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Liturgia do Dia – 17/12/2017 (Comentada)

João 1, 6-8.19-28“O profeta anuncia a mensagem de paz e de libertação aos infelizes e tristes, e mostra a grandeza da misericórdia do Senhor.  Mas é em Cristo que está a plenitude da vida e a realização de toda promessa e salvação.  Nele estão a paz, a salvação e a eterna alegria.”

Primeira leitura:  Isaías 61,1 -2a. 11-11

Salmo Responsorial:  Lucas 1

Segunda leitura: 1 Tessalonicenses 5, 16-24

Evangelho: João 1,6-8. 19-28

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Comentário sobre o Terceiro Domingo do Advento, por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Alegrai-vos no Senhor!

Este terceiro Domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela Vinda do Senhor.

Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado, o rosa que mistura o roxo da espera vigilante com o branco da alegria do Natal.

Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4s).

Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável?
Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos?

Ante as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira?

Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo?

E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!

Antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permitam-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros! A vida não é uma maré mansa, um mar de rosas…

Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira.

Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão de escamotear os problemas e lágrimas da existência…

Não é dessa que falamos aqui…

A nossa vida – a minha, a sua! – gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos…

E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23).

O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos… Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido… Até nos ambientes de Igreja sentimos esta triste realidade…

Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão?

Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? Na nossa sociedade, no nosso mundo, vai-se adiante, a passos largos, no macabro e diabólico projeto de destruir a família e os valores cristãos… E tantos, dizendo-se católicos, compactuam com tal patifaria! Haveremos todos de prestar contas a Deus!

Eis! Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante…

E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos!

E neste Domingo de Advento, a liturgia da Igreja insiste: “Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor!”

O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo…

Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor!

E por quê?Porque Ele está perto! Não nos deixa nunca: Ele vem sempre como Emanuel – Deus conosco!

Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade?

Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto?

Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente?

Pois bem: o Senhor vem! O que veio de Maria, a Virgem, vem no Sacrifício eucarístico, como Vida, como dom, como graça, como luz, como sustento, como consolo, vomo vigor, como companhia, como sentido, como salvação!

Aquele que veio é Aquele que vem; é Aquele que virá, um dia, no Dia Final, para tudo purificar, plenificar, levar à consumação e desvelar o verdadeiro sentido de tudo!

É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos… Um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado!

Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: Ele é a presença pessoal de Deus entre nós, Ele é Aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário!

Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que Ele trouxe haverá de se manifestar um Dia, naquele bendito Dia final, quando tudo será passado a limpo: “Quem vos chamou é fiel e é Ele que agirá” – diz-nos São Paulo Apóstolo (1Ts 5,24)!

As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo, a secularização de tantos na Igreja e a teimosia humana… A consequência, é a falta de uma alegria verdadeira.

Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais!

Precisa-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam!

Afinal, há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo!

Esperemos Nele: na Sua palavra, no Seu juízo, na Sua graça!

Ele não nos esqueceu,

Ele não está ausente do mundo e da nossa vida!

Recordemos ainda a forte exortação de São Paulo: “Que o vosso ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo sejam guardados de modo irrepreensível para o Dia da Vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!”

O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira Vinda do Senhor no Natal, mas sobretudo nos convida a reconhecer Suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso Sua Vinda final!

Ele virá, Ele conduzirá tudo à Plenitude, Ele tudo julgará, julgará também a minha vida, a sua vida!

Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”

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