Quaresma

Via Sacra em Comunidade

Na próxima sexta-feira, dia 16, iniciará a Via Sacra na Paróquia São Paulo Apóstolo.  A atividade acontecerá toda as sextas-feiras da Quaresma, sempre às 17 horas.  A Paróquia fica a Rua Barão de Ipanema, 85, em Copacabana. Informações: 2255-7547

Via Sacra 2018

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Catequese do Papa Francisco

A Catequese do Papa Francisco – 14/02/2018

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CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Bom dia, mesmo que o dia esteja um pouco feio. Mas se a alma está em alegria sempre é um bom dia. Assim, bom dia! Hoje, a audiência será feita em duas partes: um pequeno grupo de doentes está na sala, pelo tempo e nós estamos aqui. Mas nós os vemos e eles nos veem pelo telão. Saudemos-lhes com um aplauso.

Continuamos com as catequeses sobre Missa. A escuta das Leituras bíblicas, prolongada na homilia,  responde a que? Responde a um direito: o direito espiritual do povo de Deus a receber com abundância o tesouro da Palavra de Deus (cfr Introdução ao Lecionário, 45). Cada um de nós quando vai à Missa tem o direito de receber abundantemente a Palavra de Deus bem lida, bem dita e depois bem explicada na homilia. É um direito! E quando a Palavra de Deus não é bem lida, não é pregada com fervor pelo diácono, pelo sacerdote ou pelo bispo se falta a um direito dos fiéis. Nós temos o direito de ouvir a Palavra de Deus. O Senhor fala para todos, Pastores e fiéis. Ele bate ao coração de quantos participam da Missa, cada um na sua condição de vida, idade, situação. O Senhor consola, chama, suscita brotos de vida nova e reconciliada. E isto por meio da sua Palavra. A sua Palavra bate ao coração e muda os corações!

Por isso, depois da homilia, um tempo de silêncio permite sedimentar na alma a semente recebida, a fim de que nasçam propósitos de adesão àquilo que o Espírito sugeriu a cada um. O silêncio depois da homilia. Deve-se fazer um belo silêncio ali e cada um deve pensar naquilo que ouviu.

Depois deste silêncio, como continua a Missa? A resposta pessoal de fé se insere na profissão de fé da Igreja, expressa no “Credo”. Todos nós recitamos o “Credo” na Missa. Recitado por toda a assembleia, o Símbolo manifesta a comum resposta a quanto, juntos, se ouviu da Palavra de Deus (cfr Catecismo da Igreja Católica, 185-197). Há um nexo vital entre escuta e fé. São unidas. Esta – a fé – de fato, não nasce da fantasia de mentes humanas, mas, como recorda São Paulo, “vem da escuta e a escuta diz respeito à palavra de Cristo” (Rm 10, 17). A fé se alimenta, portanto, da escuta e conduz ao Sacramento. Assim, a recitação do “Credo” faz com que a assembleia litúrgica “volte a meditar e professe os grandes mistérios da fé, antes de sua celebração na Eucaristia” (Instrução Geral do Missal Romano, 67).

O Símbolo de fé vincula a Eucaristia ao Batismo, recebido “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, e nos recorda que os sacramentos são compreensíveis à luz da fé da Igreja.

A resposta à Palavra de Deus acolhida com fé se exprime depois na súplica comum, denominada Oração universal, porque abraça as necessidades da Igreja e do mundo (cfr OGMR, 69-71; Introdução ao Lecionário, 30-31). Também é chamada de Oração dos fiéis.
Os padres do Vaticano II quiseram repropor esta oração depois do Evangelho e da homilia, especialmente aos domingos e festas, a fim de que “com a participação do povo, façam-se orações pela santa Igreja, por aqueles que nos governam, por aqueles que se encontram em várias necessidades, por todos os homens e pela salvação de todo o mundo” (Const. Sacrosanctum Concilium, 53; cfr 1 Tm 2,1-2). Portanto, sob a guia do sacerdote que introduz e conclui, “o povo, exercitando o próprio sacerdócio batismal, oferece a Deus orações pela salvação de todos” (OGMR, 69). E depois das intenções individuais, propostas pelo diácono ou por um leitor, a assembleia une a sua voz invocando: “Ouvi-nos, Senhor”.

