Encontros de Acolhimento e Acolhida da Relíquia de Santa Teresa de Calcutá

No próximo dia 22 de outubro, dia da celebração da Festa de São João Paulo II, às 17 horas, a Paróquia São Paulo Apóstolo, acolherá a Relíquia de Santa Teresa de Calcutá, canonizada no mês de setembro último. A relíquia ficará exposta até as 20:30, do dia 23, domingo e a visitação dos fiéis acontecerá no intervalo das missas.

No mesmo dia, e com a presença da relíquia, acontecerá na paróquia mais um Encontro de Acolhimento, às 15:30, com o tema:  “O Sentido Cristão do Sofrimento Humano, um chamado à Esperança”, inspirado na Carta Apostólica Salvifici Doloris, do então Papa João Paulo II.

Pede-se aos fiéis a doação de um quilo de alimento não perecível, que será destinado às obras sociais atendidas pela Paróquia.

A paróquia fica a Rua Barão de Ipanema, 85, em Copacabana, Rio de Janeiro.

 

 

Abertura do Ano Mariano

fb_img_1475370074032No próximo dia 12 de outubro, Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Paróquia São Paulo Apóstolo, em comunhão com a Igreja celebrará a Abertura do Ano Mariano, na Missa que acontecerá as 18 horas.

A Solenidade iniciará com a procissão das velas, seguida da Coroação de Nossa Senhora, Consagração, Bênção dos objetos de devoção, Ofício de Nossa Senhora e Terço Mariano.

Nesse dia serão também celebradas missas nos seguintes horários: 07:00 – 09:00 – 12:00

 

Liturgia do Dia – 02/10/2016

Lucas 17, 5-10“A justiça de Deus acontece na ação das pessoas retas e tementes a Ele.  É preciso ter fé, confiar no Senhor e alimentar nossa vida e nossa ação em sua Palavra. Assim vivemos os dons e enfrentamos os desafios.”

Primeira leitura:  Habacuc 1,2;2, 2-4

Salmo Responsorial:  94

Segunda leitura:  2Timóteo 1,6-8.13-14

Evangelho:  Lucas 17, 5-10

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Por Dom Henrique Soares da Costa (*)

Hoje, a Palavra de Deus nos coloca diante de um tema inquietante, o tema da fé. E o coloca com toda a dureza, nas palavras do profeta Habacuc. Ele viveu no final do século VII, início do século VI antes de Cristo. Reinava em Judá um rei iníquo, Joaquim; o povo já não cultivava amor pelo Senhor; imperava a injustiça, a impiedade, a imoralidade, a violência do grande contra o pequeno; o culto ao Senhor Deus, o Único, o Eterno, o Santo, era relativizado, fazendo com que muitos achassem que se podia servir ao Senhor e aos ídolos, servir ao Senhor fazendo concessões ao pecado, soas baals…

Diante desta situação tão triste, o profeta anunciava que os babilônios viriam e levariam o povo para o exílio. Seria a correção de Deus. Sim, Deus ama e, porque ama, castiga – ainda hoje Deus castiga! -, castigo de amor, para nos corrigir, para nos converter, para nos livrar da morte!

Mas, aí, o profeta entra em crise: Está certo que Judá merecia castigo; mas, por que Deus iria usar para castigar exatamente os babilônios, que eram um povo mais pecador e violento que os judeus? Por que o Santo usaria um povo pagão, idólatra para corrigir o Seu povo, a Sua herança amada?

O profeta angustia-se com esta incompreensível lógica do Senhor e, com dor e sinceridade sofrida, apresenta o seu protesto: “Senhor, até quando clamarei, sem me atenderes?
Até quando devo gritar a Ti: ‘Violência!’, sem me socorreres? Por que me fazes ver iniquidades, quando Tu mesmo vês a maldade?  Destruições e prepotência estão à minha frente”.

Em outras palavras: “Senhor, Tu não vês?

Será que não enxergas o tanto de pecado, de maldade, de perversidade?

Tu bem poderias resolver tudo!

Tu poderias corrigir o Teu povo de um modo mais lógico, mais compreensível para nós, pobres mortais!

Por que, ó Santo, ages deste modo?

Por que Teu agir e Tua lógica nos escapam?

Que Deus tão misterioso és!”

Crer não é compreender tudo. O profeta, que fala em nome de Deus, nem mesmo ele compreende totalmente o agir de Altíssimo, e se angustia, e pergunta, e chora: “Senhor, por que ages assim?

Por que Teus caminhos nos escapam deste modo?”

A verdade é que a fé não é uma realidade quieta e pacífica!

O próprio Jesus adverte que somente os violentos conquistam o Reino dos Céus (cf. Mt 11,12s); somente aqueles que lutam, que teimam em acreditar!

A fé é uma realidade que faz sangrar: sangrar na dor de tantas perguntas sem resposta, sangrar pelo sofrimento do inocente, pela vitória dos maus, pelo mal presente em tantas dimensões da nossa vida…

E Deus parece calar-Se!

Um filósofo ateu do século passado chegou a dizer, escandalizado com o sofrimento no mundo: “Se Deus existe, o mundo é Sua reserva de caça!”

Jó, usou palavras parecidas: “Também hoje minha queixa é uma revolta, porque Sua mão agrava os meus gemidos. Ele cobriu-me o rosto com a escuridão (23,2.17).

Que coisa: maior que o sofrimento, é o pesado silêncio do Altíssimo!

E, pesaroso, Jó se queixa de Deus: “Clamo por Ti, e não me respondes; insisto, e não Te importas comigo. Tu Te tornaste o meu carrasco e me atacas com Teu braço musculoso!” (30,20s).

Por que, Senhor? Por que Te calas?

Por que Teus caminhos nos são escondidos?

Por que parece que não Te importas conosco?

– Eis a dor que sangra das feridas dos crentes!

A resposta de Deus a Habacuc não explica, mas convida a crer novamente, a abandonar-se novamente, a teimar na perseverança: “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé!’

Em outras palavras: ainda que agora tudo pareça confuso, ainda que neste tempo e neste mundo, tantas vezes as coisas pareçam sem lógica, há sim um juízo de Deus: o ímpio se perderá; o justo, o amigo do Senhor, viverá, graças à sua fidelidade!

Deus é assim: nunca nos explica, mas nos convida sempre à confiança renovada, ao abandono nas Suas mãos.

Mais uma vez, para que ninguém se iluda, pensando que pode barganhar com o Senhor: Quem não é correto, quem não se entrega nas mãos do Senhor, perderá a fé, morrerá, pois matará sua amizade com Deus… Mas o justo, o amigo de Deus, viverá, permanecerá firme pela sua fé total e confiante! O justo vive da fé!

