A Catequese do Papa Francisco – 20/09/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A catequese de hoje tem como tema: “educar à esperança”. E por isso eu a dirigirei diretamente, com o “você”, imaginando falar como educador, como pai a um jovem ou a qualquer outra pessoa aberta a aprender.

Pense, ali onde Deus te semeou, espere! Sempre espere.

Não se arrende à noite: recorde que o primeiro inimigo que deve ser submetido não está fora de você, está dentro. Portanto, não conceder espaço aos pensamentos amargos, obscuros. Este mundo é o primeiro milagre que Deus fez e Deus colocou nas nossas mãos a graça de novos prodígios. Fé e esperança caminham juntos. Acredite na existência das verdades mais altas e belas. Confie em Deus Criador, no Espírito Santo que move tudo para o bem, no abraço de Cristo que espera cada homem ao fim de sua existência; acredite, Ele te espera. O mundo caminha graças ao olhar de tantos homens que abriram frestas, que construíram pontes, que sonharam e acreditaram; mesmo quando ao seu redor ouviam palavras de escárnio.

Não pense nunca que a luta que se faz aqui embaixo seja de tudo inútil. No fim da existência não nos espera o naufrágio: em nós palpita uma semente de absoluto. Deus não desilude: se colocou uma esperança nos nossos corações, não a quer tirar com contínuas frustrações. Tudo nasce para florescer em uma eterna primavera. Também Deus nos fez para florescermos. Recordo aquele diálogo, quando o carvalho perguntou à amendoeira: “Fala-me de Deus”. E a amendoeira floresceu.

Onde quer que você esteja, construa! Se você está na terra, levante-se! Não permaneça nunca caído, levante-se, deixe-se ajudar para ficar de pé. Se está sentado, coloque-se em caminho! Se o tédio o paralisa, realize obras de bem! Se se sente vazio ou desmoralizado, peça que o Espírito Santo possa novamente encher o teu nada.

Promova a paz em meio aos homens e não ouça a voz de quem espalha ódio e divisões. Não ouça estas vozes. Os seres humanos, por mais que sejam diversos uns dos outros, foram criados para viverem juntos. Nos contrastes, paciência: um dia descobrirás que cada um é depositário de um fragmento de verdade.

Ame as pessoas. Ame-as uma a uma. Respeite o caminho de todos, linear ou difícil que seja, porque cada um tem a sua história a contar. Também cada um de nós tem a própria história a contar. Cada criança que nasce é a promessa de uma vida que ainda uma vez se demonstra mais forte que a morte. Todo amor que surge é um poder de transformação que deseja a felicidade.

Jesus nos entregou uma luz que brilha nas trevas: defenda-a, proteja-a. Aquela única luz é a maior riqueza confiada à sua vida.

E sobretudo sonhe! Não tenha medo de sonhar. Sonhe! Sonhe um mundo que ainda não se vê, mas que de certo chegará. A esperança nos leva a acreditar na existência de uma criação que se estende até o fim ao seu cumprimento definitivo, quando Deus será tudo em todos. Os homens capazes de imaginação deram ao homem descobertas científicas e tecnológicas. Atravessaram oceanos, pisaram terras que ninguém antes havia pisado. Os homens que cultivaram esperanças são também aqueles que venceram a escravidão e levaram melhores condições de vida sobre esta terra. Pensem nestes homens.

Seja responsável por este mundo e pela vida de cada homem. Pense que cada injustiça contra um pobre é uma ferida aberta e diminui a sua própria dignidade. A vida não cessa com a sua existência e neste mundo virão outras gerações que sucederão a nossa e tantas outras ainda. E cada dia peça a Deus o dom da coragem. Lembre-se que Jesus venceu por nós o medo. Ele venceu o medo! O nosso inimigo mais difícil não pode nada contra a fé. E quando você estiver com medo diante de qualquer dificuldade da vida, lembre-se que você não vive somente por si mesmo. No Batismo, a sua vida já foi imersa no mistério da Trindade e você pertence a Jesus. E se um dia você se apavorasse, ou se pensasse que o mal é muito grande para ser desafiado, pense simplesmente que Jesus vive em ti. E é Ele que, através de ti, com a sua mansidão quer submeter todos os inimigos do homem: o pecado, o ódio, o crime, a violência; todos nossos inimigos.

Tenha sempre a coragem da verdade, porém lembre-se: você não é superior a ninguém. Recorde-se disso: você não é superior a ninguém. Se você permanecesse também o último a acreditar na verdade, não se refugiar, por isso, da companhia dos homens. Mesmo se você vivesse no silêncio de um ermo, leva em teu coração os sofrimentos de cada criatura. Você é cristão; e na oração tudo entregue a Deus.

E cultive ideais. Viva por algo que supera o homem. E se um dia esses ideais pedissem a você uma conta salgada para pagar, nunca deixe de levá-los em teu coração. A fidelidade obtém tudo.

Se você erra, levante-se: nada é mais humano que cometer erros. E esses mesmos erros não devem se tornar para você uma prisão. Não se engaiole em seus erros. O Filho de Deus veio não para os sãos, mas para os doentes: portanto veio também para você. E se você errar ainda no futuro, não temas, levante-se! Sabe por que? Porque Deus é teu amigo.

Se te atinge a amargura, acredite firmemente em todas as pessoas que ainda trabalham pelo bem: na humildade deles há a semente de um mundo novo. Frequente pessoas que conservaram o coração como aquele de uma criança. Aprenda com a maravilha, cultive o estupor.

Viva, ame, sonhe, acredite. E com a graça de Deus, nunca se desespere.

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Liturgia do Dia – 20/09/2017

lucas 7, 31-35“Diante de nós está a grandeza que não podemos medir:  a Palavra do Senhor.  Como reagimos diante dela? Não apenas ser ouvinte, é preciso praticar o que ela ensina, pois é verdade eterna.”

Primeira leitura:  1Timóteo 3, 14-16

Salmo Responsorial:  110

Evangelho:  Lucas 7, 31-35

Liturgia do Dia – 19/09/2017

Lucas 7, 11-17“Jesus é aquele que dá a vida. É o vencedor da morte.  Jesus, ao curar os doentes e ressuscitar os mortos, como o filho da viúva de Naim, revela-nos a ação de Deus que nos salva.  Com amor, acolhamos a Palavra.”

Primeira leitura:  1Timóteo 3, 1-13

Salmo Responsorial:  100

Evangelho:  Lucas 7, 11-17

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Liturgia do Dia – 18/09/2017

Lucas 7, 1-10“Da Palavra ouvida, meditada e cravada no coração nos vem a fé.  Como centurião precisamos acreditar que o Cristo tudo pode fazer por nós, pois já nos deu o dom maior que é a salvação.”

Primeira leitura:  1Timóteo 2,1-8

Salmo Responsorial:  27

Evangelho:  Lucas 7, 1-10

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Merece especial destaque na liturgia de hoje o versículo quatro da primeira leitura:  “…Ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade“. O Evangelho de hoje confirma a presença de pagãos em meio aos seguidores de Jesus e a sua principal missão, plenamente realizada com o mistério pascal: a salvação de todos.

A fé manifesta através do oficial e seus soldados causa surpresa no próprio Cristo, posto que nem mesmo o povo eleito foi capaz de vivê-la com tanta abertura do coração, ao ponto de reconhecer a própria indignidade e dependência da misericórdia de Deus.

E por isso Paulo recomendava preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens e não apenas à comunidade de fiéis.

A abertura universal do amor de Cristo exortava a comunidade cristã a voltar-se para o outro, a ser portadora de graças para todos, inclusive àqueles que estão constituídos de autoridade para governar e que portanto, estão sob a espada do poder, que pode corromper, machucar e matar.

Assim, feitos Sacerdotes para Deus pelo Batismo, a Palavra de hoje nos convida para seguirmos o exemplo de Jesus.  Que propaguemos a universalidade do Seu amor e, que possamos ser no mundo o sinal e o instrumento da Sua presença em todas as realidades da nossa nação, a partir do acolhimento da Palavra e da Eucaristia, e da oração permanente, fontes da divina misericórdia.

Liturgia do Dia – 17/09/2017

mateus 18, 21-19,1“A Palavra de Deus vem nos alertar que a prática do amor e do perdão sem limites nos liberta e salva.  A violência e a agressão dos mais fortes sobre os mais fracos rompem a comunhão com Deus e com os irmãos. Quem ama perdoa!”

Primeira leitura:  Eclesiástico 27, 33-28,9

Salmo Responsorial:  102

Segunda leitura: Romanos 14,7-9

Evangelho:  Mateus 18, 21-35

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Meditação para o XXIV Domingo Comum, por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Caríssimos, no Evangelho ouvimos a parábola do devedor implacável. Recordemos que estamos terminando o capítulo 18 de São Mateus, no qual Jesus trata da vida da Igreja, a Comunidade dos Seus discípulos.

