Liturgia do Dia – 11/07/2016

mateus 10, 34-11,1“A Palavra do Senhor nos purifica, pois nos faz compreender o sublime sentido da vida.  Ela é transformadora e ilumina nossas escolhas.  Seu amor nos provoca e nos tira a acomodação.”

Primeira leitura:  Isaías 1, 10-17

Salmo Responsorial:  49

Evangelho:  Mateus 10, 34-11,1

Liturgia do Dia – 10/07/2016

Lucas 10, 25-37“O Senhor se aproxima de nós com sua Palavra Libertadora.  Quem se deixa conduzir por ela encontrará a vida, a paz e se guiará por seu amor libertador.  O Senhor quer habitar junto de nós.”

Primeira leitura:  Deuteronômio 30, 10-14

Salmo Responsorial: 188

Segunda leitura:  Colossenses 1, 15-20

Evangelho:  Lucas 10, 25-37

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Meditação para este XV Domingo Comum

Por Dom Henrique Soares da Costa (*)

A Palavra de Deus proposta neste Domingo é surpreendente. Tudo começa com uma pergunta que, apesar de mal intencionada, é válida, necessária, sempre urgente; pergunta que brota do mais profundo da nossa angústia: “Que devo fazer para receber a vida? Como devo viver para viver de verdade, para que minha vida valha a pena e não seja uma paixão inútil?”

Apesar de um mundo que procura nos distrair dessa pergunta, não há como sufocá-la, como fazer de conta que ela não perturba nosso coração! Pelo amor de Deus, responda o mundo tão animado e cheio de distrações: onde está a felicidade duradoura?
Onde está a Vida, a realização da existência? Que caminho seguir, para ser feliz de verdade?

Jesus indica o caminho: “O que está escrito na Torah? Como lês?” – Aqui, há algo importantíssimo. Jesus está falando com um escriba judeu; por isso, manda-o à Lei de Moisés. Uma coisa Ele quer deixar clara: a vida não está no homem, mas na vontade de Deus! O homem somente será feliz, somente encontrará a Vida se procurar lealmente a vontade de Deus. Por isso, no Salmo 118, o Salmista pede, de modo comovente: “Sou apenas peregrino sobre a terra; de mim não oculteis Vossos preceitos!”
Perder de vista o projeto de Deus para nós, é perder de vista a própria vida, o sentido da existência! Não esqueçamos, para não sermos enganados: fechados para a vontade do Senhor, não encontraremos a realização verdadeira! E este é o drama do mundo atual, que se julga maior de idade e, portanto, independente de Deus. Na verdade, é um mundo ateu, porque é um mundo autossuficiente, que só confia de verdade na sua filosofia, na sua tecnologia, na sua racionalidade pagã e na sua moral fechada para o Infinito!

Ao invés, Jesus nos força a abrir o coração para o Alto, para o Altíssimo; convida-nos a respirar fundo o ar novo e puro, que brota das narinas de Deus e dá novo alento ao ser humano cansado e envelhecido pelo pecado! “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência”.
Esta abertura para Deus dilata e realiza o coração humano, que foi criado para dar e receber amor, amor na relação com Deus, que desemboca, generoso, no amor em relação aos outros: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. – “Faze isto e viverás!” Os filósofos ateus dos séculos XIX e XX – de Feuerbach a Sartre – gostavam de insistir que Deus escraviza o homem, desumaniza a humanidade, impedindo-a de ser ela própria, de ser feliz. É mentira! É um triste mal-entendido! A verdadeira abertura para Deus nos faz crescer, nos faz superar nossos estreitos limites, nos lança de verdade em relação a Deus e nos compromete com os outros! Os mandamentos de Deus realizam o mais profundo anseio do nosso coração, que é a vida: “Converte-te ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma! Na verdade, o mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance!” O próprio Deus – acreditem – nos deu o desejo e a capacidade de amar ao nos criar à Sua imagem!

