O leigo na Igreja

orani 1No ano passado comemoramos os 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II. Foi um evento assistido pelo Espírito Santo que marcou o nosso século XX.  Como consequência muitos temas que resultaram em documentos conciliares foram novamente comentados e aprofundados. Um desses temas é sobre o Cristão Leigo. Temos oportunidade de celebrar todos os anos dois momentos para essa reflexão: no mês de agosto, refletindo sobre a vocação do leigo nos vários ministérios na Igreja, e em novembro, na festa solene de Cristo Rei, quando comemoramos o Dia do Leigo, recordando a sua missão no mundo.

O Papa Francisco enviou uma mensagem no dia 12 de novembro do ano passado aos participantes de uma jornada de estudo, promovida pelo Pontifício Conselho para os Leigos, com a colaboração da Pontifícia Universidade Santa Cruz, sobre o tema: “Vocação e missão dos leigos”. Este encontro procurou comemorar o 50º ano do decreto conciliar Apostolicam Actuositatem.

Os leigos são todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja, isto é, os que foram incorporados a Cristo pelo Batismo, que formam o Povo de Deus, e que participam da função sacerdotal, profética e régia de Cristo.

Os cristãos leigos estão na linha mais avançada da vida da Igreja, e devem ter uma consciência clara, não somente de pertencerem à Igreja, mas de “serem” Igreja, isto é, a comunidade dos fiéis na Terra sob a direção do chefe comum, o Papa, e dos Bispos em comunhão com eles. Eles são a Igreja! Acredito que o grande desafio do Cristão Leigo é no seguimento de Cristo no meio do mundo, “sentir com a Igreja” e agir com coerência segundo o Evangelho.

O leigo tem como vocação própria procurar o Reino de Deus, exercendo funções no mundo, no trabalho, mas ordenando-as segundo o plano e a vontade de Deus. Cristo os chama a ser “sal da terra e luz do mundo”. O cristão leigo chega aonde o sacerdote não chega. Ele deve levar a luz de Cristo aos ambientes de trevas, de pecado, de injustiça, de violência etc. Assim, no mundo do trabalho, levando tudo a Deus, o leigo contribui para o louvor do Criador. Ele constrói o mundo pelo trabalho, e assim coloca na obra de Deus a sua assinatura.  Torna-se co-criador com Deus.

O Concílio Ecumênico Vaticano II resgatou a atividade do leigo na Igreja: “Os leigos que forem capazes e que se formarem para isto podem também dar sua colaboração na formação catequética, no ensino das ciências sagradas e atuar nos meios de comunicação social.” (CIC §906).

Sendo assim, todos os leigos são encarregados por Deus do apostolado, em virtude do Batismo e da Confirmação,“eles têm a obrigação e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é por meio deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que sem ela o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito”. (CIC §900).

“Os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios pastores no serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, exercendo ministérios bem diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor quiser depositar neles.” (CIC §910).

O Código de Direito Canônico dá ao leigo o direito e o dever de dar a sua opinião aos pastores: “De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis”. (CIC §907; Cânon 212,3).

O Papa Francisco disse que a política anda suja porque os cristãos se afastaram dela. E pede para que dela participem. Vimos o povo nas ruas do Brasil reclamando de tanta sujeira na vida pública, tanta corrupção, imoralidade e malversação do dinheiro público. Isso ocorre porque os cristãos leigos pecam por omissão política. Quantos cristãos dão seu voto a pessoas que não são idôneas, que não comungam com os valores cristãos! Muitos leigos ainda “vendem” o seu voto e a sua consciência por um favor recebido.

São João Paulo II, na “Christifidelis laici”, disse que “os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na «política», ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum… a opinião muito difusa de que a política é um lugar de necessário perigo moral, não justificam minimamente nem o cepticismo nem o absenteísmo dos cristãos pela coisa pública (n.42).

O Papa Emérito Bento XVI pediu: Reitero a necessidade e urgência de formação evangélica e acompanhamento pastoral de uma nova geração de católicos envolvidos na política, que sejam coerentes com a fé professada, que tenham firmeza moral, capacidade de julgar, competência profissional e paixão pelo serviço ao bem comum.(Discurso ao CPL, Vaticano, 15 de novembro de 2008).

O Papa Francisco frisa um elemento fundamental que pertence aos ensinamentos do Concílio Vaticano II: o fato de que “em virtude do Batismo recebido, os fiéis leigos são protagonistas na obra de evangelização e promoção humana”. “Incorporado à Igreja, cada membro do Povo de Deus é inseparavelmente discípulo e missionário. É preciso sempre reiniciar dessa raiz comum a todos nós, filhos da Mãe Igreja”, ressalta o Papa.

Agradeço de coração ao generoso trabalho de todos os cristãos leigos de cuja missão sou testemunha. Eles são fundamentais no anúncio do Evangelho e no testemunho da caridade e da misericórdia de Cristo. Sintam-se todos abraçados pelo meu afeto de Pastor e com o meu penhorado agradecimento a tanta generosidade silenciosa que todos vocês, generosamente, fazem em favor de toda a Igreja, particularmente em nossa amada Arquidiocese.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Fonte: Portal da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

A Catequese do Papa Francisco – 03/02/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

A Sagrada Escritura nos apresenta Deus como misericórdia infinita, mas também como justiça perfeita. Como conciliar as duas coisas? Como se articula a realidade da misericórdia com as exigências da justiça? Poderia parecer que são duas realidades que se contradizem; na realidade não é assim, porque é justamente a misericórdia de Deus que leva a cumprimento a verdadeira justiça. Mas de qual justiça se trata?