É isto que é tão difícil para o homem de hoje, que tudo deseja enquadrar na sua razão e, quando não enquadra, se revolta e dá as costas a Deus e, assim, termina morrendo, porque viver sem Deus é a pior das mortes, o maior dos absurdos!

O justo vive da fé, vive na fé, vive abandonado nas mãos do Senhor, como dizem as palavras da Antífona de Entrada, que o missal coloca para a liturgia de hoje:
“Senhor, tudo está em Vosso poder, e ninguém pode resistir à Vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra, e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo!” (Est 13,9.10-11).

Nunca esqueçamos: Deus não nos explica Seu modo de agir! Se o compreendêssemos, compreenderíamos o próprio Deus e, aí, já não seria o Deus verdadeiro, mas apenas um idolozinho!

Contudo, isso não significa que Deus não liga para nossa dor e para o nosso destino. Pelo contrário! Ele veio a nós, fez-Se um de nós, viveu nossa vida, suportou nossas dores, experimentou nossa morte!

Deus próximo, Deus de amor, Deus solidário!

Por isso, podemos olhar para Ele e, suplicantes, estender-Lhe as mãos, como os discípulos do Evangelho, que pediam: “Aumenta a nossa fé!” E Jesus responde – a eles e a nós – “Se vós tivésseis fé (em Mim), mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’ e ela vos obedeceria”. Ou seja: se crermos de verdade Naquele amor que Se manifestou até a cruz, se crermos – aconteça o que acontecer – que Deus nos ama a ponto de entregar o Seu Filho, teremos a força de enfrentar todas as noites com a Sua luz, todos os pecados com a Sua graça, todas as mortes com a Sua Vida! Mas, se não crermos, pereceremos…

O que o Senhor espera dos Seus servos é esta fé total, incondicional, pobre e amorosa! É o que o Senhor espera de nós!

Mas, o que fazemos? Queremos recompensas, provas, certezas lógicas!

E, os mais cultos, vamos atrás de filosofias e sabedorias humanas;
e os mais incultos e tolos, vamos atrás de seitas, de descarregos, de exorcismos feitos por missionários de araques e pastores de si próprios, falsos profetas de um deus falso, feito de dízimos, moedas e gritarias…

O justo vive da fé!

Como nos exorta a segunda leitura, reavivamos a chama do Dom de Deus que recebemos!

“Deus não nos deu um espírito de timidez, de frouxidão, de covardia e incerteza, mas de fortaleza, de amor e sobriedade”. O Dom que Ele nos dá é o Espírito do Seu Filho bendito, recebido na Crisma como força, maturidade espiritual, energia para o testemunho na vida e na palavra!

Não nos envergonhemos do testemunho de nosso Senhor!

Guardemos aquilo que aprendemos de nossos antepassados, conservemos o “preciosos depósito” da nossa santa fé católica e apostólica, “com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós” – para isto fomos confirmados com o santo óleo crismal.

Não corramos atrás das ilusões, fruto das invenções humanas!

É isto que o Senhor espera de nós, é este o nosso dever, é esta a nossa vocação, é esta a nossa glória. E, após termos agido assim, não achemos que temos algum direito diante de Deus. Humildemente, digamos: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”.

Que o Senhor nos dê esta graça: a graça de viver e morrer na fé!
Que o Senhor nos conceda a recompensa dosa servos bons e fiéis! Amém!

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

Liturgia do Dia – 01/10/2016

Lucas 10, 17-24“Já reconhece que é o amor que conduz sua vida, por isso se humilha por ter ousado pedir contas a Deus.  Nossa alegria é saber que, praticando o bem, nosso nome estará inscrito no céu.”

Primeira leitura:  Jó 42, 1-3.5-6.12-16

Salmo Responsorial:  118

Evangelho:  Lucas 10, 17-24

Liturgia do Dia – 30/09/2016

LUCAS 10, 13-16“Jó reconhece que é pequeno diante de Deus e que falou como um insensato.  O Evangelho deixa claro: ‘Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos rejeita, a mim despreza e aquele que me enviou.'”

Primeira leitura:  Jó 38, 1.12-21; 40, 3-5

Salmo responsorial:  138

Evangelho:  Lucas 10, 13-16

Blogueiros Católicos no Retiro da Pascom

CAMINHAR JUNTO COM A IGREJA PROMOVENDO A PASTORAL DAS GRANDES CIDADES

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Movimento que reúne católicos mantenedores de páginas independentes da internet, os ‘blogueiros católicos’ do Rio também se preparam para participar, no próximo dia 8 de outubro, a partir das 8h30, do Retiro Arquidiocesano da Pastoral da Comunicação (Pascom), no Santuário Mariano de Schoenstatt. Com blogs que não tratam apenas ou exclusivamente de temas religiosos, o grupo composto por cineastas, jornalistas, designers, colecionadores, advogados, dentre outros profissionais, e que atualmente conta com 600 participantes entre blogueiros e interessados, compartilha suas ideias, inquietudes e trabalhos a partir dos valores cristãos e, por isso, contribue com a nova evangelização.

“Muitos devem estar se perguntando: por que a participação dos blogueiros católicos no retiro da pascom? Os blogueiros comunicam e também opinam. Embora não façam parte da voz oficial da Igreja é importante que eles também tenham essa preparação e que estejam em sintonia com a arquidiocese. Priorizamos a participação no retiro para que a gente possa caminhar junto com a Igreja a partir da realidade das pastorais das grandes cidades”, enfatizou a coordenadora dos blogueiros católicos no Rio, Michelle Neves.

Criado em setembro de 2011 e com mais de cinco anos de atuação na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, os ‘blogueiros católicos’ do Rio realizam todos os anos o E+Blog, um encontro com o objetivo de estreitar o relacionamento entre os blogueiros e aprofundar os valores cristãos a partir da abordagem de algum tema atual à luz da fé, além da partilha e troca de conhecimentos sobre marketing, ética, novas tecnologias, mídias digitais e redes sociais através de oficinas.

Michelle Neves, que também faz parte da Comissão Arquidiocesana da Pascom, falou ainda sobre o tema que será abordado no retiro, e como ele foi escolhido.

“Todos os retiros a gente busca fazer um link com o ano seguinte. Ano passado falamos sobre a misericórdia, trazendo a realidade do Ano Santo da Misericórdia. Neste ano estamos trabalhando a pastoral das grandes cidades, que é um chamado que Dom Orani fez a Arquidiocese do Rio e que deve começar a ser trabalhado em outubro, em virtude da quantidade de atividades na arquidiocese e na Igreja pelo mundo. Esse retiro é muito importante, por ser o único encontro do ano voltado para a formação espiritual. É um encontro em que nós estamos em comunhão”, ressaltou.

