Liturgia do Dia – 20/11/2016

lucas 23, 35-43“O amor rompe os laços da morte e realiza a Aliança entre Deus e a humanidade.  Cristo abraçou o trono da cruz para manifestar o senhorio fiel de seu amor, depois de nos servir em sua misericórdia.  Eis o que agora nos mostra a Palavra do Senhor.”

Primeira leitura:  2Samuel 5, 1-3

Salmo Responsorial:  121

Segunda leitura:  Colossenses 1,12-20

Evangelho: Lucas 23, 35-43

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Meditação para o Domingo de Cristo Rei

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

É este o último Domingo do Ano da Igreja. Na corrida, na fiada de dias iniciada no Advento do ano passado, contemplamos o Cristo que Se fez homem por nós, por nós anunciou e tornou presente o Reino do Pai e, para nos dar esse Reino de modo definitivo, por nós entregou-Se na cruz, morreu e ressuscitou, dando-nos de modo definitivo o Seu Espírito Santo. Pois bem: depois de termos contemplado todo este Mistério, depois de termos celebrado o no arco do ano os eventos salvíficos de Cristo, chegamos ao fim e proclamamos o Senhor Jesus como Reino do Universo. Como afirma o Apocalipse, “Jesus Cristo fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, Seu Pai. A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos!”

Mas, que significa afirmar esta realeza de Cristo Jesus? Pensando bem, é um título problemático, esse dado ao Senhor… Ele é Rei mesmo? Rei do quê? Rei num mundo que o rejeita, Rei de um Ocidente que cada vez mais lhe volta as costas? Rei de uma humanidade de coração fechado para o seu senhorio? Não seria mais lógico, mais realista afirmar que os reis de hoje são os ídolos esportivos, os bem-pensantes de plantão, líderes políticos e os heróis do momento? Será que celebrar o Senhor Jesus com este título portentoso, “Rei do Universo”, não é mais uma prova de que os cristãos estão delirando, apegados a um passado glorioso, quando a sociedade era cristã e a Igreja tinha poder?

Quando os cristãos confessamos que Cristo é Rei, de que reinado estamos falando? A que Reino estamos nos referindo? Nós realmente acreditamos com todo o coração e confessamos com toda convicção que Jesus Cristo – e só Ele! – é Rei: Rei do universo, Rei da história, Rei da humanidade, Rei da vida de cada pessoa humana, cristã ou não-cristã. Ele é Rei porque é Deus feito homem, é, como diz a Escritura, Aquele “através de Quem e para Quem todas as coisas foram criadas, no céu e na terra… Tudo foi criado através Dele e para Ele… Ele é o Primogênito dentre os mortos” (Cl 1,1518).

No entanto, é necessário compreender a natureza do reinado de Jesus. A Liturgia de hoje coloca como antífona de entrada do Missal romano uma frase do Apocalipse que é surpreendente: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A Ele a glória e poder através dos séculos!” Frase surpreendente, sim! Quem é Aquele que proclamamos Rei? O Cordeiro; e Cordeiro imolado! Cordeiro evoca mansidão, paz, fragilidade… Nosso Rei não é aquele que faz e acontece, aquele que passa por cima feito trator… Nosso Rei é o Cordeiro que foi esmagado na cruz, Aquele que foi imolado pelo Pecado do mundo. O mundo passou e passa por cima do nosso Rei, refuta Seu Evangelho, desdenha de Sua Palavra, ridiculariza Seus preceitos, calunia Sua Igreja… Esse Rei é Aquele que foi crucificado, que foi derrotado e terminou sozinho, é o homem de dores prenunciado por Isaías. No Evangelho escutamos que zombaram e zombam Dele: “A outros Ele salvou. Salve-Se a Si mesmo, se de fato é o Cristo de Deus, o Escolhido! Tu não és o Cristo? Salva-Te a Ti mesmo e a nós!” (Lc 23,35.39)

Não! Decididamente, Jesus não é Rei nos moldes dos reis da terra. Não podemos imaginar os reis, presidentes e manda-chuvas deste mundo, para depois enquadrar Cristo nesses modelos. O reinado de Cristo somente pode ser compreendido a partir da lógica do próprio Cristo: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Eis o modo que Cristo tem de reinar: servindo, dando Vida e entregando a própria vida. Tão diferente dos reis da terra, dos políticos e líderes de ontem de hoje: “Sabeis que aqueles que vemos governar as nações as dominam, e os seus grandes as tiranizam. Entre vos não será assim…” (Mc 10,42s). Cristo é Rei porque Se fez solidário conosco ao fazer-Se um de nós, é Rei porque tomou nossa vida sobre Seus ombros, é Rei porque passou entre nós servindo, até o maior serviço: entregar-Se totalmente na cruz. É rei porque, agora, no Céu, Deus e homem verdadeiro, é Cabeça e Princípio de uma nova criação, de uma nova humanidade, de uma nova história, que se consumará na Plenitude final. A festa de Cristo Rei recorda-nos uma outra: a do Domingo de Ramos, quando, com palmas nas mãos, cantamos o reinado de Cristo, que entrava em Jerusalém num burrico – animal de carga de serviço – para ser coroado de espinhos, morrer e ressuscitar.

