Liturgia do Dia – 23/04/2017

João 20, 19-31“A Comunidade reunida ouvia a palavra dos Apóstolos, partia o pão, vivia em comunhão e era unida na prece.  E Jesus ressuscitado se dá a conhecer aos Apóstolos, e sua palavra é para todo tempo: ‘Bem aventurados os que creram sem terem visto'”.

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 2, 42-47

Salmo Responsorial:  117

Segunda leitura: 1 Pedro 1, 3-9

Evangelho:  João 20, 19-31

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Meditação para o Domingo II da Páscoa
Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Estamos ainda em pleno dia da Páscoa, “o Dia que o Senhor fez para nós” – é esta a Oitava da Santa Páscoa.

Se no dia mesmo da Ressurreição, a Liturgia centrava nossa atenção no próprio Senhor ressuscitado, vencedor da morte, hoje, neste Domingo da Oitava, a atenção concentra-se nos efeitos dessa vitória formidável para nós e para toda a humanidade.

Eis! O Senhor Jesus, morto como homem, morto na Sua natureza humana, foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre Ele o Espírito Santo, Senhor que dá a Vida; como diz a Primeira Epístola de São Pedro: “Morto na carne, isto é, na Sua natureza humana, foi vivificado no Espírito, isto é, na força vivificante, que é o Espírito do Pai (cf. 3,18). E agora, cheio do Espírito, Jesus nos dá esse Dom divino, esse fruto da Sua Ressurreição.

Primeiro dá-Lo aos Seus apóstolos “ao anoitecer daquele dia, o primeiro depois do sábado”. Passou o sábado dos judeus, passou a Lei de Moisés, passou a antiga criação. E Jesus ressuscitado sopra sobre os Apóstolos o Espírito Santo, recebido do Pai na Ressurreição: “Como o Pai Me enviou na potência do Espírito, também Eu vos envio agora na força desse mesmo Espírito! Recebei, pois, o Espírito Santo, dado para gerar o mundo novo, o homem novo, o homem segundo a Minha imagem, o homem reconciliado, na paz com Deus! Paz a vós! Os pecados serão perdoados nesse dom do Meu Espírito!” Assim começa o cristianismo, assim ganha vida a Igreja: no Espírito do Ressuscitado!

Os Apóstolos agora, recebendo o Espírito, recebem a Vida nova do Cristo, a Vida que dura para a Eternidade. Esse mesmo Espírito, nós O recebemos nas águas do Batismo e na comunhão com o Sangue do Senhor na Eucaristia. Por isso mesmo, a oração da Missa hodierna nos pede a graça de compreender melhor, isto é, de viver intensamente na vida “o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova Vida e o Sangue que nos lavou”.
Em outras palavras: pela participação aos santos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia, nós recebemos continuamente o Espírito do Ressuscitado e, assim, recebemos a Sua nova Vida, a Vida que nos renova já aqui, neste mundo, e nos dá a Vida eterna. Por isso a segunda leitura de hoje nos diz que o Pai, “em Sua grande misericórdia, pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível”, reservada a nós nos Céus!
A Ressurreição de Cristo é garantia da nossa, o Seu Espírito, que nós recebemos, é semente e garantia de Vida eterna e, por isso, é causa de alegria e força para nós, cristãos. Nós recebemos a Vida eterna, nós cremos na Vida eterna, nós já vivemos tendo em nós as sementes da Vida eterna!

Mas, estejamos atentos: esta nossa fé na Ressurreição tem consequências concretas para nós: “Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum…”

Eis: a fé na Ressurreição do Senhor, a vida vivida na Vida nova que Cristo nos concedeu, faz-nos existir de um modo novo, iluminados por uma nova regra de vida (o ensinamento dos apóstolos e seus sucessores), sustentados pela fração do Pão eucarístico e testemunhas de uma vida de comunhão, de amor fraterno, de mansidão, de coração aberto para Deus e os irmãos.

Mais uma coisa: estejamos atentos para um fato importantíssimo: a Ressurreição do Senhor não é uma fábula, não é um mito, não é uma parábola. O Senhor realmente venceu a morte, realmente entrou no Cenáculo e realmente Tomé, admirado e envergonhado, feliz pelo Senhor e triste por sua incredulidade, tocou as mãos e o lado do Senhor vivo, ressuscitado! Por isso, o cristão não se apavora diante dos reveses da vida, dos compromissos e renúncias pelo testemunho de Cristo e nem mesmo diante da morte: “Sem ter visto o Senhor, vós O amais. Sem o ver ainda, Nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação”. Esta é a nossa fé, a nossa esperança, a firme certeza da nossa existência neste mundo e naquele que há de vir! Amém.

Liturgia do Dia – 22/04/2017

Marcos 16, 9-15“‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura’, palavra de Jesus que ressoa no coração dos discípulos e deve ressoar também em nós, pois é nosso dever anunciar o que é do Reino.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 4,13-21

Salmo Responsorial:  117, 1-21

Evangelho:  Marcos 16, 9-15

Liturgia do Dia – 21/04/2017

João 21, 1-19“‘Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribui-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.’ Palavra ouvida e Eucaristia participada nos dão a responsabilidade de discípulos e de missionários.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 4,1-2

Salmo Responsorial:  117, 1-27a

Evangelho: João 21, 1-14

Liturgia do Dia – 20/04/2017

lucas 24, 35-48“Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre.  Sua Palavra e Eucaristia nos mostram sua presença junto de nós.  Por isso, é belo dizer: ‘Ele está no meio de nós’. Confiemos no Senhor, para que tenhamos a vida.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 3, 11-26

Salmo Responsorial:  8

Evangelho:  Lucas 24, 35-48

Catequese do Papa Francisco – 19/04/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 19 de abril de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Encontramo-nos hoje à luz da Páscoa, que celebramos e continuamos a celebrar com a Liturgia. Por isso, no nosso itinerário de catequese sobre esperança cristã, hoje gostaria de falar-vos de Cristo Ressuscitado, nossa esperança, assim como o apresenta São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (cfr cap. 15).

O apóstolo quer resolver uma problemática que seguramente na comunidade de Corinto estava no centro das discussões. A ressurreição é o último assunto abordado na Carta, mas provavelmente, em ordem de importância, é o primeiro: tudo, na verdade, se apoia sobre esse pressuposto.

Falando aos seus cristãos, Paulo parte de um dado incontestável, que não é o êxito de uma reflexão de qualquer homem sábio, mas um fato, um simples fato que interveio na vida de algumas pessoas. O cristianismo nasce daqui. Não é uma ideologia, não é um sistema filosófico, mas é um caminho de fé que parte de um acontecimento, testemunhado pelos primeiros discípulos de Jesus. Paulo o resume deste modo: Jesus morreu pelos nossos pecados, foi sepultado, e no terceiro dia ressuscitou e apareceu a Pedro e aos Doze (cfr 1Cor 15, 3-5). Este é o fato: morreu, foi sepultado, ressuscitou e apareceu. Isso é, Jesus está vivo! Este é o núcleo da mensagem cristã.

Anunciando este acontecimento, que é o núcleo central da fé, Paulo insiste sobretudo no último elemento do mistério pascal, isso é, sobre o fato de que Jesus ressuscitou. Se, de fato, tudo tivesse terminado com a morte, Nele teríamos um exemplo de dedicação suprema, mas isso não poderia gerar a nossa fé. Foi um herói. Não! Morreu, mas ressuscitou. Porque a fé nasce da ressurreição. Aceitar que Cristo morreu e morreu crucificado não é um ato de fé, é um fato histórico. Em vez disso, acreditar que ressuscitou sim. A nossa fé nasce na manhã de Páscoa. Paulo faz uma lista de pessoas a quem Jesus ressuscitado apareceu (cfr vv.5-7). Temos aqui uma pequena síntese de todos os relatos pascais e de todas as pessoas que entraram em contato com o Ressuscitado. No topo da lista temos Cefas, isso é, Pedro, e o grupo dos Doze, depois “quinhentos irmãos” muitos dos quais podiam ainda dar testemunho, depois é citado Tiago. Último da lista – como o menos digno de todos – está ele próprio. Paulo diz de si mesmo: “Como um aborto” (cfr v.8).