Recordamos, de fato, quanto nos disse o Senhor Jesus: “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito” (Jo 15, 7). “Mas, nós não acreditamos nisso, porque temos pouca fé”. Mas se nós tivéssemos uma fé – diz Jesus – como o grão de mostarda, teríamos recebido tudo. “Pedis o que desejais e vos será feito”. E neste momento da oração universal, depois do Credo, é o momento de pedir ao Senhor as coisas mais fortes na Missa, as coisas de que nós precisamos, aquilo que queremos. “Vos será feito”; de um ou de outro modo, mas “vos será feito”. “Tudo é possível àquele que crê”, disse o Senhor. O que respondeu aquele homem ao qual o Senhor se dirigiu para dizer esta palavra – tudo é possível àquele que crê-? Disse: “Creio Senhor. Ajuda a minha pouca fé”. Também nós podemos dizer: “Senhor, eu creio. Mas ajuda a minha pouca fé”. E devemos fazer a oração com este espírito de fé: “Creio Senhor, ajuda a minha pouca fé”. As pretensões de lógicas mundanas, em vez disso, não decolam para o céu, assim como permanecem não ouvidos os pedidos auto-referenciais (cfr Tiag 4, 2-3). As intenções pelas quais se convida o povo fiel a rezar devem dar voz às necessidades concretas da comunidade eclesial e do mundo, evitando recorrer a fórmulas convencionais e míopes. A oração “universal”, que conclui a liturgia da Palavra, nos exorta a fazer nosso o olhar de Deus, que cuida de todos os seus filhos.

Liturgia do Dia

Liturgia do Dia – 14/02/2018

mateus 6, 1-6.16-18Com toda a Igreja de Cristo iniciamos hoje o Tempo da Quaresma.  O Senhor nos convida para adentrar o mistério de seu amor redentor.  Pela prática da oração, da meditação, do jejum e da penitência, encontremos o sentido mais profundo de nossa existência.  Por isso, ‘rasgar o coração e não as vestes’, pois é nele que o amor do Senhor quer morar.  Façamos o êxodo para o qual nos convida o Tempo da Quaresma e vivamos com intensidade o mistério de nossa salvação: o Cristo Jesus.

Primeira leitura:  Joel 2, 12-18

Salmo Responsorial:  50

Segunda leitura: 2 Coríntios 5, 20-6,2

Evangelho:  Mateus 6, 1-6.16-18

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Meditação quaresmal para o Dia de Cinzas, por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Do Evangelho segundo Mateus (Mt 6,1-6.16-18):

Naquele tempo, disse Jesus aos Seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos Céus.
2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

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1. O Senhor Jesus chama atenção para o modo de colocar em prática as obras de piedade que eram tão caras aos judeus e que, aprovadas por ele, nosso Salvador, entrarão também na piedade cristã. Tratam-se das práticas quaresmais: a oração, o jejum e a esmola. Observe-se bem que o Senhor Jesus afirma claramente que o cumprimento e prática dessas obras obtém recompensa do Pai que está nos Céus. É interessante observar como cai por terra toda alegação da teologia protestante que as obras não são meritórias diante de Deus. Nosso Senhor e o Novo Testamento nunca ensinaram tal coisa! Todas as obras do cristão, exatamente porque unidas a Jesus e impelidas pelo Espírito de Jesus que habita nos batizados, são meritórias por graça de Deus e, portanto, úteis para a salvação.

2. Que espírito, que atitude fundamental o Senhor pede de quem pratica essas boas obras de piedade? A humildade diante de Deus. Quem faz tais práticas de piedade para parecer justo (isto é, santo) diante dos homens glorifica a si mesmo e já recebeu sua recompensa: a glória falsa, o elogia humano, de quem vê a aparência, mas desconhece as profundas intenções do coração.

3. O Senhor convida a examinar as motivações de nossas práticas de piedade quaresmais. Quais devem ser? A busca da Face do Senhor Deus por um sincero e amoroso processo de conversão. Realizar boas obras para agradar ao Pai que está nos Céus e receber Dele a recompensa. Qual a grande recompensa que um cristão pode esperar de Deus? Nada menos que o próprio Deus: Sua amizade, Sua intimidade, Sua graça, Seu amor que, ao final das contas, é a própria salvação.

4. Que o Senhor nosso Jesus Cristo nos conceda a graça de um caminho quaresmal vivido com seriedade, realmente empenhando-nos nas santas observâncias quaresmais, para que possamos receber como recompensa uma santa e alegre celebração da Páscoa deste 2018, em união com o Redentor até a Vida eterna. Amém.