Segundo Domingo do Tempo Comum – Folheto da Missa

Segundo Domingo do Tempo Comum.jpg

Para acessar clique no link abaixo

Segundo Domingo do Tempo Comum – Folheto da Missa

Arquivo disponibilizado pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Anúncios

A Humanidade de São Paulo Apóstolo

a-humanidade-de-sao-paulo

Nascido entre os anos 5 e 10 da Era Cristã, em Tarso, capital da Cilícia, na Ásia Menor, Paulo cresceu numa cidade aberta às influências culturais e às trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Ele que era descende de uma família de judeus da diáspora, pertencente à tribo de Benjamim, observava rigorosamente a religião dos seus pais, sem recusar os contatos com a vida e a cultura do Império Romano.

Recebeu a sua primeira educação religiosa tendo por base o Pentateuco e a lei de Moisés. E por volta do ano 25 d.C. , em Jerusalém, frequentou as aulas de Gamaliel, mestre de grande prestígio, aprofundando com ele o conhecimento do Pentateuco escrito e oral.

Falava e escrevia em aramaico, hebraico, grego e latim.

No ano 35, em direção para Damasco, para eliminar um grupo de cristãos se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do céu e lhe apareceu Cristo Ressuscitado.  A partir de sua experiência em Cristo, de perseguidor dos cristãos, Paulo torna-se um homem novo, o mais ardente missionário do Evangelho, percorrendo por montes, desertos, mares, aldeias e cidades do Mediterrâneo Oriental, sua vida terminou em Roma, com a decaptação, no ano de 67 d.C.

A celebração de sua conversão ocorre sempre no dia 25 de janeiro e à São Paulo é atribuída a autoria de 13 Cartas do Novo Testamento.

A humanidade do Apóstolo dos Gentios, reflete uma forte personalidade e capacidade de enfrentar os mais austeros ambientes, comprovando que se a vocação é um dom concedido por Deus, Este também se compraz de chamar à missão alguém aparentemente contrário à missão, manifestando assim o grande poder de Sua graça e a força do Seu chamado, que supera até mesmo o que aparentemente entra em choque com os desígnios Divinos, pois prepara os caminhos e serve-se inclusive dos obstáculos para cumprir a a Sua vontade.

O Encontro de Acolhimento, do próximo dia 21, abre a semana em que a Igreja celebra a Conversão de São Paulo Apóstolo.

A Paróquia São Paulo Apóstolo fica a Rua Barão de Ipanema, 85 – Copacabana – RJ

Liturgia do Dia – 09/01/2017

mateus 3, 13-17“Jesus é batizado no rio Jordão.  O Espírito Santo desce sobre Ele, ungindo-o para a missão.  Nele Deus cumprirá toda a justiça, que é sua misericórdia.”

Primeira leitura:  Isaías 42, 1-4.6-7

Salmo Responsorial:  28

Segunda leitura:  Atos dos Apóstolos 10, 34-38

Evangelho:  Mateus 3, 13-17

Liturgia do Dia – 08/01/2017

Mateus 2, 1-12“Cristo veio para reunir os filhos de Deus dispersos. Veio para devolver a dignidade aos injustiçados e oprimidos, e a liberdade ao indigente.  Feliz quem se deixa guiar pela luz do Evangelho.”

Primeira leitura:  Isaías 60, 1-6

Salmo Responsorial:  71

Segunda leitura: Efésios 3, 2-3a.5-6

Evangelho: Mateus 2, 1-12

-*-

A santa Epifania

Por Dom Henrique Soares da Costa (*)

Celebramos hoje a solene Manifestação, a sagrada Epifania do Senhor.
Como dizia Santo Agostinho, “celebramos, recentemente, o dia em que o Senhor nasceu entre os judeus; celebramos hoje o dia em que foi adorado pelos pagãos. Naquele dia, os pastores O
adoraram; hoje, é a vez dos magos”.
A festa deste dia é nossa, daqueles que não são da raça de Israel segundo a carne, daqueles que, antes, estavam sem Deus e sem esperança no mundo!
Hoje, Cristo nosso Deus, apareceu não somente como glória de Israel, mas também como “luz para iluminar as nações” (Lc 2,32). Hoje, começou a cumprir-se a promessa feita a nosso pai Abraão: “Por ti serão benditos todos os clãs da terra” (Gn 12,3).

Na segunda leitura da Missa desta Solenidade, São Paulo nos fala de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”.
Eis: com a visita dos magos, pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel, aos nossos antepassados.

Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, Ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já Se revela qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir em Si dois muros de pontos diversos, ao conduzir os pastores da Judeia e os Magos do Oriente, a fim de formar em Si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É este o sentido da solenidade da santa Epifania do Senhor!

Hoje, cumpre-se o que o profeta Isaías falara na primeira leitura: “Levanta-se, Jerusalém, acende as luzes, porque chegou tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor! Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e Sua glória já se manifesta sobre ti! Levanta os olhos ao redor e vê: será uma inundação de camelos de Madiã e Efa; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor!”

Mas, estejamos atentos, porque a festa de hoje esconde um drama: a Jerusalém segundo a carne não reconheceu o Salvador: “O rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém”. Ela conhecia a profecia, mas de nada lhe adiantou, pela dureza de coração.
É na nova Jerusalém, na Igreja, que somos nós, na nossa Mãe católica, que esta profecia de Isaías se cumpre. É a Igreja que acolherá todos os povos, unidos não pelos laços da carne, mas pela mesma fé em Cristo e o mesmo batismo no Seu Espírito.