Se pensamos na administração legal da justiça, vemos que quem se considera vítima de uma injustiça se dirige ao juiz no tribunal e pede que seja feita justiça. Trata-se de uma justiça retributiva, que inflige uma pena ao culpado, segundo o princípio de que a cada um deve ser dado aquilo que lhe é devido. Como diz o livro dos Provérbios: “Quem pratica a justiça é destinado à vida, mas quem persegue o mal é destinado à morte” (11, 19). Também Jesus fala da parábola da viúva que ia repetidamente ao juiz e lhe pedia: “Faz-me justiça contra o meu adversário” (Lc 18, 3).

Este caminho, porém, ainda não leva à verdadeira justiça, porque, na realidade, não vence o mal, mas simplesmente contém seu avanço. É, em vez disso, respondendo a ele com o bem que o mal pode ser realmente vencido.

Eis, então, outra maneira de fazer justiça que a Bíblia nos apresenta como caminho-mestre a percorrer. Trata-se de um procedimento que evita o recurso ao tribunal e prevê que a vítima se dirija diretamente ao culpado para convidá-lo à conversão, ajudando-o a entender que está fazendo o mal, apelando à sua consciência. Deste modo, finalmente reconhecido o próprio erro, ele pode se abrir ao perdão que a parte lesada lhe está oferecendo. E isso é belo: após a persuasão daquilo que é o mal, o coração se abre ao perdão, que lhe é oferecido. Este é o modo de resolver os contrastes dentro das famílias, nas relações entre esposos ou entre pais e filhos, onde o ofendido ama o culpado e deseja salvar a relação que o liga ao outro. Não cortar aquele relacionamento, aquela relação.

Certo, este é um caminho difícil. Requer que quem sofreu o erro esteja pronto a perdoar e deseje a salvação e o bem de quem o ofendeu. Mas somente assim a justiça pode triunfar, porque, se o culpado reconhece o mal feito e deixa de fazê-lo, eis que não há mais o mal e aquele que era injusto se torna justo, porque perdoado e ajudado a reencontrar o caminho do bem. E aqui entra justamente o perdão, a misericórdia.

É assim que Deus age nos confrontos de nós pecadores. O Senhor, continuamente, nos oferece o seu perdão e nos ajuda a acolhê-lo e a tomar consciência do nosso mal para poder nos libertar. Porque Deus não quer a nossa condenação, mas a nossa salvação. Deus não quer a condenação de ninguém! Algum de vocês poderia me perguntar: ‘mas, padre, a condenação de Pilatos foi merecida? Deus a queria?’ Não! Deus queria salvar Pilatos e também Judas, todos! Ele, o Senhor da misericórdia, quer salvar todos! O problema é deixar que Ele entre nos corações. Todas as palavras dos profetas são um apelo apaixonado e cheio de amor que procura a nossa conversão. Eis o que o Senhor diz através do profeta Ezequiel: “Terei eu prazer com a morte do malvado? (…) mas antes com a sua conversão, de modo que tenha vida” (18,23; cfr 33,11), aquilo que agrada a Deus!

E este é o coração de Deus, um coração de Pai que ama e quer que os seus filhos vivam no bem e na justiça, e portanto, vivam em plenitude e sejam felizes. Um coração de Pai que vai além do nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes ilimitados da sua misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos retribui segundo as nossas culpas, como diz o Salmo (103, 9-10). E precisamente é um coração de pai que nós queremos encontrar quando vamos ao confessionário. Talvez nos dirá algo para nos fazer entender melhor o mal, mas no confessionário todos vamos encontrar um pai que nos ajude a mudar de vida; um pai que nos dê a força de seguir adiante; um pai que nos perdoe em nome de Deus. E por isso ser confessor é uma responsabilidade tão grande, porque aquele filho, aquela filha que vem a você procura somente encontrar um pai. E você, padre, que está ali no confessionário, você está ali no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia.

Algumas chaves para reflexão da liturgia do dia – Festa de São Brás

Festa de São Brás 2016

“Todo fiel pode, assim, invocar-vos, durante o tempo da angústia e aflição, porque, ainda que irrompam as águas, não poderão atingi-los jamais.”

“É melhor cair nas mãos do Senhor, cuja misericórdia é grande, do que cair nas mãos dos homens!”

“Um profeta não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares. E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos e admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorrida os povoados das redondezas, ensinando.”

“São Brás animava os cristãos a se manterem firmes na fé e na esperança diante das perseguições. Palavras de esperança devemos ter em nossa boca e em nosso coração, pois ao serem abençoadas nossas gargantas, é para que sejamos proclamadores da verdade do Reino.”

