Encontros de Acolhimento – Misericordiae Vultus

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 No próximo dia 23 de maio, o Ministério do Acolhimento estará reunido para refletir sobre mensagem do Santo Padre, Papa Francisco, na Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.  A Participação é livre para qualquer interessado.

Local:  Paróquia São Paulo Apóstolo – Rua Barão de Ipanema, 85 – Copacabana – RJ

Horário: 16:00h

A Catequese do Papa Francisco – 29/04/2015

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 29 de abril de 2015

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A nossa reflexão sobre o desígnio originário de Deus sobre o casal homem-mulher, depois de ter considerado as narrações de Gênesis, dirige-se agora diretamente a Jesus.

O evangelista João, no início do seu Evangelho, narra o episódio das bodas de Caná, na qual estavam presentes a Virgem Maria e Jesus, com os seus primeiros discípulos (cfr Jo 2, 1-11). Jesus não somente participou daquele matrimônio, mas “salvou a festa” com o milagre do vinho! Então, o primeiro dos seus sinais prodigiosos, com que Ele revela a sua glória, realizou-o no contexto de um matrimônio, e foi um gesto de grande simpatia por aquela nascente família, solicitado pelo cuidado maternal de Maria. Isto nos faz recordar o livro do Gênesis, quando Deus termina a obra da criação e faz a sua obra-prima; a obra-prima é o homem e a mulher. E aqui Jesus começa justamente os seus milagres com esta obra-prima, em um matrimônio, em uma festa de bodas: um homem e uma mulher. Assim Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a obra-prima!

Dos tempos das bodas de Caná, tantas coisas mudaram, mas aquele “sinal” de Cristo contém uma mensagem sempre válida.

Hoje não parece fácil falar do matrimônio como de uma festa que se renova no tempo, nas diversas épocas de toda a vida dos cônjuges. É um fato que as pessoas que se casam são sempre menos; este é um fato: os jovens não querem se casar. Em muitos países, em vez disso, aumenta o número de separações, enquanto diminui o número de filhos. A dificuldade em permanecer junto – seja como casal, seja como família – leva a romper os laços com sempre maior frequência e rapidez, e justamente os filhos são os primeiros a suportar as consequências. Pensemos que as primeiras vítimas, as vítimas mais importantes que sofrem mais em uma separação são os filhos. Se você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura. Creio que devemos refletir com grande seriedade sobre o porquê tantos jovens “não se sentem” para casar. Esta é uma cultura do provisório… tudo é provisório, parece que não há algo de definitivo.

Esta dos jovens que não querem se casar é uma das preocupações que emergem aos dias de hoje: porque os jovens não se casam? ; por que muitas vezes preferem uma convivência e tantas vezes a responsabilidade limitada? ; por que muitos – mesmo entre os batizados – têm pouca confiança no matrimônio e na família? É importante procurar entender, se queremos que os jovens possam encontrar o caminho justo a percorrer. Por que não têm confiança na família?

As dificuldades não são só de caráter econômico, embora estas sejam realmente sérias. Muitos acreditam que a mudança ocorrida nestas últimas décadas foram colocadas em movimento pela emancipação da mulher. Mas nem mesmo esse argumento é válido, é uma falsidade, não é verdade! É uma forma de machismo, que sempre quer dominar a mulher. Fazemos a bruta figura que fez Adão quando Deus lhe disse: “Mas por que você comeu o fruto da árvore?” e ele: “A mulher me deu”. E a culpa é da mulher. Pobre mulher! Devemos defender as mulheres! Na realidade, quase todos os homens e as mulheres gostariam de uma segurança afetiva estável, um matrimônio sólido e uma família feliz. A família está no topo de todos os indícios de satisfação entre os jovens; mas, por medo de errar, muitos não querem nem mesmo pensar nisso; mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental, sinal único e irrepetível da aliança, que se torna testemunho da fé. Talvez justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família

O testemunho mais persuasivo da benção do matrimônio cristão é a vida boa dos esposos cristãos e da família. Não há modo melhor para dizer a beleza do sacramento! O matrimônio consagrado por Deus protege aquele laço entre o homem e a mulher que Deus abençoou desde a criação do mundo; e é fonte de paz e de bem para toda a vida conjugal e familiar. Por exemplo, nos primeiros tempos do Cristianismo, esta grande dignidade do laço entre o homem e a mulher derrotou um abuso considerado então de tudo normal, ou seja, o direito dos maridos de repudiar as esposas, mesmo com os motivos de maior pretexto e humilhantes. O Evangelho da família, o Evangelho que anuncia justamente este Sacramento derrotou esta cultura de repúdio habitual.