Traçando novas diretrizes e estruturas de atuação com o objetivo de dar mais dinamismo aos blogueiros católicos, alcançar novos públicos e, principalmente, beneficiar a Igreja, sem deixar de lado a identidade e a independência de cada produtor de conteúdo participante do movimento, o ano de 2017 será muito promissor não só para os blogueiros, mas também para os internautas que acompanham o trabalho realizado pelo grupo, que também se preocupa com a dimensão social da cidade.

“Esse encontro é o primeiro passo para um 2017 com muito trabalho de evangelização, muita alegria e muito acolhimento para todas as pessoas que vivem e frequentam a nossa cidade, que tanto sofre em questões de violência, isolamento, depressão, entre outros problemas sociais”, disse Michelle.

Mais informações sobre os ‘Blogueiros Católicos’ do Rio você encontra na página do Facebook E+Blog (@EblogRio).

Retiro Arquidiocesano da Pascom: Últimas vagas

De acordo com a Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Comunicação, o encontro é destinado não só aos agentes da Pascom, mas também aos blogueiros católicos que atuam na Arquidiocese do Rio. As inscrições já se encerraram, mas ainda restam algumas vagas abertas no valor de R$ 25, incluso material de apoio e almoço, e podem ser feitas através do e-mail pascom.arqrio@gmail.com.

Fonte: ARQRio

Liturgia do Dia – 29/09/2016

João 1, 47-51“Deus revela-se a nós em muitos momentos da História da Salvação, mas a revelação plena está em seu Filho Jesus Cristo.  Ele é a revelação que jamais podemos deixar de acolher.”

Primeira leitura:  Daniel 7,9-10.13-14 ou Apocalipse 12,7-12a

Salmo Responsorial:  137

Evangelho:  João 1, 47-51

Catequese do Papa Francisco – 28/09/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

As palavras que Jesus pronuncia durante a sua paixão encontram o seu ápice no perdão. Jesus perdoa: “Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Não são apenas palavras, porque se tornam um ato concreto no perdão oferecido ao “bom ladrão”, que estava próximo a Ele. São Lucas fala de dois malfeitores crucificados com Jesus, que se dirigem a Ele com atitudes opostas.

O primeiro o insulta, como o insultava todo o povo, como fazem os chefes do povo, mas este pobre homem, movido pelo desespero, diz: “Não és tu o Cristo? Salva a ti mesmo e a nós!” (Lc 23, 39). Este grito testemunha a angústia do homem diante do mistério da morte e a trágica consciência de que somente Deus pode ser a resposta libertadora: por isso é impensável que o Messias, o enviado de Deus, possa estar na cruz sem nada fazer para salvar-se. E não entendiam isso. Não entendiam o mistério do sacrifício de Jesus. E em vez disso Jesus nos salvou permanecendo na cruz. Todos nós sabemos que não é fácil “permanecer na cruz”, nas nossas pequenas cruzes de cada dia. Ele, nessa grande cruz, nesse grande sofrimento, permaneceu assim e ali nos salvou; ali nos mostrou a sua onipotência e ali nos perdoou. Ali se cumpre a sua doação de amor e surge para sempre a nossa salvação. Morrendo na cruz, inocente entre dois criminosos, Ele atesta que a salvação de Deus pode alcançar qualquer homem em qualquer condição, mesmo na mais negativa e dolorosa. A salvação de Deus é para todos, ninguém excluído. É oferecida a todos. Por isso o Jubileu é tempo de graça e de misericórdia para todos, bons e maus, aqueles que estão com saúde e aqueles que sofrem. Recordem-se daquela parábola que Jesus conta na festa do casamento de um filho de um poderoso da terra: quando os convidados não quiseram ir, diz a seus servos: “Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes” (Mt 22, 9). Todos somos chamados: bons e maus. A Igreja não é somente para os bons ou para aqueles que parecem bons ou acreditam ser bons; a Igreja é para todos, também preferivelmente para os maus, porque a Igreja é misericórdia. E este tempo de graça e de misericórdia nos faz recordar que nada pode nos separar do amor de Cristo! (cfr Rm 8, 39). A quem está acamado em um leito de hospital, a quem vive fechado em uma prisão, a quantos estão presos pelas guerras, eu digo: olhem para o Crucifixo; Deus está convosco, permanece com vocês na cruz e a todos se oferece como Salvador a todos nós. A vocês que sofrem tanto digo, Jesus foi crucificado por vocês, por nós, por todos. Deixem que a força do Evangelho penetre no vosso coração e vos console, vos dê esperança e a íntima certeza de que ninguém está excluído do seu perdão. Mas vocês podem me perguntar: “Mas, me diga, padre, aquele que fez as coisas mais terríveis na vida, tem possibilidade de ser perdoado?” – “Sim! Sim: ninguém está excluído do perdão de Deus. Somente deve se aproximar arrependido de Jesus e com a vontade de ser por Ele abraçado”.

Este era o primeiro malfeitor. O outro é considerado o “bom ladrão”. As suas palavras são um maravilhoso modelo de arrependimento, uma catequese concentrada para aprender a pedir perdão a Jesus. Primeiro, ele se dirige ao seu companheiro: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?”( Lc 23, 40). Assim coloca em destaque o ponto de partida do arrependimento: o temor de Deus. Mas não o medo de Deus, não: o temor filial de Deus. Não é o medo, mas aquele respeito que se deve a Deus porque Ele é Deus. É um respeito filial porque Ele é Pai. O bom ladrão recorda a atitude fundamental que abre à confiança em Deus: a consciência da sua onipotência e da sua infinita bondade. E este respeito confiante que ajuda a dar espaço a Deus e a confiar em sua misericórdia.

Depois, o bom ladrão declara a inocência de Jesus e confessa abertamente a própria culpa: “Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum” (Lc 23, 41). Portanto, Jesus está ali na cruz para estar com os culpados: através desta proximidade, Ele oferece a eles a salvação. Isso que é escândalo para os chefes e para o primeiro ladrão, para aqueles que estavam ali e zombavam de Jesus, em vez disso, é fundamento da sua fé. E assim o bom ladrão se torna testemunho da Graça; o impensável aconteceu: Deus me amou a tal ponto que morreu na cruz por mim. A própria fé desse homem é fruto da graça de Cristo: os seus olhos contemplam no Crucificado o amor de Deus por ele, pobre pecador. É verdade, era ladrão, tinha roubado toda a vida. Mas no fim, arrependido do que tinha feito, olhando para Jesus tão bom e misericordioso, conseguiu roubar para si o céu: este é um bravo ladrão!