Que contraste, no Evangelho de hoje!
Jerusalém, que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz do Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, veem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… E, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem Nele o Deus perfeito: “Ajoelharam-se diante Dele e O adoraram”. Com humildade, oferecem-Lhe o que têm: “Abriram seus cofres e Lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para o que, feito homem, morrerá e será sepultado!

Os magos creem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”. Herodes, o tolo, ao invés, pensa somente em si, no seu título, no seu reino, no seu poder… E tem medo do Menino – de um menino! Escravo de si e prisioneiro de suas paixões, quer matar o Recém-nascido! A Igreja, na sua liturgia, zomba de Herodes e dos herodes, e canta assim:
“Por que, Herodes, temes
chegar o Rei que é Deus?
Não rouba aos reis da terra
Quem reinos dá nos céus!”.

Que bela lição, que mensagem impressionante para nós: quem se deixa guiar pela luz do Menino, O encontra e é inundado de grande alegria, e volta por outro caminho. Mas, quem se fecha para essa luz, fica no escuro de suas paixões, na incerteza confusa de suas próprias certezas, tão ilusórias e precárias… E termina matando e se matando!

Que nós tenhamos discernimento: não procuremos esta Estrela do Menino nos astros, nos céus! Não perguntemos sobre ela aos astrônomos, aos cientistas, aos historiadores!
Sobre essa luz, sobre essa Estrela bendita, eles quase nada sabem, pouco têm a dizer! Procuremo-la dentro de nós: o Menino é a luz que ilumina todo ser humano que vem a este mundo!
No século I, Santo Inácio de Antioquia já ensinava:
“Uma estrela brilhou no céu mais do que qualquer outra estrela, e todas as outras estrelas, junto com o sol e a luz, formaram um coro, ao redor da estrela de Cristo, que superava a todas em esplendor”.
É esta luz que devemos buscar, esta luz que devemos seguir, por esta luz devemos nos deixar iluminar!

São Leão Magno, no século V, já pedia aos cristãos:
“Deixa que a luz do Astro celeste aja sobre os sentidos do teu corpo, mas com todo o amor do coração recebe dentro de ti a Luz que ilumina todo homem vindo a este mundo!”.
E, também no mesmo século V, São Pedro Crisólogo, bispo de Ravena, falava sobre o mistério deste dia:
“Hoje, os magos que procuravam o Rei resplandecente nas estrelas, O encontram num berço.
Hoje os magos veem claramente, envolvido em panos, Aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.
Hoje, contemplam, maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, Aquele que o universo não pode conter.
Vendo-O, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-Lhe místicos presentes. Assim, o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos magos deu início à fé de todos os pagãos!”

Quanta luz, na festa de hoje! E, no entanto, é preciso que compreendamos sem pessimismo, mas também sem ilusões diabólicas, que este mundo vive em trevas: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos…” Que tristeza tão grande, constatar que as palavras do Profeta ainda hoje – e sobretudo hoje – são tão verdadeiras… “Mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti”.
Não são trevas as tantas trevas da realidade que nos cerca? Não são trevas a violência, a devassidão, a permissividade, as drogas, a exacerbação da sensualidade? Não são trevas a injustiça, a corrupção e a impiedade? Não é treva densa o comércio de religiões, o coquetel de seitas, o uso leviano e interesseiro do Evangelho e do Nome santo de Jesus? Não é treva medonha a dissolução da família, a relativização e esquecimento dos valores mais sagrados e da verdade da fé?

Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela Sua luz! Com os magos, ajoelhemo-nos diante Daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria Mãe de Deus: ofereçamos-Lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-Lo até o fim. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes. Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz” (Rm 13,13.12).

Terminemos com o pedido que a Igreja faz hoje na oração após a comunhão: “Ó Deus, guiai-nos sempre e por toda parte com a Vossa luz celeste, para que possamos acolher com fé e viver com amor o mistério de que nos destes participar!” Amém.

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

Entre lobos com pele de cordeiros: é preciso discernir

lobo-com-pele-de-cordeiro

No final do século XIX, na Rússia Czarista, foi publicado uma série de documentos que remetiam autoria a um determinado grupo de judeus, ditos, inclinados a dominar o mundo a partir de suas premissas e modus operandi, em detrimento e para o cerceamento da liberdade das nações e de todas as culturas, espiritualidades e etnias. Passados muitos anos, e depois de muitos estragos em escala mundial, diversos cientistas comprovaram que os aludidos documentos eram uma farsa, com o único objetivo de enfrentar, sem êxito, uma ameaça ao poder estabelecido e que por diversas razões não se sustentava mais.

Embora falaciosas, as premissas imputadas nos documentos, cuja publicação hoje é proibida em diversos países, nutriram desde então, inúmeras mentes mal intencionadas, em todos os níveis das relações sociais possíveis, chegando assim à casa de milhões de adeptos, cujo apreço pelo uso da razão e à verdade, nem sempre acompanha a voracidade pelo poder.

O embuste, tão rudimentar quanto imbecilizante partia da ideia de promover o medo e apontar um inimigo, que pode ser ou não específico, mas que é capaz de contaminar e assegurar um grande mal a toda sociedade. Uma vez estabelecido o medo, os interesses do seu promotor, visto agora como o grande herói e salvador da pátria, do qual todos dependiam, teriam assim, a realização garantida.