A semente cristã da radical igualdade entre os cônjuges deve hoje dar novos frutos. O testemunho da dignidade social do matrimônio se tornará persuasivo justamente por este caminho, o caminho do testemunho que atrai, o caminho da reciprocidade entre eles, da complementaridade entre eles.

Por isso, como cristãos, devemos nos tornar mais exigentes a esse respeito. Por exemplo: apoiar com decisão o direito à igual retribuição por igual trabalho; por que se supõe que as mulheres devem ganhar menos que os homens? Não! Têm os mesmos direitos. A disparidade é um escândalo puro! Ao mesmo tempo, reconhecer como riqueza sempre válida a maternidade das mulheres e a paternidade dos homens, em benefício sobretudo das crianças. Igualmente, a virtude da hospitalidade das famílias cristãs reveste hoje uma importância crucial, especialmente nas situações de pobreza, de degradação, de violência familiar.

Queridos irmãos e irmãs, não tenhamos medo de convidar Jesus para as festas de núpcias, de convidá-Lo para a nossa casa, para que esteja conosco e proteja a família. E não tenhamos medo de convidar também sua mãe Maria! Os cristãos, quando se casam “no Senhor” são transformados em um sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam apenas para si mesmos: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade e de toda a sociedade.

Desta bela vocação do matrimônio cristão, falarei também na próxima catequese.

Jornada Mariana 2015 – 13 a 16 de maio – Confira a Programação

MARIA, MULHER DE FORÇA E DE FÉ

Gesto concreto de Caridade:

Doação de pacotes de fraldas geriátricas que serão distribuídas nos hospitais psiquiátricos da cidade.

Jornada mariana 2015

Nos próximos dias 13 a 16 de maio acontecerá na Paróquia São Paulo Apóstolo a Jornada Mariana 2015:  “Maria, mulher de força e de fé”.

Maria, aquela que realiza o plano do Pai com uma missão específica: a de ser a mulher cheia de graça, a mulher que está com o Senhor, a bendita que traz em seu seio o Fruto três vezes Santo é acolhida pelo Magistério da Igreja, pelo exemplo de fé e coragem com que assumiu a maternidade de Deus e do mundo.

Hoje a missão daquela que levou desde sempre o anúncio da Boa-Nova se converte a cada homem e mulher de bem, peregrinos de uma nova realidade, onde o testemunho da Palavra se faz urgente e necessário.

Para isso, a comunidade da Paróquia São Paulo Apóstolo estará reunida para refletir sua vida e missão, atualizando sua prática às exigências da Nova Evangelização, para um mundo melhor.

Liturgia do Dia – 26/04/2015

joão 10, 11-18“Pedro, animado pelo Espírito Santo, enfrenta corajosamente aqueles que se opõem e recusam a Boa Nova de Jesus.  Confessa que Jesus é o único pastor que conduz o rebanho à vida plena. João lembra aos membros das Comunidades cristãs que eles são filhos de Deus em razão do grande amor que ele tem pela humanidade.”

Primeira leitura: Atos dos Apóstolos 4, 8-12

Salmo Responsorial:  117 (118)

Segunda leitura: 1João 3, 1-2

Evangelho:  João 10, 11-18

Liturgia do Dia – 23/04/2015

João 6, 52-59“Paulo vive a profundidade da experiência em Cristo ressuscitado, tornando-se apóstolo incansável do Reino.  Alimenta-se o Pão vivo que é Jesus, até chegar a dizer: ‘Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.'”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 9, 1-20

Salmo Responsorial:  116 (117)

Evangelho:  João 6, 52-59

A Catequese do Papa Francisco 22/04/2015

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 22 de abril de 2015

Queridos Irmãos e Irmãs,

Na catequese anterior sobre família, eu me concentrei no primeiro relato da criação do ser humano, no primeiro capítulo do Gênesis, onde está escrito: “Deus criou o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (1, 27).