Jesus insiste ainda em algo muito importante: nossa relação com Deus, se é verdadeira, deve abrir-nos aos irmãos: “Quem é o meu próximo?” – A resposta de Jesus é clara: nosso próximo são aqueles que a vida fez próximos de nós. Nosso próximo são os próximos! Ou os amamos de verdade, ou não há próximo para amar. O próximo viraria uma ideia abstrata e sem valor algum. Não esqueçamos: o próximo tem rosto, tem cheiro, tem problemas e, às vezes, nos incomoda, nos atrapalha, nos desafia, nos causa raiva e contradição. É este próximo, concreto como uma rocha, que eu devo amar! Um judeu deve amar o próximo como a si mesmo: é isto que está escrito na Lei. Um cristão, não! Ele deve amar o próximo como Jesus: até dar a vida: “Amai-vos como Eu vos amei! Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, façais vós também!” (Jo 13,34.15).

Recordemos que o próprio Senhor nos deu o exemplo; Ele mesmo Se fez próximo de nós: sendo Deus Se fez homem, veio viver a nossa aventura, partilhar a nossa sorte, para nos dar a Sua Vida: “Cristo é a imagem do Deus invisível… Porque Deus quis habitar Nele com toda a Sua plenitude”. Ele não viu nossa miséria de longe: Ele desceu e veio viver a nossa vida, fazendo-Se Deus conosco! Por isso, ele é o verdadeiro Bom Samaritano, o verdadeiro modelo daquele que se faz próximo: viu-nos à margem do caminho da vida; viu-nos roubados e despojados de nossa dignidade de imagem de Deus; viu-nos totalmente perdidos… Ele Se compadeceu de nós, desceu à nossa miséria, fez-Se homem, para nos curar e elevar. Nele, se revela a plenitude do amor a Deus e aos outros: “Deus quis por Ele reconciliar consigo todos os seres que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da Sua cruz”.  Então, somente em Cristo, encontramos a vida verdadeira e a realização pela qual tanto almejamos. Só Ele nos reconcilia com Deus e no abre uns para os outros, aproximando-nos no Seu amor!

Quando os cristãos não conseguem viver isso, quando não conseguem deixar que essa realidade maravilhosa transpareça, é porque estão sendo infiéis, estão sendo uma caricatura de discípulos do Senhor Jesus. Que responsabilidade a nossa! Saiamos daqui, hoje, com essa pergunta: quem são os meus próximos? Que tenho feito com eles?
Pensemos em Jesus que veio ser próximo, e ainda Se faz próximo, hoje, em cada Eucaristia.
Pensemos Nele: “Vai, tu também, e faze o mesmo!” Amém.

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

Liturgia do Dia – 07/07/2016

Mateus 10, 7-15“Quando Deus nos fala, revela-nos seu amor e nos chama para a comunhão com Ele.  Quem vive em comunhão pratica o bem e a justiça e parte para missão: ‘Anunciai! O Reino está próximo'”.

Primeira leitura:  Oseias  11, 1-4.8c-9

Salmo Responsorial:  79

Evangelho:  Mateus 10, 7-15

A Paz de um sorriso

Hna_Cecilia-Carmelo_Santa_Fe-6Há alguns dias, os participantes das redes sociais do mundo inteiro foram surpreendidos pela história de uma Carmelita que, segundo as primeiras informações, teve registrado seu belo sorriso, logo após a sua morte.

Sem dúvidas a história chamou a atenção de todos, haja vista que para o senso comum tratava-se de algo extraordinário.  Todavia o fato não era verídico e escondia o que realmente há de magistral por trás da vida da Irmã Cecilia María, do Monastério das Carmelitas Descalças, de Santa Fé, na Argentina, e que serve de exemplo para todos nós.

Importa desde logo esclarecer que o famoso registro fotográfico corresponde a um dos dias que precederam a sua morte, quando em agonia, ainda lutava contra um câncer recém- descoberto, mas que já apresentava metástases. Assim, para começo de conversa o que há de extraordinário nessa história começa exatamente aqui.

Irmã Ceci, como era chamada por suas irmãs do Monastério, tinha apenas 42 anos, lutava contra uma doença em estado avançado, e, sim, sorria e celebrava o dom da vida, deixando-se amar por Deus e por todas as pessoas as quais conviveu; transformou-se num canal de amor para todos.

Não há, até o momento, registros do seu cotidiano, transparecendo que toda a sua vida e paixão transcorreu dentro da normalidade, certamente, porque, o diferencial em sua história, foi saber despojar-se de si mesma, para Deus e para o próximo.  E é justamente essa entrega que fez dela, não a freira que morreu sorrindo, mas a que viveu sorrindo.