A grande falha da proposta é desconsiderar que nem todos são tão inocentes, a ponto de serem incapazes de apontar a incoerência no discurso proferido, que anos após anos, apresentou poucas variantes: uns mais agressivos, outros de humor ácido e debochado, outros ainda demonstrando uma falsa inocência e boa-fé.

O motivo pelo qual tantos ainda persistem em adotar o modelo farsante é a quantidade de inocentes úteis que insistem em multiplicar suas ideias, sem ao menos dedicar alguns minutos de seu tempo para uma leitura atenta dos fatos, criando assim, um verdadeiro exército de coscuvilheiros e especialistas em compartilhamentos cegos, que se multiplicam num piscar de olhos, especialmente nas denominadas fanpages e blogs, financiados não se sabe por quem, e com qual interesse.

Lamentavelmente, a Igreja também amarga as incongruências e mentiras propagadas por ideólogos das mais diferentes espécies. Hoje não basta distorcer os posicionamentos do Santo Padre, não basta apontar a Igreja como a responsável pela opressão à mulher, ao negro, aos homossexuais,  ao emperramento do avanço social e científico, a falta de liberdade (ou libertinagem) sexual, a descriminalização do aborto, a dificuldade para aprovação da redução da maioridade penal e toda sorte de aberrações, cujos argumentos não se sustentam pelo uso da razão lógica.

O modelo hoje é disseminar o ódio e a divisão dentro da própria Igreja, é caminhar no sentido contrário a cultura do encontro e ao diálogo inter-religioso, pois no mundo não há espaço para o outro, senão subjugado à minha vontade.  O grande pulo do gato, que diga-se de passagem, não é tão esperto quanto pensa, é fazer uso da imagem do bom cristão, vestir a pele do cordeiro, e buscar esconder a personalidade do lobo feroz, interesseiro, beliquoso, amante da auto-promoção, sensacionalista, que cai na própria armadilha, por defender premissas absolutamente contrárias ao Evangelho, ao Magistério da Igreja e àquilo que se conhece como bem comum.

A inocência pode até ser irmã da ignorância, como afirmava Cândido de Figueiredo, todavia, não se assemelham e ambas sofrem inevitavelmente os efeitos da evolução.  Assim, o que se faz e o que se compartilha, jamais pode ser considerado, hoje, causa ou consequência de uma delas.

Tanto os que promovem como os que se deixam instrumentalizar por ideias contrárias ao Evangelho e ao Magistério da Igreja, através de publicações ou mesmo pelas personalidades “midiáticas”, são igualmente responsáveis pelo sofrimento de tantos pobres e necessitados, estes sim, vítimas da promoção da confusão e do medo, que os afasta da Verdade e os coloca frente a frente com os lobos.

É importante que todo cristão católico, leigo ou não, atente para essa realidade e assuma o compromisso de ser luz do mundo e sal da terra, inclusive nas redes sociais. Fazer a leitura dos fatos é uma exigência cada vez maior no mundo de hoje, e não se trata de separar o joio e o trigo, posto que isso será feito no tempo oportuno, mas de discernir o que é Luz e o que é Treva, antes de emitir sua opinião, que deve ser coerente com a fé professada e não atender os interesses despudorados das conspirações imperialistas e diabólicas da atualidade.

Michelle Neves

Ministra do Acolhimento
Coordenadora dos Blogueiros Católicos do Rio de Janeiro

A Catequese do Papa Francisco – 04/01/2017

brasão-papa_-Francisco

CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese de hoje, gostaria de contemplar com vocês uma figura de mulher que nos fala da esperança vivida no pranto. A esperança vivida no pranto. Trata-se de Raquel, a esposa de Jacó e a mãe de José e Benjamin, aquela que, como conta o Livro do Gênesis, morre ao dar à luz ao seu segundo filho, isso é, Benjamin.

O profeta Jeremias faz referência a Raquel dirigindo-se aos israelitas no exílio para consolá-los, com palavras cheias de emoção e de poesia; isso é, toma o pranto de Raquel mas dá esperança:

“Eis o que diz o Senhor:
ouve-se em Ramá uma voz,
lamentos e amargos soluços.
É Raquel que chora os filhos,
recusando ser consolada, porque já não existem” (Jer 31, 15).

Nestes versículos, Jeremias apresenta esta mulher do seu povo, a grande matriarca da sua tribo, em uma realidade de dor e pranto, mas junto com uma perspectiva de vida impensada. Raquel, que no relato do Gênesis morreu no parto e tinha assumido aquela morte para que o filho pudesse viver, agora, em vez disso, representada pelo profeta como viva em Ramá, ali onde se reuniam os deportados, chora pelos filhos que em um certo sentido são mortos indo ao exílio; filhos que, como ela mesma disse, “já não existem mais”, desapareceram para sempre.

E por isso Raquel não quer ser consolada. Esta recusa exprime a profundidade da sua dor e a amargura do seu pranto. Diante da tragédia da perda dos filhos, uma mãe não pode aceitar palavras ou gestos de consolo, que são sempre inadequadas, mas capazes de aliviar a dor de uma ferida que não pode e não quer ser curada. Uma dor proporcional ao amor.

Toda mãe sabe tudo isso; e são tantas, também hoje, as mães que choram, que não se conformam com a perda de um filho, inconsoláveis diante de uma morte impossível de aceitar. Raquel personifica em si a dor de todas as mães do mundo, de todo tempo, e das lágrimas de todo ser humano que chora perdas irreparáveis.