No Domingo passado, o nosso Salvador bendito nos mandava corrigir o caso o irmão nos fizesse o mal. Corrigir para salvar, corrigir para dar o perdão.

Hoje, Pedro pergunta quantas vezes se deve dar o perdão a quem nos fez mal na Comunidade. Jesus responde: Perdoa sempre! Mas, aprofundemos esta Palavra de Deus que nos é dirigida como luz e caminho da nossa vida.

Uma coisa que a humanidade atual, tão cheia de si, não compreende é que a verdadeira liberdade nossa, a autêntica maturidade, somente é possível se formos abertos para Deus na nossa vida. O homem fechado em si é presa de suas paixões, de sua tendência à autoafirmação, à amargura, ao rancor, à vingança… Quando nos abrimos para Deus e temos a coragem de nos deixar medir por Ele, aí sim, somos obrigado a nos deixar a nós mesmos e nos sentimos compelidos a ver, sentir e agir conforme o Coração de Deus.

Tomemos a primeira leitura da Missa. Observemos como Deus nos coloca freio, como nos educa, como nos serve de medida e modelo: “Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos. Pensa na aliança do Altíssimo, e não leves em conta a falta alheia!”

Eis, irmãos, Deus no colocando freio e rédeas às paixões! E por quê? Porque, como diz o Salmo: “Ele te perdoa toda culpa, e te cerca de carinho e compaixão. Não fica sempre repetindo as Suas queixas, nem guarda eternamente o Seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas nem nos pune em proporção às nossas culpas…” É esta a grande diferença entre quem crê e não crê, entre quem é aberto para Deus e para Ele se fecha: para quem crê, a medida é Deus, é o coração do Pai do Céu, tal qual Jesus no-Lo revelou! Já para quem não crê, a medida é próprio desejo, a própria vontade, o próprio capricho, a própria razão, a própria paixão!

Esta idéia aparece muito clara na segunda leitura de hoje. O Apóstolo nos recorda que a vida não nos pertence de modo fechado, absoluto; a vida é um dom e como dom deve ser vivida: “Ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor”. Ele, portanto, é nossa medida, nosso critério e nossa realização; Ele, que por nós morreu e ressuscitou, para ser o nosso Senhor.

Pensando nisso, detenhamo-nos, agora, no Evangelho. Como já disse, a questão aqui é ainda a vida na Igreja.

Quantas vezes perdoar? Até quando conservar um coração aberto, disponível, sem deixar-se levar pela tristeza e a amargura, o rancor e o fechamento? Até quando manter a doçura, filha da esperança, fruto da certeza da vitória do Senhor? Até que ponto acreditar no irmão, esperar algo de bom dele, depois de repetidas quedas e ofensas?

O Senhor Jesus nos adverte que o perdão deve ser dado sempre porque o Coração do Pai, como o do rei da parábola, é assim: cheio de compaixão, capaz de perdoar toda a dívida.

Observem, caríssimos, que Jesus começa dizendo que o Reino dos Céus é assim: o Reinado de um Rei que é Pai e perdoa. O Rei é o Pai de Jesus, o Rei é o Deus que perdoa sempre e quem O conhece, quem mergulha no Seu Coração, quem experimenta o Seu amor, poderá também, por amor de Deus e no amor de Deus, derramar o perdão sobre os outros. Não é a isto que nos convida a Escritura: “Filhinhos, quanto a nós, amemos, porque Ele nos amou primeiro!” (1Jo 4,19) Quem experimentou que é amado e perdoado pelo Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, não pode não derramar esse perdão, esse amor sobre os irmãos! Ora, o Pai somente reina no coração de quem perdoa como Ele mesmo perdoa, como Ele mesmo nos perdoou e acolheu em Jesus, que morreu e ressuscitou para ser o perdão de Deus para nós!

Eis, portanto, o que é a Igreja: o espaço, o ambiente daqueles que conheceram em Jesus o amor do Pai; o ambiente o espeço no qual o Reinado de Deus deve manifestar-se no mundo; lugar da misericórdia, do acolhimento, do amor, do perdão mil vezes, da esperança que não desiste, da doçura aprendida e bebida daquele Coração aberto na cruz.

A Igreja deve ser assim, não porque sejamos bonzinhos, mas porque aprendemos assim do Coração do Pai de Jesus!

Com efeito, como experimentará o perdão de Deus quem tem o coração fechado para os outros? Quem reconhecerá de verdade que tudo deve a Deus e nunca pagará o bastante quem não perdoa as dívidas dos irmãos?

É preciso que compreendamos ser impossível experimentar Deus como amor e doçura – e nosso Deus é assim; Jesus no-Lo revelou assim! – se não nos deixarmos inundar pelo amor e doçura de Deus, inundar nosso coração, até transbordar para os irmãos!

Caríssimos, no Senhor, que o silêncio da oração, que a contemplação persistente do Cristo e de Seus gestos e palavras, que a humilde docilidade ao Espírito de Amor, derramado em nossos corações, que a participação piedosa, recolhida e devota da Eucaristia, faça o nosso coração aprender do Coração do Pai de Jesus!

Eis aqui como a Comunidade chamada Igreja – esta Comunidade reunida para a Eucaristia, no Nome do Pai e do Filho e do Santo Espírito – será sinal do Reino, início do Reino, semente do Reino. Somente assim poderemos dizer ao mundo sedento de Deus: Vinde e vede: aqui vereis o Amor, aqui experimentareis o Amor, aqui vivereis de Amor!
Que o Senhor no-lo conceda. Amém! 

Liturgia do Dia – 16/09/2017

Lucas 6, 43-49“Cristo veio para nos redimir.  Mas é preciso escutar seu ensinamento e colocá-lo em prática:  ‘Por que me chamais: Senhor! Senhor! mas não fazeis o que eu vos digo?’ Com amor, escutemos o Senhor.”

Primeira leitura:  1 Timóteo 1, 15-17

Salmo Responsorial:  112

Evangelho:  Lucas 6, 43-49

Liturgia do Dia – 15/09/2017

João 19, 25-27“O Senhor ‘aprendeu a obediência a Deus na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para os que lhe obedecem’. A exemplo de Maria, sejamos fiéis ao Cristo e ao seu Evangelho”.

Primeira leitura:  Hebreus 5, 7-9

Salmo Responsorial:  30

Evangelho: João 19, 25-27

Seminário sobre Ideologia de Gênero com o Bispo Dom Antonio Augusto Dias Duarte

dom antonio puc-rio.jpgEvocando a palavra ‘respeito’, o bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio, Dom Antonio Augusto Dias Duarte, abriu, no dia 19 de agosto, o Seminário sobre Ideologia de Gênero, no auditório Padre José de Anchieta, que fica no campus da PUC-Rio, na Gávea, zona sul da cidade.

Cerca de 500 pessoas, distribuídas entre o auditório e três salas de aula, acompanharam por quatro horas o seminário, que teve também transmissão ao vivo pelas redes sociais. A iniciativa foi do Programa de Liderança Católica (MOVE) da PUC-Rio, sob a direção do padre Alexandre Paciolli, reitor da Capela Sagrado Coração, localizada no campus.

Dom Antonio Augusto, que também é bispo animador da Pastoral Familiar, foi acolhido pelo padre Alexandre e iniciou seu discurso, lembrando a universalidade da oração do Pai-Nosso, que traduz o princípio da partilha (do Pai, do pão e também do espaço, o Reino), pois “dizemos, não ‘meu pai’, ‘meu pão’, mas ‘nosso’, e venha a ‘nós’ o Vosso Reino, portanto, o espaço é ‘nosso’, não ‘meu'”, explicou Dom Antônio, para quem “o respeito é atitude mais fundamental da humanidade; o respeito pelo outro é o fundamento de toda a verdadeira convivência, na nação, no Estado e na humanidade. A falta de respeito rompe e corrompe a comunidade”, disse o bispo, nas palavras do pensador e teólogo Dietrich von Hildebrand.

Consciente de possíveis manifestações, pois estavam presentes 25 integrantes do coletivo “Madame Satã”, representativo das reinvindicações LGBTQIs, na PUC-Rio, Dom Antônio exortou: “Devemos, pelo menos, conjugar o ‘nosso’ e manter o respeito.” Ainda assim, em meio à palestra, o grupo de militantes interrompeu o palestrante para a leitura de uma carta-manifesto. Dom Antônio ofereceu o seu microfone e os convidou a subirem ao tablado. Os manifestantes leram a carta, ouvida em silêncio e sem revide pelos presentes, e depois se retiraram, gritando palavras de ordem.

Modernidade, Feminismo e… “Paulo não é Nietzche!”