Paulo usa esta expressão porque a sua história pessoal é dramática: ele não era um coroinha, mas era um perseguidor da Igreja, orgulhoso das próprias convicções; sentia-se um homem que chegou, com uma ideia muito límpida do que fosse a vida com os seus deveres. Mas neste quadro perfeito – tudo era perfeito em Paulo, sabia tudo – neste quadro perfeito de vida, um dia acontece aquilo que era absolutamente imprevisível: o encontro com Jesus Ressuscitado, no caminho de Damasco. Ali não foi somente um homem que caiu por terra: foi uma pessoa que foi pega por um evento que mudaria o sentido da sua vida. E o perseguidor se torna apóstolo, por que? Porque eu vi Jesus vivo! Vi Jesus Cristo Ressuscitado! Este é o fundamento da fé de Paulo, como da fé dos outros apóstolos, como da fé da Igreja, como da nossa fé.

Que belo pensar que o cristianismo, essencialmente, é isso! Não é tanto a nossa busca em relação a Deus – uma busca, em verdade, assim, às vezes – mas, em vez disso, a busca de Deus em relação a nós. Jesus nos tomou, nos agarrou, nos conquistou para não nos deixar mais. O cristianismo é graça, é surpresa e por esse motivo pressupõe um coração capaz de maravilhas. Um coração fechado, um coração racionalista é incapaz de maravilha e não pode entender o que é o cristianismo. Porque o cristianismo é graça e a graça somente se percebe, se encontra na maravilha do encontro.

E então, mesmo se somos pecadores – todos nós o somos – se os nossos propósitos de bem ficaram somente no papel ou se, olhando para a nossa vida, nos damos conta de ter somado tantos insucessos…Na manhã de Páscoa podemos fazer como aquelas pessoas de que fala o Evangelho: ir ao sepulcro de Cristo, ver a grande pedra caída e pensar que Deus está realizando por mim, por todos nós, um futuro inesperado. Ir até o nosso sepulcro: todos o temos um pouquinho dentro. Ir ali e ver como Deus é capaz de ressurgir dali. Aqui há felicidade, aqui há alegria, vida, onde todos pensavam que houvesse somente tristeza, derrota e trevas. Deus faz crescer as suas flores mais belas em meio às pedras mais áridas.

Ser cristãos significa não partir da morte, mas do amor de Deus por nós, que derrotou a nossa grande inimiga. Deus é maior que qualquer coisa e basta somente uma vela acesa para vencer a mais obscura das noites. Paulo grita, recordando os profetas: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (v.55). Nestes dias de Páscoa, levemos esse grito no coração. E se nos perguntarem o porquê do nosso sorriso doado e da nossa paciente partilha, então poderemos responder que Jesus ainda está aqui, que continua a estar vivo entre nós, que Jesus está aqui, na praça, conosco: vivo e ressuscitado.

Liturgia do Dia – 19/04/2017

lucas 24, 13-35“A palavra de Pedro àquele aleijado é a palavra da Igreja para todos nós: ‘Levanta-te e anda’.  Jesus caminhou com os discípulos de Emaús, para que saíssem de si mesmos e anunciassem o Cristo crucificado.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 3,1-10

Salmo Responsorial: 104, 4-9

Evangelho:  Lucas 24, 13-35

 

Liturgia do Dia – 18/04/2017

Jesus e Madalena“A Palavra mostra-nos como o Senhor se faz presente no meio de nós.  Com os olhos da fé, somos capazes de enxergá-lo entre nós.  Ele nos quer um povo de ressuscitados e anunciadores de sua verdade eterna.”

Primeira leitura: Atos dos Apóstolos 2, 36-41

Salmo Responsorial:  32

Evangelho:  João 20, 11-18

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A primeira leitura de hoje destaca a ação do Espírito Santo.  Estamos em Pentecostes. Em continuidade à leitura de ontem, Pedro age pela ação do Paráclito, que age na vida de cada ouvinte, convertendo os corações: três mil pessoas venceram o medo, acolheram a Palavra, só naquele dia.

E aos escolhidos, Deus os chama pelo nome, assim como chamou Maria, absorvida pelo misto de dor, medo e alegria.

Que alegria saber que Deus nos conhece pelo nome, que alegria saber que Ele confia a nós a missão de anunciá-Lo à todas as nações, que alegria saber que o Seu infinito amor transborda em nós, na medida em que nós O acolhemos e acreditamos que nos auxilia e protege na peregrinação terrestre, porque é amor e misericórdia.

Feliz Páscoa no Senhor!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

É Festa da Misericórdia! É Páscoa em Jesus!

Festa da Misericórdia 2017

“Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia. Desejo que os sacerdotes anunciem esta Minha grande misericórdia para com as almas pecadoras”.

(Diário de Santa Faustina, 49-50).

“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Nesse dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximarem da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. (…) A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia

(Diário de Santa Faustina, 699).

Liturgia do Dia – 17/04/2017

Mateus 28, 8-15Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia.  Lá eles me verão.

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 2,14.22-32

Salmo Responsorial: 117

Evangelho:  Mateus 28, 8-15

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Existe um aspecto singular na vida dos personagens da Liturgia da Palavra de hoje:  a superação do medo, após a experiência com Jesus ressuscitado.

O medo não é necessariamente algo bom ou ruim, mas uma reação natural em decorrência da limitação humana, quando no enfrentamento de algo desconhecido, ou quando não se pode antever o que acontecerá imediatamente após uma experiência, ou em uma única expressão, quando falta fé e esperança.

Com Pedro, que já havia vivido a experiência com o Ressuscitado e sofria com as perseguições dos opositores de Jesus, a superação aconteceu após o evento de Pentecostes.  Ele, a partir de então, não só se reportou à profecia do Rei Davi, mas assumiu, definitivamente, com destemor, sua missão de anunciar à multidão a grande notícia, que ecoará ao longo dos séculos por toda a Igreja:  Jesus venceu a morte! A Promessa se realizou!

O vigor e entusiasmo com que exortou que o escutassem aparece de forma latente em toda a primeira leitura, o que nos permite dizer que Pedro, não apenas falava, mas interagia com seus interlocutores.  Ele estava tomado de tanta alegria, que contagiava a multidão e não media esforços para demonstrar seus motivos.

Esta alegria também pode ser encontrada entre as mulheres citadas na segunda leitura, que embora vivessem um misto de alegria e medo, este não foi suficiente para impedir a natural reação dos que já se apropriaram integralmente das promessas do Senhor.  Ou seja, a morte de Jesus não impediu que Ele continuasse presente nelas.  Assim, embora surpresas, e naturalmente com medo, não hesitaram em acolher a grande notícia, e após a experiência com o Ressuscitado, em cumprir sua missão.

O que se pode concluir, enfim, é que o medo e a alegria estarão sempre presentes em nossa caminhada.  Todavia o grande diferencial, no enfrentamento de qualquer vale escuro, não importa o quão ameaçados e/ou temerosos estejamos, é a certeza de que Jesus ressuscitou e está no meio de nós, através de seu Espírito, para nos fazer vitoriosos, diante das vicissitudes da vida.

E por isso, se passamos de uma vida de pecado, para uma Nova vida, centrada nos ensinamentos da Palavra da Salvação, nada devemos temer, mas acolher com coragem e motivação a missão que nos foi designada: “Alegrai-vos, não tenhais medo;  Ide anunciar”!

Feliz Páscoa no Senhor Jesus!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

 

Liturgia do Dia – 16/04/2017

joão 20, 2-8

“Guiados pela luz da ressurreição de Cristo, ouvimos a Palavra que nos conforta e nos orienta no caminho da vida e da salvação.  Confiantes, contemplemos a s maravilhas do Senhor, realizadas entre nós.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 10,34a,37-43

Salmo Responsorial:  117

Segunda leitura:  Colossenses  3,1-4

Evangelho:  João 20,1-9

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MENSAGEM E BÊNÇÃO URBI ET ORBI DO
PAPA FRANCISCO
Domingo, 16 de abril de 2017

“Queridos irmãos e irmãs,
Feliz Páscoa!

Hoje, em todo o mundo, a Igreja renova o anúncio maravilhoso dos primeiros discípulos: Jesus ressuscitou! – Ressuscitou verdadeiramente, como havia predito! A antiga festa de Páscoa, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão, alcança aqui o seu cumprimento: Jesus Cristo, com a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos a passagem para a vida eterna.

