Liturgia do Dia – 13/08/2017

Mateus 14, 22-33“Quando fazemos silêncio em nosso interior a Palavra do Senhor ressoa em nós. Em Jesus encontramo-nos com o Pai, e sua presença e sua Palavra nos libertam.”

Primeira leitura:  1Reis 19, 9a. 11-13a

Salmo Responsorial:  84

Segunda leitura:  Romanos 9,1-5

Evangelho:  Mateus 14, 22-33

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Meditação para o XIX Domingo Comum, por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

A Escritura deste Domingo fala-nos de um Deus que é grande demais, misterioso demais, inesperado e surpreendente demais para que possamos enquadrá-Lo na nossa lógica, na nossa medida, nas nossas expectativas e no nosso modo de pensar.
Eis, caríssimos! Uma grande tentação para o homem, dentro e fora da Igreja, é achar que pode compreender o Senhor, enquadrar Seu modo de agir e dirigir o mundo e a Igreja com a nossa pobre e limitada lógica… Mas, o Deus verdadeiro, o Deus que Se revelou a Israel e mostrou plenamente o Seu Rosto em Jesus Cristo, não é assim! Ele é Misterioso, é Santo, é livre como o vento do deserto, aquele que “sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai” (Jo 3,8)!

Pensemos nesta misteriosa e encantadora primeira leitura, do Livro dos Reis. Lá no distante século IX aC, Elias, em crise, fugindo de Jezabel, caminha para o Horeb; ele deseja reencontrar suas origens, as fontes da fé de Israel. Recordem que o Horeb é o mesmo monte Sinai, a Montanha de Deus…
Elias tem razão de ir ao Horeb, de procurar as fontes: nos momentos de dúvida, de crise, de escuridão, é indispensável voltar às origens, às raízes de nossa fé; é indispensável recordar o momento e a ocasião do nosso primeiro encontro com o Senhor e nele reencontrar as forças, a inspiração e a coragem para continuar.
Pois bem, Elias volta ao Horeb procurando Deus. Lembrem que no caminho ele chegou a desanimar e pedir a morte: “Agora basta, Senhor! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais!” (1Rs 19,4). No entanto, o Senhor o forçou a continuar o caminho: “Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho” (1Rs 19,7). Pois bem, Elias caminhou, teimou em procurar o seu Deus, mesmo com o coração cansado e em trevas; assim, chegou ao Monte de Deus! Mas, também aí, no Seu Monte, Deus surpreende Elias – Deus sempre nos surpreende! O Profeta espera o Senhor e o Senhor Se revela, vai passar… Mas, não como Elias O esperava: não no vento impetuoso que força tudo e destrói tudo quanto encontra pela frente, não no terremoto que coloca tudo abaixo, não no fogo que tudo devora… Eis: três fenômenos que significam força, que causam temor, que fazem o homem abater-se… E o Senhor não estava aí! Muito tempo antes, quando foi entregar a Moisés as tábuas da Lei, Deus Se manifestara no fogo, no vento e no terremoto: “Houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a Montanha… E o povo estava com medo e pô-se a tremer… Toda a montanha do Sinai fumegava, porque o Senhor desceu sobre ela no fogo… e toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,16.18). Mas, agora, o Senhor não está no vento impetuoso nem no terremoto nem no fogo… Elias teve de reconhecê-Lo, de descobrir Sua Presença no murmúrio da brisa suave!
– Ah, Senhor! Como Teus caminhos são imprevisíveis! Quem pode Te reconhecer senão quem a Ti se converte? Quem pode continuar contigo, se pensar em dobrar-Te à própria lógica e à própria medida? Tu és livre demais, grande demais, surpreendente demais! Não há Deus além de Ti; Tu, que convertes e educas o nosso coração! Elias Te reconheceu e cobriu o rosto com o manto, saiu ao Teu encontro e Te viu pelas costas… Pobres dos homens deste século XXI, que de tão cheios de si mesmos, querem Te enquadrar à própria medida e, por isso, não Te veem, não Te reconhecem, não experimentam a alegria e a doçura da Tua Presença!
Por piedade, por misericórdia, esconde-nos também a nós na Gruta bendita, na Fenda do Rochedo (cf. 1Rs 19,9; Ex 33,22), que é o Lado aberto, o Coração trespassado do Teu Filho Jesus, nosso Senhor (cf. Jo 19,34-37; 1Cor 10,4)! Somente Nele poderemos Te contemplar, divisando no claro-escuro da fé o luminoso e obscuro esplendor da Tua Face!