O seminário, dividido em dois momentos, tinha como ementa a história do pensamento moderno, a gênese do feminismo e a ideologia de gênero. Passando por acontecimentos históricos como o Iluminismo e a Revolução Francesa, citando fontes não católicas, como os filósofos Rousseau, Kant, Marx, Nietzche e Hegel, além do Código Napoleônico (1804) e a “Filosofia do Direito” (Hegel), Dom Antonio Augusto elucidou que, desde o século XVIII até o século XX, as ideias desses pensadores foram e ainda são norteadoras dos movimentos totalitários de que se tem notícia, pois “a formação intelectual, na lógica do pensamento moderno, depois dos séculos XIX e XX, já não é mais a busca da verdade, mas, sim, a imposição de ideias, daí que toda ideologia é totalitária”, disse.

Segundo Dom Antonio Augusto, as ideias de Rousseau, Kant e, posteriormente, Hegel cunharam um modelo de sociedade, na qual o homem deveria ser cidadão perfeito, e a mulher, a esposa perfeita. Também a ótica marxista do senhor e do escravo, assim como a nietzcheana sobre o dominador e o dominado foram determinantes, no século XIX, para que as mulheres fossem definidas como sujeitos (apenas) do espaço privado (da reprodução), enquanto os homens seriam sujeitos do espaço público (da produção), como sintetizado por Nietzche: “O homem deve ser educado para a guerra e a mulher para a recreação do guerreiro. Tudo o mais é bobagem.” Dom Antonio Augusto deixou claro que o primeiro feminismo surgiu, de fato, como reação das mulheres à opressão que sofriam naquele modelo de sociedade.

A primeira onda feminista teria iniciado na França, Dinamarca, Suécia e Rússia, e teve como marco a fundação de associações para introduzir as mulheres na esfera pública, conquistando para elas postos de trabalho, com o intuito de retirá-las da esfera doméstica e dos papéis de esposa e mãe; visavam também obter, para as mulheres, o direito de voto e de educação, tornando-se, dessa forma, cidadãs, com direito à propriedade, à ascensão social e profissional; conquistarem direitos civis e derrubarem o monopólio masculino na educação, pondo fim à dependência econômica, política e jurídica em relação aos homens.

Alcançadas essas conquistas, surge a segunda onda feminista, que teve como expoente a americana Margareth Sanger, enfermeira, sexóloga, fundadora e ativista do movimento pró-aborto e fervorosa defensora da prática de eugenia. Para Dom Antonio Augusto, “este segundo momento surge, de fato, como um antifeminismo, porque culpabiliza as mulheres por tudo o que acontece de conflito no mundo”. É quanto defende Margareth Sanger, em seu livro “A mulher e a nova raça”, de 1920, referindo-se a ‘populações inferiores que não deveriam crescer: pobres, deficientes físicos e psíquicos.’ A tese de Sanger é que ‘os problemas mundiais são causados pelas mulheres, devido à sua fertilidade; são elas que levam o mundo à superpopulação'”, ilustrou o bispo com as palavras da própria feminista, fundadora e presidente da Fundação Planned Parenthood, de 1952 a 1959.

É dessa fase também o feminismo de Simone de Beauvoir, que em seu tratado “O Segundo Sexo” propõe: “é preciso negar a existência de uma feminilidade natural.” Donde a sua tese de que “não se nasce mulher, torna-se mulher.” Assegura Beauvoir que a identidade sexual esteve sob condicionamentos sociais e que as mulheres os aceitaram passivamente; para ela, de fato, a feminilidade não existe. Assim, pontuou Dom Antonio Augusto: “o centro geométrico de todo o feminismo da segunda geração é o corpo feminino.” E, no bojo dos grandes movimentos pelos direitos civis e de liberação sexual que marcaram a transição da primeira para a segunda metade do século XX, passou-se, então, de um feminismo não mais reivindicatório, para um feminismo revolucionário, portanto, de raiz marxista, com foco na sexualidade feminina.

As ideias de Sanger, Beauvoir e outras contemporâneas motivaram as metas estabelecidas nas conferências do México, Copenhague e Nairóbi, entre 1975 e 1985 (a chamada ‘Década das Nações Unidas para as mulheres’), realizadas pela ONU, que passou a promover, em escala global, a legalização do aborto e distribuição massiva de anticoncepcionais e contracepcionais, como “planejamento familiar”. Para Dom Antonio Augusto, fica claro, no entanto, que “a mulher, na segunda fase do feminismo, deixou de estar sob a opressão do homem, para estar sob a opressão da química, para ser dona do próprio corpo”; e indagou aos presentes: “E então é o cristianismo o responsável pela violência e opressão às mulheres?”

Respondendo à própria pergunta, Dom Antonio Augusto que é médico pediatra, formado pela Escola de Medicina da USP, citou, do livro de história da medicina, mulheres que alcançaram grande notoriedade na Igreja e na sociedade de seu tempo, foram elas: Santa Brígida da Irlanda (453-525), abadessa que viveu no século V e foi especialista em Medicina; Hilda de Whitby (614-680), superiora dos ramos masculino e feminino de sua ordem e considerada prestigiosa cirurgiã; também Hildegarda de Bingen (1098-1108), tida como um dos modelos mais sobressalentes de liderança intelectual, abadessa de um mosteiro na Alemanha, escritora, compositora, cientista, naturalista e doutora. “E ainda acusa-se a Igreja de ser machista, anticientífica e antiuniversitária. O escritor John Grey tem razão ao dizer que ‘a maioria dos conflitos existentes são causados pela má comunicação gerada pelo desconhecimento e desatenção mútua da diferença entre as pessoas'”, pontuou dom Antônio, enfatizando que todo diálogo deve estar baseado em quatro princípios: clareza, mansidão, prudência e confiança.

Sobre o preceito paulino “mulheres, sede submissas aos seus maridos” (Ef. 5, 22), Dom Antonio Augusto deu uma resposta: “Paulo não é Nietzche!” O auditório, tomado de jovens, prorrompeu em aplausos e assobios. O bispo esclareceu que Paulo usou a expressão “sub missio”, referindo-se ao fato de que a esposa deve estar “sob a missão” do esposo, indicada no versículo “maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela”. Ora, Cristo renunciou a Si mesmo pela Igreja. É nesse sentido que a esposa, como a Igreja, deve estar “sub missio” ao marido, cuja missão é a mesma de Cristo, em relação à Igreja; é amada assim que a mulher humaniza a sociedade”, esclareceu.

Dom antonio puc-rio 1.jpgFeminismo e Gênero

A terceira onda feminista surge influenciada também pelo filósofo e fundador do partido comunista italiano Antônio Gramsci, para quem a estratégia revolucionária não se dá pela luta de classes, como propõe o marxismo, mas pela via da cultura: “é preciso conquistar a classe intelectual”, pois esta, sem regras morais e sem verdades religiosas reveladas, seria  porta-voz das mudanças sociais. Na esteira desses pressupostos, “chega-se ao cume da modernidade ideológica, que é o esvaziamento de sentidos, a crise máxima de valores, até o ódio ao cristianismo, já preconizado por Nietzche”, alertou o bispo.

Para Dom Antonio Augusto, a formulação ideológica da terceira geração feminista abarca os vários -ismos que marcaram o final do século XIX e avançaram pelo século XX: os liberalismos, os nacionalismos, os marxismos, o cientificismo, o niilismo e, sobretudo, o permissivismo da Escola de Frankfurt (Alemanha), surgida na primeira metade do século XX, para a qual não importa a verdade, mas a funcionalidade, sendo administrada pela cultura, que deve ser de total liberação. Essa ideologia segue a visão antropológica de Simone de Beauvoir e está na raiz de um feminismo mais radical, porque nega a feminilidade natural da mulher.

Dom Antonio Augusto também comentou que o pansexualismo de Sigmund Freud está no cerne da ideologia de gênero, pois sua concepção antropológica, segundo a qual, todo desejo é estritamente sexual ou sublimação do desejo sexual, faz do ser humano uma projeção da própria libido e não mais imagem e semelhança de Deus, e estando o inconsciente dominado pelo impulso sexual. Reconheceu, contudo, as contribuições do pai da psicanálise para a medicina, sobretudo no ramo da psiquiatria.

Para Dom Antonio Augusto, na terceira onda feminista, o critério pansexualista freudiano é ampliado pela noção de ‘sexo-economia’ de Wilhelm Reich, discípulo de Freud e para quem “o decisivo na sociedade é ideológico. Nela, tudo se move pelo sexo-economia, segundo Reich, sendo necessário, então, acabar com a família e a Igreja, pois, para Reich, a Igreja, defendendo a vida, acaba com o sexo”, explicou Dom Antonio Augusto. Ainda na visão reichiana, seria necessária uma revolução linguística, médica e cultural-educacional, ou seja, dar outro valor/sentido às palavras; formar as pessoas nesses valores e eliminar todo sinal de autoridade, sobretudo familiar e religiosa. Neste ponto, Dom Antonio Augusto ressaltou a importância de o Papa emérito Bento XVI, na encíclica “Deus é Amor”, ter resgatado o sentido verdadeiro do termo eros (dar-se ao outro), desmentindo, com isso, a noção ideologizada por Nietzche de que o ato sexual seja utilitário, para “diversão”.