O bom ladrão se dirige enfim diretamente a Jesus, invocando a sua ajuda: “Jesus, lembra-te de mim quando tiverdes entrado no teu Reino!” (Lc 23, 42). Chama-o pelo nome, “Jesus”, com confiança, e assim confessa aquilo que no nome indica: “o Senhor salva”: isso significa o nome “Jesus”. Aquele homem pede a Jesus para se lembrar dele. Quanta ternura nesta expressão, quanta humanidade! É a necessidade do ser humano de não ser abandonado, que Deus lhe seja sempre próximo. Deste modo, um condenado à morte se torna modelo de cristão que se confia a Jesus. Um condenado à morte é um modelo para nós, um modelo para um homem, para um cristão que se confia a Jesus; e também modelo da Igreja que na liturgia tantas vezes invoca o Senhor dizendo: “Recorda-te…recorda-te do teu amor…”.

Enquanto o bom ladrão fala ao futuro: “quando entrares no teu reino”, a resposta de Jesus não se faz esperar; fala no presente: “hoje estarás comigo no paraíso” (v. 43). Na hora da cruz, a salvação de Cristo alcança o seu ápice; e a sua promessa ao bom ladrão revela o cumprimento da sua missão: isso é salvar os pecadores. No início do seu ministério, na sinagoga de Nazaré, Jesus tinha proclamado: “a libertação aos prisioneiros” (Lc 4, 18); em Jericó, na casa do público pecador Zaqueu, tinha declarado que “o Filho do homem – isso é, Ele – veio procurar e salvar quem estava perdido” (Lc 19, 9). Na cruz, o último ato confirma o realizar-se deste desígnio salvífico. Do início ao fim Ele se revelou Misericórdia, se revelou encarnação definitiva e irrepetível do amor do Pai. Jesus é realmente a face da misericórdia do Pai. E o bom ladrão chamou-o pelo nome: “Jesus”. É uma invocação breve e todos podemos fazê-la durante o dia tantas vezes: “Jesus”. “Jesus”, simplesmente. E assim fazê-lo todo o dia.

Liturgia do Dia – 28/09/2016

Lucas 9, 57-62“Jó mostra-nos a transcendência divina e, mesmo no sofrimento, devemos cumprir o desígnio divino.  Seguir o Mestre é estar disposto a tudo, é radicalidade, até o extremo: não ter nada para si.”

Primeira leitura: Jó 9,1-12.14-16

Salmo Responsorial:  87

Evangelho: Lucas 9, 57-62

Liturgia do Dia -27/09/2016

Lucas 9, 51-56“Jó chega ao limite da dor e interroga sobre sua existência humana.  Porém, a dor nos faz humildes e compreensivos.  Jesus também sabia o que o esperava em jerusalém, sua paixão e morte, e para á vai decididamente.”

Primeira leitura:  Jó 3,1-3.11-17.20-23

Salmo Responsorial:  87

Evangelho:  Lucas 9, 51-56

Liturgia do Dia -26/09/2016

marcos 9, 30-37“Jó é um homem justo e paciente e permanece fiel ao Senhor, sem recusar sua dor.  É preciso estar pronto para as surpresas de Deus, como a de fazer-se menor, para que o Senhor aja por meio dele.”

Primeira leitura:  Jó 1,6-22

Salmo Responsorial:  16

Evangelho:  Lucas 9, 46-50

Liturgia do dia – 25/09/2016

estudo do evangelho de lucas“O profeta Amós denuncia a vida extravagante dos esbanjadores, e anuncia que Deus irá tratá-los com justiça.  Jesus, na parábola do rio e do pobre Lázaro, reafirma que Deus escolhe os pequenos e oprimidos para estarem a seu lado.  Feliz quem combate a batalha da vida com fé e segue os mandamentos do Senhor, pois repousará no colo amoroso do Pai Celestial!”

Primeira leitura:  Amós 6, 1a.4-7

Salmo Responsorial:  145

Segunda leitura:  1Timóteo 6, 11-16

Evangelho:  Lucas 16, 19-31

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Meditação por Dom Henrique Soares da Costa

Antes de entrar no tema próprio da Palavra de Deus deste Domingo, convém chamar atenção para três idéias do Evangelho que desmentem três erros que se pregam por aí afora:

(1) Jesus hoje desmente os que afirmam que os mortos estão dormindo. É verdade que, antes do Exílio de Babilônia, quando ainda não se sabia em Israel que havia ressurreição, os judeus e seus textos bíblicos diziam que quem morria iria dormir junto com os pais no sheol, isto é, na mansão dos mortos. Tal ideia foi superada já no próprio Antigo Testamento, lá pelo século II antes de Cristo, quando Israel compreendeu que o Senhor nos reserva a ressurreição: “Quanto a mim, estou sempre Contigo! Minha carne e meu coração podem se consumir: a rocha do meu coração é Deus para sempre!” (Sl 73/72,23.26) – rezava um salmista desta época… Então, os judeus pensavam que quem morresse, ficava bem vivo, na mansão dos mortos, à espera do Julgamento Final. Já aí, havia uma mansão dos mortos de refrigério e paz, para os amigos de Deus, e uma mansão dos mortos de tormento para os ímpios: “Sim, os que se afastam de Ti se perdem!” (Sl 73/72,27) É esta crença que Jesus supõe ao contar a parábola do mau rico e do pobre Lázaro. Então, nem mesmo para os judeus, que não conheciam o Messias, os mortos ficavam dormindo! Quanto mais para nós, cristãos, que sabemos que “nem a morte nem a vida nos poderão separar do amor de Cristo” (Rm 8,38-39). Afirmar que os mortos em Cristo ficam dormindo é desconhecer o poder da ressurreição de Nosso Senhor. Muito pelo contrário, para nós, como para São Paulo, o desejo do cristão é “partir para estar com Cristo” (Fl 1,23). Deus nos livre da miséria de pensar que os mortos em Cristo ficam presos no sono da morte!

(2) Outro erro que a parábola corrige é aquele de quem prega que o inferno não é eterno. Muitas vezes nas Escrituras – e aqui também – Jesus deixou claro que o Céu e o inferno são por toda a eternidade. Na parábola, aparece claro que “há um grande abismo” entre um e outro! Assim, cuidemos bem de viver unidos ao Senhor nesta única vida que temos, pois “é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9,27). Que ninguém se iluda com falsas esperanças e vãs ilusões, como a reencarnação! Acolhamos com fé o que nos foi revelado pela Palavra do Senhor!