Hoje gostaria de completar a reflexão com o segundo relato, que encontramos no segundo capítulo. Aqui lemos que o Senhor, depois de ter criado o céu e a terra, “formou o homem do barro da terra e inspirou-­lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente” (2, 7). É o ápice da criação. Mas falta algo: depois Deus coloca o homem em um belíssimo jardim para que o cultive e o O Espírito Santo, que inspirou toda a Bíblia, sugere por um momento uma imagem do homem sozinho – falta­-lhe algo – sem a mulher. E sugere o pensamento de Deus, quase o sentimento de Deus que o olha, que observa Adão sozinho no jardim: é livre, é senhor…mas está sozinho. E Deus vê que isso “não é bom”: é como uma falta de comunhão, falta-­lhe uma comunhão, uma falta de plenitude. “Não é bom – diz Deus – e acrescenta: ‘quero fazer-­lhe uma ajuda que lhe corresponda” (2, 18).

Então Deus apresenta ao homem todos os animais; o homem dá a cada um desses o seu nome – e esta é uma outra imagem do senhorio do homem sobre a criação – mas não encontra em animal algum o outro similar a si. O homem continua sozinho. Quando finalmente Deus apresenta a mulher, o homem reconhece exultante que aquela criatura, e somente aquela, é parte dele: “osso dos meus ossos, carne da minha carne” (2, 23). Finalmente há um reflexo, uma reciprocidade. Quando uma pessoa – é um exemplo para entender bem isso – quer dar a mão a uma outra, deve tê-­la diante de si: se um dá a mão e não há ninguém a mãe permanece ali…falta-­lhe a reciprocidade. Assim era o homem, faltava-­lhe algo para chegar à sua plenitude, faltava-­lhe a reciprocidade. A mulher não é uma “réplica” do homem; vem diretamente do gesto criador de Deus. A imagem da “costela” não exprime inferioridade ou subordinação, mas, ao contrário, que homem e mulher são da mesma substância e são complementares e que têm também esta reciprocidade. E o fato de que – sempre na parábola – Deus formou a mulher enquanto o homem dormia destaca justamente que ela não é de modo algum uma criatura do homem, mas de Deus. Sugere também uma outra coisa: para encontrar a mulher – e podemos dizer para encontrar o amor na mulher – o homem primeiro deve sonhar com ela e depois a encontra.

A confiança de Deus no homem e na mulher, aos quais confia a terra, é generosa, direta e plena. Confia neles. Mas eis que o maligno introduz na mente deles a suspeita, a incredulidade, a desconfiança. E, enfim, chega a desobediência ao mandamento que os protegia. Caem naquele delírio da onipotência que polui tudo e destrói a harmonia. Também nós sentimos isso dentro de nós tantas vezes, todos.

O pecado gera desconfiança e divisão entre o homem e a mulher. A relação deles será prejudicada por mil formas de abuso e subjugação, de sedução enganosa e prepotência humilhante, até aquelas mais dramáticas e violentas. A história traz seus traços. Pensemos, por exemplo, nos excessos negativos das culturas patriarcais. Pensemos nas múltiplas formas de machismo, em que a mulher é considerada de segunda classe. Na instrumentalização e mercantilização do corpo feminino na atual cultura mediática.

Mas pensemos também na recente epidemia de desconfiança, de ceticismo e até mesmo de hostilidade que se difunde na nossa cultura – em particular a partir de uma compreensível desconfiança das mulheres – em relação a uma aliança entre homem e mulher que seja capaz, ao mesmo tempo, de afinar a intimidade da comunhão e de proteger a dignidade da diferença.

Se não encontramos um sobressalto de simpatia por esta aliança, capaz de colocar as novas gerações longe da desconfiança e da indiferença, os filhos virão ao mundo sempre mais desarraigados desde o ventre materno. A desvalorização social pela aliança estável e geradora entre o homem e a mulher é certamente uma perda para todos. Devemos trazer de volta em honra o matrimônio e a família! A Bíblia diz uma coisa bela: o homem encontra a mulher, encontram-­se e o homem deve deixar algo para encontrá-­la plenamente. Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe para ir com ela. É bonito! Isso significa começar um novo caminho. O homem é tudo para a mulher e a mulher é tudo para o homem.