Todos nós, quando nos deixamos dominar pelo pecado, perdemos o caminho certo e vagamos como ovelhas perdidas. Mas o próprio Deus, o nosso Pastor, veio procurar-nos e, para nos salvar, abaixou-Se até a humilhação da cruz. E hoje podemos proclamar: Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia.

Através dos tempos, o Pastor ressuscitado não Se cansa de nos procurar, a nós seus irmãos extraviados nos desertos do mundo. E, com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso – atrai-nos ao seu caminho, o caminho da vida. Também hoje Ele toma sobre os seus ombros muitos dos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelo mal nas suas mais variadas formas.

O Pastor ressuscitado vai à procura de quem se extraviou nos labirintos da solidão e da marginalização; vai ao seu encontro através de irmãos e irmãs que sabem aproximar-se com respeito e ternura e fazer sentir àquelas pessoas a voz d’Ele, uma voz nunca esquecida, que as chama à amizade com Deus.

Cuida de quantos são vítimas de escravidões antigas e novas: trabalhos desumanos, tráficos ilícitos, exploração e discriminação, dependências graves. Cuida das crianças e adolescentes que se veem privados da sua vida despreocupada para ser explorados; e de quem tem o coração ferido pelas violências que sofre dentro das paredes da própria casa.

O Pastor ressuscitado faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum.

Nas vicissitudes complexas e por vezes dramáticas dos povos, que o Senhor ressuscitado guie os passos de quem procura a justiça e a paz; e dê aos responsáveis das nações a coragem de evitar a propagação dos conflitos e deter o tráfico das armas.

Concretamente nos tempos que correm, sustente os esforços de quantos trabalham ativamente para levar alívio e conforto à população civil na Síria, vítima duma guerra que não cessa de semear horrores e morte. Conceda paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra Santa, bem como ao Iraque e ao Iémen.

Não falte a proximidade do Bom Pastor às populações do Sudão do Sul, do Sudão, da Somália e da República Democrática do Congo, que sofrem o perdurar de conflitos, agravados pela gravíssima carestia que está a afetar algumas regiões da África.

Jesus ressuscitado sustente os esforços de quantos estão empenhados, especialmente na América Latina, em garantir o bem comum das várias nações, por vezes marcadas por tensões políticas e sociais que, nalguns casos, desembocaram em violência. Que seja possível construir pontes de diálogo, perseverando na luta contra o flagelo da corrupção e na busca de soluções pacíficas viáveis para as controvérsias, para o progresso e a consolidação das instituições democráticas, no pleno respeito pelo estado de direito.

Que o Bom Pastor ajude ucraniana, atormentada ainda por um conflito sangrento, a reencontrar a concórdia, e acompanhe as iniciativas tendentes a aliviar os dramas de quantos sofrem as suas consequências.

O Senhor ressuscitado, que não cessa de cumular o continente europeu com a sua bênção, dê esperança a quantos atravessam momentos de crise e dificuldade, nomeadamente por causa da grande falta de emprego, sobretudo para os jovens.

Queridos irmãos e irmãs, este ano, nós, os crentes de todas as denominações cristãos, celebramos juntos a Páscoa. Assim ressoa, a uma só voz, em todas as partes da terra, o mais belo anúncio: O Senhor ressuscitou verdadeiramente, como havia predito! Ele, que venceu as trevas do pecado e da morte, conceda paz aos nossos dias. Feliz Páscoa!”

Liturgia do Dia – 15/04/2017

Mateus 28, 8-15“Coloquemo-nos numa atitude profunda de escuta da Palavra do Senhor e compreendamos o mistério de Cristo, nosso Redentor, Aliança eterna do amor do Pai.”

Primeira Leitura:  Gênesis 1,1-2,2

Salmo Responsorial: 103 (104)

Segunda Leitura:  Gênesis 22, 1-18

Salmo Responsorial 15 (16)

Terceira Leitura:  Êxodo 14, 15-15, 1a

Salmo Responsorial: Ex 15, 1b-2.3-4.5-6.17-18

Quarta Leitura: Isaías 54, 5-14

Salmo Responsorial: 29 (30)

Quinta Leitura:  Isaías 55, 1-11

Salmo Responsorial:  Isaías 12, 2-3.4bcd.5-6

Sexta Leitura:  Baruc 3,9-15.32-4,4

Salmo Responsorial 18 (19)

Sétima Leitura:  Ezequiel 36, 16-17a. 18-28

Salmo Responsorial:  41 (42)

Epístola:  Romanos 6, 3-11

Evangelho:  Mateus 28, 1-10

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HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
SABADO SANTO – VIGÍLIA PASCAL
BASÍLIA DE SÃO PEDRO
Roma, 15 de abril de 2017

Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro» (Mt 28, 1). Podemos imaginar aqueles passos: o passo típico de quem vai ao cemitério, passo cansado da confusão, passo debilitado de quem não se convence que tudo tenha acabado assim. Podemos imaginar os seus rostos pálidos, banhados pelas lágrimas. E a pergunta: Como é possível que o Amor tenha morrido?

Ao contrário dos discípulos, elas ali vão, como já acompanharam o último respiro do Mestre na cruz e, depois, a sepultura que Lhe deu José de Arimateia; duas mulheres capazes de não fugir, capazes de resistir, de enfrentar a vida tal como se apresenta e suportar o sabor amargo das injustiças. Ei-las chegar diante do sepulcro, divididas entre a tristeza e a incapacidade de se resignarem, de aceitarem que tudo tenha sempre de acabar assim. E, se fizermos um esforço de imaginação, no rosto destas mulheres podemos encontrar os rostos de tantas mães e avós, os rostos de crianças e jovens que suportam o peso e o sofrimento de tanta desumana injustiça.

Nos seus rostos, vemos refletidos os rostos de todos aqueles que, caminhando pela cidade, sentem a tribulação da miséria, a tribulação causada pela exploração e o tráfico humano. Neles, vemos também os rostos daqueles que experimentam o desprezo, porque são imigrantes, órfãos de pátria, de casa, de família; os rostos daqueles cujo olhar revela solidão e abandono, porque têm mãos com demasiadas rugas.

Refletem o rosto de mulheres, de mães que choram ao ver que a vida dos seus filhos fica sepultada sob o peso da corrupção que subtrai direitos e quebra tantas aspirações, sob o egoísmo diário que crucifica e sepulta a esperança de muitos, sob a burocracia paralisadora e estéril que não permite que as coisas mudem. Na sua tristeza, elas têm o rosto de todos aqueles que, ao caminhar pela cidade, veem a dignidade crucificada. No rosto destas mulheres, há muitos rostos; talvez encontremos o teu rosto e o meu.

Como elas, podemos sentir-nos impelidos a caminhar, não nos resignando com o facto de que as coisas devem acabar assim. É verdade que trazemos dentro uma promessa e a certeza da fidelidade de Deus. Mas também os nossos rostos falam de feridas, falam de muitas infidelidades – nossas e dos outros –, falam de tentativas e de batalhas perdidas. O nosso coração sabe que as coisas podem ser diferentes; mas, quase sem nos apercebermos, podemos habituar-nos a conviver com o sepulcro, a conviver com a frustração. Mais ainda, podemos chegar a convencer-nos de que esta seja a lei da vida anestesiando-nos com evasões que nada mais fazem que apagar a esperança colocada por Deus nas nossas mãos.

Muitas vezes, são assim os nossos passos, é assim o nosso caminhar, como o destas mulheres, um caminhar por entre o desejo de Deus e uma triste resignação. Não morre só o Mestre; com Ele, morre a nossa esperança. «Nisto, houve um grande terremoto» (Mt 28, 2). De improviso, aquelas mulheres receberam um forte estremeção, algo e alguém fez tremer o solo sob os seus pés. Mais uma vez, alguém vem ao encontro delas dizendo: «Não tenhais medo», mas desta vez acrescentando: «Ressuscitou, como tinha dito». E tal é o anúncio com que nos presenteia, de geração em geração, esta Noite Santa: Não tenhamos medo, irmãos! Ressuscitou como tinha dito.

A vida arrancada, destruída, aniquilada na cruz despertou e volta a palpitar de novo (cf. R. Guardini, Il Signore, Milão 1984, 501). O palpitar do Ressuscitado é-nos oferecido como dom, como presente, como horizonte. O palpitar do Ressuscitado é aquilo que nos foi dado, sendo-nos pedido para, por nossa vez, o darmos como força transformadora, como fermento de nova humanidade. Com a Ressurreição, Cristo não deitou por terra apenas a pedra do sepulcro, mas quer fazer saltar também todas as barreiras que nos fecham nos nossos pessimismos estéreis, nos nossos mundos conceptuais bem calculados que nos afastam da vida, nas nossas obcecadas buscas de segurança e nas ambições desmesuradas capazes de jogar com a dignidade alheia.