(3) Note-se também como os mortos não podem voltar, para se comunicarem com os vivos. O cristão deve viver orientado pela Palavra de Deus e não pela doutrina dos mortos! Morto não tem doutrina, morto não volta, morto não se comunica com os vivos! É ingenuidade e ignorância atribuir aos mortos fenômenos que são fruto do nosso inconsciente! Além do mais, os judeus não pensavam que os espíritos se comunicassem com os vivos: a comunicação com os mortos é peremptoriamente proibida nas Escrituras Sagradas! O modo de comunhão com os mortos é a oração, é entrega-los ao Cristo nosso Deus, Senhor da Vida, que tem vivos e mortos nas Suas mãos benditas! Observe-se bem que o que o rico pede é que Lázaro ressuscite, não que apareça aos vivos como um espírito desencarnado. Daí, a resposta de Jesus: “Eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”!

Com estes esclarecimentos, vamos à mensagem da Palavra para este hoje.

Jesus continua o tema de Domingo passado, quando nos exortou a fazer amigos com o dinheiro injusto. Este é o pecado do rico do Evangelho de hodierno: não fez amigos com suas riquezas! Se tivesse aberto o coração para Lázaro, teria um amigo a recebê-lo no Céu!
É importante notar que esse rico não roubou, não ganhou seu dinheiro matando ou fazendo mal aos outros. Seu pecado foi unicamente viver somente para si: “se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias”. Ele foi incapaz de enxergar o “pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava no chão”, à sua porta.

“Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas”. O rico nunca se incomodou com aquele pobre, nunca perguntou o seu nome – nome que Deus conhecia! –, nunca procurou saber sua história, nunca abriu a mão para ajudá-lo, nunca deu-lhe um pouco de seu tempo. O rico jamais pensou que aquele pobre, cujo nome ninguém importante conhecia, era conhecido e amado por Deus. Não deixa de ser impressionante que Jesus chama o miserável pelo nome, mas ignora o nome do rico! É que o Senhor Se inclina para o pobre, mas olha o rico de longe! Afinal, os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos!

É esta falta de compaixão e de solidariedade que Jesus não suporta, sobretudo nos Seus discípulos; não suporta em nós! Já no Antigo Testamento, Deus recrimina duramente os ricos de Israel: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho; os que cantam ao som da harpa, bebem vinho em taças, se perfumam com os mais finos ungüentos e não se preocupam com a ruína de José”. É necessário que compreendamos isso: não podemos ser cristãos sem nos dar conta da dor dos irmãos, seja em âmbito pessoal seja em âmbito social.

Olhemos em volta: a enorme parábola do mau rico e do pobre Lázaro se repetindo nos tantos e tantos pobres do nosso País, do nosso Estado, da nossa Cidade, muitas vezes bem ao lado da nossa indiferença. Pensemos no dinheiro miseravelmente surrupiado dos cofres públicos por aqueles que deveriam governar com retidão, empregando o dinheiro de todos para os bem de todos, sobretudo dos menos favorecidos! Como o mau rico, estamos nos acostumando com os meninos de rua, com os cheira-colas, com os miseráveis e os favelados, com o assassinato dos moradores de rua… E uma das causas da existência desses é a corrupção estrutural! A advertência do Senhor é duríssima: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião… e não se preocupam com a ruína de José!”

Talvez, ouvindo essas palavras, alguém pergunte: mas, que posso eu fazer? Pois eu digo: comece por votar com vergonha nestas eleições municipais! Não vote nos ladrões, não vote por interesse, não vote nos corruptos, não vote nos descomprometidos com os mais fracos, não vote em que não tem nada além de palavras e promessas vazias! Não vote nos partidos que instalaram neste Brasil a República da Propina! Nada justifica a corrupção, nada pode ser álibi para a gatunagem com o dinheiro público!

Vote com sua consciência, vote buscando o bem comum! Dê-se ao trabalho de escolher com cuidado seus candidatos, dê-se ao trabalho, por amor aos pobres, de pensar bem em quem votar!

Só isso? Não! Olhe quem está ao seu lado: no trabalho, na rua, no sinal de trânsito, no seu caminho. Olhe quem precisa de você: abra o coração, abra os olhos, abras as mãos, faça-se próximo do seu irmão e ele o receberá nas moradas eternas.

Durante dois domingos seguidos o Senhor nos alertou para nosso modo de usar nossos bens… Fomos avisados! Um dia, ele nos pedirá severíssimas contas!
Que pela Sua graça, nós tenhamos, um dia, amigos que nos recebam nas Moradas eternas. Amém.

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

Liturgia do Dia – 24/09/2016

Lucas 9, 43-45“‘O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens’, diz Jesus aos discípulos, que vão entender plenamente o que lhes dizia, só após a ressurreição.  E nós já compreendemos o sentido da ressurreição de Cristo?”

Primeira leitura:  Eclesiastes 11,9-12,8

Salmo Responsorial:  89

Evangelho: Lucas 9,43b-45

 

Catequese do Papa Francisco – 21/09/2016

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Escutamos o trecho do Evangelho de Lucas (6, 36-38) do qual foi tirado o mote deste Ano Santo Extraordinário: Misericordiosos como o Pai. A expressão completa é: “Sejais misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (v. 36). Não se trata de um slogan de efeito, mas de um compromisso de vida. Para compreender bem esta expressão, podemos confrontá-la com aquela paralela do Evangelho de Mateus, onde Jesus diz: “Sede perfeitos assim como vosso Pai celeste é perfeito” (5, 48). No discurso da montanha, que se abre com as Bem Aventuranças, o Senhor ensina que a perfeição consiste no amor, cumprimento de todos os preceitos da Lei. Nesta mesma perspectiva, São Lucas explicita que a perfeição é o amor misericordioso: ser perfeito significa ser misericordioso. Uma pessoa que não é misericordiosa é perfeita? Não! Uma pessoa que não é misericordiosa é boa? Não! A bondade e a perfeição estão enraizadas na misericórdia. Certo, Deus é perfeito. Todavia, se o consideramos assim, torna-se impossível para os homens tender àquela absoluta perfeição. Em vez disso, tê-lo diante dos olhos como misericordioso nos permite compreender melhor em que consiste a sua perfeição e nos estimula a ser como Ele, plenos de amor, de compaixão, de misericórdia.

Mas me pergunto: as palavras de Jesus são realistas? É realmente possível amar como Deus ama e ser misericordioso como Ele?

Se olhamos a história da salvação, vemos que toda a revelação de Deus é um incessante e inesgotável amor pelos homens: Deus é como um pai ou como uma mãe que ama com insondável amor e o derrama com abundância sobre cada criatura. A morte de Jesus na cruz é o ápice da história do amor de Deus com o homem. Um amor tão grande que somente Deus pode realizar. É evidente que, comparado a este amor que não tem medida, o nosso amor sempre parecerá em falta. Mas quando Jesus nos pede para sermos misericordiosos como o Pai, não pensa na quantidade! Ele pede aos seus discípulos para se tornarem sinal, testemunhar da sua misericórdia.