Liturgia do Dia -03/02/2016

Marcos 6, 1-6“Ao ouvir a Palavra, que o Senhor a coloque em nossa boca e em nosso coração, para proclamar a grandeza e a beleza do amor e da presença divina entre nós.  Escutemos, pois, com amor, o que nos diz o Senhor.”

Primeira leitura:  2Samuel 24, 2.9-17

Salmo Responsorial:  31

Evangelho:  Marcos 6, 1-6

Festa da Apresentação do Senhor: Dos Sermões de São Sofrônio, bispo

apresentação do senhor no temploRecebamos a luz clara e eterna

Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o mistério do encontro do Senhor, corramos para ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém recuse levar sua luz.

Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino daquele que se aproxima e ilumina todas as coisas; ele dissipa as trevas do mal com a sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro com Cristo.

Do mesmo modo que a Mãe de Deus e Virgem imaculada trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados pelo seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos pressurosos ao encontro daquele que é a verdadeira luz.

Realmente, a luz veio ao mundo (cf. Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o sol que nasce do alto nos visitou (cf. Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas. É este o significado do mistério que hoje celebramos. Por isso caminhamos com lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos virá no futuro. Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus. Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1,9). Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.

Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Mas avancemos todos resplandecentes; iluminados por este fulgor, vamos todos ao seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna. Associemo-nos à sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do seu esplendor.

A salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence, a nós que somos o novo Israel. Também fez com que víssemos, graças a ele, essa salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.

Também nós, abraçando pela fé a Cristo Jesus que nasceu em Belém, de pagãos que éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a salvação de Deus Pai – e vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem. E porque vimos a presença de Deus e a recebemos, por assim dizer, nos braços do nosso espírito, somos chamados de novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca nos esquecermos daquele que um dia há de voltar.

Algumas chaves para a reflexão da liturgia do dia – Festa da Apresentação do Senhor

“Ó Portas, levantai vossos frontões! Elevai-nos bem mais alto, antigas portas, a fim de que o Rei da Glória possa entrar!”
“Ei-lo que vem, diz o Senhor dos exércitos; e quem poderá fazer-lhe frente, no dia de sua chegada?E que poderá resistir-lhe, quando ele aparecer?”
“Jesus veio ocupar-se com a descendência de Abraão. Por isso devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e digno de confiança nas coisas referentes a Deus, a fim de expiar os pecados do povo.”
“Ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor.”
“Simeão era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel…O Espírito Santo estava com ele e o conduzira até o Templo.”
“Ana, de idade muito avançada, não saía do Templo e servia a Deus com Jejuns e orações.”
“Simeão bendisse a Deus, dizendo: ‘Agora Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel.”
“Ana pôs-se a louvar a Deus e falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.”
“O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.”

festa da apresentação do senhor 2016

Liturgia do Dia – 02/02/2016

Lucas 2, 22-40“À sombra das asas do amor, vamos ao encontro do Senhor, de sua Palavra.  Aquele que se assemelhou ao humano, Jesus, é a Luz que não se apaga e que a humanidade precisa.”

Primeira leitura: Malaquias 3,1-4 ou Hebreus 2,14-18

Salmo Responsorial: 23

Evangelho:  Lucas 2, 22-40 ou Lucas 2, 22-32

Liturgia do Dia – 01/02/2016

Marcos 5, 1-20“Davi comporta-se com mansidão diante das ameaças que recebe.  É semelhante à atitude de Jesus que não condena aquele homem, mas o liberta, livrando-o da escravidão na qual vivia.”

Primeira leitura: 2 Samuel 15, 13-14.30;16,5-13a

Salmo Responsorial:  3

Evangelho:  Marcos 5, 1-20

Catequese Jubilar: Misericórdia e Missão

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JUBILEU ESPECIAL DA MISERICÓRDIA
Papa Francisco
AUDIÇÃO DO JUBILEU
Sábado 30 janeiro, 2016

Queridos irmãos e irmãs,

Dia após dia, entramos no coração do Ano Santo da Misericórdia. Com a sua graça, o Senhor guie os nossos passos quando passamos pela Porta Santa e venha a nós para estar sempre conosco, apesar das nossas falhas e nossas contradições. Nunca vamos nos cansar de sentir a exigência do seu perdão, porque quando nós somos fracos, sua proximidade nos torna fortes e nos permite viver com mais alegria a nossa fé.

Eu gostaria de salientar hoje a estreita ligação entre a misericórdia e a missão. Como recorda São João Paulo II: “A Igreja vive uma vida autêntica quando professa e proclama a misericórdia e quando ela aproxima os homens das fontes da misericórdia” (Enc. A Misericórdia de Deus, 13). Como cristãos, temos a responsabilidade de ser missionários do Evangelho. Quando recebemos boas notícias, ou quando vivemos uma boa experiência, é natural que nós sintamos a necessidade de compartilhá-la com outros. Nós sentimos dentro de nós que não podemos segurar a alegria que nos foi dada: queremos estendê-la. A alegria despertada é que nos impulsiona a comunicar.