Quando o sumo sacerdote, os chefes religiosos em conivência com os romanos pensaram poder calcular tudo, quando pensaram que estava dita a última palavra e que competia a eles estabelecê-la, irrompe Deus para transtornar todos os critérios e, assim, oferecer uma nova oportunidade. Uma vez mais, Deus vem ao nosso encontro para estabelecer e consolidar um tempo novo: o tempo da misericórdia. Esta é a promessa desde sempre reservada, esta é a surpresa de Deus para o seu povo fiel: alegra-te, porque a tua vida esconde um germe de ressurreição, uma oferta de vida que aguarda o despertar.

Eis o que esta noite nos chama a anunciar: o palpitar do Ressuscitado, Cristo vive! E foi isto que mudou o passo de Maria de Magdala e da outra Maria: é o que as faz regressar à pressa e correr a dar a notícia (Mt 28, 8); é o que as faz voltar sobre os seus passos e sobre os seus olhares; regressam à cidade para se encontrar com os outros. Como entramos com elas no sepulcro, assim vos convido a irmos também com elas, a regressarmos à cidade, a voltarmos sobre os nossos passos, sobre os nossos olhares.

Vamos com elas comunicar a notícia, vamos… a todos aqueles lugares onde pareça que o sepulcro tenha a última palavra e onde pareça que a morte tenha sido a única solução. Vamos anunciar, partilhar, revelar que é verdade: o Senhor está Vivo. Está vivo e quer ressurgir em tantos rostos que sepultaram a esperança, sepultaram os sonhos, sepultaram a dignidade. E, se não somos capazes de deixar que o Espírito nos conduza por esta estrada, então não somos cristãos. Vamos e deixemo-nos surpreender por esta alvorada diferente, deixemo-nos surpreender pela novidade que só Cristo pode dar. Deixemos que a sua ternura e o seu amor movam os nossos passos, deixemos que o pulsar do seu coração transforme o nosso ténue palpitar.

Liturgia do Dia – 14/04/2017

joão 3, 16-18“Contemplemos os passos do Servo Servidor, Cordeiro inocente que foi imolado.  Cristo foi obediente ao Pai e fiel a seus desígnio.  Só no Cristo está nossa vida e salvação.”

Primeira leitura:  Isaías, 52, 13-53,12

Salmo Responsorial:  30

Segunda leitura:  Hebreus 4,14-16;5,7-9

Anúncio do Paixão de Cristo:   João 18, 1-19,42

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Das Catequeses de São João Crisóstomo, bispo

(Cat. 3,13-19: SCh 50,174-177) (Séc.IV)

O poder do sangue de Cristo

Queres conhecer o poder do sangue de Cristo? Voltemos às figuras que o profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, disse Moisés, um cordeiro de um ano e marcai as portas com o seu sangue (cf. Ex 12,6-7). Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem dotado de razão? É claro que não, responde ele, não porque é sangue, mas por ser figura do sangue do Senhor. Se agora o inimigo, ao invés do sangue simbólico aspergido nas portas, vir brilhar nos lábios dos fiéis, portas do templo dedicado a Cristo, o sangue verdadeiro, fugirá ainda mais para longe.

Queres compreender mais profundamente o poder deste sangue? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor. Estando Jesus já morto e ainda pregado na cruz, diz o evangelista, um soldado aproximou-se, feriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu água e sangue: a água, como símbolo do batismo; o sangue, como símbolo da eucaristia. O soldado, traspassando-lhe o lado, abriu uma brecha na parede do templo santo, e eu, encontrando um enorme tesouro, alegro-me por ter achado riquezas extraordinárias. Assim aconteceu com este cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

De seu lado saiu sangue e água (Jo 19,34). Não quero, querido ouvinte, que trates com superficialidade o segredo de tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico e profundo. Disse que esta água e este sangue são símbolos do batismo e da eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo batismo e pela eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de seu lado traspassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa.

Por esta razão, a Sagrada Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão osso dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2,23), que São Paulo refere, aludindo ao lado de Cristo. Pois assim como Deus formou a mulher do lado do homem, também Cristo, de seu lado, nos deu a água e o sangue para que surgisse a Igreja. E assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, também Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono de sua morte.

Vede como Cristo se uniu à sua esposa, vede com que alimento nos sacia. Do mesmo alimento nos faz nascer e nos nutre. Assim como a mulher, impulsionada pelo amor natural, alimenta com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, também Cristo alimenta sempre com o seu sangue aqueles a quem deu novo nascimento.

 

 

Liturgia do Dia – 13/04/2017

João 13, 1-15“Deixemo-nos conduzir pela Palavra do Senhor e bebamos desta fonte que nos faz compreender a imensidão de seu amor por nós.”

Primeira leitura:  Êxodo 12, 1-8.11-14

Salmo Responsorial: 115

Segunda leitura:  1Coríntios 11,23-26

                                                                          Evangelho:  João 13, 1-15

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O cenário da primeira leitura retrata a saída do povo de Israel da terra do Egito, a caminho da Terra Prometida. É a passagem da escravidão para a libertação, cheia de sinais, e que por isso prefigura a imanência da Páscoa de Nosso Senhor e a nova realidade a qual somos contemplados a partir do seu sacrifício.

A orientação de Deus, dada através de Moisés, é contemporânea a nós cristãos. Tal qual os israelitas, somos chamados a celebrar a passagem do Senhor, imolando um cordeiro sem defeito (Jesus), cuja carne (na espécie pão) deve ser consumida, por nós, uma só família em Cristo, e o sangue (na espécie vinho) nos livrará da morte.

Hoje, na celebração da Ceia do Senhor é salutar lembrar que, já em nosso Batismo, fomos assinalados com o sangue de Jesus e a Ele pertencemos.  E que se comumente os fiéis participam da Eucaristia pela primeira espécie, hoje, seguindo as orientações da Introdução ao Missal Romano, participarão pelas duas espécies, face a importância celebração e da missão a que somos chamados.

Aqui cabe abrir um parêntese para advertir que “a fé católica ensina que, também sob uma só espécie, se recebe Cristo todo e inteiro, assim como o verdadeiro sacramento; por isso, no que concerne aos frutos da Comunhão, aqueles que recebem uma só espécie não ficam privados de nenhuma graça necessária à salvação” (MR 282).

Moisés destaca a importância do seu povo estar preparado e de prontidão, orientação esta que também serve para nós.  Estar preparados significa estarmos vigilantes e com determinação para reunidos em Comunidade e  juntos com toda a Igreja, revivamos todos os momentos que marcarão a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.  Nós somos o povo escolhido, que Ele veio salvar com o sinal do seu Sangue e, que esperam, agora, a sua  volta.

Assim, o salmista nos ensina que diante da nossa miséria e incapacidade de retribuir tão grande amor, o maior sacrifício de louvor que podemos ofertar a Deus é bem acolher o dom da nossa vida e da Salvação. Mas como?  Como ele fez.

O Filho de Deus, fez-se alimento. Cordeiro sem mácula, fez-se sacrifício perfeito, para nossa Salvação e nos chama, a tal qual Ele próprio, sermos eucarísticos: servidores e misericordiosos uns para com os outros, não importam as circunstâncias.  Este é o maior sacrifício de louvor que podemos ofertar a Deus Pai.

É no serviço e na misericórdia mútua (e generosa) que a Eucaristia inflamará e santificará o mundo inteiro.

Uma Santa Semana para todos!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

A Catequese do Papa Francisco – 12/04/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 12 de abril de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Domingo passado fizemos memória do ingresso de Jesus em Jerusalém, entre as aclamações festivas dos discípulos e de grande multidão. Aquele povo colocava em Jesus muita esperança: tantos esperavam Dele milagres e grandes sinais, manifestações de poder e até mesmo a liberdade dos inimigos ocupantes. Quem deles teria imaginado que dali a pouco Jesus seria, em vez disso, humilhado, condenado e morto na cruz? As esperanças terrenas daquele povo abalaram-se diante da cruz. Mas nós acreditamos que justamente no Crucifixo a nossa esperança renasceu. As esperanças terrenas se abalam diante da cruz, mas renascem esperanças novas, aquelas que duram para sempre. É uma esperança diferente aquela que nasce na cruz. É uma esperança diferente daquelas que se abalam, daquelas do mundo. Mas de que esperança se trata? Que esperança nasce da cruz?