Esta recusa de Raquel que não quer ser consolada nos ensina também quanta delicadeza nos é pedida diante da dor dos outros. Para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso partilhar o seu desespero; para enxugar uma lágrima da face de quem sofre, é preciso unir ao seu o nosso pranto. Só assim as nossas palavras podem ser realmente capazes de dar um pouco de esperança. E se não posso dizer palavras assim, com o pranto, com a dor, melhor o silêncio; o carinho, o gesto e nada de palavras.

E Deus, com a sua delicadeza e o seu amor, responde ao pranto de Raquel com palavras verdadeiras, não falsas; assim prossegue o texto de Jeremias:

“Eis o que diz o Senhor:
Cessa de gemer, enxuga tuas lágrimas!
Tuas penas terão a recompensa – oráculo do Senhor.
Voltarão (teus filhos) da terra inimiga.
Desponta em teu futuro a esperança – oráculo do Senhor.
Teus filhos voltarão à sua terra”. (Jer 31, 16-17).

Justamente pelo choro da mãe, há ainda esperança para os filhos, que voltarão a viver. Esta mulher, que tinha aceitado morrer, no momento do parto, para que o filho pudesse viver, com o seu pranto é agora princípio de vida nova para os filhos exilados, prisioneiros, distantes da pátria. À dor e ao pranto amargo de Raquel, o Senhor responde com uma promessa que agora pode ser para ela motivo de verdadeiro consolo: o povo poderá voltar do exílio e viver na fé, livre, a própria relação com Deus. As lágrimas geraram esperança. E isso não é fácil de entender, mas é verdade. Tantas vezes, na nossa vida, as lágrimas semeiam esperança, são sementes de esperança.

Como sabemos, este texto de Jeremias é depois retomado pelo evangelista Mateus e aplicado ao massacre dos inocentes (cfr 2, 16-18). Um texto que nos coloca diante da tragédia do assassinato de seres humanos indefesos, do horror do poder que despreza e suprime a vida. As crianças de Belém morrem por causa de Jesus. E Ele, cordeiro inocente, seria depois morto, por sua vez, por todos nós. O Filho de Deus entrou na dor dos homens. Não se pode esquecer isso. Quando alguém se dirige a mim e me faz perguntas difíceis, por exemplo: “Diga-me, padre, por que as crianças sofrem?”, realmente, eu não sei o que responder. Somente digo: “Olha para o crucifixo: Deus nos deu o seu Filho, Ele sofreu, e talvez ali encontrarás uma resposta”. Mas respostas daqui [mostra a sua cabeça] não há. Somente olhando para o amor de Deus que dá seu Filho que oferece a sua vida por nós, pode indicar qualquer caminho de consolação. E por isso dizemos que o Filho de Deus entrou na dor dos homens; partilhou e acolheu a morte; a sua Palavra é definitivamente palavra de consolo, porque nasce do pranto.

E na cruz será Jesus, o Filho que irá morrer, a dar uma nova fecundidade à sua mãe, confiando-a ao discípulo João e tornando-a mãe do povo crente. A morte foi vencida e alcançou, assim, o cumprimento da profecia de Jeremias. Também as lágrimas de Maria, como aquela de Raquel, geraram esperança e vida nova. Obrigado.

Liturgia do Dia – 02/01/2017

João 1, 19-28“A Palavra recorda-nos o imenso amor do Pai para conosco.  Em seu Filho Jesus está a certeza da vida.  Sua Palavra é a presença viva dele no meio da Comunidade.  Escutemos e guardemos para vivê-la.”

Primeira leitura:  1 João 2, 22-28

Salmo Responsorial:  97

Evangelho:  João 1, 19-28

Mensagem do Papa Francisco para 50º Dia Mundial da Paz

brasão-papa_-Francisco

Mensagem do Papa Francisco para 50º Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2017)
Segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

 

A não-violência: estilo de uma política para a paz

1. No início deste novo ano, formulo sinceros votos de paz aos povos e nações do mundo inteiro, aos chefes de Estado e de governo, bem como aos responsáveis das Comunidades Religiosas e das várias expressões da sociedade civil. Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta «dignidade mais profunda»[1] e façamos da não-violência ativa o nosso estilo de vida.

Esta é a Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz. Na primeira, o Beato Papa Paulo VI dirigiu-se a todos os povos – e não só aos católicos – com palavras inequívocas: «Finalmente resulta, de forma claríssima, que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano (não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras duma falsa ordem civil)». Advertia contra o «perigo de crer que as controvérsias internacionais não se possam resolver pelas vias da razão, isto é, das negociações baseadas no direito, na justiça, na equidade, mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras». Ao contrário, citando a Pacem in terris do seu antecessor São João XXIII, exaltava «o sentido e o amor da paz baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor».[2] É impressionante a atualidade destas palavras, não menos importantes e prementes hoje do que há cinquenta anos.

Nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas.

Um mundo dilacerado

2. Enquanto o século passado foi arrasado por duas guerras mundiais devastadoras, conheceu a ameaça da guerra nuclear e um grande número de outros conflitos, hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços. Não é fácil saber se o mundo de hoje seja mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que carateriza a nossa época nos tornem mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela.

Seja como for, esta violência que se exerce «aos pedaços», de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. E para quê? Porventura a violência permite alcançar objetivos de valor duradouro? Tudo aquilo que obtém não é, antes, desencadear represálias e espirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos «senhores da guerra»?

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos, porque grandes quantidades de recursos são destinadas a fins militares e subtraídas às exigências do dia-a-dia dos jovens, das famílias em dificuldade, dos idosos, dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos.