Ela deve ser a mesma quando nos encontrarmos com o Senhor: a alegria deste encontro, de sua misericórdia, de comunicar a misericórdia do Senhor. Na verdade, o sinal concreto de que realmente se encontrou com Jesus é a alegria que sentimos ao transmitir aos outros. E isso não é “proselitismo”, este é um presente que eu dou, o que me dá alegria. Na leitura do Evangelho, vemos que esta tem sido a experiência dos primeiros discípulos, depois de seu primeiro encontro com Jesus, André foi imediatamente contar a seu irmão Pedro (cf. Jo 1,40-42), e Filipe fez a mesma coisa com Natanael (cf. Jo 1,45-46). Encontrar-se com Jesus equivale a encontrar-se com seu amor. Este amor nos transforma e nos permite passar a força que nos dá. De alguma forma, poderíamos dizer que a partir do dia do batismo é dada a cada um de nós um novo nome, além do que já nos deram nossas mães e pais, e esse nome é “Christopher”: todos nós somos “Cristofori”. O que isso significa? “Os operadores de Cristo”.  É o nome da nossa atitude, uma atitude de portadores da alegria de Cristo, da misericórdia de Cristo. Todo cristão é um “Christopher”, um portador de Cristo!

A misericórdia que recebemos da parte do Pai nos é dado como um consolo privado, mas faz-nos ferramentas para que outros possam receber o mesmo presente. Há uma interação muito grande entre misericórdia e missão. Misericórdia viva faz de nós missionários da misericórdia, e ser missionários nos permite crescer mais e mais na misericórdia de Deus. Por isso, levemos a sério nossa vida cristã, e nos esforcemos para ser fiel, porque é a única maneira que o Evangelho pode tocar os corações das pessoas e abri-los para receber a graça do amor, para receber esta grande misericórdia de Deus que acolhe a todos.

Liturgia do Dia – 31/01/2016

lucas 4, 21-30“Estamos diante da Palavra do Senhor, e Ele nos faz experimentar a gratuidade de seu amor sem limites. Em nosso mundo tão marcado pelo jogo de interesses, sua Palavra nos faz livres e profetas do Reino.  Rejeitar o Evangelho é rejeitar o próprio Cristo.”

Primeira leitura:  Jeremias 1, 4-5.17-19

Salmo Responsorial:  70

Segunda leitura:  1 Coríntios 12, 31-13,13

Evangelho:  Lucas 4, 21-30

Cinco pontos da mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações

O que significa comunicar de maneira misericordiosa? Como se faz para comunicar a misericórdia?

O “poder da comunicação” é a “proximidade”. A proximidade desencadeia uma tensão bipolar de aproximação e de afastamento e, em seu interior, apresenta uma oposição qualitativa: aproximar-se bem e aproximar-se mal. Essa é a tarefa daqueles que hoje estão comprometidos na comunicação.

Com a sua Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco quis conectar o tema da “Comunicação” ao da “Misericórdia”. A aproximação não é óbvia. O que significa comunicar de maneira misericordiosa? Como se faz para comunicar a misericórdia?

Assinalo em seguida cinco pontos a meu ver centrais na mensagem do papa.

1) A comunicação é “credível” se é “confiável”

O pressuposto de base dessa mensagem é que tudo o que fazemos é comunicação. O amor é comunicação: quando é amor verdadeiro, não pode se isolar. Se fosse isolado, seria uma forma espiritualista de egoísmo. Portanto, justamente no modo em que tentamos viver com todo o nosso ser o que estamos comunicando, contribuiremos para restituir credibilidade à comunicação humana. Esse é o sentido do início da mensagem. A comunicação é “credível” não só se objetivamente corresponde à verdade, mas se é “confiável”, isto é, expressão de uma relação de confiança, de um compromisso do comunicador de viver bem a sua relação com quem ouve ou com quem participa do evento comunicativo.

2) A comunicação da Igreja não é “exclusiva”

Francisco começa logo a falar da comunicação eclesial. E diz que ela deve ser inclusiva, de Mãe, capaz de “tocar os corações das pessoas e sustentá-las no caminho”. Devemos comunicar como filhos de Deus com outros filhos de Deus, sem distinção de credo, ideia, visão de mundo. Portanto, devemos parar o processo de degradação das palavras, o nominalismo da nossa cultura. As pessoas estão cansadas de palavras sem peso próprio, que não se fazem carne, que, na nossa pregação, fazem com que Cristo não se manifesta mais como pessoa, mas como ideia, conceito, teoria doutrinal abstrata. Restitua-se à palavra – especialmente a da pregação – a sua “centelha” que a torna viva e que dá calor e odor humano às palavras da fé.

3) A comunicação não excomunga

“A comunicação tem o poder de criar pontes, de favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade”, escreve o papa. E “as palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos”. Até mesmo quando “deve condenar com firmeza o mal, procura não romper jamais a relação e a comunicação”. A comunicação, justamente por estimular a criatividade, sempre deve criar pontes, favorecer a acessibilidade, enriquecer a sociedade. Devemos nos alegrar com o poder de palavras e ações escolhidas com cuidado para superar as incompreensões, curar as recordações e construir paz e harmonia. As palavras constroem pontes, são “pontífices” entre as pessoas. E isso em toda a parte: tanto no ambiente físico quanto no digital. Palavras e ações devem nos ajudar a fugir do círculo vicioso da condenação e da vingança que continua enjaulando os indivíduos, as pessoas e as nações, e que, depois, se exprime com mensagens de ódio.