Pode ajudar a entendê-lo aquilo que o próprio Jesus diz depois de entrar em Jerusalém: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24). Pensemos em um grão ou em uma pequena semente, que cai no terreno. Se permanece fechado em si mesmo, nada acontece; se, em vez disso, se quebra, se abre, então dá vida a uma espiga, a um broto, depois a uma planta e a planta dará fruto.

Jesus trouxe ao mundo uma esperança nova e o fez ao modo da semente: se fez pequeno pequeno, como um grão de trigo; deixou a sua glória celeste para vir entre nós: “caiu na terra”. Mas ainda não bastava. Para dar fruto Jesus viveu o amor até o fim, deixando-se despedaçar pela morte como uma semente se deixa despedaçar sob a terra. Justamente ali, no ponto extremo do seu rebaixamento – que é também o ponto mais alto do amor – germinou a esperança. Se alguém de vocês pergunta: “Como nasce a esperança?”. “Da cruz. Olha para a cruz, olha o Cristo Crucificado e dali chegará a você a esperança que não desaparece mais, aquela que dura até a vida eterna”. E esta esperança germinou justamente pela força do amor: porque o amor que “tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13, 7), o amor que é a vida de Deus renovou tudo aquilo que alcançou. Assim, na Páscoa, Jesus transformou, tomando-o sobre si, o nosso pecado em perdão. Mas vejam bem como é a transformação que a Páscoa faz: Jesus transformou o nosso pecado em perdão, a nossa morte em ressurreição, o nosso medo em confiança. Eis porque ali, na cruz, nasceu e renasce sempre a nossa esperança; eis porque com Jesus toda nossa escuridão pode ser transformada em luz, toda derrota em vitória, toda desilusão em esperança. Toda: sim, toda. A esperança supera tudo, porque nasce do amor de Jesus que se fez como o grão de trigo na terra e morreu para dar vida e daquela vida plena de amor vem a esperança.

Quando escolhemos a esperança de Jesus, pouco a pouco descobrimos que o modo de viver é aquele da semente, aquele do amor humilde. Não há outro caminho para vencer o mal e dar esperança ao mundo. Mas vocês podem me dizer: “Não, é uma lógica perdedora!”. Parece assim, que seja uma lógica perdedora, porque quem ama perde poder. Pensaram nisso? Quem ama perde poder, quem doa, se priva de algo e amar é um dom. Na realidade, a lógica da semente que morre, do amor humilde, é o caminho de Deus e somente esta dá fruto. Vemos isso também em nós: possuir leva sempre a querer outra coisa: obtive uma coisa para mim e logo quero outra maior, e assim vai, e nunca estamos satisfeitos. É uma sede bruta! Quanto mais você tem, mais você quer. Quem é voraz nunca está saciado. E Jesus o diz claramente: “Quem ama a própria vida a perde” (Jo 12, 25). Você é voraz, procura ter tantas coisas, mas…perderá tudo, também a sua vida, isso é, quem ama o próprio e vive por seus interesses se enche apenas de si e perde. Quem, em vez disso, está disponível e serve, vive ao modo de Deus: então é bem sucedido, salva a si mesmo e aos outros; torna-se semente de esperança para o mundo. Mas é belo ajudar os outros, servir os outros…Talvez nos cansaremos! Mas a vida é assim e o coração se enche de alegria e de esperança. Isso é amor e esperança junto: servir e dar.

Certo, este amor verdadeiro passa pela cruz, pelo sacrifício, como para Jesus. A cruz é a passagem obrigatória, mas não é a meta, é uma passagem: a meta é a glória, como nos mostra a Páscoa. E aqui nos vem em auxílio outra imagem belíssima, que Jesus deixou aos discípulos durante a Última Ceia. Diz: “Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio sua hora. Mas, depois que deu à luz à criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo” (Jo 16, 21). Bem: doar a vida, não possuí-la. E isto é o que as mães fazem: dão outra vida, sofrem, mas depois são alegres, felizes porque deram à luz uma outra vida. Dá alegria; o amor dá à luz a vida e dá até mesmo sentido à dor. O amor é o motor que faz seguir adiante a nossa esperança. Repito: o amor é o motor que faz seguir adiante a nossa esperança. E cada um de nós pode se perguntar: “Amo? Aprendi a amar? Aprendo todos os dias a amar mais?”, porque o amor é o motor que faz seguir adiante a nossa esperança.

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias, dias de amor, deixemo-nos envolver pelo mistério de Jesus que, como grão de trigo, morrendo nos doa a vida. É Ele a semente da nossa esperança. Contemplemos o Crucifixo, fonte de esperança. Pouco a pouco entenderemos que esperar com Jesus é aprender a ver já agora a planta da semente, a Páscoa na cruz, a vida na morte. Gostaria agora de dar a vocês uma tarefa para fazer em casa. A todos, nos fará bem parar diante do Crucifixo – todos vocês têm um em casa – olhá-lo e dizer-lhe: “Contigo nada está perdido. Contigo posso sempre esperar. Tu és a minha esperança”. Imaginemos agora o Crucifixo e todos juntos digamos a Jesus Crucificado por três vezes: “Tu és a minha esperança”. Todos: “Tu és a minha esperança”. Mais forte! “Tu és a minha esperança”. Obrigado.

Liturgia do Dia – 12/04/2017

mateus 26, 14-25“‘O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele.  Contudo, ai daquele que o trair.’ Aquele que o amou, que se assemelhou aos pobres e excluídos, que libertou os oprimidos, é subjugado , mas sua misericórdia triunfará.”

Primeira leitura:  Isaías 50, 4-9a

Salmo Responsorial: 68

Evangelho:  Mateus 26, 14-25

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A primeira leitura de hoje  é um trecho do Terceiro Cântico do Servo de Javé.  Ele é um sábio, discípulo fiel que se coloca na condição de mestre, para ensinar a todos que graças a sua fé e o auxílio divino será capaz de suportar as perseguições.

Corroborada com o responsório, que retrata a fidelidade, a obediência e a confiança irrefutável em Deus, ainda que em situação de extremo sofrimento, são a primeira leitura e o salmo, retrato fiel do próprio Jesus, na sua Paixão, que fundamentam o momento em que Majestade de Deus se manifestará para o mundo inteiro.

O prenúncio da realização da profecia veterotestamentária mais uma vez se estabelece no cenário que o Evangelho destaca: a presença de Jesus em torno da mesa com os seus, o momento da refeição, símbolo da comunhão de sentimentos e de vida, que mais uma vez é paradoxal à traição premeditada.

Toda liturgia deste dia, pede perseverança e firmeza nos momentos difíceis da missão:  Jesus sabe que um dos seus discípulos vai traí-lo e o traidor é aquele que põe a mão no prato com ele, ou seja, é aquele que conviveu com Jesus, que tem proximidade, que é amigo. É aquele que poderia muito bem ter aproveitado a amizade de Deus, a confiança de Jesus, o dom do Espírito Santo, mas infelizmente não o quis. E é a respeito deste que Jesus diz: ai daquele que trair o Filho do Homem… !

Amanhã iniciará o Tríduo Pascal para toda a Igreja.

Libertai-vos do jugo do pecado!

Convertei-vos e crede no Evangelho!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

Liturgia do Dia – 11/04/2017

João 13, 21-33.36-38“Jesus experimenta a fraqueza humana dos discípulos, de Judas, que vai traí-lo, e de Pedro, que vai negá-lo, e mesmo assim oferece-lhes o amor e a liberdade.  Quais são as nossas escolhas diante do Evangelho de Cristo?”

Primeira leitura:  Isaías 49, 1-6

Salmo Responsorial:  70

Evangelho:  João 13, 21-33.36-38

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A primeira leitura corresponde ao Segundo Cântico do Servo de Javé, que por hora é Israel e por outra confunde-se com um rei.  Continuamos percorrendo os momentos que antecedem o ápice da Semana Santa e o que se destaca aqui é que, apesar de preparado para uma missão, este servo apresenta-se desanimado, contudo, confiante no desígnio de Deus, que o chamou para reunificar o povo, destruído e disperso, e seu Deus e, que na extensão de sua missão, será feito luz da nações e alcançará os confins de toda a terra.