A Boa Nova

3. O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos» (Marcos 7, 21). Mas, perante esta realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39). Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. João 8, 1-11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26, 52), Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Efésios 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: «A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações».[3]

Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência. Esta, como afirmou o meu predecessor Bento XVI, «é realista pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo mais de bondade. Este “algo mais” vem de Deus».[4]E acrescentava sem hesitação: «a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”».[5] A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) – é, justamente, considerada «a magna carta da não-violência cristã»: esta não consiste «em render-se ao mal (…), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça».[6]

Mais poderosa que a violência

4. Por vezes, entende-se a não-violência como rendição, negligência e passividade, mas, na realidade, não é isso. Quando a Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1979, declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: «Na nossa família, não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos de destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros (…). E poderemos superar todo o mal que há no mundo».[7] Com efeito, a força das armas é enganadora. «Enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho, há pobres pacificadores que, só para ajudar uma pessoa, outra e outra, dão a vida»; para estes obreiros da paz, a Madre Teresa é «um símbolo, um ícone dos nossos tempos».[8] No passado mês de setembro, tive a grande alegria de a proclamar Santa. Elogiei a sua disponibilidade para com todos «através do acolhimento e da defesa da vida humana, a dos nascituros e a dos abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! – da pobreza criada por eles mesmos».[9] Como resposta, a sua missão – e nisto representa milhares, antes, milhões de pessoas – é ir ao encontro das vítimas com generosidade e dedicação, tocando e vendando cada corpo ferido, curando cada vida dilacerada.

A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes. Os sucessos alcançados por Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, na libertação da Índia, e por Martin Luther King Jr contra a discriminação racial nunca serão esquecidos. As mulheres, em particular, são muitas vezes líderes de não-violência, como, por exemplo, Leymah Gbowee e milhares de mulheres liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (pray-ins), obtendo negociações de alto nível para a conclusão da segunda guerra civil na Libéria.

E não podemos esquecer também aquela década epocal que terminou com a queda dos regimes comunistas na Europa. As comunidades cristãs deram a sua contribuição através da oração insistente e a ação corajosa. Especial influência exerceu São João Paulo II, com o seu ministério e magistério. Refletindo sobre os acontecimentos de 1989, na Encíclica Centesimus annus (1991), o meu predecessor fazia ressaltar como uma mudança epocal na vida dos povos, nações e Estados se realizara «através de uma luta pacífica que lançou mão apenas das armas da verdade e da justiça».[10] Este percurso de transição política para a paz foi possível, em parte, «pelo empenho não-violento de homens que sempre se recusaram a ceder ao poder da força e, ao mesmo tempo, souberam encontrar aqui e ali formas eficazes para dar testemunho da verdade». E concluía: «Que os seres humanos aprendam a lutar pela justiça sem violência, renunciando tanto à luta de classes nas controvérsias internas, como à guerra nas internacionais».[11]

A Igreja comprometeu-se na implementação de estratégias não-violentas para promover a paz em muitos países solicitando, inclusive aos intervenientes mais violentos, esforços para construir uma paz justa e duradoura.

Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um património exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem «a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida».[12] Reitero-o aqui sem hesitação: «nenhuma religião é terrorista».[13] A violência é uma profanação do nome de Deus.[14] Nunca nos cansemos de repetir: «jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra».[15]

A raiz doméstica duma política não-violenta

5. Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. É uma componente daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia, em março passado, concluindo dois anos de reflexão por parte da Igreja sobre o matrimónio e a família. Esta constitui o cadinho indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão.[16] A partir da família, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade.[17] Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero. Neste sentido, lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética.[18] Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças.

O Jubileu da Misericórdia, que terminou em novembro passado, foi um convite a olhar para as profundezas do nosso coração e a deixar entrar nele a misericórdia de Deus. O ano jubilar fez-nos tomar consciência de como são numerosos e variados os indivíduos e os grupos sociais que são tratados com indiferença, que são vítimas de injustiça e sofrem violência. Fazem parte da nossa «família», são nossos irmãos e irmãs. Por isso, as políticas de não-violência devem começar dentro das paredes de casa para, depois, se difundir por toda a família humana. «O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a pôr em prática o pequeno caminho do amor, a não perder a oportunidade duma palavra gentil, dum sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo».[19]

O meu convite

6. A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação a todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um «manual» desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus –, os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça.

Este é um programa e um desafio também para os líderes políticos e religiosos, para os responsáveis das instituições internacionais e os dirigentes das empresas e dos meios de comunicação social de todo o mundo: aplicar as Bem-aventuranças na forma como exercem as suas responsabilidades. É um desafio a construir a sociedade, a comunidade ou a empresa de que são responsáveis com o estilo dos obreiros da paz; a dar provas de misericórdia, recusando-se a descartar as pessoas, danificar o meio ambiente e querer vencer a todo o custo. Isto requer a disponibilidade para «suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um novo processo».[20] Agir desta forma significa escolher a solidariedade como estilo para fazer a história e construir a amizade social. A não-violência ativa é uma forma de mostrar que a unidade é, verdadeiramente, mais forte e fecunda do que o conflito. No mundo, tudo está intimamente ligado.[21] Claro, é possível que as diferenças gerem atritos: enfrentemo-los de forma construtiva e não-violenta, de modo que «as tensões e os opostos [possam] alcançar uma unidade multifacetada que gera nova vida», conservando «as preciosas potencialidades das polaridades em contraste».[22]

Asseguro que a Igreja Católica acompanhará toda a tentativa de construir a paz inclusive através da não-violência ativa e criativa. No dia 1 de janeiro de 2017, nasce o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que ajudará a Igreja a promover, de modo cada vez mais eficaz, «os bens incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação» e da solicitude pelos migrantes, «os necessitados, os doentes e os excluídos, os marginalizados e as vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, os reclusos, os desempregados e as vítimas de toda e qualquer forma de escravidão e de tortura».[23] Toda a ação nesta linha, ainda que modesta, contribui para construir um mundo livre da violência, o primeiro passo para a justiça e a paz.