Tudo isto nos coloca em crise, pois este Rei-Messias olha para nós, cristãos, Seus discípulos, e nos convida a segui-Lo por esse caminho: não o da glória, mas da humildade; não o do sucesso a qualquer custo, mas da fidelidade a todo preço; não o das honras, mas do serviço; não o da imposição, mas da proposta humilde. Quantas vezes os cristãos pensaram o reinado de Cristo de modo demasiado humano, quantas vezes a Igreja pensou que o Reino do Senhor estava mais presente quando ela era honrada, reverenciada, presente nos corredores dos palácios ou nos palanques dos grandes do mundo… Quantas vezes vemos o reinado do Senhor quando tudo sai bem para nós… Ilusão; tentação diabólica! Nosso verdadeiro reinado, nossa real serviço, nossa inalienável dignidade é unir-se a Cristo no Seu caminho de humilde serviço ao Evangelho, seguindo os passos do nosso Senhor: “Fiel é esta palavra: Se com Ele morremos, com Ele viveremos. Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos” (2Tm 2,11). Todas as vezes que esquecemos isso, fomos infieis e indignos de reinar com Cristo. Houve tempos gloriosos na nossa história de Igreja de Cristo: já fomos perseguidos pelos romanos, já fomos perseguidos em tantos lugares da terra: já nos mataram, torturaram, pisaram, discriminaram… Houve tempos tristes: quando perseguimos, torturamos e discriminamos… pensando, assim, manifestar o Reino de Cristo! Que engano! Que ilusão!

Hoje, temos uma nova chance. Nos países muçulmanos e budistas, somos cidadãos de segunda classe, perseguidos e mortos (ninguém divulga isso!), na China, somos colocados na prisão e nossos Bispos são condenados a trabalhos forçados e, aqui, no nosso Brasil, somos chamados de reacionários, medievais, obscurantistas, anacrônicos, contrários à ciência e ao progresso porque não aceitamos o aborto, a eutanásia, o assassinato de deficientes, a dissolução da família… É, mais uma vez, a chance de testemunhar o reinado de Cristo, de permanecermos firmes no combate, com a humildade que é capaz de dialogar e ouvir, mas também com a firmeza que não arreda o pé da fidelidade ao Senhor: “Vós sois os que permanecestes constantemente Comigo em minhas tribulações; também Eu disponho para vós o Reino, como Meu Pai o dispôs para Mim, a fim de que comais e bebais à Minha mesa em Meu Reino” (Lc 22,28-30). Que missão, que chance, que desafio, que graça! Com serenidade e firmeza, na palavra, na vida e na morte, testemunhemos: Jesus Cristo é Rei e Senhor, Princípio e Fim de todas as coisas.

Humildemente, elevemos, cheios de confiança, o nosso olhar para Ele e, como o Bom Ladrão, supliquemos: “Jesus, lembra-Te de mim, lembra-Te de nós, quando entrares no Teu Reino!” Só a Ti a glória, pelos séculos dos séculos. Amém.

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Liturgia do Dia – 19/11/2016

Lucas 20, 27-40“O profeta verdadeiro não teme desafiar os homens, proclamando que sem o Cristo não há salvação; pois o Deus da história quer levar-nos à plenitude da vida.  Ele é o Deus vivo e verdadeiro.”

Primeira leitura:  Apocalipse 11, 4-12

Salmo Responsorial:  143

Evangelho:  Lucas 20, 27-40

Liturgia do Dia -18/11/2016

lucas 19, 45-48“Ouvir e interiorizar a Palavra que ouvimos, para vivê-la com fervor.  Assim construímos a vida, tornamo-nos templos santos e sinais transparentes do Reino de Deus.”

Primeira leitura:  Apocalipse 10, 8-11 ou  Atos dos Apóstolos 28, 11-16.30-31

Salmo Responsorial:  118

Evangelho:  Lucas 19, 45-48 ou Mateus 14,22-33

Liturgia do Dia – 17/11/2016

Lucas 19, 41-44“O Cordeiro foi imolado.  Deu sua vida em favor dos povos e das nações.  Mas, Jerusalém, recusou o convite para a vida, e o Senhor chorou sobre ela.  Sem o Cristo não há paz nem salvação.”

Primeira leitura:  Apocalipse 5, 1-10

Salmo Responsorial: 149

Evangelho:  Lucas 19, 41-44

A Catequese do Papa Francisco – 16/11/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 16 de novembro de 2016

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Dedicamos a catequese de hoje a uma obra de misericórdia que todos conhecemos muito bem, mas que talvez não colocamos em prática como deveríamos: suportar pacientemente as fraquezas do próximo. Somos todos muito bravos em identificar uma presença que pode incomodar: acontece quando encontramos alguém pelo caminho, ou quando recebemos um telefonema… Logo pensamos: “Por quanto tempo terei que ouvir as lamentações, as fofocas, os pedidos ou as vaidades dessa pessoa?”. Acontece também, às vezes, que as pessoas que incomodam são aquelas mais próximas a nós: entre os parentes sempre há alguém; no local de trabalho não falta; nem mesmo no tempo livre estamos livres. O que devemos fazer com essas pessoas? Mas também nós tantas vezes somos assim com os outros. Por que entre as obras de misericórdia está inserida esta? Suportar pacientemente as fraquezas das pessoas?