A alegria da experiência com Deus não só a preparou para morte, mas a fez transbordar vida, mesmo diante de seu estado terminal, quando seu único desejo foi que fizessem uma forte oração e uma grande festa para todos, ressaltando que não se esquecessem de orar e de celebrar.

Assim, o sorriso da Irmã Cecilia María revela na realidade o essencial, pois nos diz: Eu estou com Deus, e Deus comigo está!

Michelle Figueiredo Neves
Ministra do Acolhimento

Artigo publicado no Portal da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro em 06/07/2016 – para acessar clique aqui

Liturgia do Dia – 05/07/2016

mateus 9, 32-38“A Palavra nos chama à fidelidade da Aliança que Deus fez conosco, e a plenitude dessa Aliança é Jesus.  Essa Aliança fortalece nossa fé, mas também nos envia em missão, ao anuncio do amor que liberta.”

Primeira leitura:  Oséias 8,4-7.11-13

Salmo Responsorial:  113

Evangelho:  Mateus 9, 32-38

Liturgia do Dia – 04/07/2016

mateus 9, 18-26“O Senhor vem, com sua Palavra, tocar em nós para nos alertar e nos exortar para que percebamos seu amor e sua presença.  Acolher a Palavra é acolher a vida que vem de Deus, Acolhamos, pois, o Senhor.”

Primeira leitura:  Oséas 2, 16. 17 b-18.21-22

Salmo Responsorial:  144

Evangelho:  Mateus 9, 18-26

Liturgia do Dia – 03/07/2016

mateus 16, 13-19“A Palavra acolhida na fé tem força transformadora.  Conduz o cristão e todo o povo do Senhor no caminho do Reino, levando-o a professar a fé em Cristo como o apóstolo Pedro:  ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo'”.

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 12, 1-11

Salmo Responsorial:  33

Segunda leitura:  2Timóteo 4,6-8.17-18

Evangelho:  Mateus 16, 13-19

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Meditação para São Pedro e São Paulo

Por Dom Henrique Soares da Costa (*)

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. – Estas palavras que o Missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de São Pedro e são Paulo.
A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.

Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado.
Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram.

Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de Sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a Ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o Imperador Nero por volta do ano 64.

Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez Seu apóstolo.
Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do Império Romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da Sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o Imperador Nero por volta do ano 67.

O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo.
Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho…
Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o Seu anjo para me libertar…”
Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”.
Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo!
Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo!
Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da Cruz e da esperança da Ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.

Finalmente, ambos derramaram o Sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”.
Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos Seus sofrimentos, unindo a Ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de Sua Glória.
Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.

Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro.
Alguns loucos, dizem, deturpando totalmente a Escritura, que ela é a Grande Prostituta, a Babilônia, confundindo, por ignorância ou malícia, a Roma imperial com a Roma dos Apóstolos! Nós sabemos que ela é a Esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste.
Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma.

Hoje, a missão de Pedro é exercida por Francisco, o Papa de Roma.
Ao Santo Padre, nossa adesão na fé, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o Papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho. Nossos sentimentos em relação ao Papa não podem ser orientados por simpatia ou antipatia, afinidade ideológica maior ou menor; nossa adesão à Cátedra de Pedro é por convicção de fé que nos Sucessores de Pedro na Sé romana o Senhor instituiu o princípio da unidade na verdadeira fé católica e na caridade. Mais que uma pessoa, o ministério petrino é uma instituição, um ministério de guardião último da fé e da caridade na Igreja de Cristo. O Papa não é o dono da Igreja, mas o primeiro que deve servi-la; não é o dono da doutrina católica, mas seu primeiro guardião, fiel à constante Tradição apostólica, viva na Santa Igreja!

Rezemos, hoje, pelo nosso Papa! Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, sabedoria e discernimento, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os Santos Apóstolos derramaram o próprio sangue.
Ao Senhor, que é admirável nos Seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

*Bispo Diocesano de Palmares/PE

Liturgia do Dia – 01/07/2016

Mateus 9, 9-13“Jesus diz àqueles que se opunham porque acolhia pecadores: ‘Aqueles que têm saúde não precisam de médico. Quero misericórdia e não sacrifício’. E para nós, o que Ele nos diz?”