E a Igreja não pode ser outra coisa que não sacramento da misericórdia de Deus no mundo, em todo tempo e para toda a humanidade. Cada cristão, portanto, é chamado a ser testemunha da misericórdia e isso acontece no caminho de santidade. Pensemos em quantos santos se tornaram misericordiosos porque deixara encher seu coração com a divina misericórdia. Deram corpo ao amor do Senhor derramando-o nas múltiplas necessidades da humanidade sofredora. Neste florescer de tantas formas de caridade é possível ver os reflexos da face misericordiosa de Cristo.

Perguntemo-nos: o que significa para os discípulos ser misericordiosos? É explicado por Jesus em dois verbos: “perdoar” (v. 37) e “doar” (v. 38).

A misericórdia se exprime, antes de tudo, no perdão: “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados” (v. 37). Jesus não pretende subverter o curso da justiça humana, todavia recorda aos discípulos que para ter relações fraternas é necessário suspender julgamentos e condenações. É o perdão, de fato, o pilar que rege a vida da comunidade cristã, porque nisso se mostra a gratuidade do amor com que Deus nos amou primeiro. O cristão deve perdoar! Mas por que? Porque foi perdoado. Todos nós que estamos aqui hoje, na praça, fomos perdoados. Nenhum de nós, na própria vida, não teve necessidade do perdão de Deus. E porque nós fomos perdoados, devemos perdoar. Rezamos todos os dias no Pai Nosso: “Perdoai os nossos pecados; perdoai os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Isso é, perdoar as ofensas, perdoar tantas coisas, porque nós fomos perdoados por tantas ofensas, por tantos pecados. E assim é fácil perdoar: se Deus me perdoou, por que não devo eu perdoar os outros? Sou maior que Deus? Esse pilar do perdão nos mostra a gratuidade do amor de Deus, que nos amou primeiro. Julgar e condenar o irmão que peca é errado. Não porque não se queira reconhecer o pecado, mas porque condenar o pecador quebra o laço de fraternidade com ele e despreza a misericórdia de Deus que, em vez disso, não quer renunciar a nenhum dos seus filhos. Não temos o poder de condenar o nosso irmão que erra, não somos mais que ele: temos, em vez disso, o dever de recuperá-lo à dignidade de filho do Pai e de acompanhá-lo no seu caminho de conversão.

À sua Igreja, a nós, Jesus indica também um segundo pilar: “doar”. Perdoar é o primeiro pilar; doar é o segundo pilar. “Dai e vos será dado […] com a mesma medida com que medirdes sereis medidos vós também” (v. 38). Deus dá bem além dos nossos méritos, mas será ainda mais generoso com quantos aqui na terra foram generosos. Jesus não diz o que acontecerá àqueles que não dão, mas a imagem da “medida” constitui um aviso: com a medida do amor que damos, somos nós mesmos a decidir como seremos julgados, como seremos amados. Se olharmos bem, há uma lógica coerente: na medida em que se recebe de Deus, se doa ao irmão, e na medida em que se doa ao irmão, se recebe de Deus!

O amor misericordioso é, por isso, a única via a percorrer. Quanta necessidade todos nós temos de ser um pouco mais misericordiosos, de não falar mal dos outros, de não julgar, de não falar mal com críticas, com inveja, com ciúmes. Devemos perdoar, ser misericordiosos, viver a vida no amor. Este amor permite aos discípulos de Jesus não perder a identidade recebida Dele e de reconhecer-se como filhos do mesmo Pai. No amor que esses praticam na vida se reflete assim aquela Misericórdia que nunca terá fim (cfr 1 Cor 13, 1-12). Mas não se esqueçam disso: a misericórdia e dom; perdão e dom. Assim, o coração se alarga, se alarga no amor. Em vez disso, o egoísmo, a raiva, tornam o coração pequeno, que se endurece como uma pedra. O que vocês preferem? Um coração de pedra ou um coração de amor? Se preferem um coração cheio de amor, sejam misericordiosos!

Liturgia do Dia – 20/09/2016

Palavra de Deus“Deus é quem pesa o coração humano e conhece os que praticam a justiça e a misericórdia.  O desejo divino é que sejamos, de fato, a família de Deus, cumprindo o que Cristo nos ensinou.”

Primeira leitura: Provérbios 21, 1-6.10-13

Salmo Responsorial:  118, 1.27.30.34.35.44

Evangelho:  Lucas 8, 19-21

Liturgia do Dia – 18/09/2016

Lucas 16, 1-13“O desejo de Deus é que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.  Sua Palavra é a verdade! Quem acolhe e medita atentamente essa Palavra não se deixa enganar por falsos deuses, porque ninguém pode servir a dois senhores.”

Primeira leitura:  Amós 8, 4-7

Salmo Responsorial:  112

Segunda leitura: 1 Timóteo 2,1-8

Evangelho:  Lucas 16, 1-13

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Meditação para este Domingo

Por Dom Henrique Soares da Costa (*)

 

O sentido do Evangelho de hoje encontra-se numa constatação e num conselho de Jesus.

Primeiro, a constatação: “Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios que os filhos da luz”.

Depois, o conselho, que, na verdade, é uma exortação: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”.

Que significam estas palavras?

A constatação de Jesus é tristemente real: de modo geral, os pecadores são mais espertos e mais dispostos para o mal, que os cristãos para o bem!

Pecadores entusiasmados com o pecado, apóstolos do pecado, divulgadores do pecado…

Cristãos sem entusiasmo pelo Evangelho, sem ânimo para a virtude, sem criatividade para crescer no caminho de Deus!

Pecadores motivados, cristãos cansados e preguiçosos!

Que vergonha! Hoje, como ontem, a constatação de Jesus é verdadeira!

Olhemo-nos, olhemos uns para os outros, olhemos para esta Comunidade chamada Igreja, que, dominicalmente, se reúne para escutar a Palavra e nutrir-se do Corpo do Senhor…

Somos dignos da Eucaristia? Sê-lo-emos se nos tornamos testemunhas entusiasmadas e convictas Daquele que aqui escutamos, Daquele por quem aqui somos alimentados!

Da constatação triste do Senhor, brota Sua exortação grave: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas”.
Palavras estranhas; à primeira vista, escandalosas… Que significam?
Jesus chama o dinheiro de “injusto”, de “iníquo”… Compreendamos: “dinheiro” aqui é tudo quanto temos, tudo quanto para nós seja valioso, positivo: juventude, maturidade, experiência, inteligência, família, boa fama, profissão, emprego, amigos, dinheiro, bens materiais… Tudo isto é dinheiro!