A palavra do cristão, em particular, deve tender à comunhão e, portanto, livrar-se da atitude de “excomunhão”. Recordamos que “a memória das mútuas sentenças de excomunhão, junto com as palavras ofensivas e as reprimendas infundadas por muitos séculos, representou um obstáculo à reaproximação”, mesmo entre os cristãos. “A lógica do antagonismo, da desconfiança e da hostilidade, simbolizada pelas excomunhões recíprocas”, deve ser “substituída pela lógica do amor e da fraternidade”, escrevera o Papa Francisco na sua Mensagem à Sua Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico, para a festa de Santo André, em 2015.

Para não romper a comunhão, é importante saber ouvir, isto é, “ser capaz de compartilhar perguntas e dúvidas, de percorrer um caminho lado a lado, de se livrar de qualquer presunção de onipotência e colocar humildemente as próprias habilidades e os próprios dons a serviço do bem comum”.

4) A misericórdia é política

“Gostaria, portanto, de convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrirem o poder da misericórdia de curar as relações dilaceradas e de restaurar a paz e a harmonia”, escreve o Papa Francisco, salientando que “isso também vale para as relações entre os povos”. Assim, “é desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido” Esse é o sentido da “diplomacia da misericórdia” para Francisco: não considerar jamais nada por perdido na relação entre povos e nações. Para isso deve servir a comunicação política, portanto.

O papa convida aqueles que estão presos em velhas hostilidades a tomarem o caminho da misericórdia; a reconhecer as próprias responsabilidades; e a pedir perdão e mostrar misericórdia para com aqueles que lhe fizeram mal. Vamos além da distinção entre “vítimas” e “carrascos”.

Mas também devemos superar outra lógica: a que contrapõe “vencedores” e “vencidos”. Vivemos em um mundo onde estamos acostumados a ter que provar o quanto valemos, a ter que conquistar o respeito e a admiração dos outros. Muitas vezes, tal reconhecimento é reservado para aqueles que alcançaram o sucesso através do bem estar, do poder e da fama. Como resultado, podemos notar um fosso crescente entre aqueles que são vistos como vencedores e aqueles que são julgados como perdedores. Na sociedade, as pessoas competem para impor o seu próprio valor e dignidade, e quem está no topo quer manter os outros embaixo. Tal visão enfraquece a dignidade das pessoas e, em particular, tem como resultado que aqueles que fracassaram ou que são julgados como não à altura das expectativas são marginalizados e rejeitados. O nosso modo de comunicar, portanto, nunca deve expressar o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhar aqueles que são descartados, que são considerados “perdedores” e são abandonados. A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e oferecer calor para aqueles que só conheceram a frieza do juízo. Um homem pode olhar para outro homem de cima para baixo apenas para ajudá-lo a se levantar.

Por fim – lemos – “o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas”. De fato, “palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa”.

5) A rede constrói cidadania

Se a comunicação tem uma relevância política, ela também tem um peso cada vez mais forte no fato de nos sentirmos cidadãos, na construção da cidadania. Reconhecendo a rede como lugar para uma “comunicação plenamente humana”, o papa afirma que, “em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha”.

O “poder da comunicação” é a “proximidade”. A proximidade desencadeia uma tensão bipolar de aproximação e de afastamento e, em seu interior, apresenta uma oposição qualitativa: aproximar-se bem e aproximar-se mal. Essa é a tarefa daqueles que hoje estão comprometidos na comunicação: “Em um mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade”.

fonte: CyberTeologia / IHU Online

Liturgia do dia – 30/01/2016

Marcos 4, 35-41“A maturidade na fé nos faz reconhecer os erros cometidos e abraçar a misericórdia.  Por isso, são alentadoras, em qualquer circunstâncias, as Palavras de Jesus: ‘Por que sois tão medrosos? Ainda não tentes fé?”

Primeira leitura:  2 Samuel 12, 1-7a. 10-17

Salmo Responsorial: 50

Evangelho:  Marcos 4, 35-41

Liturgia do Dia -28/01/2016

marcos 4, 21-25“A Palavra nos conduz à fé. Vivendo-a com intensidade, faz-nos ser a luz que brilha nas dificuldades da vida.  O ensinamento de Cristo, seu Evangelho, é para ser difundido como a luz.”

Primeira leitura:  2 Samuel 7, 18-19.24-29

Salmo Responsorial:  131

Evangelho:  Marcos 4, 21-25

A Catequese do Papa Francisco – 27/01/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na Sagrada Escritura, a misericórdia de Deus está presente ao longo de toda a história do povo de Israel.

Com a sua misericórdia, o Senhor acompanha o caminho dos Patriarcas, dá a eles filhos apesar da condição de esterilidade, os conduz por caminhos de graça e de reconciliação, como demonstra a história de José e dos seus irmãos (cfr Gen 37-50). E penso em tantos irmãos que se afastaram em uma família e não se falam. Mas esse Ano da Misericórdia é uma boa ocasião para se reencontrar, para se abraçar e se perdoar e esquecer as coisas ruins. Mas, como sabemos, no Egito a vida para o povo foi dura. E justamente quando os israelitas estão para sucumbir que o Senhor intervém e traz a salvação.