Na Bíblia vemos que o próprio Deus deve usar misericórdia para suportar as lamentações do seu povo. Como exemplo no livro do Êxodo o povo resulta realmente insuportável: primeiro chora porque é escravo no Egito, e Deus o liberta; depois, no deserto, se lamenta porque não tem o que comer (cfr 16, 3) e Deus manda codornizes e maná (cfr 16, 13-16), mas apesar disso as lamentações não param. Moisés se fazia de mediador entre Deus e o povo e também ele algumas vezes foi um pouco visto como um incômodo para o Senhor. Mas Deus teve paciência e assim ensinou a Moisés e ao povo também esta dimensão essencial da fé.

Vem então espontânea uma primeira pergunta: fazemos um exame de consciência para ver se também nós, às vezes, podemos nos tornar incômodos para os outros? É fácil apontar o dedo para os defeitos e falhas dos outros, mas devemos aprender a nos colocarmos no lugar dos outros.

Olhemos sobretudo a Jesus: quanta paciência teve que ter nos três anos da sua vida pública! Uma vez, enquanto estava em caminho com os discípulos, foi parado pela mãe de Tiago e João, que lhe disse: “Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda” (Mt 20, 21). A mãe fazia justamente isso pelos seus filhos, mas era a mãe… Também naquela situação Jesus aproveita para dar um ensinamento fundamental: o seu reino não é de poder, não é um reino de glória como aqueles terrenos, mas de serviço e doação aos outros. Jesus ensina a ir sempre ao essencial e a olhar mais longe para assumir com responsabilidade a própria missão. Podemos ver aqui o chamado a outras duas obras de misericórdia espiritual: aquela de advertir os pecadores e ensinar os ignorantes. Pensemos no grande empenho que se pode fazer quando ajudamos as pessoas a crescer na fé e na vida. Penso, por exemplo, nos catequistas – entre os quais há tantas mães e religiosas – que dedicam tempo para ensinar às crianças os elementos basilares da fé. Quanto esforço, sobretudo quando as crianças prefeririam brincar em vez de escutar o catecismo!

Acompanhar na busca do essencial é belo e importante, porque nos faz partilhar a alegria de experimentar o sentido da vida. Muitas vezes nos deparamos com pessoas que se concentram sobre coisas superficiais, efêmeras ou banais; às vezes porque não encontraram alguém que as estimulasse a procurar outra coisa, a apreciar os verdadeiros tesouros. Ensinar a olhar ao essencial é uma ajuda determinante, especialmente em um tempo como o nosso que parece ter perdido a orientação e seguir satisfações de curto respiro. Ensinar a descobrir o que o Senhor quer de nós e como podemos lhe corresponder significa colocar no caminho para crescer na própria vocação, o caminho da verdadeira alegria. Assim as palavras de Jesus à mãe de Tiago e João, e depois a todo o grupo dos discípulos, indicam o caminho para evitar cair na inveja, na ambição, na adulação, tentações que estão sempre à espreita também entre nós cristãos. A exigência de aconselhar, advertir e ensinar não deve nos fazer sentir superiores aos outros, mas nos obriga antes de tudo a reentrar em nós mesmos para verificar se estamos coerentes com quanto pedimos aos outros. Não esqueçamos as palavras de Jesus: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?” (Lc 6, 41). O Espírito Santo nos ajude a sermos pacientes em suportar e humildes e simples em aconselhar.

Liturgia do Dia – 14/11/2016

Lucas 18, 35-43“A conversão é a oportunidade da misericórdia divina, para que alcancemos a vida e a salvação.  E quem procura o Senhor o encontra e liberta-se como o cego de Jericó.”

Primeira leitura: Apocalipse 1, 1-4; 2,1-5a

Salmo Responsorial:  1, 1-2.3.4.6

Evangelho:  Lucas 18, 35-43

Liturgia do Dia – 13/11/2016

Lucas 21, 5-19“Eis que nasce para nós o Sol de Justiça, e a promessa de Deus se realiza.  Ele é fonte de todo bem, está conosco nas horas difíceis, e nossa perseverança com Jesus nos mantém inabalados.  Escutemos a Palavra que nos ensina a ser fortes na fé.”

Primeira leitura:  Malaquias 3, 19-20a

Salmo Responsorial:  97

Segunda leitura:  2Tessalonicenses 3, 7-12

Evangelho:  Lucas 21, 5-19

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Meditação para este XXXIII Domingo

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico. Domingo próximo celebraremos Cristo-Rei e, daqui a precisos quinze dias estaremos entrando no santo tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Pois bem, o final de um período sempre nos faz recordar que o tempo corre e a vida passa veloz. Isto deve fazer-nos pensar no fim de todas as coisas e da nossa vida. “Fim” não somente como final, mas “fim” também como finalidade… É diante desta realidade que a Palavra de Deus nos quer colocar nestes últimos dias do ano litúrgico de 2016.

