Liturgia do Dia

Liturgia do Dia – 12/02/2018

marcos 8, 11-13“A incredulidade arruma desculpas e pede sinais.  Jesus é o sinal absoluto do amor do Pai para conosco.  Mas, quem não crê não o reconhece.  Que sinal é o cristão para a humanidade agora?”

Primeira leitura:  Tiago 1,1-11

Salmo Responsorial:  118

Evangelho: Marcos 8, 11-13

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Liturgia do Dia

Liturgia do Dia – 11/02/2018

marcos 1, 40-45“O coração de Cristo é pleno de compaixão e transbordante de misericórdia.  Não se importa com o que vão dizer, pois para ele conta o direito à vida e à dignidade.  Seu gesto profundo de amor e de coragem devolveu a vida ao pobre leproso.”

Primeira leitura:  Levítico 13, 1-2.44-46

Salmo Responsorial: 31

Segunda leitura: 1Coríntios 10, 31-11,1

Evangelho:  Marcos 1, 40-45

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Meditação para o VI Domingo Comum, por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE.

Para nos guiar na meditação da Palavra de Deus deste hoje, tomemos o Evangelho que acabamos de ouvir. “Um leproso chegou perto de Jesus”. No tempo de Cristo, toda doença na pele que oferecesse perigo de contágio era considerada um tipo de lepra; tornava a pessoa impura. Ouvimos na primeira leitura: “O homem atingido por esse mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: ‘Impuro! Impuro!’ Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento”.
Eis! É alguém assim que se aproxima de Jesus: ferido, excluído do convívio da Assembléia de Israel, colocado fora da Cidade, um morto-vivo…
Um leproso não podia tocar as pessoas: elas se tornariam impuras como ele; um leproso não convivia com sua família, não podia entrar na Casa do Senhor para rezar com seus irmãos: era um ninguém: “Impuro! Impuro!” – ele gritava, com a barba coberta em sinal de luto e profunda tristeza…

É um homem assim que se aproxima de Jesus; tem a ousadia de chegar junto Dele, sem medo de ser repelido, repreendido, desprezado. E, do fundo de sua miséria, ele suplica: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Quanta confiança, quanta esperança! Que oração brotada do mais profundo da dor!
O que fará Jesus? Sua reação é absolutamente inesperada: Ele faz algo que a Lei proibia: “Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: ‘Eu quero: fica curado!’”
Notai, irmãos! O Senhor estendeu a mão, o Senhor tocou o leproso! Não precisava fazê-lo, não deveria fazê-lo! Segundo a Lei, porque tocou um impuro, Jesus deveria ficar impuro também, ao menos até o entardecer…
Por que tocou o leproso? Não poderia tê-lo curado sem tocá-lo? O próprio Evangelho explica: Ele teve compaixão! Quis estar próximo daquele miserável, quis que ele se sentisse amado, acolhido!
O Senhor não nos ama de longe, não vê de modo indiferente a nossa miséria: Ele Se faz próximo, Ele nos toca, Ele compartilha nossa dor! Assim Deus faz conosco! E, para nossa surpresa, ao invés da impureza contagiar Jesus, é Jesus que contagia o leproso com a Sua pureza!
Eis! O Reino chegou: em Jesus, Deus vai libertando a humanidade de toda sua lepra, da lepra do seu pecado!
Na ação de Jesus, compreendemos que o amor é mais forte que o egoísmo, que a luz é mais forte que a treva, que o bem é mais forte que o mal, que a graça é mais poderosa que o pecado, que a vida é capaz de vencer a morte!
“No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado”. Eis o bem, eis a graça, eis a salvação que o Senhor nos veio trazer! O Profeta Isaías, havia anunciado: “Ele tomou sobre Si as nossas dores, Ele carregou-Se com os nossos pecados! Era nossas enfermidades que Ele levava sobre Si, as nossas dores que Ele carregava (Is 53,4-5).
Jesus curou o leproso e o Evangelho diz que Ele “não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos.” Vede bem que, com essa linguagem, o Evangelho deseja afirmar que Cristo, curando o leproso, assumiu o seu lugar: agora, o homem que antes vivia nos lugares desertos, entra na cidade, volta a ser alguém; quanto a Jesus, fica fora, assume o lugar do homem: tomou sobre Si as nossas dores!