Lê-se no livro do Êxodo: “Muito tempo depois morreu o rei do Egito. Os israelitas, que gemiam ainda sob o peso da servidão, clamaram, e, do fundo de sua escravidão, subiu o seu clamor até Deus. Deus ouviu seus gemidos e lembrou-se de sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó. Olhou para os israelitas e os reconheceu” (2, 23-25). A misericórdia não pode ficar indiferente diante do sofrimento dos oprimidos, ao grito de quem está submetido à violência, reduzido à escravidão, condenado à morte. É uma dolorosa realidade que afeta toda época, inclusive a nossa, e que faz sentir muitas vezes impotentes, tentados a endurecer o coração e pensar em outra coisa. Deus, em vez disso, “não é indiferente” (Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2016, 1), nunca tira o olhar da dor humana. O Deus de misericórdia responde e cuida dos pobres, daqueles que gritam em seu desespero. Deus escuta e intervém para salvar, suscitando homens capazes de ouvir o gemido do sofrimento e de trabalhar em favor dos oprimidos.

É assim que começa a história de Moisés como mediador de libertação para o povo. Ele enfrenta o Faraó para convencê-lo a deixar partir Israel; e depois guiará o povo, pelo Mar Vermelho e pelo deserto, rumo à liberdade. Moisés, que a misericórdia divina salvou, logo que nascido, da morte nas águas do Nilo, se faz mediador dessa mesma misericórdia, permitindo ao povo nascer à liberdade salvo das águas do Mar Vermelho. E também nós, neste Ano da Misericórdia, podemos fazer este trabalho de ser mediadores de misericórdia com as obras de misericórdia para nos aproximarmos, para darmos alívio, para fazer unidade. Tantas coisas boas podem ser feitas.

A misericórdia de Deus age sempre para salvar. É tudo o contrário da obra daqueles que agem sempre para matar: por exemplo, aqueles que fazem a guerra. O Senhor, mediante o seu servo Moisés, guia Israel no deserto como se fosse um filho, educa-o à fé e faz aliança com ele, criando um laço de amor fortíssimo, como aquele do pai com o filho e do esposo com a esposa.

Chega a tanto a misericórdia divina. Deus propõe uma relação de amor particular, exclusivo, privilegiado. Quando dá instruções a Moisés sobre a aliança, diz: “Se obedecerdes à minha voz e guardardes a minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos. Toda a terra é minha, mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada” (Ex 19, 5-6).

Certo. Deus já possui toda a terra porque a criou; mas o povo se torna para Ele uma posse diferente, especial: a sua pessoal “reserva de ouro e prata”, como aquela que o Rei Davi afirmava ter dado para a construção do Templo.

Bem, assim nos tornamos para Deus acolhendo a sua aliança e deixando-nos salvar por Ele. A misericórdia do Senhor torna o homem precioso, como uma riqueza pessoal que Lhe pertence, que Ele protege e com a qual se alegra.

São essas as maravilhas da misericórdia divina, que chega a pleno cumprimento no Senhor Jesus, naquela “nova e eterna aliança” consumada no seu sangue, que com o perdão destroi o nosso pecado e nos torna definitivamente filhos de Deus (cfr 1, Jo 3, 1), joias preciosas nas mãos do Pai bom e misericordioso. E se nós somos filhos de Deus e temos a possibilidade de termos essa herança – aquela da bondade e da misericórdia – no confronto com os outros, peçamos ao Senhor que neste Ano da Misericórdia também nós façamos obras de misericórdia; abramos o nosso coração para chegarmos a todos com as obras de misericórdia, a herança misericordiosa que Deus Pai teve conosco.

Liturgia do Dia -27/01/2016

marcos 4, 1-20“A Palavra do Senhor nos faz compreender o cuidado de Deus para conosco, em seu amor.  Em Jesus, o Pai aproximou a eternidade de nossa temporalidade.  É preciso coração aberto para acolhê-la.”

Primeira leitura:  2 Samuel 7, 4-17

Salmo Responsorial:  88

Evangelho: Marcos 4, 1-20

Ainda sobre o Apóstolo Paulo (vida, conversão, missão)

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Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo

(Hom. 2 de laudibus sancti Pauli: PG 50, 480-484) (Séc.IV)

Combati o bom combate

Na estreiteza do cárcere, Paulo parecia habitar no céu. Recebia os açoites e feridas com mais alegria do que outros que recebem coroas de triunfo; e não apreciava menos as dores do que os prêmios, porque considerava estas mesmas dores como prêmios que desejava, e até as chamava de graças. Considerai com atenção o significado disto: prêmio, para ele, era partir, para estar com Cristo (cf. Fl 1,23), ao passo que viver na carne significava o combate. Mas, por causa de Cristo, sobrepunha ao desejo do prêmio a vontade de prosseguir o combate, pois considerava ser isto mais necessário.

Estar longe de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e a mais intensa dor. Pelo contrário, estar com Cristo era um prêmio único. Paulo, porém, por amor de Cristo, prefere o combate ao prêmio.