No Evangelho, Jesus nos recorda que nossa existência é breve, tão fugaz. Àqueles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa.
Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profissão, as pessoas às quais amamos, os projetos que temos, a nossa própria vida: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído!”

Aqui, o Senhor não deseja ser um desmancha-prazer, não nos quer arrancar o gosto de viver; deseja tão somente recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectivada Eternidade, daquilo que é definitivo.

Haverá um momento final, haverá um juízo do Senhor sobre a história humana e sobre a história de cada um de nós, quando, então, ficará claro o que serviu e o que não serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que não passou de ilusão e falsidade. Nunca esqueçamos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho existencial. Haverá, sim, um juízo de Deus: “Eis que virá o Dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse Dia vindouro haverá de queimá-los… Para vós, que temeis o Meu Nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”. Este juízo, portanto, será discriminatório: pode significar vida ou morte, salvação ou condenação!

Vede bem, Irmãos de caminho, que numa cultura como a nossa, na qual cada um acha que é seu próprio critério e medida do bem e do mal, do certo e do errado, é preciso recordar que há um Deus no Céu e Nele, que nos deu o Seu Filho morto e ressuscitado, tudo será julgado, tudo passado a limpo, tudo pesado no seu justo valor e na sua justa medida! E a medida, o critério é Jesus, nosso Senhor!

Ante esta realidade, os discípulos perguntam a Jesus: Mestre, quando acontecerá isso? Qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” A curiosidade de ontem é a mesma de hoje… A resposta de Jesus contém dois significados.

Primeiro: observemos que o Senhor dá sinais que se referem à natureza (“Haverá grandes terremotos… acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos nos céus.”), sinais que se referem à história humana (“Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país”) e sinais referentes à própria vida dos discípulos – vale dizer, à nossa vida (“Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em Meu Nome, dizendo: ‘Sou eu!’ ou ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente”).

Isto quer dizer que a manifestação final do Senhor vai marcar tudo: a história, a criação e a vida de cada um de nós; nada ficará fora do juízo de Deus que haverá de se manifestar em Cristo! Tudo será confrontado com o amor manifestado na cruz do Senhor. A história humana será passada a limpo e o que foi pecado, desamor, maldade será destruído; a criação será transfigurada: passará a figura deste mundo como é agora e, no Espírito do Cristo, haverá um novo céu e uma nova terra; os discípulos serão examinados pelo Senhor de acordo com sua perseverança na fé verdadeira, sem se deixarem levar pelas novidades religiosas, pura falsificação, como as que estamos vendo hoje em dia…

Há ainda um segundo significado: observemos que os sinais que Jesus dá, acontecem em todas as épocas: sempre houve e haverá convulsões na natureza, guerras e revoluções na história humana, hereges e falsos profetas, falsos pregadores e falsos pastores no caminho da Igreja. Tem sido assim desde o início…

Então, por que o Senhor apontou esses sinais? Para deixar claro que cada geração deve estar vigilante, cada geração deve recordar sempre que haverá de estar, naquele Dia, diante do Senhor e, portanto, deve levar a sério sua fé e sua adesão a Jesus. Sobretudo num mundo como o atual, que nos quer fazer perder de vista o essencial e nos quer fazer esquecer que caminhamos para o encontro com Cristo como um rio corre para o mar. Vale-nos, então, o conselho de São Paulo, a que vivamos decentemente, trabalhando pelo pão cotidiano, sem viver à toa, mas construindo a vida com a dignidade de cristãos. O Senhor nos previne que não é fácil: o mundo não nos amará, porque seus pensamentos não são os do Cristo – e isto mais que nunca é claro hoje, numa sociedade consumista, paganizada, amante do conforto e da imoralidade, onde cada um vive do seu modo, como se Deus não existisse… Ouçamos a advertência tão sincera e franca de Cristo: “Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão (= vos amarão menos, não vos terão entre seus amigos) por causa do Meu Nome… É permanecendo firmes que ireis ganhar a Vida!”

Eis aqui! Vivamos fielmente a nossa vocação cristã, não tenhamos medo de ser fieis e de dar o bom testemunho de Cristo, para que possamos ser aprovados ante o tribunal de Cristo. Nossa vida neste mundo é semente de Eternidade; nossas escolhas e atitudes terão consequências eternas. Que o Senhor nos conceda a graça da perseverança que nos fará ganhar a Vida. Amém.

Liturgia do Dia – 12/11/2016

Lucas 18, 1-8“A hospitalidade é atitude de fé e nos faz cooperadores de Cristo.  Desprezar os outros é provocar a dor incurável.  Deus não suporta os ultrajes à vida e, por isso, realiza a justiça divina.”

Primeira leitura:  3João 5-8

Salmo Responsorial:  111

Evangelho:  Lucas 18, 1-8

A Catequese do Papa Francisco – 09/11/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A vida de Jesus, sobretudo nos três anos do seu ministério público, foi um incessante encontro com as pessoas. Entre essas, os doentes tiveram um lugar especial. Quantas páginas dos Evangelhos narram estes encontros! O paralítico, o cego, o leproso, o endemoniado, o epilético e inumeráveis doentes de todo tipo… Jesus se fez próximo a cada um deles e os curou com a sua presença e o poder da sua força de cura. Portanto, não pode faltar, entre as obras de misericórdia, aquela de visitar e assistir as pessoas doentes.