Primeira leitura:  Amós 8, 4-6.9-12

Salmo Responsorial:  118

Evangelho:  Mateus 9, 9-13

Liturgia do Dia – 30/06/2016

Mateus 9, 1-8“Querem calar o profeta, mas ele continua a profetizar sem receio, pois essa é a sua missão.  O povo entende bem mais depressa as coisas de Deus e o glorifica, mas os poderosos resistem em sua soberba.”

Primeira leitura:  Amós 7, 10-17

Salmo Responsorial:  18

Evangelho: Mateus 9, 1-8

Homilia do Papa na Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo

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HOMILIA
Bênção dos pálios e celebração eucarística na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo  
Basílica Vaticana
Quarta-feira, 29 de junho de 2016

Boletim da Santa Sé 

Nesta liturgia, a Palavra de Deus contém um binômio central: fechamento/abertura. E, relacionado com esta imagem, está também o símbolo das chaves, que Jesus promete a Simão Pedro para que ele possa, sem dúvida, abrir às pessoas a entrada no Reino dos Céus, e não fechá-la como faziam alguns escribas e fariseus hipócritas que Jesus censura (cf. Mt 23,13).

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12,1-11) apresenta-nos três fechamentos: o de Pedro na prisão; o da comunidade reunida em oração; e – no contexto próximo da nossa perícope – o da casa de Maria, mãe de João chamado Marcos, a cuja porta foi bater Pedro depois de ter sido libertado.

Vemos que a principal via de saída dos fechamentos é a oração: via de saída para a comunidade, que corre o risco de se fechar em si mesma por causa da perseguição e do medo; via de saída para Pedro que, já no início da missão que o Senhor lhe confiara, é lançado na prisão por Herodes e corre o risco de ser condenado à morte. E enquanto Pedro estava na prisão, «a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). E o Senhor responde à oração com o envio do seu anjo para o libertar, «arrancando-o das mãos de Herodes» (cf. v. 11). A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos.

O próprio Paulo, ao escrever a Timóteo, fala da sua experiência de libertação, de saída do perigo de ser ele também condenado à morte; mas o Senhor esteve ao seu lado e deu-lhe força para poder levar a bom termo a sua obra de evangelização dos gentios (cf. 2 Tm 4, 17). Entretanto Paulo fala duma «abertura» muito maior, para um horizonte infinitamente mais amplo: o da vida eterna, que o espera depois de ter concluído a «corrida» terrena. Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda «em saída» por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele «a salvo para o seu Reino celeste» (v. 18).

Voltemos a Pedro… A narração evangélica (Mt 16, 13-19) da sua confissão de fé e consequente missão a ele confiada por Jesus mostra-nos que a vida do pescador galileu Simão – como a vida de cada um de nós – se abre, desabrocha plenamente quando acolhe, de Deus Pai, a graça da fé. E Simão põe-se a caminhar – um caminho longo e duro – que o levará a sair de si mesmo, das suas seguranças humanas, sobretudo do seu orgulho misturado com uma certa coragem e altruísmo generoso. Decisiva neste seu percurso de libertação é a oração de Jesus: «Eu roguei por ti [Simão], para que a tua fé não desapareça» (Lc 22, 32). E igualmente decisivo é o olhar cheio de compaixão do Senhor depois que Pedro O negou três vezes: um olhar que toca o coração e liberta as lágrimas do arrependimento (cf. Lc 22, 61-62). Então Simão Pedro foi liberto da prisão do seu eu orgulhoso, do seu eu medroso, e superou a tentação de se fechar à chamada de Jesus para O seguir no caminho da cruz.