Caríssimos, um grande mal da nossa época, uma grande ilusão, é achar que não temos pecado, pensar que somos maduros e integrados. Não somos capazes de reconhecer nossas lepras, somos incapazes de suplicar, de joelhos: “Senhor, se queres, podes curar-me!” E por que isso? Porque somos autossuficientes e autorreferenciais: olhamo-nos, examinamo-nos não à luz do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, mas à luz de nós mesmos, de nossa ilusões, das modas do politicamente correto, da ditadura do relativismo, que domina até certos setores da Igreja, trocando a Verdade do Evangelho pela mentira do mundo. Pensamos que somos senhores do bem e do mal, do certo e do errado!
É tão comum vivermos de modo contrário à vontade do Senhor e ainda, cheios de orgulho e soberba, dizermos que estamos certos… É tão comum querermos moldar Jesus e a Sua Palavra à nossa vontade… É tão frequente a ilusão de que podemos jogar na lata do lixo o perene e constante ensinamento da Igreja, sobretudo no campo moral… E, assim, vamos construindo nossa vidinha do nosso modo, modo de pecado, modo de lepra, modo de doença: doença da frieza, da descrença, da indiferença, da falta de fé!

Reconheçamo-nos pecadores, meus caros! Mostremos ao Senhor a nossa lepra!
Como fazê-lo? Primeiramente, deixando que Sua Palavra nos fale e nos mostre nossos erros, nossas manhas, nossos males. Depois, à luz da Palavra do Senhor, façamos, com frequência, o sincero exame de consciência e tenhamos a coragem de olhar de frente o que pensamos, falamos e fazemos contrário ao Senhor. Finalmente, sinceramente arrependidos, procuremos o Senhor no sacramento da Confissão e, confessando nossos pecados, busquemos o perdão, a cura do Cristo, nosso Deus.
Quantas vezes evitamos a Confissão! Em algumas regiões, ainda, quantas vezes cristãos fogem do Senhor na tal da Confissão comunitária, desobedecendo às normas da Igreja, que só a permitem em casos raros e muito graves! A Confissão, então, é inválida e acrescentamos aos pecados cometidos, mais estes: a desobediência à norma de Igreja e a soberba de nos julgar autossuficientes… Deveríamos aprender do Salmista, na Missa de hoje: “Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta Vos fiz conhecer. Disse: ‘Eu irei confessar meu pecado!’ E perdoastes, Senhor, minha falta!” Mas, não! Teimamos em não levar a sério nosso próprio pecado! Julgamo-nos juízes de Deus e da Igreja! Terminamos, então por comungar indignamente, esquecendo que a Eucaristia, se traz vida para quem a recebe bem, traz também morte para quem não a recebe com as devidas disposições… Recordai-vos da Sequência da Solenidade de Corpus Christi? O que diz, o que canta a Igreja? Eis:

“Dá-Se ao bom como ao perverso,
mas o efeito é bem diverso:
vida e morte traz em Si!

Pensa bem: igual comida,
se ao que é bom enche de Vida,
traz a Morte para o mau!”

Caros meus em Cristo, chega de um cristianismo morno, chega da falta de coragem de nos olharmos de frente!
– Senhor, cura-nos!
Senhor, somos leprosos, somos pecadores;
nossos pecados mancham não a nossa pele, mas o nosso coração, o mais profundo da nossa alma!
Senhor, de joelhos, como o leproso do Evangelho, Te suplicamos:
cura-nos e seremos curados!
Dá-nos a graça de reconhecer nossos pecados;
reconhecendo-os, dá-nos a coragem e sinceridade de confessá-los;
confessando-os, dá-nos a graça de experimentar Teu perdão,
de cumprir generosamente a penitência
e de procurar com responsabilidade emendar a nossa vida!
Tem piedade de nós, ó Autor da graça e Doador do perdão!
A Ti a glória para sempre! Amém.