Partindo da concepção de Karen Offen, que define o feminismo de terceira geração como “uma ideologia e um movimento de mudança sociopolítica, baseada na análise crítica dos privilégios do homem e da subordinação da mulher em qualquer tipo de sociedade”, Dom Antonio Augusto observou que o feminismo, autodefinindo-se como ideologia, revela-se tão indemonstrável e totalitarista como qualquer outra. E esse totalitarismo fica demonstrado, também, na proposição da feminista Shulamith Firestone, para quem “deve-se devolver às mulheres a propriedade do seu próprio corpo, assim como o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto a nova tecnologia, como todas as instituições sociais relativas à educação das crianças”. Para ela, “o lar é o campo de concentração confortável, do qual a mulher deve ser libertada” e objetivo final da revolução feminista deve ser, não só a eliminação do privilégio masculino, mas a eliminação da própria distinção dos sexos, de forma que “as diferenças genitais entre os seres humanos nunca mais teriam nenhuma importância” ilustrou o bispo auxiliar, citando Firestone.

Kate Millet e Juliet Mitchell, seguindo o viés rechiano, postulam que o objetivo da luta feminista é a destruição das estruturas sociais, econômicas e culturais; acabar com as estruturas de reprodução, de educação da sexualidade e da socialização das crianças (Millet). Portanto, a atitude de pensamento radical desse feminismo é a destruição da família, da Igreja e da Academia (a educação tradicional). O feminismo de terceira geração defende que “mudanças linguísticas levarão a mudanças institucionais” (Mitchell), e palavras como ‘família’, ‘maternidade’, ‘amor’, ‘eros’, ‘valor’, ‘direitos’, ‘biologia’ ganham novas significações, forjadas mediante ‘preconceitos necessários’. Por isso, hoje em dia, defender a natureza humana, o sexo biológico, a família natural etc. é visto como preconceito, explicou dom Antônio.

Gênero e reengenharia social

A chamada teoria gender ou teoria queer, da americana Judith Butler, professora de retórica e literatura comparada na Universidade da Califórnia (EUA), postula  que o gênero é performativo, isto é, são os próprios atos que determinam as identidades sexuais, a chamada performatividade queer, ou seja, identidades sexuais instáveis, mutáveis conforme as ações que o indivíduo decida realizar ou assumir. A ideologia de gênero prega que o ser humano é ‘informe’, devendo ser modulado pelo processo político ideológico, por meio de reengenharia social, ou seja, a identidade modulada ideologicamente. Para a terceira onda feminista, o gênero deve ser construído socialmente: “sexo é corpo; gênero é identidade. É fruto da construção sociocultural da sexualidade. A terceira geração feminista admite ter identificado (até o momento) cerca de 31 gêneros existentes”, pontuou o bispo.

Desdobramento da teoria queer é a chamada teoria cyborg, formulada nos anos 90 do século XX, pela filósofa e zoóloga americana Donna Haraway. Para ela, deve ser eliminada toda distinção entre o humano e a máquina. Segundo o bispo, tal conceito foi introduzido sutilmente pelo cinema, através do filme “Transformers”. Também a não distinção entre humano e animal seria a motivação, por exemplo, do caso espanhol de um casamento, registrado em 2015, no cartório civil de Madrid, entre um homem e uma cabra. “As consequências teórico-práticas da ideologia de gênero seriam que todos os tipos de união dos sexos têm o mesmo valor antropológico, ético, social e legal; sexo entre adultos e crianças (pedofilia), por exemplo, seria, na perspectiva de gênero, social e legalmente admitido”, explicou.

A Conferência da ONU para as mulheres, ocorrida em Pequim em 1995, estabeleceu metas, segundo as quais, para construir o gênero é preciso “destruir os condicionamentos externos, criados por uma cultura patriarcal, machista, com poder de domínio e de caráter moral religioso. O objetivo político do feminismo radical é, portanto, mudar a cultura, redefinindo o conceito de pessoa, de forma que a igualdade de gênero será entendida como homogeneidade absoluta, e não mais como igualdade de dignidade, de direitos e de natureza; a identidade sexuada deve ser mudada com a educação das crianças, e a conduta sexual seria, então, fruto de um aprendizado, através de uma prática poliforme (ou seja: como e com quem quiser)”, resumiu Dom Antonio Augusto.

Em 2005, a espanhola Núria Varela postulou que “é preciso transformar o espaço íntimo da família, num espaço público-privado, pois ‘o pessoal é político'”. Dessa visão, observou dom Antônio, decorrem, por exemplo, a adoção de banheiros públicos sem distinção de sexo e as leis que  tiram dos pais o direito natural sobre seus filhos.

Esta é a razão, observou Dom Antonio Augusto, pela qual se está impondo a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), norteada pela ideologia de gênero, a fim de consolidar seu projeto de reengenharia social, também no Brasil, pela via da cultura (como propunha Gramsci), revelando-se como a implantação política mais radical do racionalismo neomarxista. A BNCC, portanto, não seria outra coisa senão o controle absoluto das instituições família e escola pelo Estado, visando a completa destruição de identidades. Rejeitando qualquer essencialismo e mesmo a existência de qualquer identidade sexual fixa, a perspectiva queer nega a distinção homem, mulher, gay, lésbica etc., e reconhece tão somente o gênero, sendo este mutável, informe, performático.  Entretanto, o feminismo de terceira geração se utiliza do que Judith Butler chama de “essencialismo estratégico”, para “avançar na agenda”. Segundo explicou Dom Antonio Augusto, trata-se “de uma reengenharia social, que se revela política, jurídica, cultural e, portanto, neototalitária”, para cujos fins interessa a adoção de Bases Curriculares Comuns.

Segundo demonstrou Dom Antonio Augusto, a pretensa “defesa” das mulheres e das minorias, sobretudo LGBTQIs, revela-se falaciosa, sendo, na verdade, tão somente de motivação política. Dom Antonio Augusto problematizou, a propósito, como seria, por exemplo, a aplicação da Lei Maria da Penha, no Brasil, na perspectiva da performatividade queer: se a ideologia não admite, por definição, que exista homem ou mulher, aliás, nega tal distinção, como definir, então, a autoria de uma agressão? Tendo em vista o gênero que agressor e agredido declarassem, como se daria a aplicação da Lei? Ficou, assim, demonstrado que a defesa das mulheres ou das minorias LGBTQIs parece ser, efetivamente, a última das preocupações das ideólogas de gênero, embora façam disso bandeira e agenda.

Por fim, Dom Antonio Augusto dirigiu um conselho aos pais: “gastem tempo com seus filhos, e não terceirizem a educação deles, tanto científica, como cultural e religiosa; para isso, é necessário redimensionar seu tempo, pois alega-se não ter tempo, mas o têm para a academia, o barzinho etc., só não para dialogar com seus filhos”, concluiu o bispo, sendo ovacionado. Após a bênção final e a convite de padre Alexandre Paciolli, o auditório, em uníssono, entoou o cântico Salve Regina (em latim), em torno da imagem de Nossa Senhora de Fátima, numa genuína demonstração católica de que ubi episcopus ibi Ecclesia (“onde está o bispo, aí está a Igreja”).

Depoimentos

Dom Antônio Augusto atribuiu o êxito do seminário à intercessão de Nossa Senhora e de todos que oraram, fizeram vigílias e mortificações por essa causa, mas também à coragem e determinação dos jovens: “Quem semeia com lágrimas, recolhe com alegria. Eu sou aquele que está colhendo com alegria o que os jovens semearam, com sacrifício e com lágrimas, e pudemos presenciar esse tão elevado número de pessoas, sem falar dos que acompanharam pelo Facebook. Foi uma ação que começou pequena e tornou-se surpreendentemente grande”, disse.

Alexandre Uhlmann, integrante do “Move”, disse não esperar tamanha repercussão, pois a estimativa era de 60 pessoas, mas “caminhando na fé, na oração e com o anseio do alunado católico, a divulgação tomou vulto, apesar de uma organização bem modesta. Recebemos todo apoio da reitoria, da vice-reitoria comunitária, percebemos que PUC estava sentindo falta dessa ocupação do alunado católico, com amor e paixão pela universidade e pela Igreja”, afirmou.

O diretor espiritual do “Move”, padre Alexandre Paciolli ressaltou a relevância da evangelização feita pela liderança católica dentro do ambiente universitário e, segundo ele, foi “um trabalho espetacular. Temos que agradecer a Deus, por esse evento que foi um sucesso de evangelização, aqui na PUC, provocando reflexões profundas”, comentou padre Alexandre.