Talvez algum de vós afirme: Mas ele sempre dizia que tudo lhe era suave por amor de Cristo! Isso também eu afirmo, pois as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer. E por que me refiro aos perigos e tribulações que sofreu? Na verdade, seu profundo desgosto o levava a dizer: Quem é fraco, que eu também não seja fraco com ele? Quem é escandalizado, que eu não fique ardendo de indignação? (2Cor 11,29).

Rogo-vos, pois, que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo de virtude, mas, imitai-o. Só assim poderemos ser participantes da sua glória.

E se algum de vós se admira por eu dizer que quem imita os méritos de Paulo participará da sua recompensa, ouça o que ele mesmo afirma: Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa (2Tm 4,7-8).

Por conseguinte, já que é oferecida a todos a mesma coroa de glória, esforcemo-nos todos por ser dignos dos bens prometidos.

Não devemos considerar em Paulo apenas a grandeza e a excelência das virtudes, a prontidão de espírito e o propósito firme, pelos quais mereceu tão grande graça; mas pensemos também que a sua natureza era em tudo igual à nossa; e assim, também a nós, as coisas que são muito difíceis parecerão fáceis e leves. Suportando-as valorosamente neste breve espaço de tempo em que vivemos, ganharemos aquela coroa incorruptível e imortal, pela graça e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. A ele a glória e o poder, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.

 

Liturgia do Dia – 26/01/2016

Lucas 10, 1-9“A comunhão de fé constrói o Reno.  A dedicação dos missionários ao Reino mostra-nos a alegria de pertencer a Cristo.  É preciso anunciar a verdade de Cristo em todos os tempos e momentos.”

Primeira leitura:  2 Timóteo 1, 1-8 ou Tito 1,1-5

Salmo Responsorial: 95

Evangelho:  Lucas 10, 1-9

Deus nos fala: sobre a conversão e a humanidade de São Paulo

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O Papa Francisco por ocasião da celebração das Segundas Vésperas da Solenidade da Conversão de São Paulo, em sua homilia, refletiu sobre a experiência de misericórdia vivida pelo Apóstolo Paulo, que, consequentemente influenciou em aspectos relevantes de sua personalidade e missão, e que é referencia para ação evangelizadora através do acolhimento cristão.

A seguir, a íntegra da homilia pela Rádio Vaticano:

“De fato eu sou o menor dos apóstolos e não mereço ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. Mas aquilo que eu sou, eu devo à graça de Deus; e sua graça dada a mim não foi estéril” (1 Cor 9, 1). O apóstolo Paulo assim resume o significado da sua conversão. Ela, ocorrida após o fulgurante encontro com Jesus Ressuscitado, na estrada de Jerusalém a Damasco, não é antes de tudo uma mudança moral, mas sim uma experiência transformadora da graça da Cristo, e ao mesmo tempo o chamado a uma nova missão, a de anunciar a todos, aquele Jesus que antes persegui, perseguindo seus discípulos. Neste momento, de fato, Paulo compreende que entre o Cristo vivo na eternidade e os seus seguidores, existe uma união real e transcendente: Jesus vive e está presente neles e eles vivem nele. A vocação a ser apóstolo se funda não nos méritos humanos de Paulo, que se considera “menor” e “indigno”, mas na bondade infinita de Deus, que o escolheu e confiou a ele o ministério.

Uma compreensão semelhante do que ocorreu no caminho de Damasco é testemunhada por Paulo também na Primeira Carta a Timóteo: “Agradeço àquele que me deu força, a Jesus Cristo nosso Senhor, que me considerou digno de confiança, tomando-me para o seu serviço, apesar de eu ter sido um blasfemo, perseguidor e insolente. Mas eu obtive misericórdia porque eu agia sem saber, longe da fé. Sim, ele me concedeu com maior abundância a sua graça, junto com a fé e o amor que estão em Jesus Cristo” (1,12-14). A superabundante misericórdia de Deus é a razão única sobre a qual se funda o ministério de Paulo e é ao mesmo tempo o que Paulo deve anunciar a todos.

A experiência de São Paulo é semelhante à das comunidades às quais o apóstolo Pedro dirige a sua Primeira carta. São Pedro se dirige aos membros de comunidades pequenas e frágeis, expostas à ameaça das perseguições, e aplica a elas os títulos gloriosos atribuídos ao povo santo de Deus: “raça eleita, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido por Deus”. Para aqueles primeiros cristãos, como hoje para todos nós batizados, é motivo de conforto e de constante estupor saber que fomos escolhidos para fazer parte do plano de salvação de Deus, realizado em Jesus Cristo e na Igreja. “Por que, Senhor, justamente eu?; por que precisamente nós? “. Atingimos aqui o mistério da misericórdia e da escolha de Deus: o Pai ama todos e quer salvar a todos, e por isto chama alguns, “conquistando-os” com a sua graça, para que através deles o seu amor possa chegar a todos. A missão de todo o povo de Deus é a de anunciar as obras maravilhosas do Senhor, a primeira entre todas o Mistério Pascal de Cristo, por meio do qual passamos das trevas do pecado e da morte ao esplendor da sua vida, nova e eterna.