Como já aludi, no contexto próximo da passagem lida dos Atos dos Apóstolos, há um detalhe que pode fazer-nos bem considerar (cf. 12, 12-17). Quando Pedro, miraculosamente liberto, se vê fora da prisão de Herodes, vai ter à casa da mãe de João chamado Marcos. Bate à porta e, de dentro, vem atender uma empregada chamada Rode, que, tendo reconhecido a voz de Pedro, em vez de abrir a porta, incrédula e conjuntamente cheia de alegria corre a informar a patroa. A narração, que pode parecer cômica – e pode ter dado início ao chamado «complexo de Rode» –, deixa intuir o clima de medo em que estava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus. Pedro bate à porta. – «Vai ver quem é!» Há alegria, há medo… «Abrimos ou não?» Entretanto ele corre perigo, porque a polícia pode prendê-lo. Mas o medo paralisa-nos, sempre nos paralisa; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos duma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: Lucas diz que, naquela casa, «numerosos fiéis estavam reunidos a orar» (v. 12). A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade. Sim, digamo-lo hoje com confiança, juntamente com os nossos irmãos da Delegação enviada pelo amado Patriarca Ecumênico Bartolomeu para participar na festa dos Santos Padroeiros de Roma. Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitas que vieram para a bênção dos Pálios, que lhes serão impostos pelos meus Representantes nas respetivas Sedes.

Os Santos Pedro e Paulo intercedam por nós para podermos realizar com alegria este caminho, experimentar a ação libertadora de Deus e a todos dar testemunho dela.

Liturgia do Dia – 28/06/2016

mateus 8, 23-27“O Senhor nos repreende com seu amor e sua misericórdia, pois deseja somente nosso bem.  Muitas coisas podem nos desviar do caminho da verdade de Cristo, como o mar bravio, mas Ele estará sempre ao nosso lado para nos socorrer.”

Primeira leitura:  Amós 3, 1-8; 4, 11-12

Salmo Responsorial:  5

Evangelho:  Mateus 8, 23-27

Liturgia do Dia – 27/06/2016

mateus 8, 18-22“Os pobres são consequência de uma sociedade injusta que não dá ao outro o que lhe é de direito.  Por isso, o seguimento de Cristo é exigente e não pode ser entusiasmo de momento.  É opção de vida por Ele.”

Primeira leitura:  Amós 2, 6-10.13-16

Salmo Responsorial:  49

Evangelho:  Mateus 8, 18-22

Liturgia do Dia – 26/06/2016

Lucas 9, 51-56“O chamado de Jesus independe de tempo, lugar e espaço.  Isso significa que ela acontece na dinâmica do dia a dia.  É no cotidiano da vida que se descobre o extraordinário.  Ser discípulos é ser verdadeiramente livre para amar e servir.”

Primeira leitura:  1Reis 19, 16b.19-21

Salmo Responsorial:  15

Segunda leitura:  Gálatas 5, 1.13-18

Evangelho:  Lucas 9, 51-62

Liturgia do Dia – 24/06/2016

Lucas 1, 57-66.80“A vontade salvífica de Deus realiza-se entre nós, mesmo diante das oposições e diversidades.  Sua vontade é seu próprio Filho, que nos deu como prova de seu extremo amor por nós, e que João anunciou com humildade.”

Primeira leitura:  Isaías 49,  1-6

Salmo Responsorial:  138

Segunda leitura:  Atos dos Apóstolos 13, 22-26

Evangelho:  Lucas 1, 57-66.80

 

Liturgia do Dia – 23/06/2016

Mateus 7, 21-29“A Palavra do Senhor nos orienta na história do mundo e nos faz tomar consciência de nossas responsabilidades.  Nossa vida deve, na fé, ser construída sobre a verdade de Deus e não na do mundo.”

Primeira leitura: 2Reis 24, 8-17

Salmo Responsorial: 78

Evangelho:  Mateus 7, 21-29

A Catequese do Papa Francisco – 22/06/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 22 de junho de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

“Senhor, se queres, podes purificar-me!” (Lc 5, 12): é o pedido que ouvimos um leproso dirigir a Jesus. Este homem não pede somente para ser curado, mas para ser purificado, isso é, curado integralmente, no corpo e no coração. De fato, a lepra era considerada uma forma de maldição de Deus, de impureza profunda. O leproso devia ficar longe de todos; não podia ir ao templo e nem a nenhum serviço divino. Longe de Deus e longe dos homens. Triste vida tinha esse povo!