Liturgia do Dia

Liturgia do Dia – 10/02/2018

marcos 7, 31-37“A infidelidade gera desunião em nossos relacionamentos e em nossa Comunidade-Igreja; e Deus reconstrói seu povo a partir daqueles que lhe são fiéis.  Porém, é preciso que o Cristo seja, de fato, o centro de nossas vidas.”

Primeira leitura:  1Reis 11, 29-32; 12,19

Salmo Responsorial:  80

Evangelho:  Marcos 7, 31-37

Liturgia do Dia

Liturgia do Dia – 09/02/2018

marcos 7, 31-37“A infidelidade gera desunião em nossos relacionamentos e em nossa Comunidade-Igreja; e Deus reconstrói seu povo a partir daqueles que lhe são fiéis.  Porém, é preciso que o Cristo seja, de fato, o centro de nossas vidas.”

Primeira leitura:  1Reis 11, 29-32; 12,19

Salmo Responsorial:  80

Evangelho:  Marcos 7, 31-37

Liturgia do Dia

Liturgia do Dia – 08/02/2018

marcos 7, 24-30“Salomão desviou-se do caminho de fidelidade, que gera a vida.  A infidelidade gera a morte.  Jesus ensina-nos a ser fiéis para que tenhamos a vida e a plena liberdade.  Compreendamos, pois, o que nos faz ganhar a misericórdia.”

Primeira leitura:  1Reis 11, 4-13

Salmo Responsorial:  105

Evangelho:  Marcos 7, 24-30

Catequese do Papa Francisco

A Catequese do Papa Francisco – 07/02/2018

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CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Continuamos com as catequeses sobre Santa Missa. Chegamos às Leituras.

O diálogo entre Deus e o seu povo, desenvolvido na Liturgia da Palavra da Missa, atinge o ápice na proclamação do Evangelho. Precede-o o canto do Aleluia – ou, na Quaresma, uma outra aclamação – com que “a assembleia dos fiéis acolhe e saúda o Senhor que está para falar no Evangelho” [1]. Como os mistérios de Cristo iluminam toda a revelação bíblica, assim, na Liturgia da Palavra, o Evangelho constitui a luz para compreender o sentido dos textos bíblicos que o precedem, seja do Antigo seja do Novo Testamento. De fato, “de toda a Escritura, como de toda celebração litúrgica, Cristo é o centro e a plenitude”[2]. Sempre no centro está Jesus Cristo, sempre.

Por isso a própria liturgia distingue o Evangelho das outras leituras e o circunda de particular honra e veneração. [3] De fato, a sua leitura é reservada ao ministro ordenado, que termina beijando o livro; coloca-se à escuta em pé e se traça um sinal da cruz na testa, na boca e no peito; as velas e o incenso honram Cristo que, mediante a leitura evangélica, faz ressoar a sua eficaz palavra. Destes sinais, a assembleia reconhece a presença de Cristo que lhe dirige a “boa notícia” que converte e transforma. É um discurso direto aquele que acontece, como atestam as aclamações com que se responde à proclamação: “Glória a ti, ó Senhor” e “Louvor a ti, ó Cristo”. Nós nos levantamos para ouvir o Evangelho: é Cristo que nos fala, ali. E por isso nós estamos atentos, porque é um colóquio direto. É o Senhor que nos fala.

Portanto, na Missa, não lemos o Evangelho para saber como foram as coisas, mas ouvimos o Evangelho para tomar consciência que aquilo que Jesus fez e disse uma vez; e aquela Palavra é viva, a Palavra de Jesus que está no Evangelho é viva e chega ao meu coração. Por isso ouvir o Evangelho é tão importante, com coração aberto, porque a Palavra é viva. Escreve Santo Agostinho que “a boca de Cristo é o Evangelho. Ele reina no céu, mas não cessa de falar na terra”. [4] Se é verdade que na liturgia “Cristo anuncia ainda o Evangelho”, [5] segue que, participando da Missa, devemos dar-lhe uma resposta. Nós ouvimos o Evangelho e devemos dar uma resposta na nossa vida.