A proteção desta aliança do homem e da mulher, mesmo se pecadores e feridos, confusos e humilhados, desconfiados e incertos, é, portanto, para nós crentes uma vocação desafiadora e apaixonante, na condição de hoje. O mesmo relato da criação e do pecado, no seu final, traz um ícone belíssimo: “O Senhor Deus fez ao homem e à sua mulher túnicas de pele e os vestiu” (Gen 3, 21). É uma imagem de ternura para com aquele casal pecador que nos deixa de boca aberta: a ternura de Deus pelo homem e pela mulher! É uma imagem de proteção paterna do casal humano. O próprio Deus cuida da sua obra ­prima e a protege.

Liturgia do Dia – 19/04/2015

lucas 24, 35-48“Os apóstolos são firmes no testemunho do Ressuscitado ante seus irmãos israelitas e os exortam à conversão, ao arrependimento dos pecados para que possam ter a vida nova em Cristo.  No Evangelho, Jesus vai desejar a paz a seus discípulos e os desafia a serem testemunhas dele onde estiverem.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 3, 13-15. 17-19

Salmo Responsorial:  04

Segunda leitura:  1João 2, 1-5a

Evangelho:  Lucas 24, 35-48

Jornada Mariana 2015

jornada marianaMARIA, MULHER DE FORÇA E DE FÉ

Nos próximos dias 13 a 16 de maio acontecerá na Paróquia São Paulo Apóstolo a Jornada Mariana 2015:  “Maria, mulher de força e de fé”.

Maria, aquela que realiza o plano do Pai com uma missão específica: a de ser a mulher cheia de graça, a mulher que está com o Senhor, a bendita que traz em seu seio o Fruto três vezes Santo é acolhida pelo Magistério da Igreja, pelo exemplo de fé e coragem com que assumiu a maternidade de Deus e do mundo.

Hoje a missão daquela que levou desde sempre o anúncio da Boa-Nova se converte a cada homem e mulher de bem, peregrinos de uma nova realidade, onde o testemunho da Palavra se faz urgente e necessário.

Para isso, a comunidade da Paróquia São Paulo Apóstolo estará reunida para refletir sua vida e missão, atualizando sua prática às exigências da Nova Evangelização, para um mundo melhor.

Programação: (durante todo o mês de maio estaremos recebendo, na secretaria paroquial, doações de fraldas geriátricas para pacientes de hospitais psiquiátricos)

13 de maio (quarta-feira)

17:00 h – Formação: A importância da mensagem de Fátima hoje.

17:30h – Terço Mariano pela Paz

18:00h – Missa comunitária

14 de maio (quinta-feira)

17:00h – Formação: Com Maria, ser luz em meio a escuridão

17:30h – Terço Mariano – pelas vocações sacerdotais

18:00h – Missa comunitária

19:00h – Terço dos homens

15 de maio (sexta-feira)

17:00h – Formação: O Magnificat de Maria

17:30h – Terço Mariano – pelas vocações leigas

18:00h – Missa comunitária

16 de maio (sábado)

10:00h – Missa em honra a Nossa Senhora Mãe da Divina Providência (padroeira dos Padres Barnabitas)

11:00h/13:00h – Rosário Meditado com a participação de todas as pastorais, movimentos, ministérios e grupos da comunidade e fiéis que assim desejarem  (ao final serão distribuídos os terços peregrinos)

17:00h – Missa comunitária

18:30h – Terço Iluminado

A Catequese do Papa Francisco – 15/04/2015

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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 15 de abril de 2015

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A catequese de hoje é dedicada a um aspecto central do tema da família: aquele do grande dom que Deus deu à humanidade com a criação do homem e da mulher e com o sacramento do matrimônio. Esta catequese e a próxima dizem respeito à diferença e à complementaridade entre o homem e a mulher, que estão no vértice da criação divina; as duas que seguirão depois serão sobre outros temas do matrimônio.

Comecemos com um breve comentário sobre o primeiro relato da criação, no Livro do Gênesis. Aqui lemos que Deus, depois de ter criado o universo e todos os seres vivos, criou a obra-prima, ou seja, o ser humano, que fez à própria imagem: “à imagem de Deus os criou: homem e mulher os criou” (Gen 1, 27), assim diz o Livro do Gênesis.