Junto a essas podemos inserir também aquela de estar próximo às pessoas que se encontram na prisão. De fato, seja os doentes seja os presos vivem uma condição que limita sua liberdade. E justamente quando nos falta, nos damos conta do quanto é preciosa! Jesus nos deu a possibilidade de sermos livres apesar dos limites da doença e das restrições. Ele nos oferece a liberdade que vem do encontro com Ele e do sentido novo que este encontro leva à nossa condição pessoal.

Com essas obras de misericórdia o Senhor nos convida a um gesto de grande humanidade: a partilha. Recordemos esta palavra: a partilha. Quem está doente, muitas vezes se sente sozinho. Não podemos esconder que, sobretudo nos nossos dias, justamente na doença se faz experiência mais profunda da solidão que atravessa grande parte da vida. Uma visita pode fazer a pessoa doente se sentir menos sozinha e um pouco de companhia é um ótimo remédio! Um sorriso, um carinho, um aperto de mão são gestos simples, mas tão importantes para quem sente estar abandonado em si mesmo. Quantas pessoas se dedicam a visitar os doentes nos hospitais ou em suas casas! É uma obra de voluntariado inestimável. Quando é feita no nome do Senhor, então se torna também expressão eloquente e eficaz de misericórdia. Não deixemos as pessoas doentes sozinhas! Não impeçamos que encontrem alívio e que nós sejamos enriquecidos pela proximidade a quem sofre. Os hospitais são verdadeiras “catedrais da dor”, onde, porém, se torna evidente também a força da caridade que sustenta e prova compaixão.

Da mesma forma, penso em quantos estão presos nos cárceres. Jesus não esqueceu nem mesmo eles. Colocando a visita aos presos entre as obras de misericórdia, convidou-nos, antes de tudo, a não nos fazermos juízes de ninguém. Certo, se alguém está na prisão é porque errou, não respeitou a lei e a convivência civil. Por isso está na prisão, está cumprindo a sua pena. Mas qualquer coisa que um preso possa ter feito, mesmo assim ele permanece sendo amado por Deus. Quem pode entrar no íntimo da sua consciência para entender o que passa? Quem pode compreender a dor e o remorso? É muito fácil lavar as mãos afirmando que errou. Um cristão é chamado a se encarregar disso, para que quem errou compreenda o mal feito e retorne a si mesmo. A falta de liberdade é, sem dúvida, uma das maiores privações para o ser humano. Se a isso se soma a degradação pelas condições muitas vezes privadas de humanidade em que essas pessoas se encontram a viver, então é realmente o caso em que o cristão se sente provocado a fazer de tudo para restituir a sua dignidade.

Visitar as pessoas no cárcere é uma obra de misericórdia que sobretudo hoje assume um valor particular pelas diversas formas de justicialismo a que estamos submetidos. Portanto, ninguém aponte o dedo para ninguém. Todos, em vez disso, nos tornemos instrumentos de misericórdia, com atitudes de partilha e de respeito. Penso muitas vezes nos presos… penso muitas vezes, os levo no coração. Pergunto-me o que os levaram a cometer crimes e como puderam ceder às diversas formas de mal. No entanto, juntamente com esses pensamentos, sinto que todos precisam de proximidade e de ternura, porque a misericórdia de Deus realiza prodígios. Quantas lágrimas vi escorrer nas faces dos prisioneiros que talvez nunca na vida tinham chorado; e isso somente porque se sentiram acolhidos e amados.

E não esqueçamos que também Jesus e os apóstolos fizeram experiência da prisão. Nos relatos da Paixão conhecemos os sofrimentos aos quais o Senhor foi submetido: capturado, arrastado como um criminoso, escarnecido, flagelado, coroado de espinhos… Ele, o único Inocente! E também São Pedro e São Paulo estiveram na prisão (cfr At 12,5; Fil 1, 12-17). Domingo passado – que foi o domingo do Jubileu dos Presos – à tarde veio me encontrar um grupo de prisioneiros de Pádua. Perguntei a eles o que fariam no dia seguinte, antes de retornar a Pádua. Disseram-me: “Iremos ao cárcere Mamertino para partilhar a experiência de São Paulo”. É belo, ouvir isso me fez bem. Estes prisioneiros queriam encontrar Paulo prisioneiro. É uma coisa bela, a mim fez bem. E também ali, na prisão, rezaram e evangelizaram. É comovente o trecho dos Atos dos Apóstolos em que é relatada a prisão de Paulo: se sentia só e desejava que algum dos amigos fosse lhe fazer uma visita (cfr 2 Tm 4, 9-15). Sentia-se sozinho porque a grande maioria tinha deixado-o sozinho… o grande Paulo.