Maria Inês Medeiros elogiou a iniciativa pois, segundo ela, o vídeo de seu discurso na Câmara dos Vereadores, quando da discussão da temática de gênero no Plano Municipal de Educação, atingiu 30 milhões de visualizações, sendo 30% por casais homoafetivos que se declaram “a favor do que estamos lutando, eles não nos veem como inimigos, estão nos apoiando de verdade nessa causa, eles acreditam na família natural, na família cristã”, disse.

Para Joyce da Conceição Alves de Jesus, aluna do 4º período de Psicologia, é muito importante mostrar “o quanto tem fundamento aquilo que defendemos, como dom Antônio Augusto mostrou, utilizando as fontes não católicas, pois costumam dizer que não valem os nossos argumentos; vimos que a opressão da mulher não veio da Igreja, e isso foi mostrado nos textos de pensadores ‘endeusados’, como Nietzche”, observou.

Maria José Macedo, coordenadora arquidiocesana da Pastoral Familiar, considera que Dom Antonio Augusto “apresentou o tema com muita sabedoria, ele possui uma ampla cultura, mas o que faz a diferença é a sua personalidade, com características como a clareza, a mansidão, a confiança, a prudência e o amor, que permeia tudo isso e que foi necessário exercer, quando sua palavra foi interrompida por um grupo de manifestantes. E ele com extrema elegância os ouviu, o que para nós foi um exemplo”, ressaltou.

O bispo auxiliar emérito e membro do Pontifício Conselho para a Família, Dom Karl Joseph Romer elogiou o seminário, pela urgência do assunto e por ter sido por iniciativa dos jovens que estão dando à PUC “uma identidade humana, aberta, mas claramente católica”, disse. Dom Romer considera que “é importante distinguir – se é possível dizer – o ‘bom feminismo’, ‘justo’, porque, de fato, a mulher era considerada inferior. O Gênesis refere que Deus “homem e mulher os criou, à sua imagem e semelhança”, portanto, ambos em igualdade de dignidade. E o último livro, o Apocalipse, apresenta a mulher “como noiva”, uma figura feminina, portanto, como protótipo da humanidade (inteira) salva. Esses dois motivos justificam a luta pela dignidade das mulheres. Porém, há um ‘feminismo trágico’, que quer se promover, ao preço de destruir o que há de feminino na mulher”, concluiu Dom Romer.

Reportagem e Fotos: Flavia Muniz

Fonte:  Arquidiocese do Rio de Janeiro

Liturgia do Dia – 14/09/2017

João 3, 13-17“O povo de Israel experimentou a ação de Deus que o salvou da morte.  A libertação, que é a vida em abundância, realiza-se quando contemplamos o Cristo no calvário dando vida por nós.”

Primeira leitura:  Números 21, 4b-9

Salmo Responsorial:  77

Evangelho:  João 3, 13-17

A Catequese do Papa Francisco – 13/09/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Como vocês sabem, nos dias passados fiz uma viagem apostólica à Colômbia. Com todo o coração agradeço ao Senhor por este grande dom; e desejo renovar a expressão do meu reconhecimento ao Senhor Presidente da República, que me acolheu com tanta cortesia, aos bispos colombianos que trabalharam tanto – para preparar esta visita, bem como às outras autoridades do país, e a todos que colaboraram à realização desta visita. E um agradecimento especial ao povo colombiano que me acolheu com tanto afeto e tanta alegria! Um povo alegre entre tantos sofrimentos, mas alegre; um povo com esperança. Uma das coisas que mais me chamou a atenção em todas as cidades, entre a multidão, eram os pais e as mães com as crianças, que levantavam as crianças para que o Papa as abençoasse, mas também com orgulho faziam ver os próprios filhos como dizendo: “Este é o nosso orgulho! Esta é a nossa esperança”. Eu pensei: um povo capaz de fazer crianças e capaz de fazê-las ver com orgulho, como esperança: este povo tem futuro. E me agradou tanto.

De modo particular nesta viagem senti a continuidade com os dois Papas que antes de mim visitaram a Colômbia: o beato Paulo VI, em 1968, e São João Paulo II, em 1986. Uma continuidade fortemente animada pelo Espírito, que guia os passos do povo de Deus no caminho da história.

O lema da viagem foi “Demos o primeiro passo”, isso é, “Façamos o primeiro passo”, em referência ao processo de reconciliação que a Colômbia está vivendo para sair de meio século de conflito interno, que semeou sofrimentos e inimizades, causando tantas feridas, difíceis de cicatrizar. Mas com a ajuda de Deus o caminho teve início. Com a minha visita, quis abençoar o esforço daquele povo, confirmá-lo na fé e na esperança e receber o seu testemunho, que é uma riqueza para o meu ministério e para toda a Igreja. O testemunho desse povo é uma riqueza para toda a Igreja.

A Colômbia – como a maior parte dos países latino-americanos – é um país em que são fortíssimas as raízes cristãs. E se este fato torna ainda mais aguda a dor pela tragédia da guerra que a dilacerou, ao mesmo tempo constitui a garantia da paz, o sólido fundamento da sua reconstrução, a linfa da sua invencível esperança. É evidente que o Maligno quis dividir o povo para destruir a obra de Deus, mas é também evidente que o amor de Cristo, a sua infinita misericórdia é mais forte que o pecado e que a morte.

Esta viagem foi levar a benção de Cristo, a benção da Igreja sobre o desejo de vida e de paz que transborda do coração daquela nação: pude ver isso nos olhos de milhares e milhares de crianças, jovens, que encheram a praça de Bogotá e que encontrei em todos os lugares; aquela força de vida que também a própria natureza proclama com a sua exuberância e a sua biodiversidade. A Colômbia é o segundo país do mundo em biodiversidade. Em Bogotá pude encontrar todos os bispos do país e também o comitê diretivo da Conferência Episcopal Latino-Americana. Agradeço a Deus por ter podido abraçá-los e ter dado o meu encorajamento pastoral, para a sua missão a serviço da Igreja sacramento de Cristo nossa paz e nossa esperança.

O dia dedicado de modo particular ao tema da reconciliação, momento culminante de toda a viagem, se desenvolveu em Villavicencio. De manhã houve a grande celebração eucarística, com a beatificação dos mártires Jesús Emilio Jaramillo Monsalve, bispo, e Pedro María Ramírez Ramos, sacerdote; à tarde, a especial Liturgia de Reconciliação, simbolicamente orientada para o Cristo de Bocayá, sem braços e sem pernas, mutilado como o seu povo.

A beatificação dos dois mártires recordou plasticamente que a paz é fundada também, e talvez sobretudo, sobre o sangue de tantas testemunhas do amor, da verdade, da justiça e também dos verdeiros e próprios mártires, mortos pela fé, como os dois citados. Ouvir a biografia deles foi comovente até as lágrimas: lágrimas de dor e de alegria junto. Diante das relíquias e de suas faces, o santo povo fiel de Deus sentiu forte a própria identidade, com dor, pensando em tantas, tantas vítimas, e com alegria, pela misericórdia de Deus que se estende sobre aqueles que o temem (cfr Lc 1, 50).

“Misericórdia e verdade se encontrarão / justiça e paz se beijarão” (Sal 85,11), ouvimos no início. Este versículo do salmo contém a profecia daquilo que aconteceu sexta-feira passada na Colômbia; a profecia e a graça de Deus por aquele povo ferido, para que possa ressurgir e caminhar em uma vida nova. Estas palavras proféticas cheias de graça as vimos encarnadas nas histórias das testemunhas, que falaram em nome de tantos e tantas que, a partir de suas feridas, com a graça de Cristo saíram de si mesmos e se abriram ao encontro, ao perdão, à reconciliação.

Em Medellín a perspectiva foi aquela da vida cristã como discipulado: a vocação e a missão. Quando os cristãos se empenham a fundo no caminho do seguimento de Jesus Cristo, tornam-se verdadeiramente sal, luz e fermento no mundo, e os frutos se veem abundantes. Um desses frutos são os Hogares, isso é, as casas onde as crianças e os jovens feridos pela vida possam encontrar uma nova família onde são amados, acolhidos, protegidos e acompanhados. E outros frutos, abundantes como sementes são as vocações à vida sacerdotal e consagrada, que pude abençoar e encorajar com alegria em um inesquecível encontro com os consagrados e seus familiares.

E enfim, em Cartagena, a cidade de São Pedro Claver, apóstolo dos escravos, o “focus” foi sobre a promoção da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. São Pedro Claver, como mais recentemente Santa Maria Bernarda Bütler, deram a vida pelos mais pobres e marginalizados e, assim, mostraram o caminho da verdadeira revolução, aquela evangélica, não ideológica, que liberta verdadeiramente as pessoas e as sociedades das escravidões de ontem e, infelizmente, também de hoje. Nesse sentido, “fazer o primeiro passo” – o lema da viagem – significa aproximar-se, inclinar-se, tocar a carne do irmão ferido e abandonado. E fazê-lo com Cristo, o Senhor que se tornou escravo por nós. Graças a Ele há esperança, porque Ele é a misericórdia e a paz.