A confiança do Servo é retratada pelo salmista que impõe uma postura  inabalável baseada na Palavra. Ele, ainda que em situação de perigo e sofrimento, mantinha-se firme, pois sabia que em Deus, o caminho se abriria para um horizonte libertador.

Jesus vivia os seus últimos momentos antes da paixão, ele exalava essa confiança. Servo obediente e fiel, em sua humanidade tinha consciência do ato libertador que experimentaria; que nEle, Deus seria glorificado; e, que no hiato da morte de cruz, a profecia se realizaria plenamente.

Chamados a refletir sobre acontecimentos que antecedem a Paixão do Senhor, o Evangelho de hoje, retrata a última ceia,  que, como dito na reflexão de ontem, indica a sacralidade da refeição como momento de comunhão de sentimentos e de vida, mas aqui revela a dramática experiência da traição, do sentimento de fracasso, de derrota, de hostilidade, ante sua missão, a partir daqueles aos quais chamava de amigos.

A mensagem não é de desalento, mas de esperança.  Tal qual o Servo da primeira leitura, Jesus também vai além das aparências e confia na poderosa ação do Deus que tudo transforma, nos ensinando que mesmo os maiores sofrimentos, quando vividos na fidelidade a Deus, transformam-se pelas mãos dEle.

Assim, os momentos de sofrimento de Jesus, cujo ápice é a sua Paixão, tem um novo significado, e nos inspira, em nossos sofrimentos, a agir como Ele, que acolheu a dor com generosidade, cônscio de que se trata de uma especial ocasião para glorificar a Deus, na certeza de que um dia sermos glorificados nEle.

Há ainda um questionamento pessoal importante a ser feito, especialmente, na proximidade do dia em que a Igreja celebra o sacrifício redentor, e que se constrói a partir da seguinte verdade: Se refeição indica a sacralidade de um momento de comunhão de sentimentos e de vida, ela também nos confronta com a posição que tomamos, diante de Jesus e como sacrários vivos de Jesus Eucarístico.

Uma Santa Semana a todos!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

Liturgia do Dia – 10/04/2017

João 12, 1-11“É necessário esbanjar-se na consagração do serviço do Reino e na meditação da Palavra do Evangelho que nos dá vida. Daquele que se fez humilde e servidor, temos sempre o que aprender.”

Primeira leitura:  Isaías 42,1-7

Salmo Responsorial:  26

Evangelho:  João 12, 1-11

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A liturgia de hoje nos abre dois caminhos de meditação, complementares e de igual importância.  O primeiro é a aproximação da Paixão e por isso a liturgia da semana aponta os momentos que antecederam o singular momento, em que a Misericórdia se sobrepõe à Justiça.

A Igreja contempla o Servo Sofredor e dá início da caminhada junto a Jesus rumo ao Calvário.  Muitas comunidades celebram hoje a Procissão de Nosso Senhor dos Passos, ou a Procissão do Encontro, onde se reflete também as Sete Dores de Nossa Senhora.

Nos aproximamos do centro da ação restauradora da Aliança definitiva, que acontecerá no ponto exato de sua ruptura, a morte.  A morte consequência do pecado, será vencida, pela morte, consequência da fidelidade, obediência e amor infinito e que por isso, gera a Vida.

A primeira leitura nos remete ao sentido do sofrimento da Paixão e revela na unicidade da Santíssima Trindade (nele se compraz a minh’alma; pus meu espírito sobre ele), que a missão é reunificar Criador e Criatura, logo, abre-se o caminho para uma nova Esperança.

O segundo caminho se dá ao contemplarmos, já no Evangelho, a refeição em grupo, um gesto sagrado que indica a comunhão de sentimentos e de vida, cujo desejo é sempre dar graças a Deus por todos os seus dons, a começar pela vida, – e por isso a presença de Lázaro ressuscitado, e, a ação de Marta, Maria e Judas. Assim, somos convidados a refletir basicamente sobre duas escolhas: percorrer as sendas que levam da morte à Vida, ou que levam da “vida” para a morte.

Numa cena de presságios, a ação de Maria é de Adoração e retrata a imagem de Igreja-Esposa, unida ao sacrifício de Cristo-Esposo, cheia de afeto, amizade e cuidado, que em Marta se reflete não só para com Jesus, mas também, para com os seus; enquanto Judas, fechado em si mesmo, não se importa com as ações de acolhida e amor, e resistente aos seus interesses, deixa escorrer entre os dedos a magnitude do que estava ali disponível, gratuito, genuíno e pleno de riqueza.

Desta forma, somos chamados a viver a Grande Semana, como Maria e Marta, aquela que mesmo sem perceber a grandeza de seu gesto, agiu com espírito de gratidão, de recolhimento, na certeza de amar e ser correspondida, e esta no cuidado não só para com Jesus, mas para com os próximos.

Uma Santa Semana a todos!

Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

Liturgia do Dia – 09/04/2017

mateus 27-11-54“O Senhor não se esquece de nós e nos oferece sem cessar sua justiça, que é usa misericórdia.  Permitiu a humilhação de seu Filho, para nos mostrar o extremo de sue amor.  Feliz quem o acolhe em sua vida.”

Primeira leitura:  Isaías 50, 4-7

Salmo Responsorial: 21

Segunda leitura:  Filipenses 2,6-11

Evangelho:  Mateus 27, 11-54

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Meditação para a Procissão de Ramos
Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

“Dizei à filha de Sião: ‘Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta!” – Assim, caríssimos irmãos, o nosso Jesus entra hoje em Jerusalém para sofrer Sua paixão e fazer Sua Páscoa deste mundo para o Pai.

Jerusalém é a cidade do Messias; aí deveria manifestar-se o Reino de Deus.
O Senhor Jesus, ao entrar nela de modo solene, realiza a esperança de Israel. Por isso o povo grita: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em Nome do Senhor! Hosana no mais alto dos Céus!” Hoje, com nossos ramos levados em procissão, fazemos solene memória desse acontecimento e proclamamos com nossos cânticos que Jesus é o Messias prometido! Também nós cantaremos daqui a pouco: Hosana ao Filho de Davi!

Mas, atenção! Este Messias não vem como rei potente, num majestoso cavalo de guerra, símbolo de força e poder! Ele vem num burrico, usado pelos servos nos seus duros trabalhos. Ele vem como manso e humilde servo! Eis o escândalo que Israel não suporta! Esperava-se um Messias que fosse Rei potente e Deus envia um servo humilde e frágil! Que lógica, a de Deus! E, misteriosamente, Israel não consegue compreendê-la e refutará Jesus!
Mas, e nós, compreendemos de verdade essa lógica?
Hoje, seguir o Cristo em procissão é estar dispostos a aceita-Lo como Messias que tem como trono a cruz e como coroa os espinhos! Segui-Lo pela rua é comprometer-se a segui-Lo pela vida! Caso contrário, nossa liturgia não passará de um teatro vazio…

Vamos com Jesus! Aclamemos Jesus! E quando na vida, a cruz vier, a dor vier, os espinhos vierem, tomemos nas mãos os ramos que levaremos hoje para nossas casas e recordemos que nos comprometemos a seguir o Cristo até a morte e morte de cruz, para chegarmos à Páscoa da Ressurreição!

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Meditação para a Missa da Paixão do Senhor
Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

O mistério que hoje estamos celebrando – a Paixão e Morte do Senhor – e vamos celebrar de modo mais pausado e contemplativo nesses dias da Grande Semana, foi resumido de modo admirável na segunda leitura desta Eucaristia: o Filho, sendo Deus, tomou a forma de servo e fez-Se obediente ao Pai por nós até a morte de cruz. E o Pai O exaltou e deu-Lhe um Nome acima de todo nome, para nossa salvação! Eis o mistério! Eis a salvação que nos foi dada!

Mas isso custou ao Senhor! É sempre assim: os ideais são lindos; coloca-los na vida, na carne de nossa existência, requer renúncia, lágrimas, sangue!
O Filho, para nos salvar, teve que aprender como um discípulo, teve que oferecer as costas aos verdugos e o rosto às bofetadas! Que ideal tão alto; que caminho tão baixo! Que ideal tão sublime, que meios tão trágicos!