Em conclusão

7. Como é tradição, assino esta Mensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nossa Senhora é a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade (cf. Lucas 2, 14). Peçamos à Virgem Maria que nos sirva de guia.

«Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir».[24]No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. «Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz».[25]

Vaticano, 8 de dezembro de 2016.

Francisco

…………………………………………………………………………..

[1] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.

[2] Mensagem para a celebração do 1º Dia Mundial da Paz, 1° de janeiro de 1968.

[3] «Legenda dos três companheiros»: Fontes Franciscanas, n. 1469.

[4] Angelus, 18 de fevereiro de 2007.

[5] Ibidem.

[6] Ibidem.

[7] Discurso por ocasião da entrega do Prémio Nobel, 11 de dezembro de 1979.

[8] Francisco, Meditação «O caminho da paz», Capela da Domus Sanctae Marthae, 19 de novembro de 2015.

[9] Homilia na canonização da Beata Madre Teresa de Calcutá, 4 de setembro de 2016.

[10] N. 23

[11] Ibidem.

[12] Francisco, Discurso na Audiência inter-religiosa, 3 de novembro de 2016.

[13] Idem, Discurso no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 5 de novembro de 2016.

[14] Cf. Idem, Discurso no Encontro com o Xeque dos Muçulmanos do Cáucaso e com Representantes das outras Comunidades Religiosas, Baku, 2 de outubro de 2016.

[15] Idem, Discurso em Assis, 20 de setembro de 2016.

[16] Cf. Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia, 90-130.

[17] Cf. ibid., 133.194.234.

[18] Cf. Francisco, Mensagem à Conferência sobre o impacto humanitário das armas nucleares, 7 de dezembro de 2014.

[19] Idem, Carta enc. Laudato si’, 230.

[20] Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 227.

[21] Cf. Idem, Carta enc. Laudato si’, 16.117.138.

[22] Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.

[23] Idem, Carta apostólica sob a forma de “Motu proprio” pela qual se institui o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, 17 de agosto de 2016.

[24] Francisco, Regina Caeli, Belém, 25 de maio de 2014.

[25] Apelo, Assis, 20 de setembro de 2016.

Liturgia do Dia – 01/01/2017

Lucas 2, 41-51“Na plenitude dos tempos, o Pai nos deu sua benção eterna:  seu Filho Jesus Cristo, nascido de Maria.  Deus ofereceu-nos a plenitude da paz e a salvação.  Ele veio para salvar a humanidade da morte e resgatar-nos para a vida.”

Primeira leitura:  Números 6, 22-27

Salmo Responsorial:  66

Segunda leitura:  Gálatas 4, 4-7

Evangelho:  Lucas 2, 16-21

Liturgia do Dia – 31/12/2016

mesa-da-palavra-domingo-22-de-janeiro-2102“Quem é de Deus aceita as coisas que dele provém, principalmente sua Palavra que é vida em nossa vida.  Cristo, Palavra viva do Pai e Verbo encarnado, fez sua morada entre nós.  Aceitemos o que Ele nos ensina.”

Primeira leitura:  1 João 2, 18-21

Salmo Responsorial:  95

Evangelho:  João 1, 1-18

A Catequese do Papa Francisco – 28/12/2016

brasão-papa_-Francisco

CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

São Paulo, na Carta aos Romanos, nos recorda a grande figura de Abraão, para nos indicar o caminho da fé e da esperança. Dele, o apóstolo escreve: “Esperando, contra toda a esperança, Abraão teve fé e se tornou pai de muitas nações” (Rm 4, 18); “esperando contra toda esperança”. Este conceito é forte: mesmo quando não há esperança, eu espero. É assim o nosso pai Abraão. São Paulo está se referindo à fé com que Abraão acreditou na palavra de Deus que lhe prometia um filho. Mas era um verdadeiro confiar-se esperando “contra toda esperança”, tanto era inacreditável aquilo que o Senhor lhe estava anunciando, porque ele era idoso – tinha quase cem anos – e sua esposa era estéril. Não conseguia! Mas Deus lhe disse e ele acreditou. Não havia esperança humana porque ele era idoso e a esposa estéril: e ele acreditou.

Confiando nessa promessa, Abraão se colocou em caminho, aceitou deixar sua terra e se tornar estrangeiro, esperando esse “impossível” filho que Deus deveria dar-lhe apesar do ventre de Sara ser como morto. Abraão crê, a sua fé se abre a uma esperança aparentemente irracional; essa é a capacidade de ir além das razões humanas, da sabedoria e da prudência do mundo, além daquilo que é normalmente tido como bom senso, para acreditar no impossível. A esperança abre novos horizontes, torna capaz de sonhar aquilo que não é nem mesmo imaginável. A esperança faz entrar na escuridão de um futuro incerto para caminhar na luz. É bela a virtude da esperança; nos dá tanta força para caminhar na vida.