Para fazer chegar a sua mensagem, Cristo se serve também da palavra do sacerdote que, depois do Evangelho, faz a homilia. [6] Recomendada vivamente pelo Concílio Vaticano II como parte da própria liturgia, [7] a homilia não é um discurso de circunstância – nem mesmo uma catequese como esta que estou fazendo agora – nem uma conferência nem uma lição, a homilia é outra coisa. O que é a homilia? É “um retomar aquele diálogo que já está aberto entre o Senhor e o seu povo”, [8] a fim de que encontre cumprimento na vida. A autêntica exegese do Evangelho é a nossa vida santa! A palavra do Senhor termina o seu curso fazendo-se carne em nós, traduzindo-se em obras, como aconteceu em Maria e nos santos. Recordem-se daquilo que eu disse da última vez, a Palavra do Senhor entra pelos ouvidos, chega ao coração e vai às mãos, às boas obras. E também a homilia segue a Palavra do Senhor e faz também este percurso para nos ajudar a fim de que a Palavra do Senhor chegue às mãos, passando pelo coração.

Já tratei desse assunto da homilia na Exortação Evangelii gaudium, onde recordava que o contexto litúrgico “exige que a pregação oriente a assembleia, e também o pregador, para uma comunhão com Cristo na Eucaristia que transforme a vida”[9].

Quem faz a homilia deve cumprir bem o seu ministério – aquele que prega, o sacerdote, ou o diácono ou o bispo -, oferecendo uma real serviço a todos aqueles que participam da Missa, mas também quantos ouvem devem fazer a sua parte. Antes de tudo prestando atenção, assumindo, isso é, as justas disposições interiores, sem pretensões subjetivas, sabendo que cada pregador tem qualidades e limitações. Se às vezes há motivo de chatear-se pela homilia longa ou não centrada ou incompreensível, às vezes é, em vez disso, o preconceito a fazer o obstáculo. E quem faz a homilia deve ser consciente de que não está fazendo uma coisa própria, está pregando, dando voz a Jesus, está pregando a Palavra de Jesus. E a homilia deve ser bem preparada, deve ser breve, breve! Dizia-me um sacerdote que uma vez foi a outra cidade onde moravam os pais e o pai lhe disse: “Sabe, estou contente, porque com os meus amigos encontramos uma igreja onde se faz a Missa sem homilia!”. E quantas vezes nós vemos que na homilia alguns adormecem, outros conversam ou saem para fumar um cigarro…Por isso, por favor, que seja breve, a homilia, mas que seja bem preparada. E como se prepara uma homilia, queridos sacerdotes, diáconos, bispos? Como se prepara? Com a oração, com o estudo da Palavra de Deus e fazendo uma síntese clara e breve, não deve ir além de 10 minutos, por favor. Concluindo, podemos dizer que na Liturgia da Palavra, através do Evangelho e da homilia, Deus dialoga com o seu povo, o qual O escuta com atenção e veneração e, ao mesmo tempo, O reconhece presente e operante. Se, portanto, nos colocamos à escuta da “boa notícia”, por essa seremos convertidos e transformados, portanto, capazes de mudar a nós mesmos e o mundo. Por que? Porque a Boa Notícia, a Palavra de Deus, entra pelos ouvidos, vai ao coração e chega às mãos para fazer boas obras.
_________________________________
[1] Instrução Geral do Missal Romano, 62.

[2] Introdução ao Lecionário, 5.

[3] Cfr Instrução Geral do Missal Romano, 60 e 134.

[4] Sermão 85, 1: PL 38, 520; cf. também Tratado sobre evangelho de João, XXX, I: PL 35, 1632; CCL 36, 289

[5] Conc. Ecum. Vat. II, Cost. Sacrosanctum Concilium, 33.

[6] Cfr Instrução Geral do Missal Romano, 65-66; Introdução ao Lecionário, 24-27.

[7] Cfr Conc. Ecum. Vat. II, Cost. Sacrosanctum Concilium, 52.

[8] Exort. ap. Evangelii gaudium, 137.

[9] Ibid., 138.