Confio novamente a Colômbia e o seu amado povo à Mãe, Nossa Senhora de Chiquinquirá, que pude venerar na catedral de Bogotá. Com a ajuda de Maria, cada colombiano possa fazer todos os dias o primeiro passo rumo ao irmão e a irmã, e assim construir juntos, dia por dia, a paz no amor, na justiça e na verdade.

Liturgia do Dia – 13/09/2017

Lucas 6, 20-26“Bem-aventurados são os que nada esperam para si e tudo fazem para Deus, servindo aos irmãos.  Bem-aventurado é quem contempla a face divina na face do irmão e da irmã.  É o que nos ensina Jesus.”

Primeira leitura:  Colossenses 3, 1-11

Salmo Responsorial:  144

Evangelho:  Lucas 6, 20-26

Liturgia do Dia – 12/09/2017

Lucas 6, 12-19“Jesus rezou a noite inteira antes de chamar os Doze primeiros.  A oração e a Palavra nos conduzem para dentro da vida divina, e nos fazem tomar a decisão certa.  Deixemos, pois, que a Palavra se enraíze em nós.”

Primeira leitura:  Colossenses 2,6-15

Salmo Responsorial:  144

Evangelho:  Lucas 6, 12-19

Liturgia do Dia – 11/09/2017

lucas 6, 6-11“Escutando a Palavra, deixemos que ela encontre lugar em nossa vida e nos transforme.  Não sejamos parceiros da morte, mas da vida, e defensores da dignidade dos filhos de Deus.”

Primeira leitura:  Colossenses 1, 24-2,3

Salmo Responsorial:  61, 6-7,9

Evangelho:  Lucas 6, 6-11

Liturgia do Dia – 10/09/2017

mateus 18, 15-20“Como sentinelas, estejamos atentos à voz e à Palavra do Senhor.  Ele nos chama ao mandamento do amor que perdoa e acolhe.  Mostra-nos o caminho do diálogo fraterno, da lealdade e da amizade que constroem a vida.  Humildemente, acolhamos o ensinamento do Senhor que nos conduz para a vida.”

Primeira leitura:  Ezequiel 33, 7-9

Salmo Responsorial:  94

Segunda leitura:  Romanos 13, 8-10

Evangelho:  Mateus 18, 15-20

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Meditação para o XXIII Domingo Comum, por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Nossa meditação da Palavra do Senhor neste Domingo pode ser desenvolvida em cinco afirmações. Ei-las:

(1) Cristo está presente na Sua Igreja; jamais a deixará, “pois onde dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome, Eu estou aí, no meio deles”.
Caríssimos, quantas vezes tal afirmação foi distorcida como se bastasse que uns quatro gatos pingados se reunissem com a Bíblia, interpretando-a a seu bel-prazer, e aí estaria Jesus… Nada disso! O sentido é exatamente o contrário. Aqui, neste capítulo 18 de São Mateus, Jesus está falando sobre a vida da Igreja, comunidade que Ele fundou e entregou aos apóstolos, tendo Pedro por chefe. Os dois ou três aos quais se refere o Senhor são os líderes da Comunidade que vão decidir a questão do irmão que não quer ouvir os outros e divide a Comunidade! O que a Igreja liga ou desliga na terra – e são os pastores (os Bispos com o Papa) que têm, em última análise, essa responsabilidade – o Senhor ratifica no Céu: “Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na terra, será desligado no Céu!” A autoridade que Cristo deu a Pedro de um modo todo especial, deu-a também aos demais Bispos, os pastores autênticos da Sua Igreja, em comunhão com Pedro. Assim, a Igreja de Cristo será sempre comunhão – é isto que significa a expressão “os dois ou três”… É o contrário de um isolado… Nunca será um sozinho: nem um fiel sozinho, nem o Papa sozinho, mas sempre a comunidade dos fiéis e o Papa com os Bispos: os Bispos em comunhão com o Papa e o Papa em comunhão com os Bispos.
Pois bem, onde dois ou três, como Igreja, estiverem reunidos em Nome do Senhor, Ele estará ali, ratificando suas decisões, porque ali estará o Espírito Santo de unidade e de comunhão, como na Trindade Santa.
Que fique claro: não se pode agradar a Cristo, ser-Lhe fiel, rompendo com a Sua Igreja, com os “dois ou três”, isto é, a inteira Comunidade dos fiéis unida aos seus legítimos pastores! Ela, por mais que seja frágil por causa da nossa fragilidade, é a Comunidade que o Senhor reuniu, sustenta e na qual Se faz presente atuante na soberana potência do Seu Espírito!

(2) Essa Igreja é uma Comunidade de amor. O amor cristão não é simplesmente amizade ou simpatia humana, não é concordância de ideias ou de visão das coisas, mas o fruto da presença do próprio Espírito de Amor, o Espírito Santo em nós: “O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado!” (Rm 5,5) É desse amor que fala São Paulo no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios; é esse amor que “cobre uma multidão de pecados” (Tg 5,20), é esse amor que é “a plenitude da Lei”. Só ama assim quem se abre para o amor de Cristo, deixando-se guiar e impregnar pelo Seu Espírito de amor!
Ora, caríssimos, a Igreja deve ser o ambiente impregnado desse amor, mais forte que nossas diferenças de temperamento, de opiniões, de modo de agir… Onde está o amor, a caridade, Deus aí está; onde o amor reina, o Reino de Deus está presente neste mundo! A Igreja deve ser o lugar do amor, lugar do Reino! Mas, atenção, que somente poderemos viver esse amor deixando-nos guiar pelo Espírito Santo do Cristo Jesus, Ele que é o Amor no qual o Pai ama o Filho e o Filho Se deixa amar pelo Pai!

(3) Essa Comunidade de amor é Comunidade de compromisso, de responsabilidade no seguimento de Cristo. Por isso, não se pode usar o amor para acobertar a covardia, a tibieza, a frieza para com o Senhor, o afrouxamento da fé e da moral, o descaso para com os irmãos e os desmandos na Comunidade! O amor é exigente: “O amor de Cristo nos impele” (cf. 2Cor 5,14). A infidelidade ao amor a Cristo e aos irmãos é, precisamente, o pecado que gera a divisão, a desunião, que faz sangrar a Igreja. Por isso Jesus nos exorta à correção fraterna, desde aquela simples, feita entre irmãos, até a correção formal e mais solene, feita pelos legítimos pastores da Igreja de Cristo neste mundo: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo; se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas; se ele não der ouvido, dize-o à Igreja”.
Muitas vezes, vê-se confundir amor e misericórdia com a covardia ou o comodismo de não corrigir. Ora, caríssimos, a correção é um modo de amar, é um modo de preocupar-se com o outro e com a Comunidade que é ferida pelo pecado e o mau exemplo. A correção pode salvar o irmão. Quantos escândalos nas nossas Comunidades poderiam ter sido evitados se houvera a correção no momento oportuno e do modo discreto e sincero que Jesus nos recomenda. Isso vale para a Igreja menorzinha, que é nossa família doméstica, vale para o grupo do qual participamos, vale para a paróquia, a diocese e a Igreja universal (a verdadeira, a de Cristo, a Mãe católica!), espalhada por toda a terra.
A omissão em corrigir é covardia, é falta de amor à Comunidade que é a Igreja, é pecado de omissão e desatenção pelo irmão. Certamente, tal correção deverá ser feita sempre com amor, com discernimento, com paciência, com caridade fraterna. São Bento, na sua Regra, dá um preceito encantador: “In tribulationem subvenire” – poderíamos traduzir assim: “socorrer na tribulação”. Mas, a palavra latina é subvenire: vir por baixo, vir de baixo. Ou seja, socorrer sim, corrigir sim, mas com a humildade de quem vem por baixo para sustentar, amparar e ajudar, para salvar; não vem com a soberba de quem está por cima para massacrar! Corrigir, sim, mas como Deus, que em Jesus, veio por baixo, na pobreza do presépio e na humilhação da cruz! Aí, a correção terá mais chance de surtir efeito! 

(4) Na Comunidade de amor às vezes pode ser necessária a punição. Pode ser que não surta efeito a correção fraterna; pode ser que aquele que é corrigido teime na sua dureza de propósito e repouse no erro. Jesus mesmo prevê tal possibilidade no Evangelho de hoje. E, então, o próprio Senhor exorta a que tal irmão seja punido. Que escândalo para a nossa mentalidade atual! Atualmente, em tempos mornos, desfibrados, de tiranias do politicamente correto, nossa tendência é somente recordar do Senhor as palavras que agradam e nos são convenientes! No entanto, a punição na Igreja é prevista pelo próprio Senhor Jesus e deve ser utilizada como medicina, não pela vingança ou o desafogo, mas deverá ser sempre remédio de amor, isto é, para produzir o arrependimento e a correção, restabelecendo a paz na Comunidade e a salvação do irmão. Que os pais tenha a coragem de corrigir; e os pastores da Igreja também!

