso acolhê-la, e salvá-la.

De todas as histórias que tornaram o bairro o mais conhecido e amado do mundo, encontramos no antigo império Inca, o início de sua vocação.

Copacabana, que segundo a língua quíchua significa  dentre outras coisas “lugar luminoso”, também é o nome dado a uma cidade situada às margens do Lago Titicaca, fundada sobre um antigo local de culto inca, cujos relatos apontam para a realização de cultos a uma divindade de mesmo nome, que protegeria o casamento e fertilidade das mulheres e que após a chegada dos colonizadores espanhóis, Nossa Senhora teria aparecido no local a um jovem pescador de nome Francisco, que esculpiu a imagem da Santa, vestindo-a de dourado e sobre uma meia-lua, e que ficou conhecida por Nossa Senhora de Copacabana.

Bastaria parar por aqui a narração dos fatos para compreendermos que não estamos num local qualquer e que o Bairro de Copacabana, tem por vocação a proteção da família, a valorização das mulheres a partir da sua natureza maternal, sob as bênçãos de Nossa Senhora, vestida de Sol, vitoriosa, tal qual nos narra São João no livro do Apocalipse. Mas a generosidade Divina, como é de se esperar, foi além.

No século XVII, comerciantes bolivianos trouxeram uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Copacabana, para o Rio de Janeiro, especificamente para uma praia chamada de Sacopenapã, nome Tupi que significa “caminho dos socós” e sobre um rochedo (o atual Forte de Copacabana) construíram uma capela em homenagem à Santa, que passou a designar a praia e o bairro, cuja principal avenida leva o seu nome.

Não foi por mero acaso que Sacopenapã, recebeu a imagem de Nossa Senhora.  Como dito, o nome da praia tem origem na língua Tupi e significa “caminho dos socós”, ou caminho dos pelicanos, sendo este um importante símbolo católico.

O pelicano apresenta relação direta com o sacrifício de Jesus, pois na falta de peixes para alimentar seus filhotes, bica o próprio peito oferecendo sua carne e sangue para os filhos.

Assim, o pelicano é o símbolo do sacrifício e da doação, tal qual, na Eucaristia, é Jesus Cristo, o pão do céu, da paz e da salvação da humanidade.

A relação entre o pelicano e o próprio Cristo foi comentada por São Jerônimo, ao discorrer sobre o salmo 102: “Sou como um pelicano do deserto, que fustiga o peito e alimenta com o próprio sangue os seus filhos”.

São Tomás de Aquino (1225-1274) faz referência ao símbolo do pelicano em seu hino “Adoro te devote”:

“Senhor Jesus, bondoso pelicano,

Láva-me, eu que sou imundo, em teu sangue

Pois que uma única gota faz salvar

Todo o mundo e apagar todo pecado”

Desta forma há de se reconhecer que, muito antes de sua fundação, o bairro de Copacabana foi consagrado à Nossa Senhora, pelo próprio Jesus, que,  não só mais uma vez rasga o seu peito, para nos alimentar através de seu santo sacrifício e nos trazer a paz e a salvação, também reafirma nossa vocação de ser luz no mundo, sob o manto protetor de sua Mãe Santíssima.

Basta-nos acolhê-Lo!

Michelle Neves
Ministra do Acolhimento
Paróquia São Paulo Apóstolo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s