Vamos adiante, meus irmãos: as surpresas de Deus não param por aí! O mais surpreendente ainda estava por vir! Não havia chegado ainda a plenitude do tempo! Pois bem! Na plenitude do tempo, veio a plenitude da graça: Deus enviou o Seu Filho ao mundo; Ele veio pessoalmente! Não mais no vento, não mais no fogo, não mais no terremoto, não mais pelos profetas! Ele veio pessoalmente, Ele, em Jesus: “Quem Me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos uma coisa só” (Jo 14,9; 12,45). Por isso mesmo, São Paulo afirma hoje claramente que “Cristo, o qual está acima de todos, é Deus bendito para sempre!” É por essa fé que somos cristãos, meus irmãos!
Jesus é Deus, o Deus Santo, o Deus Forte, o Deus Imortal, o Deus de nossos Pais!
Nele o Pai criou todas as coisas, por Ele o Pai tirou Abraão de Ur dos Caldeus, por Ele o Pai abriu o Mar Vermelho, por Ele, deu o Maná ao Seu povo, sobre Ele fez os profetas falarem, na gruta do Seu Coração escondeu Moisés e Elias e, na plenitude dos tempos no-Lo enviou a nós!
Surpreendente, o nosso Deus; surpreendente como vem a nós!

Lá vamos nós, lá vai a Igreja, no meio da noite deste mundo, navegando com dificuldade porque a barca da vida e da história é agitada pelos ventos contrários, tantos, tão fortes, tão inesperados… E Jesus vem ao nosso encontro, caminhando sobre as águas!
Em Jesus, Deus vem vindo ao nosso encontro, em Jesus, vem em nosso socorro… E, infelizmente, confundimo-Lo com um fantasma, etéreo, irreal. E Ele no diz mais uma vez: “Coragem! Sou Eu! Não tenhais medo!” Atenção para esta frase do Senhor: “Coragem, EU SOU! Não tenhais medo!” EU SOU! É o Nome do próprio Deus como Se revelou no deserto! Deus de Moisés, de Elias, Deus feito pessoalmente presente para nós em Jesus Cristo!

Então, caríssimos, digamos como Pedro: “Senhor, manda-me ir ao Teu encontro, caminhando sobre á água!” Ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida… Todos temos de pedir isso, de fazer isso!
Peçamos sim, como Pedro, mas não façamos como Pedro que, desviando o olhar de Jesus, colocando a atenção mais na profundeza do mar e na força do vento que no poder amoroso e fiel do Senhor, começou a afundar! Assim acontecerá conosco, acontecerá com a Igreja, se medrosos, olharmos mais para o mar e a noite, para as solicitações e tormentas do mundo que para o Senhor que vem a nós com amor onipotente! E Deus é tão bom que, ainda que às vezes, façamos a tolice de Pedro, podemos ainda, como Pedro, gritar de todo o coração: “Senhor, salva-me!”
– Salva-nos, Senhor, porque somos de pouca fé!
Salva Tua Igreja, para que não se deixe seduzir por falsas seguranças e por aplausos fáceis e mundanos!
Salva cada um de nós das imensas águas do mar da vida, do sombrio e escuro mar encrespado na noite opaca de nossa existência!
Tu, que durante a noite oravas prolongadamente e vias o barco navegando com dificuldade, agora, do teu Céu, olha para nós e vem ao nosso encontro!
E Tu vens!
Sabemos que vens na graça da Palavra, no dom da Eucaristia e de tantos outros modos discretos…
Cristo-Deus, por piedade, ajuda-nos a reconhecer-Te, a caminhar ao Teu encontro, vencendo as águas do mar da vida, sem desanimar, sem perder o rumo, sem afundar!
Olha, que, piedosamente, nos prostramos diante de Ti e, com toda as nossas forças, e com toda a nossa alma, exclamamos:
“Verdadeiramente, Tu és o Filho de Deus!”
A Ti a glória para sempre! Amém.

 

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