Apesar disso, aquele leproso não se resigna nem à doença nem às disposições que fazem dele um excluído. Para alcançar Jesus, não teve medo de infligir a lei e entrou na cidade – o que não devia fazer, era-lhe vedado – e quando o encontrou “jogou-se diante dele rezando: Senhor, se queres, podes purificar-me” (v. 12). Tudo aquilo que este homem considerado impuro faz e diz é expressão da sua fé! Reconhece o poder de Jesus: está seguro que tenha o poder de curá-lo e que tudo depende da sua vontade. Esta fé é a força que lhe permitiu romper toda convenção e procurar o encontro com Jesus e, ajoelhando-se diante Dele, o chama “Senhor”. A súplica do leproso mostra que quando nos apresentamos a Jesus não é necessário fazer longos discursos. Bastam poucas palavras, mas que sejam acompanhadas da plena confiança na sua onipotência e na sua bondade. Confiar-nos à vontade de Deus significa de fato confiar na sua infinita misericórdia. Também eu farei uma confidência pessoal. À noite, antes de ir pra cama, rezo esta breve oração: “Senhor, se queres, podes purificar-me!”. E rezo cinco “Pai Nosso”, um por cada chaga de Jesus, porque Jesus nos purificou com as chagas. Mas se eu faço isso, vocês também podem fazer, na casa de vocês, e dizer: “Senhor, se queres, podes purificar-me!” e pensar nas chagas de Jesus e rezar um “Pai Nosso” para cada uma delas. E Jesus nos escuta sempre.

Jesus é profundamente atingido por esse homem. O Evangelho de Marcos destaca que “teve compaixão, tomou-o pela mão, tocou-o e lhe disse: ‘Eu quero, seja purificado!’” (1, 41). O gesto de Jesus acompanha as suas palavras e torna mais explícito o ensinamento. Contra as disposições da Lei de Moisés, que proibia aproximar-se de um leproso (cfr Lv 13, 45-46), Jesus estende a mão e o toca. Quantas vezes nós encontramos um pobre que vem ao nosso encontro! Podemos também ser generosos, podemos ter compaixão, porém muitas vezes não os tocamos. Nós oferecemos a eles a moeda, a colocamos ali, mas evitamos tocar a mão. E esquecemos que aquilo é o corpo de Cristo! Jesus nos ensina a não ter medo de tocar o pobre e excluído, porque Ele está neles. Tocar o pobre pode purificar-nos da hipocrisia e nos tornar inquietos pela sua condição. Tocas os excluídos. Hoje me acompanham estes rapazes. Tantos pensam que seria melhor que eles tivessem permanecido em suas terras, mas ali sofriam tanto. São os nossos refugiados, mas tantos os consideram excluídos. Por favor, são os nossos irmãos! O cristão não exclui ninguém, dá lugar a todos, deixa vir todos.

Depois de ter curado o leproso, Jesus manda que não contem a ninguém, mas lhe diz: “Vá mostrar-te ao sacerdote e faz a oferta pela tua purificação como Moisés prescreveu, como testemunho para eles” (v. 14). Esta disposição de Jesus mostra ao menos três coisas. A primeira: a graça que age em nós não busca o sensacionalismo. Ela se move com discrição e sem clamor. Para medicar as nossas feridas e nos curar no caminho da santidade essa trabalha modelando pacientemente o nosso coração sobre o Coração do Senhor, de forma a assumir-lhes sempre mais os pensamentos e os sentimentos. A segunda: fazendo verificar oficialmente a cura ocorrida aos sacerdotes e celebrando um sacrifício expiatório, o leproso é reinserido na comunidade dos crentes e na vida social. A sua reintegração completa a cura. Como ele mesmo tinha suplicado, agora está completamente purificado! Enfim, apresentando-se aos sacerdotes, o leproso dá a eles testemunho a respeito de Jesus e à sua autoridade messiânica. A força da compaixão com que Jesus curou o leproso levou a fé deste homem a abrir-se à missão. Era um excluído, agora é um de nós.

Pensemos em nós, em nossas misérias…Cada um tem as próprias. Pensemos com sinceridade. Quantas vezes as cobrimos com a hipocrisia das “boas maneiras”. E justamente então é necessário estar sozinhos, colocar-se de joelho diante de Deus e rezar: “Senhor, se queres, podes purificar-me!”. E fazê-lo antes de ir pra cama, todas as noites. E agora digamos juntos esta bela oração: “Senhor, se queres, podes purificar-me”.