À luz da Palavra de Deus que ouvimos, e que nos guiou durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, podemos realmente dizer que todos nós que acreditamos em Cristo somos “chamados a proclamar as obras maravilhosas de Deus” (cfr 1 Pt 2,9). Acima das diferenças que ainda nos separam, reconhecemos com alegria que na origem da vida cristã existe sempre um chamado cujo autor é o próprio Deus. Podemos progredir no caminho da plena comunhão visível entre os cristãos, não somente quando nos aproximamos uns dos outros, mas sobretudo na medida em que nos convertemos ao Senhor, que por sua graça nos escolhe e nos chama a sermos seus discípulos. E converter-se significa deixar que o Senhor viva e aja em nós. Por este motivo, quando juntos os cristãos de diversas Igrejas escutam a Palavra de Deus e procuram colocá-la em prática, dão realmente passos importantes em direção à unidade. E não é somente o chamado que nos une; nos une também a mesma missão: anunciar a todos as obras maravilhosas de Deus. Como São Paulo, e como os fiéis a quem escreve São Pedro, também nós não podemos que não anunciar o amor misericordioso que nos conquistou e transformou. Enquanto estamos a caminho, em direção à plena comunhão entre nós, podemos já desenvolver múltiplas formas de colaboração para favorecer a difusão do Evangelho. E caminhando e trabalhando juntos, percebemos que já estamos unidos no nome do Senhor.

Neste Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia, tenhamos bem presente que não pode existir uma autêntica busca da unidade dos cristãos, sem uma plena entrega à misericórdia de Deus. Peçamos, antes de tudo, perdão pelo pecado das nossas divisões, que são uma ferida aberta no Corpo de Cristo. Como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Católica, quero invocar misericórdia e perdão pelos comportamentos não evangélicos tidos por parte dos católicos em relação aos cristãos de outras Igrejas. Ao mesmo tempo, convido todos os irmãos e as irmãs católicos a perdoar se, hoje ou no passado, sofreram ofensas de outros cristãos. Não podemos apagar aquilo que aconteceu, mas não queremos permitir que o peso das culpas passadas continue a macular nas nossas relações. A misericórdia de Deus renovará as nossas relações.

Neste clima de intensa oração, saúdo fraternalmente Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado Ecumênico, Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais de Roma, aqui reunidos nesta tarde. Com eles passamos através da Porta Santa desta Basílica, para recordar que a única porta que nos conduz à salvação é Jesus Cristo nosso Senhor, o rosto misericordioso do Pai. Dirijo uma cordial saudação também aos jovens ortodoxos e ortodoxos orientais que estudam aqui em Roma com o apoio do Comitê de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxos, que atua junto ao Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, assim como aos estudantes do Ecumenical Institute of Bossey, em visita aqui em Roma para aprofundar os seus conhecimentos sobre a Igreja Católica.

Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos à oração que Jesus Cristo dirigiu ao Pai: “Que sejam um (…) para que o mundo creia” (João 17,21). A unidade é dom da misericórdia de Deus Pai. Aqui, diante do túmulo de São Paulo, apóstolo e mártir, guardado nesta esplêndida Basílica, sentimos que o nosso humilde pedido é apoiado pela intercessão da multidão dos mártires cristãos de ontem e de hoje. Eles responderam com generosidade ao chamado do Senhor, deram um fiel testemunho, com a sua vida, das obras maravilhosas que Deus realizou em nós, e já experimentam a plena comunhão na presença de Deus Pai. Apoiados pelo seu exemplo e confortados pela sua intercessão, dirijamos a Deus a nossa humilde oração”.

Papa Francisco

Fonte: Rádio Vaticano

Liturgia do Dia – 25/01/2016

marcos 16, 15-18“Paulo compreendeu os sinais de Deus em sua vida e anunciava com ardor missionário aquele a quem antes perseguia.  Viveu e escutou o que disse o Senhor: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 22, 3-16 ou Atos dos Apóstolos 9, 1-22

Salmo Responsorial: 116

Evangelho: Marcos 16, 15-18

 

Ano Santo da Misericórdia, o ano do acolhimento cristão

“…próprio da linguagem e das ações da Igreja é transmitir misericórdia, para tocar o coração das pessoas e sustentá-las no caminho rumo à plenitude daquela vida que Jesus Cristo, enviado pelo Pai, veio trazer a todos. Trata-se de acolher em nós mesmos e irradiar ao nosso redor o calor materno da Igreja, para que Jesus seja conhecido e amado; aquele calor que dá substância às palavras da fé e acende, na pregação e no testemunho, a ‘centelha’ que os vivifica.” – Papa Francisco

Marque na sua agenda e percorramos juntos o Ano Santo da Misericórdia!

Liturgia do Dia 24/01/2016

Lucas 1, 1-4; 4, 14-21“A Palavra do Senhor é luz que nos indica o caminho a seguir e faz nascer Comunidades comprometidas.  A boa nova da Palavra manifesta o sonho de Deus, que é vida e liberdade para todos, e isso se torna realidade quando há partilha de vida.”

Primeira leitura:  Neemias 8, 2-4a.5-6.8-10

Salmo Responsorial:  18

Segunda leitura: 1 Coríntios 12,12-30

Evangelho:  Lucas 1, 1-4; 4, 14-21