Foi assim com o nosso Jesus; é assim conosco! É na dor da carne da vida que o Senhor nos convida a participar da sua cruz e caminhar com ele para a ressurreição. Infelizmente, nós, que aqui nos sentamos à mesa com Ele, tantas vezes o deixamos de lado: “Quem vai Me trair é aquele que Comigo põe a mão no prato!” – Eis! É para nós esta palavra! Comemos o Seu Pão ao redor deste Altar sagrado e, no entanto, o abandonamos nas horas de cruz: “Esta noite vós ficareis decepcionados por Minha causa!” – Que pena! Queríamos um Messias fácil, um Messias que nos protegesse contra as intempéries da vida, que fosse bonzinho para o mundo atual. Como seria bom um Messias de acordo com o assassinato de embriões, com o aborto, com a destruição da família, com a ideologia de gênero, com a permissividade sexual, com a libertinagem reinante, com o homem o lugar de Deus, colocado como medida de todas as coisas… Mas, não! Esse Messias prefere morrer a matar, esse Messias exige que O sigamos radicalmente, esse Messias nos convida a receber a mesma rejeição que Ele recebe do mundo: Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai Comigo!”

Irmãos, que vos preparais para celebrar estes dias sagrados, não vos acovardeis, não renegueis o nosso Senhor, não O deixeis padecer sozinho, crucificado por um mundo cada vez mais infiel e ateu, um mundo que denigre o Nome de Cristo e de Sua Igreja católica!
Cuidado, irmãos! Não é fácil, não será fácil a luta: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca!” Que nos sustente a força Daquele que por nós Se fez fraco! Que nos socorra a intercessão Daquele que orou por Pedro para que sua fé não desfalecesse! E se, como Pedro cairmos, ao menos, como Pedro, arrependamo-nos e choremos!

Nós Vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo!

Liturgia do Dia – 08/04/2017

João 11, 45-56“A Palavra ouvida e vivida cria em nós um espírito novo, um coração marcado pela generosidade e humildade.  Gera vida.  É Jesus quem nos reúne em torno do P)ai, par que tenhamos a vida.”

Primeira leitura:  Ezequiel 37, 21-28

Salmo Responsorial:  Jeremias 31, 10-13

Evangelho:  João 11, 45-56

Juventude Inter-religiosa em missão

Juventude Inter ReligiosaA Juventude Inter Religiosa do Rio de Janeiro que reúne jovens judeus, católicos e muçulmanos, é um grupo criado durante a Jornada Mundial da Juventude e que ontem se reuniu na Paróquia Santo Afonso, na Tijuca, para refletir e organizar o próximo encontro, que acontecerá em local a ser definido, no próximo dia 9 de julho, de 13 às 18 horas. O tema escolhido foi “A mulher nas três religiões”. É belo ver a juventude da nossa cidade trabalhando em prol do diálogo Inter religioso e do acolhimento.

Acesse a fanpage do movimento clicando aqui.

Liturgia do Dia – 07/04/2017

joão 10, 31-42“A Palavra do Senhor é vida em nossa vida.  O Evangelho é a Palavra eterna de nossa salvação.  Não aceitar Jesus e seu Evangelho é recusar a salvação que Ele nos trouxe,  e por ela deu-nos sua própria vida.”

Primeira leitura:  Jeremias 20, 10-13

Salmo Responsorial:  17

Evangelho:  João 10, 31-42

A Catequese do Papa Francisco – 05/01/2017

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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 5 de abril de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A Primeira Carta do Apóstolo Pedro leva em si um encargo extraordinário! É preciso lê-la uma, duas, três vezes para entender este encargo extraordinário: pode infundir grande consolo e paz, fazendo perceber como o Senhor está sempre próximo a nós e não nos abandona nunca, sobretudo nos momentos mais delicados e difíceis da nossa vida. Mas qual é o “segredo” desta Carta, e de modo particular do trecho que acabamos de ouvir (cfr 1Ped 3, 8-17)? Esta é uma pergunta. Sei que vocês hoje pegarão o Novo Testamento, procurarão a primeira Carta de Pedro e a lerão devagar, para entender o segredo e a força desta Carta. Qual é o segredo desta Carta?

1. O segredo está no fato de que este escrito tem suas raízes diretamente na Páscoa, no coração do mistério que estamos para celebrar, fazendo-nos, assim, perceber toda a luz e a alegria que surgem da morte e ressurreição de Cristo. Cristo está realmente ressuscitado e esta é uma bela saudação para nos dar no dia da Páscoa: “Cristo ressuscitou! Cristo ressuscitou!”, como tantos povos fazem. Recordar-nos que Cristo ressuscitou, está vivo entre nós, está vivo e habita em cada um de nós. É por isso que São Pedro nos convida com força a adorá-Lo nos nossos corações (cfr v. 16). Ali o Senhor fez morada no momento do nosso Batismo e dali continua a renovar a nós e a nossa vida, com o seu amor e a plenitude do Espírito. Eis porque, então, o apóstolo nos recomenda darmos razão da esperança que está em nós (cfr v. 16): a nossa esperança não é um conceito, não é um sentimento, não é um telefone, não é uma pilha de riquezas! A nossa esperança é uma Pessoa, é o Senhor Jesus que reconhecemos vivo e presente em nós e nos nossos irmãos, porque Cristo ressuscitou. Os povos eslavos, quando se saúdam, em vez de dizer “bom dia”, boa noite”, nos dias de Páscoa se saúdam com isso “Cristo ressuscitou!”, “Christos voskrese!”, dizem entre eles; e são felizes por dizê-lo! E este é o “bom dia” e a “boa noite” que se dão: “Cristo ressuscitou!”.

2. Compreendemos, então, que esta esperança não deve ser levada tanto em conta em nível teórico, em palavras, mas sobretudo com o testemunho de vida, e isso seja dentro da comunidade cristã, seja fora dela. Se Cristo está vivo e mora em nós, no nosso coração, então devemos também deixar que se torne visível, não escondê-lo, e que aja em nós. Isso significa que o Senhor Jesus deve se tornar sempre mais o nosso modelo: modelo de vida e que nós devemos aprender a nos comportarmos como Ele se comportou. Fazer o que Jesus fazia. A esperança que mora em nós, portanto, não pode permanecer escondida dentro de nós, do nosso coração: mas, seria uma esperança frágil, que não tem a coragem de sair e fazer-se ver; mas a nossa esperança, como evidencia o Salmo 33 citado por Pedro, deve necessariamente externar-se, tomando a forma delicada e inconfundível da doçura, do respeito e da bondade para com o próximo, chegando até mesmo a perdoar quem nos faz mal. Uma pessoa que não tem esperança não consegue perdoar, não consegue dar o consolo do perdão e ter o consolo de perdoar. Sim, porque assim fez Jesus e assim continua a fazer através daqueles que lhe dão espaço em seu coração e em sua vida, na consciência de que o mal não se vence com o mal, mas com a humildade, a misericórdia e a mansidão. Os mafiosos pensam que o mal pode ser vencido com o mal e assim fazem vingança e tantas coisas que todos sabemos. Mas não sabem o que é humildade, misericórdia e mansidão. E por que? Porque os mafiosos não têm esperança. Pensem nisso.

3. Eis porque São Pedro afirma que “é melhor sofrer fazendo o bem que fazendo o mal” (v. 17): não quer dizer que é bom sofrer, mas que, quando sofremos pelo bem, estamos em comunhão com o Senhor, que aceitou sofrer e ser colocado na cruz para a nossa salvação. Quando, então, também nós, nas situações menores ou maiores da nossa vida, aceitamos sofrer pelo bem, é como se semeássemos em volta de nós sementes de ressurreição, sementes de vida, e fizéssemos resplandecer na escuridão a luz da Páscoa. É por isso que o Apóstolo nos exorta a responder sempre “desejando o bem” (v. 9): a benção não é uma formalidade, não é só um sinal de cortesia, mas é um grande dom que nós primeiro recebemos e temos a possibilidade de partilhar com os irmãos. É o anúncio do amor de Deus, um amor imenso, que não termina, que não diminui e que constitui o verdadeiro fundamento da nossa esperança.