O Senhor o chama “iníquo” porque o dinheiro, a riqueza, os bens materiais e os bens da inteligência, do sucesso, da fama, a família, os amigos, ainda que adquiridos com honestidade, são sempre traiçoeiros, sempre perigosos, sempre na iminência de escravizar nosso coração e nos fazer seus prisioneiros, colocando-se como o Bem por excelência, o sentido da nossa vida… Dinheiro injusto porque sempre nos tenta à injustiça, isto é, a dar-lhe a honra que é devida somente a Deus e de buscar nele a segurança que somente o Senhor nos pode garantir. Por isso, Jesus chama os bens deste mundo de “dinheiro injusto”… Sempre injusto, porque sempre traiçoeiro, sempre traiçoeiro, porque sempre sedutor, sempre sedutor porque nosso coração apega-se tão fácil a tantas coisas passageiras! Constantemente corremos o risco de nos embebedar com ele, fazendo dele o fim de nossa existência, nossa segurança e nosso deus…

Mas, os bens materiais, em geral, e o dinheiro, em particular, não são maus de modo absolutos… Eles podem ser usados para o bem! Por isso Jesus nos exorta a fazer amigos com eles… Fazemos amigos com nossos bens materiais ou espirituais quando os colocamos não somente ao nosso serviço, mas também ao serviço do crescimento dos irmãos, sobretudo dos mais necessitados. Aí, o “dinheiro” se torna motivo de libertação, de alegria e de vida para os outros… Aí, então, tornamo-nos amigos dos pobres, que nos receberão de braços abertos na Casa do Pai!

Bendito dinheiro, quando nos faz amigos dos pobres e, por meio deles, amigos de Deus!

Que o digam os cristãos que foram ricos e se fizeram amigos de Deus porque foram amigos dos pobres! Que o digam Santa Brígida da Suécia, Santo Henrique da Baviera, São Luís de França, os Santos Isabel e Estevão, reis da Hungria e tantos outros, que souberam colocar seus bens a serviço de Deus e dos irmãos! Uma coisa é certa: é impossível ser amigo de Deus não sendo amigo dos pobres, dos necessitados de quaisquer que sejam as pobrezas da vida!

Sobre isso o Senhor nos adverte duramente na primeira leitura: ai dos que celebram as festas religiosas dos sábados e das luas novas em honra do Senhor com o pensamento de, no dia seguinte, roubar, explorar o pobre e pisar o fraco! Maldita prática religiosa, esta!
A queixa do Senhor é profunda, Sua sentença é terrível. Ouçamos o que Ele diz, e tremamos: “Por causa da soberba de Jacó, o Senhor jurou: ‘Nunca mais esquecerei o que eles fizeram!’”

A verdade é que não podemos usar nossos bens como se Deus não existisse e não nos mostrasse os irmãos necessitados, como também não podemos adorar a Deus como se não tivéssemos dinheiro e outros bens materiais ou da inteligência, bens que devem ser colocados debaixo do senhorio de Cristo! Não podemos separar nossa relação com Deus do modo como usamos os nossos bens! Ou as duas vão juntas, ou a nossa religião é falsa! Por isso, perguntemo-nos hoje: como uso os bens materiais, como uso meus talentos, como uso minha inteligência? Somente para mim? Ou sei colocar-me a serviço, fazendo de minha vida uma partilha, tornando outros felizes e o Nome de Deus honrado?

Os bens deste mundo são pouco, em relação com os bens eternos que o Senhor nos promete para sempre. Pois bem, escutemos o que diz o nosso Salvador: “Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes. Se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? Em outras palavras, para que ninguém tenha a desculpa de dizer que não compreendeu o que o Senhor quis dizer: Quem é fiel no uso das coisas pequenas deste mundo, será fiel nas coisas grandes que o Pai dará no Céu. Se vós não sois fiéis no uso dos bens desta vida, como Deus vos confiará a Vida eterna, que é o verdadeiro bem? E se não sois fieis nos bens que não são vossos para sempre porque morrereis, como Deus vos confiará aquilo que é o verdadeiro bem, a Vida eterna, que será vossa para sempre?

Olhemos nós, que o modo de nos relacionarmos com o dinheiro e demais bens diz muito do que nós somos, afinal o nosso tesouro está onde está nosso coração! Dizei-me onde anda o vosso coração, o vosso apego, a vossa preocupação, e eu vos direi qual é o tesouro da vossa vida!
Tristes de nós quando o nosso tesouro não for unicamente Deus! Tristes de nós quando, por amor ao que passa, perdemos a Deus, o único Bem que não passa! Uma coisa é certa: a advertência duríssima de Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores. Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro!”

Que nos converta a misericórdia de Deus, que sendo tão bom, “quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. A Ele a glória para sempre. Amém.

(*) Bispo Diocesano de Palmares/PE

Liturgia do Dia – 17/09/2016

Lucas 8, 4-15“O fruto da Palavra em nós é a felicidade eterna.  Ela nos introduz no diálogo com o Senhor.  Ele nos ensina como podemos falar com Ele. Sua palavra é eterna e nos dá a vida eterna.”

Primeira leitura:  1Coríntios 15, 35-37. 42-49

Salmo Responsorial:  55

Evangelho: Lucas 8, 4-15

Liturgia do Dia – 16/09/2016

Lucas 8, 1-3

“Proclamamos a vitória de Cristo sobre a morte com a ressurreição, e a certeza da nossa ressurreição.  E a Comunidade nova, o pequenino rebanho de Cristo, os apóstolos e algumas mulheres, dão início à Igreja e sua missão no mundo: anunciar a Palavra redentora de Cristo.”

Primeira leitura:  1Coríntios 15, 12-20

Salmo Responsorial:  16

Evangelho: Lucas 8, 1-3

Liturgia do Dia – 15/09/2016

Nossa Senhora das Dores“Maria escutou a Palavra de Jesus e guardou em seu coração, o que significa:  a Palavra nela tornou-se vida.  O mesmo deve e precisa acontecer em nós.  Que a Palavra agora ouvida não nos passe despercebido.”

Primeira leitura:  Hebreus 5, 7-9

Salmo Responsorial:  30

Evangelho:  João 19, 25-27 ou Lucas 2, 33-35

Catequese do Papa Francisco – 14/09/2016

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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Durante este Jubileu, refletimos várias vezes sobre o fato de que Jesus se exprime com uma ternura única, sinal da presença e da bondade de Deus. Hoje nos concentramos sobre um trecho comovente do Evangelho (cfr Mt 11, 28-30), no qual Jesus diz: “Vinde a mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. […] Aprendei de mim, que sou brando e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa vida” (vv. 28-29). O convite do Senhor é surpreendente: chama para segui-lo pessoas simples e sobrecarregadas por uma vida difícil, chama a segui-lo pessoas que têm tantas necessidades e promete a elas que Nele encontrarão repouso e alívio. O convite é dirigido de forma imperativa: “vinde a mim”, “tomai o meu jugo”, “aprendei de mim”. Talvez todos os líderes do mundo pudessem dizer isso! Procuremos colher o significado dessas expressões.