Mas é um caminho difícil. E vem o momento, também para Abraão, da crise do desespero. Confiou, deixou sua casa, sua terra, seus amigos….Tudo. Partiu, chegou ao país que Deus lhe havia indicado, o tempo passou. Naquele tempo, fazer uma viagem não era como hoje, com os aviões – em poucas horas se faz – era preciso meses, anos! O tempo passou, mas o filho não vinha, o ventre de Sara permanecia fechado em sua esterilidade.

E Abraão, não digo que perdeu a paciência, mas se lamentou com o Senhor. Também isso aprendemos com o nosso pai Abraão: lamentar-se com o Senhor é um modo de rezar. Às vezes eu ouço, quando confesso alguém: “Me lamentei com o Senhor…”, e eu respondo: “Mas, não! Lamente-se, Ele é pai!”. E este é um modo de rezar: lamenta-se com o Senhor, isso é bom. Abraão se lamenta com o Senhor dizendo: “Senhor Deus, […] em continuo sem filhos e o herdeiro da minha casa é Eliézer de Damasco (Eliézer era aquele que regia todas as coisas). Acrescenta Abraão: “Bem, a mim não deu descendência e meu servo será meu herdeiro”. E então lhe foi dirigida esta palavra do Senhor: “Não será este um o seu herdeiro, mas um nascido de ti será teu herdeiro”. Depois o faz ir para fora, o conduz e lhe diz: “Olha para o céu e conta as estrelas, se conseguir contá-las”; e acrescenta: “Tal será a tua descendência”. E Abraão outra vez acredita no Senhor, que lho imputou como justiça. (Gen 15, 2-6).

A cena se desenvolve de noite, lá fora está escuro, mas também no coração de Abraão há o escuro da desilusão, do desencorajamento, da dificuldade em continuar a esperar algo de impossível. Agora, o patriarca está mais avançado nos anos, parece que não há mais tempo para um filho e será um servo a assumir herdando tudo.

Abraão está se dirigindo ao Senhor, mas Deus, mesmo se está presente ali e fala com ele, é como se agora estivesse distante, como se não tivesse fé na sua palavra. Abraão se sente sozinho, está velho e cansado, a morte se aproxima. Como continuar a confiar?

Já este seu lamentar-se é uma forma de fé, é uma oração. Apesar de tudo, Abraão continua a acreditar em Deus e a esperar que algo ainda poderia acontecer. Caso contrário, porque interpelar o Senhor, reclamar com Ele, lembrá-lo das suas promessas? A fé não é só silêncio que tudo aceita sem replicar, a esperança não é certeza que te coloca a salvo da escuridão e da perplexidade. Mas tantas vezes, a esperança é escuridão; mas está ali a esperança que te leva adiante. Fé é também lutar com Deus, mostrar-lhe a nossa amargura, em “tortas” ficções. “Eu me irritei com Deus e lhe disse isso, isso, isso,….”. Mas Ele é pai, Ele te entendeu: vai em paz! É preciso ter essa coragem! E isso é a esperança. E esperança é também não ter medo de ver a realidade por aquilo que é e aceitar suas condições.

Abraão, portanto, na fé, se dirige a Deus para que o ajude a continuar esperando. É curioso, não pede um filho. Pede: “Ajuda-me a continuar a esperar”, a oração de ter esperança. E o Senhor responde insistindo com a sua inacreditável promessa: não será um servo o herdeiro, mas propriamente um filho, nascido de Abraão, gerado por ele. Nada mudou, da parte de Deus. Ele continua a confirmar aquilo que já tinha dito e não oferece pontos de apoio para Abraão, para sentir-se tranquilo. A sua única segurança é confiar na palavra do Senhor e continuar a esperar.

E aquele sinal que Deus dá a Abraão é um pedido a continuar a acreditar e a esperar: “Olha para o céu e conta as estrelas […] Tal será a tua descendência” (Gen 15, 5). É ainda uma promessa, é ainda algo a esperar para o futuro. Deus leva Abraão para fora da tenda, da realidade de suas visões restritas, e lhe mostra as estrelas. Para acreditar, é necessário saber ver com os olhos da fé; são só estrelas, que todos podem ver, mas para Abraão devem se tornar o sinal da fidelidade de Deus.

É esta a fé, este o caminho da esperança que cada um de nós deve percorrer. Se também a nós permanece como única possibilidade aquela de olhar as estrelas, então é tempo de confiar em Deus. Não há coisa mais bela. A esperança não desilude. Obrigado.

Liturgia do Dia – 28/12/2016

mateus 2, 13-13.19-23“A verdade divina é luz para que os que creem, pois nos faz enxergar as chagas presentes na sociedade, geradoras de morte e de opressão.  Quem oprime e escraviza está longe de Deus e de seu reino.”

Primeira leitura:  1 João 1, 5-2,2

Salmo Responsorial:  123

Evangelho:  Mateus 2, 13-18

Liturgia do Dia – 27/12/2016

João 20, 2-8“A Palavra nos leva a fazer a experiência contínua de Deus em nossa vida e bebermos a vida que emana do amor, da misericórdia e da ressurreição de Cristo. Feliz quem se deixa conduzir pela Palavra da vida.”