Estas obras de misericórdia, como se vê, são antigas, mas sempre atuais. Jesus deixou o que estava fazendo para ir visitar a sogra de Pedro; uma obra antiga de caridade. Jesus a fez. Não caiamos na indiferença, mas nos tornemos instrumentos da misericórdia de Deus. Todos nós podemos ser instrumentos da misericórdia de Deus e isso fará mais bem a nós que aos outros, porque a misericórdia passa através de um gesto, uma palavra, uma visita e essa misericórdia é um ato para restituir alegria e dignidade a quem a perdeu.

Dia Nacional em Ação de Graças

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No próximo dia 24 de novembro a Igreja no Brasil comemora o Dia Nacional em Ação de Graças e na Paróquia São Paulo Apóstolo todos são convidados para manifestar a sua gratidão a partir do dia 11, próxima sexta-feira.

“Cantai e salmodiai ao Senhor em vossos corações, dai sempre graças a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5,19-20)

Liturgia do Dia – 06/11/2016

Mateus 5,1-12“Bem-aventurados são todos os que confessam a fé em Cristo e, superando o pecado e as contradições da vida, assumem sua condição de filhos e filhas de Deus.”

Primeira leitura:  Apocalipse 7,2-4.9-14

Salmo Responsorial: 23

Segunda leitura:  1 João 3,1-3

Evangelho:  Mateus 5,1-12a

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Meditação para o Domingo de Todos os Santos

Hoje, a Igreja volta seu olhar e seu coração para o Céu e enche-se de alegria ao contemplar uma multidão que participa da glória e da plenitude do Deus Santo.

A nossa fé nos ensina que somente Deus é Santo. Na Bíblia, “santo” significa, literalmente, “separado, distinto, diverso”. Deus é aquele que é separado, absolutamente diferente de tudo quanto exista no céu e na terra: Ele é único, Ele é absoluto, Ele sozinho se basta, sozinho é pleno, sozinho é infinitamente feliz. Ele é Deus!

Por isso, Santo, em sentido absoluto, é somente o Deus uno e trino, Pai, Filho e Espírito Santo.

A Jesus, o Filho eterno feito homem, nós proclamamos em cada missa: “Só vós sois o Santo”; ao Pai nós dizemos: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade”; ao Espírito Divino nós chamamos de Santo.

Mas, a nossa fé também nos ensina que este Deus santo e pleno, dobra-Se carinhosamente sobre a humanidade – sobre cada um de nós – para nos dar a Sua própria Vida, para nos fazer participantes de Sua própria plenitude, Sua própria santidade.

Foi assim que o Pai, cheio de imenso amor, enviou-nos Seu Filho único até nós, e Este, morto e ressuscitado, infundiu no mais íntimo de nós e de toda a Igreja o Seu Espírito de santidade.

Eis, quanta misericórdia: Deus, o único Santo, nos santifica pelo Filho no Espírito: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!”

É isto a santidade para nós: participar da vida do próprio Deus, sermos separados, consagrados por Ele e para Ele desde o nosso Batismo, para vivermos Sua própria Vida, Vida de filhos no Filho Jesus! É assim que todo cristão é um santificado, um separado para Deus.

Mas, esta santidade que já possuímos deve, contudo, aparecer no nosso modo de viver, nas nossas ações e atitudes. E o modelo de toda santidade é Jesus, o Bem-aventurado. Ele, o Filho, foi totalmente aberto para o Pai no Espírito Santo e, por isso, foi totalmente pobre, totalmente manso, totalmente puro e abandonado a Deus no pranto, na fome de justiça e na misericórdia. Então, ser santo, é ser como Jesus, deixando-se guiar e transformar pelo Seu Espírito em direção ao Pai.

Esta santidade é um processo que dura a vida toda e somente será pleno na Glória. São João nos fala disso na segunda leitura de hoje: “Quando Cristo Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é”.

Nesta perspectiva, podemos contemplar a estupenda leitura do Apocalipse que escutamos como primeira leitura. O que se vê aí? Uma multidão.

Primeiro, cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos de Israel. Isto simboliza todo o Israel, o Povo de Deus, que é a Igreja, plenitude e realização do antigo Israel. Recordemos: 12 é o número do Povo do Antigo Testamento. Pois bem, cento e quarenta e quatro mil equivale a 12 x 12 x 1000, isto é, à totalidade da Igreja, Israel de Israel.

Deus não se cansou de chamar o Povo da antiga aliança: Israel haverá de ser salvo pelo sangue de Cristo; como também salvará a plenitude do Novo Israel, aquele nascido do Espírito de Cristo, a Igreja, nossa Mãe.

Mas, há ainda mais: “Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro”. Essa multidão são todos os povos da terra, chamados por Cristo, na Igreja, para a salvação, para a santificação que Deus nos oferece. Aqui, eles já estão na Glória do Céu.

Que coisa bela: santos na terra: os membros fieis do Novo Israel, a Igreja peregrina neste mundo; santos no Céu, já uma multidão com a veste branca do Batismo resplandecente de Glória!

Notemos bem:

“Uma multidão que ninguém podia contar”. A salvação é para todos, a santidade não é para um grupinho de eleitos, para uma elite espiritual. Todos são chamados a essa Vida divina que Deus quer partilhar conosco, todos são chamados à santidade!

“Trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mãos. São os que vieram da grande tribulação e lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro”. Eis quem são os santos: aqueles que atravessaram as lutas desta vida, as tribulações desta nossa pobre existência, unidos a Cristo; são os que venceram em Cristo – por isso trazem a palma da vitória; são os que não tiveram medo de viver e, se caíram, se erraram, foram, humildemente, lavando e alvejando suas vestes no sangue precioso de Cristo: são santos não com sua própria santidade, mas com a santidade do Cristo-Deus.

Nunca esqueçamos: ninguém é santo com suas forças, ninguém é santo por sua própria santidade: só em Cristo somos santificados, pois somente Cristo derrama sobre nós o Espírito de santidade. O nosso único trabalho é lutar para acolher esse Espírito, deixando-nos guiar por Ele e por Ele sermos transfigurados em Cristo!

Olhemos para o Céu, nossa Pátria, nossa saudade, nossa esperança, nossa certeza, nosso destino: lá estão Pedro e Paulo, lá estão os Doze, lá estão os patriarcas, os profetas, os santos reis do Antigo Israel, lá estão todos os santos e santas da Antiga Aliança, que esperaram em Cristo-Messias; lá estão os mártires de Cristo, os santos pastores e doutores, lá estão as santas virgens e os santos homens, lá estão tantos e tantos – uns, conhecidos e reconhecidos pela Igreja publicamente, outros, cujo nome somente Deus conhece; lá está a Santíssima e Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe e discípula perfeita do Cristo, toda plena do Espírito, toda obediente ao Pai. Eles chegaram lá, eles intercedem por nós, eles são nossos modelos, eles nos esperam!

Num mundo que vive estressado, que corre sem saber para onde, num mundo que já não crê nos verdadeiros valores, porque já não crê em Deus, contemplar hoje todos os santos é recordar para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida!

Não tenhamos medo de ser de Deus, não tenhamos medo de testemunhar o Evangelho, não tenhamos medo de alimentar nossa visa com o Cristo, na sua Palavra e na Sua Eucaristia para sermos inebriados da Vida do próprio Deus!

Infelizmente, muitos hoje têm como heróis as personagens fictícias de filmes de aventura, os atletas, os atores, os cantores e tantos outros que não têm muito e até nada para ensinar.

Quanto a nós, que nossos heróis e modelos sejam os santos e santas de Cristo, que foram heróis porque se venceram e correram para o Cristo!

Que eles roguem por nós, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser.

Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!

Liturgia do Dia – 04/11/2016

Lucas 16, 1-8“Assim como Cristo entregou-se fielmente ao Pai, cumprindo sua vontade, também nós devemos ser bons administradores das coisas do Reino. É preciso lançar-se por inteiro na vivência da fé.”

Primeira leitura: Filipenses 3, 17-4,1

Salmo Responsorial: 121

Evangelho:  Lucas 16,1-8

Liturgia do Dia – 03/11/2016

lucas 15, 1-10“A conversão do pecador enche o céu de alegria, e ele vê que o que era vantagem para ele agora é considerado como perda, por causa de Cristo.  O amor procura até a última pessoa para dar-lhe a vida.”

Primeira leitura:  Filipenses 3,3-8a

Salmo Responsorial: 104

Evangelho:  Lucas 15,1-10

Liturgia do Dia – 02/11/2016

joão 6, 41-51“A Palavra é luz que nos ilumina e dissipa as trevas da falta de confiança no Senhor.  Ela nos aponta a direção que devemos seguir: o de nossa ressurreição em Cristo”.

Primeira leitura:  Isaías 25, 6a.7-9

Salmo Responsorial:  26

Segunda leitura:  1 João 3,1-2

Evangelho:  João 6,37-40

Liturgia do Dia – 31/10/2016

estudo do evangelho de lucas“O Senhor nos dá sua misericórdia infinita, que nos renova e nos faz viver de novo.  Por isso, ‘não convides teus amigos, mas, os pobres, os aleijados’, os excluídos para participarem com você.”

Primeira leitura:  Filipenses 2,1-4

Salmo Responsorial:  130

Evangelho:  Lucas 14, 12-14

Liturgia do Dia – 30/10/2016

Lucas 19, 1-10

“A Palavra Sagrada revela o desejo de Deus:  ele quer salvar a todos.  Quando essa Palavra é acolhida no coração, o milagre da conversão acontece tudo se transforma.  ‘A metade dos meus bens, Senhor, eu dou aos pobres;  e se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais’, disse Zaqueu. Que a Palavra do Senhor alcance nossa vida inteira.”