(5) Qual o fruto de uma comunidade assim? A saúde fraterna: a alegria de viver como irmãos: “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão!” Oh, que palavra tão doce: ganhar o irmão! Eis aqui o motivo último da correção fraterna!
Pensemos bem, caríssimos: a Igreja não é um clube de amigos, mas uma família de irmãos em Cristo! É o amor do Senhor Jesus Cristo que nos une. A alegria da comunhão fraterna somente será experimentada na sinceridade das nossas relações. Correção, sim; crítica destrutiva, murmuração, difamação, não! Neste sentido, todos nós precisamos fazer um sério exame de consciência, seja em nível de família, como naquele de grupos e paróquias e, até mesmo, de Diocese! 

São esses os aspectos que a Palavra de Deus nos põe hoje. Recordemos a exortação do Senhor pela boca de Ezequiel: se não corrigirmos o irmão e ele morrer no seu pecado, a culpa é nossa; se ele se corrigir, ganhamos o irmão: viveremos nós e viverá ele – eis a marca do Reino de Deus neste mundo! Que ele aconteça em nossas comunidades por obra do Espírito de verdade, de comunhão e de paz! Amém.

Liturgia do Dia – 09/09/2017

Lucas 6, 1-5“Cristo nos reconciliou com o Pai e nos deu o novo modo de viver, marcado pela misericórdia e compaixão.  Ele é o Senhor da história e do mundo: ‘O Filho do Homem é o Senhor também do sábado’. Ouçamos com alegria e fé.”

Primeira leitura:  Colossenses 1, 21-23

Salmo Responsorial: 53

Evangelho:  Lucas 6, 1-5

Liturgia do Dia – 08/09/2017

mateus 1, 18-24“Deus decidiu, em seu amor, escolher Maria para Mãe do Salvador.  Para isso, preparou a morada que fosse digna dele.  E Maria, na sua humildade, vai corresponder com a vontade divina.”

Primeira leitura:  Miqueias 5, 1-4a ou Romanos 8, 28-30

Salmo Responsorial: 70

Evangelho:  Mateus 1, 18-23

Liturgia do Dia – 07/09/2017

Lucas 5,1-11“Os primeiros chamados deixaram tudo e seguiram a Jesus.  A Palavra que ouviremos também nos convoca para sermos hoje os discípulos-missionários do Reino.  Deus nos chama, mas a resposta depende de nós.”

Primeira leitura:  Colossenses 1, 9-14

Salmo Responsorial:  97

Evangelho:  Lucas 5,1-11

Liturgia do Dia – 06/09/2017

Lucas 4, 38-44“‘Eu devo anunciar a Boa-nova do Reino de Deus também a outras cidades…’. Anunciar o Evangelho nos grandes centros urbanos é nosso dever.  Isso se realizará se vivermos intensamente a fé.”

Primeira leitura:  Colossenses 1, 1-8

Salmo Responsorial:  51

Evangelho:  Lucas 4, 38-44

Liturgia do Dia – 05/09/2017

Lucas 4, 31-37“É hora de escutar o que o Senhor vai nos falar.  É hora de abrir o coração para que seu amor ressoe dentro de nós.  Quem não se liberta por primeiro, não se torna libertador dos outros.”

Primeira leitura:  1Tessalonicenses 5, 1-6.9-11

Salmo Responsorial:  26

Evangelho:  Lucas 4, 31-37

Liturgia do Dia – 04/09/2017

Lucas 4, 16-30“‘Ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres.’ Sua Palavra cumpre o que diz toda vez que é ouvida.  A dificuldade é nossa em acolher sua mensagem e transformá-la em vida.”

Primeira leitura:  1Tessalonicenses 4, 13-18

Salmo Responsorial: 95

Evangelho:  Lucas 4, 16-30

Liturgia do Dia – 03/09/2017

Mateus 16, 21-27 1“O profeta Jeremias sente-se comprometido com os anseios e sofrimentos do povo, assume a defesa dele e, por isso, é perseguido pelas lideranças políticas e religiosas.  Jesus mostra aos discípulos que seu caminho é o da cruz e, se quisermos segui-lo, teremos de assumir nossa cruz todos os dias.  A decisão é de cada um de nós.”

Primeira leitura:  Jeremias 20, 7-9

Salmo Responsorial:  62

Segunda leitura:  Romanos 12, 1-2

Evangelho:  Mateus 16, 21-27

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Meditação para XXII Domingo Comum – Ano A

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

O Evangelho deste Domingo reflete um momento crítico da vida do Senhor Jesus. Ele sabe que será massacrado por Seus inimigos, sabe que a vinda do Reino de Deus passaria pelo desastre da cruz. – Nunca esqueçamos isto: a vinda do Reino passa pelo desastre da cruz; não há possibilidade de entrar no Reino sem que abracemos a cruz: “É preciso passar por muitas tribulações para entrar no Rino de Deus” (At 14,22). Agora, o Senhor anuncia isso aos apóstolos: Ele iria sofrer e morrer para ressuscitar.

Pedro não compreende como isso possa ser possível, não aceita tal caminho para o Mestre: “Deus não permita tal coisa, Senhor!” Eis que drama, caríssimos: a atitude de Pedro é a de muitos de nós: não compreendemos o caminho do Senhor, Seu sofrimento e Sua Cruz. Esse caminho do Senhor está presente na nossa vida; e nós não somos capazes de acolhê-lo, de perceber aí o misterioso desígnio de Deus. Nossa lógica, infelizmente, é tão mundana, tão terra-terra, tão presa à humana racionalidade, tão apequenada na medida da nossa lógica!

A dura reprimenda do Senhor a Pedro vale também para nós: “Tu és para Mim pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens”. Não nos iludamos: trata-se de duas lógicas sem acordo: não se pode abraçar a sede louca do mundo de se dar bem a qualquer custo, de possuir tudo, de viver sempre no sucesso, no comodismo, nas nossas vontades e desejos e no acordo com todos e, ao mesmo tempo, ser fiel ao Evangelho, tão radical, tão contra a corrente, tão contra nossos próprios caprichos e ilusões.

Vale para nós – valerá sempre – o desafio de Jesus: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” Caros, olhai o Cristo, pensai no Seu caminho e escutai a palavra do Senhor a nós, Seus discípulos: “Se alguém quer Me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de Mim, vai encontrá-la!” Renunciar-se, tomar a cruz por causa de Jesus… por causa Dele! Não há, não pode haver outro caminho para um cristão! Qualquer outra possibilidade é ilusão humana!

Caros meus, estejamos atentos, que o Deus de Jesus – e o próprio Jesus é Deus! – nos coloca em crise. Nosso Deus não é um Deus fácil, manipulável, domesticável: Ele seduz, atrai, e Sua sedução no coloca em crise porque nos faz pensas as coisas de Deus, não as dos homens e isso nos faz nadar contra a corrente. Por mais que quiséssemos, já não seria possível esquecê-Lo, fazer de conta que não O encontramos um dia! É o drama do profeta Jeremias na primeira leitura deste hoje: “Tu me seduziste, Senhor!” É o que afirma o coração do Salmista: Sois Vós, ó Senhor, o meu Deus: a minha alma tem sede de Vós, como terra sedenta e sem água! Vosso amor vale mais do que a vida!”

Que fazer, meus caros? Por um lado, experimentamos a sede de Deus, a vontade louca de seguir de todo o coração o nosso Senhor Jesus, por outro lado, os apelos de um mundo soberbo e satisfeito consigo mesmo, atanazam o nosso coração… Que fazer? Como abraçar sinceramente a lógica do Evangelho?

Há só um modo de seguir adiante, de ser cristão de verdade: o caminho da conversão! O Evangelho é o Evangelho da conversão! Não é um caminho fácil: é difícil, doloroso, mas libertador. São Paulo, na segunda leitura de hoje, exorta-nos a tal caminho: “Eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual” 

Compreendeis, irmãos? Compreendeis, irmãs? Seguir o Cristo é entrar no Seu caminho, é, em união com Ele, fazer-se sacrifício agradável a Deus, deixando-se guiar e queimar pelo Espírito do Cristo Crucificado e Ressuscitado. E o Apóstolo nos previne claramente: “Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que Lhe agrada, o que é perfeito”. Não tomar a forma do mundo, não viver como o mundo, com sua maneira de pensar e de avaliar as coisas. Só assim poderemos compreender a vontade de Deus – e ela passa pela Cruz e Ressurreição do Senhor!