Queridos amigos, compreendamos também porque o Apóstolo Pedro nos chama “felizes”, quando devêssemos sofrer pela justiça (cfr v. 13). Não é somente por uma razão moral ou ascética, mas é porque toda vez que nós tomamos parte dos últimos e dos marginalizados ou que não respondemos ao mal com o mal, mas perdoando, sem vingança, perdoando e bendizendo, toda vez que fazemos isso nós resplandecemos como sinais vivos e luminosos de esperança, tornando-nos, assim, instrumento de consolação e de paz, segundo o coração de Deus. E assim seguimos adiante com a doçura, a mansidão, o ser amável e fazendo o bem também àqueles que não nos querem bem, ou nos fazem mal. Adiante!

Liturgia do Dia – 05/04/2017

joão 8,31-42“‘Se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres’, diz o Senhor.  Diante da Palavra do Senhor, descubramos o que nos escraviza.  Só em Cristo reside a verdadeira liberdade.”

Primeira leitura:  Daniel 3, 14-20.20.24.49a.91-92.95

Salmo Responsorial:  Daniel 3, 52-56

Evangelho:  João 8,31-42

Liturgia do Dia – 03/04/2017

joão 12,1-11“Em Cristo não há mais trevas, pois Ele é a luz: ‘Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.’ A Palavra nos chama e nos conduz para que sejamos a luz no mundo, por causa da fé em Cristo.”

Primeira leitura:  Daniel 13, 41c-62

Salmo Responsorial:  22

Evangelho:  João 8, 1-11

Liturgia do Dia – 02/04/2017

João 11, 19-27“É impossível ficar indiferente diante da Palavra do Senhor.  Ela nos chama para a vida e, se a rejeitamos, caminhamos para a morte.  Somente em Cristo, cada ser humano encontrará a vida.”

Primeira leitura:  Ezequiel 37, 12-14

Salmo Responsorial:  129

Segunda leitura:  Romanos 8, 8-11

Evangelho:  João 11, 3-7. 17. 20-27. 33b-45

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Meditação para este IV Domingo da Quaresma
+ Pausa no Retiro Quaresmal +

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

De hoje a oito entraremos na Semana Santa, com a solenidade dos Ramos e da Paixão do Senhor. Agora, neste último Domingo antes dessa Grande Semana, a Liturgia nos apresenta o Senhor Jesus como nossa Ressurreição e nossa Vida. Vida que recebemos no santo Batismo, Vida que nos vem como força na Crisma, Vida que comemos como alimento de Eternidade na Eucaristia. Eis a Vida: Jesus! Eis o que buscam os catecúmenos, aqueles que por toda a terra estão se preparando para receber os sacramentos da iniciação à vida cristã, a vida em Cristo, no Batismo, na Crisma, na participação à Mesa eucarística!

Aqui, ao dizermos que Jesus é a Vida, não estamos falando de modo figurado, metafórico! Jesus é realmente, propriamente, a nossa Vida, a nossa Ressurreição!

Ele é o cumprimento do sonho de vida e felicidade que o Pai, desde o início, tem para nós: “Ó Meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel. Porei em vós o Meu Espírito, para que vivais!” É em Jesus que esta promessa se cumpre, é Nele, morto e ressuscitado, que somos arrancados das sepulturas da vida de pecado e da sepultura da morte; é no Seu Espírito Santo, derramado sobre nós, que o Pai nos vivifica!

Caríssimos, Jesus é a própria Ressurreição; Ele é a própria Vida, Vida plena, Vida divina, Vida eterna! Jesus é a plenitude desta nossa vida, da nossa existência: Nele, o nosso caminho termina não no Nada do absurdo, do vazio, mas na plenitude da Glória! Sem Ele, seríamos nada, sem Ele, tudo quanto vivemos terminaria no aniquilamento: “De que nos valeria ter nascido, se não nos redimisse em Seu amor?” – é o que vai perguntar a Liturgia da Igreja daqui a poucos dias, na noite da Páscoa. Num mundo que procura desesperadamente a vida, a felicidade; numa época como a nossa, em que se tem sede de um motivo para viver, de um sentido para a existência, Jesus Se nos apresenta como a própria Vida, Vida da nossa vida!

Mas, escutemo-Lo falar, Ele mesmo no Evangelho deste Domingo. Deixemos que Ele nos fale da vida, que Ele mesmo nos ensine a viver!

Lázaro estava doente, sofrendo; depois, morreu. Suas irmãs estavam sofridas, angustiadas, imploraram tanto pela vinda do Senhor para curar o irmão… E Jesus não vai; Jesus demora-Se. Quantas vezes fazemos, nós também, esta mesma experiência em nossa vida. “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela!” E, pensemos bem: Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. Quando ouviu que estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar em que Se encontrava”… Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, os nossos tempos e modos não são os Dele. “Senhor, se estivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido…” Nesta dolorida de Marta e Maria sentimos também as nossas queixas diante dos sofrimentos da nossa própria vida…

Jesus sentiu a morte de Lázaro: “ficou profundamente comovido” e chorou por Lázaro, mas não impediu sua doença e sua morte! Vede, irmãos: nosso Deus não é tapa-buracos; jamais compreenderemos o Seu modo de agir! Ele nos ama, Ele é fiel, Ele Se preocupa conosco, Ele conhece nossas dores. Mas, jamais compreenderemos totalmente Seu modo de estar presente no mundo e na nossa vida! O justo, o humilde crê; o ímpio declara, então: Deus não existe! Uma coisa é certa: se crermos, veremos sempre a glória de Deus, em tudo no mundo e em tudo na nossa vida Deus será glorificado!

Então, Jesus consola Marta e Maria. Jesus lhes prometeu a Ressurreição.
Como todo judeu, as irmãs esperavam a Ressurreição no Último Dia, no final dos tempos. Jesus, então, faz uma das revelações mais impressionantes de todo o Evangelho: “Eu Sou a Ressurreição! Eu Sou a Vida!” Atenção, Irmãos! Levemos a sério esta afirmação! Detenhamo-nos diante dela, admirados!

A Ressurreição que os judeus esperavam chegou: é Jesus!

A Ressurreição não é uma coisa, uma realidade impessoal, não é um força, não é uma energia da natureza, não é uma dinâmica nossa! Não! Nada disto!

A Ressurreição é uma Pessoa: ela tem coração, rosto, voz e amor sem fim! A Ressurreição é Jesus em pessoa: “Eu sou a Ressurreição e a Vida! Quem crê em Mim, mesmo que esteja morto, viverá!”

Na hora tão dramática e misteriosa da nossa morte, é Ele, pessoalmente, com a força vivificante do Seu Espírito Santo, Senhor que dá a Vida, Quem vem nos buscar, é na força Dele que seremos erguidos da morte, é Nele que nossa vida é salva do Absurdo, do Nada, do Vazio: “quem vive e crê em Mim, não morrerá para sempre!”

Nunca será demais a surpresa, a admiração, a grandeza dessas palavras! Caríssimos, eis o Evangelho, eis a notícia, eis a novidade que dá sentido a toda uma vida: “Deus nos deu a Vida eterna, e essa Vida está no Seu Filho” (1Jo 5,11), esta Vida é o seu Filho!

Caríssimos, estamos para celebrar a Páscoa. Não esqueçamos que é para que tenhamos esta Vida divina, a Vida eterna que o nosso Jesus se entregou por nós: morto na carne foi vivificado no Espírito Santo pela Sua Ressurreição (cf. 1Pd 3,18). Ressuscitado, plenificado no Espírito Santo, Ele, o Vencedor da morte, derramou sobre nós esse Espírito de Vida, dando-nos, assim, a semente de Vida eterna: “Se o Espírito do Pai que ressuscitou Jesus dentre os mortos já habita em vós, então o Pai que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do Espírito que habita em vós!”

É esta a nossa esperança: a Ressurreição! Por ela vivemos, dela temos certeza; menos que isto não queremos, menos que isto não estaremos satisfeitos! E já possuímos, como primícias, como garantia, pelos sacramentos da Igreja, o Espírito Santo de Ressurreição.

Então, vivamos uma vida nova, uma vida de ressuscitados em Cristo Jesus: “Os que vivem segundo a carne, segundo o pecado, fechados em si mesmos, não podem agradar a Deus! Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito” do Cristo Jesus!

Então, vida nova! Deixemo-nos guiar pelo Espírito! Deixemo-nos renovar pelo Senhor!

Convertamo-nos! Que as observâncias da santa Quaresma, o combate aos vícios, a abstinência dos alimentos e a confissão dos pecados nos preparem para celebrar de coração renovado a Santa Páscoa que já está bem próxima – esta, deste ano e aquela, da Vida eterna! Amém.