Primeira leitura:  Sabedoria 11, 22-12,2

Salmo Responsorial:  144

Segunda leitura:  2 Tessalonicenses 1,11-2,2

Evangelho:  Lucas 19, 1-10

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Comecemos nossa meditação da Palavra deste Domingo pelo Evangelho. Aí, a miséria corre para ver a Misericórdia, e sede anseia por encontrar a Fonte, o homem corre para encontrar Deus…

Quem é este Zaqueu, este baixinho ansioso, do Evangelho de hoje? É um publicano – como o homem que rezava compungido no Domingo passado.
Um publicano era um pecador público, cobrador de impostos para os romanos e, por isso, odiado pelos judeus. Os publicanos muitas vezes extorquiam o povo. Talvez fosse o caso de Zaqueu, pois ele “era chefe dos publicanos e muito rico”. Certamente, tanto mais odiado quanto mais rico…

Pois bem, é um homem assim que correu e subiu numa figueira para ver o Senhor. Imaginemos a cena: Zaqueu esquece sua pose, sua respeitabilidade, sua posição. Aquele homem rico devia também ser sozinho, amargurado na sua riqueza, que o tornava um rejeitado por todos e um excluído da comunidade do Povo de Deus.
Zaqueu certamente ouvira falar de Jesus, de Sua misericórdia, de Sua bondade, de Sua mansidão… Não era Ele quem acolhia os pecadores? Não era Ele quem comia com os publicanos? Não tinha Ele um publicano, Mateus, como um dos Doze? Por isso, não hesita em subir numa figueira, não tem medo do ridículo! Quer ver Jesus, nem que fosse às escondidas… Quem dera que fôssemos assim, que não deixássemos o Senhor passar em vão no caminho da nossa vida!
E aí vinha Jesus… O coração de Zaqueu certamente disparou… Jesus vai passando, acompanhado, cercado por uma multidão barulhenta. Aí, então, para surpresa de todos e desespero de Zaqueu, ele para, olha pra cima… Imaginemos os risos, a mangação, a situação de ridículo na qual o pobre Zaqueu encontrou-se!
Mas, Jesus é surpreendente – Ele sempre nos surpreende; Ele é maravilhosamente surpreendente!
“Zaqueu – chama-o pelo nome. Conhecia-o! – Desce depressa! Hoje Eu devo ficar na tua casa!”
Era demais para Zaqueu: o mundo desaparecera; a mangação não tinha nenhuma importância… Naquela hora, naquele momento só existiam Jesus e ele! E Jesus o chamava pelo nome! Enquanto todos o rejeitavam, Jesus, chamava-o pelo nome, como a um amigo, como a um conhecido, e oferecia-Se para Se hospedar na sua casa! “Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria”. Contemplemos o amor de Deus, amor misericordioso, que alegra, renova, transforma a existência e dá um novo sentido para a vida!

Qual o resultado desta visita do Senhor, deste acolhimento de Zaqueu? “Senhor, eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais!”
Zaqueu fizera experiência do amor de Deus, Zaqueu acolhera esse amor, deixara-se amar e, agora, transborda em arrependimento, amor e misericórdia para com os outros!
Que pena que não compreenderam isso, e começaram a murmurar contra Jesus…
Quem dera que da escuta da Palavra deste Domingo aprendêssemos quem é o nosso Deus, como age Seu coração, e como nós deveríamos reagir!
Pensemos no coração de Deus não a partir dos nossos sentimentos mesquinhos, mas a partir das palavras comoventes do Livro da Sabedoria: um Deus tão grande, tão imensamente maior que tudo quanto existe, tão imensamente para lá de tudo quanto possamos imaginar… “Senhor, o mundo inteiro, diante de Ti, é como um grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra”.
E, no entanto, Ele Se inclina com carinho sobre o mundo: dele cuida, sustenta-o, compadece-Se de Suas criaturas e nos perdoa as loucuras, ingratidões e pecados: “De todos tens compaixão, porque tudo podes. Fechas os olhos aos pecados dos homens, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado”…
Admirado, o autor sagrado exclama: “A todos Tu tratas com bondade, porque tudo é Teu, ó Senhor, Amigo da vida!” Que título comovente: Amigo da vida!
Um Deus que somente é glorificado na nossa alegria, na nossa vida!
Um Deus que sorri com o sorriso de Zaqueu, um Deus que Se oferece para entrar na casa e no coração de um pecador perdido!
Quem dera que sejamos como Zaqueu; que desejemos vê-Lo, que abramos para Ele a nossa porta, que por Seu amor mudemos nossa atitude, como esse publicano.
São Paulo deseja, na segunda leitura de hoje, que o Nome de Jesus seja glorificado em nós, na nossa vida… Seria, será glorificado, se abrirmos essa nossa vida fechada, mesquinha e cansada para o Senhor. Ele vem a nós cada dia, Ele passa por nós de tantos modos: na Palavra, nos irmãos, nas situações, nos desafios, nos sofrimentos, nas provas…
Quem dera que O reconhecêssemos, como Zaqueu… Saber acolhê-Lo nas Suas vindas é glorificá-Lo agora e preparar-se bem para a Sua Vinda, no fim dos tempos, aquela da nossa união definitiva com Ele, de que fala o Apóstolo na leitura de hoje.
Que o Senhor nos dê a ânsia e a graça que concedeu a Zaqueu. Amém.

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

Liturgia do Dia – 29/10/2016

Lucas 14, 1.7-11“É preciso que cresçamos todos à estatura de Cristo e digamos como o apóstolo: ‘Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro’. Deixemos para trás a ilusão de ocupar o primeiro lugar diante os irmãos.”

Primeira leitura:  Filipenses 1, 18b-26

Salmo Responsorial:  41

Evangelho:  Lucas 14, 1.7-11