Caríssimos, pensemos bem! Os cristãos não são mais perseguidos por soldados, já não são crucificados, jogados às feras ou queimados vivos. Hoje, o mundo nos combate invadindo nossa casa e nosso coração com tanta superficialidade e tanto paganismo, acirrando nossos instintos e explorando nossas fraquezas; hoje o mundo nos ataca nos ridicularizando, fazendo crer que o cristianismo é algo do passado, opressor e castrador… Hoje, a perseguição vem pela diluição do cristianismo no altar maldito do politicamente correto, de uma miserável e ímpia rendição ao mundo! Quantos cristãos enganam-se e enganam pensando que se pode dialogar com o mundo às custas do Evangelho e sua verdade que ilumina, seu fogo que queima… O mundo crucificou Jesus; o mundo crucifica o Evangelho; o mundo nos crucificará se formos fiéis ao Senhor. Estamos dispostos a pagar o preço? “O que poderá alguém dar em troca de sua vida?”

A única atitude realmente evangélica diante do mundo é o anúncio inteiro do Cristo, com todas as Suas exigências – sem disfarçar, sem esconder, sem se envergonhar, sem dar jeitinhos ou descontos… E isso com paciência, com compaixão, com amor, com todo respeito. Foi assim que Jesus fez, foi assim que os apóstolos fizeram, foi assim que procederam os santos de todas as épocas, é assim que nós devemos hoje fazer!

Levantemo-nos, meus caros! Sigamos o Senhor até a Cruz, para estar com ele na Ressurreição. Amém. 

Liturgia do Dia – 02/09/2017

Mateus 25, 14-30“Diz Jesus:  ‘Como foste fiel na administração de tão pouco, vem participar da minha alegria!’ A Palavra que ouviremos ajuda-nos a viver com maior intensidade a pertença ao Reino do Senhor.”

Primeira leitura:  1 Tessalonicenses 4, 9-11

Salmo Responsorial: 97

Evangelho:  Mateus 25, 14-30

Liturgia do Dia – 01/09/2017

mateus 25, 1-13“A vontade de Deus é nossa santidade.  Acolher a Palavra é acolher seu plano de amor misericordioso, que nos salva, que nos faz viver.  Quem está vigilante sabe acolher sua hora, sua chegada.”

Primeira leitura:  1 Tessalonicenses 4, 1-8

Salmo Responsorial:  96

Evangelho: Mateus 25,1-3

Liturgia do Dia – 31/08/2017

mateus 24,42-51“Jesus vem nos lembrar sobre a necessidade da vigilância, para que saibamos discernir sua presença nos fatos e acontecimentos.  O amor é condição necessária para compreender sua presença.”

Primeira leitura: 1Tessalonicenses 3,7-13

Salmo Responsorial:  89

Evangelho:  Mateus 24,42-51

A Catequese do Papa Francisco – 30/08/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 30 de agosto de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de voltar a um tema importante: a relação entre a esperança e a memória, com particular referência à memória da vocação. E tomo como ícone o chamado dos primeiros discípulos de Jesus. Em sua memória permanece tão impressa esta experiência que alguém registrou até a hora: “Eram cerca de quatro da tarde” (Jo 1, 39). O evangelista João narra o episódio como uma nítida recordação de juventude, que ficou intacta na sua memória de ancião: porque João escreve essas coisas quando era já um idoso.

O encontro havia acontecido próximo ao rio Jordão, onde João Batista batizava; e aqueles jovens galileus tinham escolhido o Batista como guia espiritual. Um dia vem Jesus e se fez batizar no rio. O dia seguinte passou de novo e então o Batizador – isso é, João o Batista – disse a dois de seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus” (v. 36).

E para aqueles dois é a “faísca”. Deixam seu primeiro mestre e se colocam ao seguimento de Jesus. No caminho, Ele se vira para eles e coloca a pergunta decisiva: “O que procurais?” (v. 38). Jesus aparece nos Evangelhos como um especialista do coração humano. Naquele momento havia encontrado dois jovens em busca, saudavelmente inquietos. De fato, que juventude é uma juventude satisfeita, sem uma busca de sentido? Os jovens que não buscam nada não são jovens, estão aposentados, envelheceram antes do tempo. É triste ver jovens aposentados…E Jesus, através de todo o Evangelho, em todos os encontros que lhe acontecem ao longo do caminho, aparece como um “incendiário” dos corações. Daqui aquela sua pergunta que procura fazer emergir o desejo de vida e de felicidade que cada jovem traz dentro de si: “o que procurais?”. Também eu gostaria hoje de perguntar aos jovens que estão aqui na praça e aqueles que nos ouvem pela mídia: “Você, que é jovem, o que procura? O que procura no teu coração?”.

A vocação de João e de André começa assim: é o início de uma amizade com Jesus tão forte a ponto a criar uma comunhão de vida e de paixão com Ele. Os dois discípulos começam a estar com Jesus e logo se transformam em missionários, porque quando termina o encontro não voltam para casa tranquilos: tanto é verdade que seus respetivos irmãos – Simão e Tiago – logo são envolvidos no seguimento. Foram até eles e disseram: “Encontramos o Messias, encontramos um grande profeta”: dão a notícia. São missionários daquele encontro. Foi um encontro tão tocante, tão feliz que os discípulos recordarão para sempre aquele dia que iluminou e orientou sua juventude.
Como se descobre a própria vocação neste mundo? Pode-se descobri-la de tantos modos, mas esta página do Evangelho nos diz que o primeiro indicador é a alegria do encontro com Jesus. Matrimônio, vida consagrada, sacerdócio: toda vocação verdadeira começa com um encontro com Jesus que nos dá uma alegria e uma esperança nova; e nos conduz, mesmo através de provações e dificuldades, a um encontro sempre mais pleno, cresce, aquele encontro, o encontro com Ele e leva à plenitude da alegria.

O Senhor não quer homens e mulheres que caminham atrás Dele com má vontade, sem ter no coração o vento da alegria. Vocês, que estão aqui na Praça, pergunto a vocês – cada um responda a si mesmo – vocês têm no coração o vento da alegria? Cada um se pergunte: “Eu tenho dentro de mim, no coração, o vento da alegria?”. Jesus quer pessoas que experimentaram que estar com Ele dá uma felicidade imensa, que se pode renovar todos os dias na vida. Um discípulo do Reino de Deus que não seja alegre não evangeliza este mundo, é um triste. Torna-se pregadores de Jesus não aperfeiçoando as armas da retórica: você pode falar, falar, falar, mas se não tem algo mais… Como se torna pregador de Jesus? Protegendo nos olhos o brilho da verdadeira felicidade. Vemos tantos cristãos, também entre nós, que com os olhos transmitem a alegria da fé: com os olhos!

Por este motivo o cristão – como a Virgem Maria – protege a chama do seu enamoramento: enamorados de Jesus. Certo, há provações na vida, há momento em que é preciso seguir adiante apesar do frio e dos ventos contrários, apesar de tantas amarguras. Porém os cristãos conhecem o caminho que conduz àquele fogo sagrado que acendeu neles uma vez para sempre.

Mas por favor, recomendo: não demos ouvido às pessoas desiludidas e infelizes; não escutemos quem recomenda cinicamente para não cultivar esperança na vida; não confiemos em quem apaga logo que surge todo entusiasmo dizendo que nenhuma empresa vale o sacrifício de toda uma vida; não escutemos os “velhos” de coração que sufocam a euforia juvenil. Busquemos os velhos que têm os olhos brilhantes de esperança! Cultivemos, em vez disso, sãs utopias: Deus nos quer capazes de sonhar como Ele e com Ele, enquanto caminhamos bem atentos à realidade. Sonhar um mundo diferente. E se um sonho se apaga, tornar a sonhá-lo, indo com esperança à memória das origens, aquelas brasas que, talvez depois de uma vida não tão boa, estão escondidos sob as cinzas do primeiro encontro com Jesus.

Eis, portanto, uma dinâmica fundamental da vida cristã: recordar-se de Jesus. Paulo dizia ao seu discípulo: “Recorda-te de Jesus Cristo” (2 Tm 2, 8); este o conselho do grande São Paulo: “Recorda-te de Jesus Cristo”. Recordar-se de Jesus, do fogo do amor com que um dia concebemos a nossa vida como um projeto de bem e reavivar com esta chama a nossa esperança.

Liturgia do Dia – 30/08/2017

Mateus 23, 27-32“Deixemo-nos tocar pela força salvadora e libertadora da Palavra do Senhor.  Ela fundamenta nossa vida e enraíza nossa existência , e ainda encontramos paz e a salvação. Acolhamos o Senhor em sua Palavra.”

Primeira leitura:  1Tessalonicenses 2,9-13

Salmo Responsorial:  138

Evangelho:  Mateus 23, 27-32

Liturgia do Dia – 29/08/2017

Marcos 6, 17-29“Quem acredita e anuncia a verdade não tem medo das consequências. A mentira nos impõe medo, mas a verdade liberta.  João Batista não teve medo de dizer a verdade a Herodes, que o martirizou.”

Primeira leitura:  Jeremias 1, 17-19

Salmo Responsorial:  70

Evangelho: Marcos 6, 17-29