Primeira leitura:  1 João, 1-4

Salmo Responsorial:  96

Evangelho:  João 20, 2-8

Liturgia do Dia – 26/12/2016

Mateus 10, 17-22“É fácil condenar os justos; o difícil é fazer o que eles fizeram e viver como viveram. A fidelidade ao Evangelho de Cristo nos faz testemunhas da verdade, como a testemunhou Estêvão.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 6,8-10;7,54-59

Salmo Responsorial:  30

Evangelho:  Mateus 10, 17-22

Liturgia do Dia – 25/12/2016

joão 1, 1-18“A Palavra se fez carne e tornou-se visível.  Palavra que não somente se ouve, mas também se vê:  O Verbo de Deus! Quem a acolhe se torna verdadeiramente filho ou filha de Deus.”

Primeira leitura:  Isaías 52, 7-10

Salmo Responsorial:  97

Segunda leitura:  Hebreus 1,1-6

Evangelho:  João 1, 1-8

Acesse o folheto da Solenidade de Natal – Missa do Dia – clicando aqui

Liturgia da Missa da noite de Natal

Lucas 2, 1-14“Desde os tempos antigos, o povo de Deus aguarda ansiosamente a instauração da justiça e da paz.  Apesar dos sofrimentos vividos, o povo mantinha a confiança de que Deus não havia esquecido dele.  Por isso, o anúncio do nascimento de Jesus tornou-se motivo de grande alegria para as pessoas de todos os tempos.  Deus realmente não se esqueceu de nós.”

Primeira leitura:  Isaías 9, 1-6

Salmo Responsorial: 95

Segunda leitura:  Tito 2, 11-14

Evangelho:  Lucas 2,1-14

Acesse o folheto da Missa da Noite de Natal, clicando aqui.

Liturgia do Dia – 24/12/2016

Lucas 1, 67-79“Belo é o cântico de Zacarias, o Benedictus, que no Espírito Santo canta a bênção do Senhor sobre seu povo.  E não há bênção maior do Pai, do que a presença de seu Filho entre nós.”

Primeira leitura:  2Samuel 7,1-5.8b-12.14a-16

Salmo Responsorial:  88

Evangelho:  Lucas 1, 67-79

A árvore de Aleppo

jesus-natalPor Michelle Neves
Ministra do Acolhimento

Após cinco anos do início da guerra civil na Síria, a população da cidade de Aleppo, devastada pela ação humana, acolheu com alegria a construção de um dos mais significativos símbolos do cristianismo para esta época do ano, a árvore de Natal.

Construída no bairro cristão de Aziziyeh, localizado na zona oeste da cidade, às vésperas do Natal, a árvore é o primeiro sinal da libertação do povo de Aleppo, como afirmou o responsável pela Associação que ajuda aos cristãos do Oriente, Alexandre Goodarzy, que em entrevista concedida a ACI Imprensa também afirmou: “estão [todos] muito felizes, porque para eles é o símbolo da vinda de Jesus, da paz, para eles é o Senhor da paz que está voltando para as suas vidas. Estão felizes de ver o símbolo do Natal. Inclusive os muçulmanos estão contentes com esta grande árvore.”

O sentimento que pairou nos corações de Aleppo tem fundamento.  A relação entre a árvore e o nascimento do Menino Deus, remonta do século VII, na Europa Central.  São Vilfrido, (634-710) um monge anglo-saxão que encontrava dificuldades em fazer a comunidade pagã abandonar os ídolos e acolher a realização da promessa messiânica, protagonizou a história.

Conta a lenda que ele resolveu derrubar um velho e cultuado carvalho, que se encontrava diante de sua igreja e no momento em que este caía armou-se uma enorme tempestade. Quando os galhos tocaram o chão com grande estrondo, um raio partiu o tronco em quatro grandes pedaços, espalhando estilhaços de madeira por toda a parte. Mas, um pinheirinho, muito novo e verde, que nascera exatamente no lugar da queda, havia permanecido milagrosamente incólume.

Na noite de Natal, São Vilfrido associou o ocorrido ao nascimento do Jesus, ressaltando que o pinheirinho se conservava sempre verde, mesmo no inverno mais rigoroso e que, por isso, ele poderia também ser considerado um dos símbolos da imortalidade. A didática de São Vilfrido foi, ano após ano, sendo acolhida pelo povo e mais tarde repetida por São Bonifácio (637-754), numa pequena cidade da Alemanha, sempre no tempo de natal, onde o solstício hibernal era normalmente carregado de tempestades e vendavais.

A associação entre a árvore e o nascimento de Jesus também despertou o interesse do povo por outras passagens bíblicas, cuja a árvore aparecia como um elemento importante: árvore da vida no meio do jardim que distanciava a morte, oferecendo a possibilidade da eternidade; o Cristo declarado como o tronco, os seus seguidores como ramos e as boas obras (justiça, amor e paz) como frutos; a figueira que precisava ser podada (a renúncia ao pecado) para dar frutos, o madeiro da cruz, no qual Jesus, crucificado e morto, nos libertou e abriu as portas do paraíso à todos.

A árvore de Aleppo, não por mero acaso, abraça todas essas realidades, e clama ao mundo, seja acolhido Aquele que vem, para que todos tenham vida, e vida em abundância.

Paz na Terra!

 

Liturgia do Dia – 22/12/2016

Lucas 1, 46-56“Ana alegrou-se com o nascimento de Samuel.  Isabel encheu-se de alegria ao acolher Maria, que cantou as maravilhas do Senhor. E nós, como reagimos com a mesma Palavra que ouvimos?

Primeira leitura:  1Samuel 1, 24-28

Salmo Responsorial:  1 Samuel 2, 1-8

Evangelho:  Lucas 1,46-56