O primeiro imperativo é “Vinde a mim”. Dirigindo-se àqueles que estão cansados e oprimidos, Jesus se apresenta como o Servo do Senhor descrito no livro do profeta Isaías. Assim diz o trecho de Isaías: “o Senhor me deu uma língua de discípulo, para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido” (50, 4). A estes desconfiados da vida, o Evangelho coloca ao lado também os pobres (cfr Mt 11,5) e os pequenos (cfr Mt 18, 6). Trata-se de quantos não podem contar com os próprios meios, nem com suas amizades importantes. Esses podem apenas confiar em Deus. Conscientes da própria humildade e mísera condição, sabem depender da misericórdia do Senhor, esperando Dele a única ajuda possível. No convite de Jesus encontram finalmente resposta à sua espera: tornando-se seus discípulos, recebem a promessa de encontrar restauração para toda a vida. Uma promessa que ao término do Evangelho vem expressa a todos os povos: “Ide – diz Jesus aos Apóstolos – e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19). Acolhendo o convite para celebrar este ano de graça do Jubileu, em todo o mundo os peregrinos atravessam a Porta da Misericórdia aberta nas catedrais, nos santuários, em tantas igrejas do mundo, nos hospitais, nos presídios. Por que atravessam esta Porta da Misericórdia? Para encontrar Jesus, para encontrar a amizade de Jesus, para encontrar a restauração que só Jesus dá. Este caminho exprime a conversão de cada discípulo que se coloca ao seguimento de Jesus. E a conversão consiste sempre em descobrir a misericórdia do Senhor. Essa é infinita e inesgotável: é grande a misericórdia do Senhor! Atravessando a Porta Santa, portanto, professamos “que o amor está presente no mundo e este amor é mais poderoso que todo tipo de mal, em que o homem, a humanidade, o mundo estão envolvidos” (João Paulo II, Enc. Dives in misericordia, 7).

O segundo imperativo diz: “Tomai o meu jugo”. No contexto da Aliança, a tradição bíblica utiliza a imagem do jugo para indicar o estreito vínculo que liga o povo a Deus e, por consequência, a submissão à sua vontade expressa na Lei. Em polêmica com os escribas e os doutores da lei, Jesus coloca sobre seus discípulos o seu jugo, no qual a Lei encontra o seu cumprimento. Quer ensinar a eles que descobrirão a vontade de Deus mediante a sua pessoa: mediante Jesus, não mediante leis e prescrições frias que o próprio Jesus condena. Basta ler o capítulo 23 de Mateus! Ele está no centro de sua relação com Deus, está no coração das relações entre os discípulos e se coloca como centro da vida de cada um. Recebendo o “jugo de Jesus”, cada discípulo entra assim em comunhão com Ele e se torna partícipe do mistério da sua cruz e do seu destino de salvação.

Segue-se o terceiro imperativo: “Aprendei de mim”. Aos seus discípulos, Jesus prospecta um caminho de conhecimento e imitação. Jesus não é um mestre que com severidade impõe aos outros os pesos que Ele não leva: esta era a acusação que fazia aos doutores da lei. Ele se dirige aos humildes, aos pequenos, aos pobres, aos necessitados porque Ele mesmo se fez pequeno e humilde. Compreende os pobres e os sofredores porque Ele mesmo é pobre e provado por dores. Para salvar a humanidade, Jesus não percorreu um caminho fácil; ao contrário, o seu caminho foi doloroso e difícil. Como recorda a Carta aos Filipenses: “Humilhou a si mesmo fazendo-se obediente até a morte e a uma morte de cruz” (2, 8). O jugo que os pobres e os oprimidos levam é o mesmo jugo que Ele levou antes deles: por isso é um jugo leve. Ele carregou nas costas as dores e os pecados de toda a humanidade. Para o discípulo, portanto, receber o jugo de Jesus significa receber a sua revelação e acolhê-la: Nele a misericórdia de Deus tomou a cargo a pobreza dos homens, doando, assim, a todos a possibilidade de salvação. Mas por que Jesus é capaz destas coisas? Porque Ele se fez tudo a todos, próximo a todos, aos mais pobres! Era um pastor entre o povo, entre os pobres: trabalhava todos os dias com eles. Jesus não era um príncipe. É ruim para a Igreja quando os pastores se tornam príncipes, distantes do povo, distantes dos mais pobres: esse não é o espírito de Jesus. Quantos pastores Jesus repreendia, e deles Jesus dizia ao povo: “fazei o que dizem, mas não o que fazem”.

Queridos irmãos e irmãs, também para nós há momentos de cansaço e de desilusão. Então nos lembremos destas palavras do Senhor, que nos dão tanto consolo e nos fazem entender se estamos colocando as nossas forças a serviço do bem. De fato, às vezes o nosso cansaço é causado por ter colocado confiança em coisas que não são essenciais, porque nos afastamos daquilo que realmente vale na vida. O Senhor nos ensina a não ter medo de segui-Lo, porque a esperança que colocamos Nele não será desiludida. Somos chamados, portanto, a aprender com Ele o que significa viver de misericórdia para ser instrumento de misericórdia. Viver de misericórdia para ser instrumento de misericórdia: viver de misericórdia é sentir-se necessitado da misericórdia de Jesus e quando nós nos sentimos necessitados do perdão, de consolo, aprendemos a ser misericordiosos com os outros. Ter o olhar fixo sobre o Filho de Deus nos faz entender quanto caminho devemos ainda percorrer; mas ao mesmo tempo nos infunde a alegria de saber que estamos caminhando com Ele e não estamos nunca sozinhos. Coragem, portanto, coragem! Não deixemo-nos tirar a alegria de ser discípulo do Senhor. “Mas, padre, eu sou pecador, como posso fazer?” – “Deixe-se olhar pelo Senhor, abra o teu coração, sinta sobre você o seu olhar, a sua misericórdia e o teu coração será preenchido de alegria, da alegria do perdão, se você se aproxima e pede o perdão”. Não deixemos nos roubarem a esperança de viver essa vida junto com Ele e com a força da sua consolação. Obrigado.

Liturgia do Dia – 13/09/2016

Lucas 7, 11-17“‘Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo; e, individualmente, sois membros desse corpo’, e em Cristo está a certeza da vida: ‘Jovem, eu te ordeno, levanta-te’. Deixemos que a Palavra do Senhor more em nós.”

Primeira leitura:  1Coríntios 12, 12-14.27-31a

Salmo Responsorial:  99

Evangelho:  Lucas 7, 11-17