E como todos sabemos, a diferença sexual está presente em tantas formas de vida, na longa escada da vida. Mas somente no homem e na mulher essa leva em si a imagem e a semelhança de Deus: o texto bíblico o repete por três vezes em dois versículos (26-27): homem e mulher são imagem e semelhança de Deus. Isto nos diz que não somente o homem tomado a si é imagem de Deus, não somente a mulher tomada a si é imagem de Deus, mas também o homem e a mulher, como casal, são imagem e semelhança de Deus. A diferença entre homem e mulher não é para a contraposição, ou a subordinação, mas para a comunhão e a geração, sempre à imagem e semelhança de Deus.

A experiência ensina isso: para conhecer-se bem e crescer harmonicamente o ser humano precisa da reciprocidade entre homem e mulher. Quando isso não acontece, veem-se as consequências. Somos feitos para nos escutarmos e nos ajudarmos. Podemos dizer que sem o enriquecimento recíproco nesta relação – no pensamento e na ação, nos afetos e no trabalho, também na fé – os dois não podem nem ao menos entender profundamente o que significa ser homem e mulher.

A cultura moderna e contemporânea abriu novos espaços, novas liberdades e novas profundidades para o enriquecimento da compreensão desta diferença. Mas introduziu também muitas dúvidas e muito ceticismo. Por exemplo, pergunto-me se a chamada teoria do gênero não seja expressão de uma frustração e de uma resignação, que visa a cancelar a diferença sexual porque não sabe mais como lidar com ela. Sim, corremos o risco de dar um passo atrás. A remoção da diferença, na verdade, é o problema, não a solução. Para resolver os seus problemas de relação, o homem e a mulher devem, em vez disso, falar mais, escutar-se mais, conhecer-se mais, querer-se bem mais. Devem tratar-se com respeito e cooperar com amizade. Com estas bases humanas, sustentadas pela graça de Deus, é possível projetar a união matrimonial e familiar por toda a vida. A ligação matrimonial e familiar é uma coisa séria e o é para todos, não somente para os crentes. Gostaria de exortar os intelectuais a não abandonarem este tema, como se tivesse se tornado secundário para o empenho a favor de uma sociedade mais livre e mais justa.

Deus confiou a terra à aliança do homem e da mulher: a sua falência gera a aridez do mundo dos afetos e obscurece o céu da esperança. Os sinais já são preocupantes e os vemos. Gostaria de indicar, entre os muitos, dois pontos em que eu acredito que devemos nos empenhar com mais urgência.

O primeiro. Sem dúvida que devemos fazer muito mais em favor da mulher, se queremos dar mais força à reciprocidade entre homens e mulheres. É necessário, de fato, que a mulher não somente seja mais ouvida, mas que a sua voz tenha um peso real, uma autoridade reconhecida, na sociedade e na Igreja. O próprio modo com que Jesus considerou a mulher em um contexto menos favorável do nosso, porque naqueles tempos a mulher ficava justamente em segundo lugar, e Jesus a considerou de maneira que dá uma luz potente, que ilumina um caminho que leva para longe, do qual percorremos apenas um pedaço. Ainda não entendemos em profundidade quais são as coisas que pode nos dar o gênio feminino, as coisas que a mulher pode dar à sociedade e também a nós: a mulher sabe ver as coisas com outros olhos que completam o pensamento dos homens. É um caminho a percorrer com mais criatividade e audácia.

Uma segunda reflexão diz respeito ao tema do homem e da mulher criados à imagem de Deus. Pergunto-me se a crise de confiança coletiva em Deus, que nos faz tanto mal, nos faz adoecer de resignação à incredulidade e ao cinismo, não está ligada também à crise da aliança entre o homem e a mulher. De fato, o relato bíblico, com o grande afresco simbólico sobre o paraíso terrestre e o pecado original, nos diz justamente que a comunhão com Deus se reflete na comunhão do casal humano e a perda da confiança no Pai celeste gera divisão e conflito, entre homem e mulher.

Daqui vem a grande responsabilidade da Igreja, de todos os crentes e, antes de tudo, das famílias crentes, para redescobrir a beleza do desígnio criador que inscreve a imagem de Deus também na aliança entre homem e mulher. A terra se enche de harmonia e de confiança quando a aliança entre o homem e a mulher é vivida no bem. E se o homem e a mulher a procuram juntos entre eles e com Deus, sem dúvida a encontram. Jesus nos encoraja explicitamente ao testemunho desta beleza que é imagem de Deus.