11° PPC

O MINISTÉRIO DO ACOLHIMENTO E OS NOVOS DESAFIOS DA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA NO BRASIL

Por Michelle Figueiredo Neves*

“Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo”

(Gálatas 3,27)

Às vésperas da realização da Assembléia Arquidiocesana cada batizado é convocado a definitivamente assumir o papel de protagonista de uma nova realidade evangelizadora, onde o anúncio ininterrupto da mensagem de Cristo, a partilha através das atividades em conjunto, focadas na promoção da vida em sua plenitude, insere necessariamente o combate aos valores difundidos numa sociedade vítima de seu próprio individualismo.

Alcançar os objetivos propostos requer um grande investimento no espírito missionário de cada batizado, no fortalecimento dos laços de fraternidade e solidariedade, no respeito à enriquecedora individualidade dos carismas para o pleno e eficaz exercício do dom recebido através do Espírito Santo, sem esquecer que tais aspectos devem necessariamente estar nutridos e fortalecidos pela Palavra de Deus, a Oração comunitária e a Eucaristia.

Aos ministros e agentes do Acolhimento urge então a necessidade de recontextualizar suas atividades e investir cada vez mais na formação continuada para o anúncio sincero, verdadeiro e testemunhal de Jesus.

Inobstante, também é necessário mergulhar no conhecimento da natureza humana de forma a deixar brilhar em si a Luz do Cristo que promove vida através do acolhimento ao semelhante, para a glorificação de Deus, Nosso Pai.

Desta forma, os Ministros do Acolhimento precisam investir para o alcance contextual do anúncio da Boa Nova em toda sua dimensão, ou seja, numa visão atual, a valorização do indivíduo através do respeito efetivo ao próximo, da proteção à família e do nascituro, da utilização consciente dos recursos naturais, da promoção da saúde, da educação, do saneamento básico e de todos os demais direitos fundamentais do homem, do combate à violência contra a mulher, o idoso, o adolescente e as crianças, à exploração sexual, ao trabalho escravo, à corrupção político-econômica, etc., de forma inclusiva, ou seja, criando oportunidades e adeptos viscerais de um novo paradigma.

Portanto, mesmo que por tradição a prática das atividades ministeriais ainda esteja limitada, na maioria das vezes, ao início e fim das celebrações da Palavra e Eucaristia, faz-se necessário ultrapassar tais fronteiras e colaborar também para a formação e fortalecimento das comunidades inseridas na Igreja Comunidade, promovendo o acolhimento cristão como valor social.

Mergulhar nas propostas do 11° Plano de Pastoral de Conjunto, em sua totalidade, é acima de tudo comprometer-se com esta nova realidade, onde a valorização do homem retome seu espaço, banindo definitivamente o conceito de utilidade humana, geradora das desigualdades sociais em todas as instâncias, e que a cada dia assolam ainda mais humanidade, promovendo toda sorte de injustiças.

No atual contexto acolher é também auxiliar nosso próximo a perfazer e fortalecer o caminho da fé, engajando os cristãos a se unirem para vivenciar de forma madura a mensagem de Cristo através de um olhar crítico, porém cheio de misericórdia e esperança.

Que a promoção dessa experiência abra o coração de cada um de nós às graças de Deus Pai, que não nos reduz a mero objeto de sua ação, mas nos convida a usar nossa capacidade de discernir e escolher, para tornarmo-nos testemunhas e agentes do bem, através da vivência concreta do amor, também na vida secular.

(*) Ministra do Acolhimento da Paróquia São Paulo Apóstolo, em 13/10/2011

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s