Artigo, Ministério do Acolhimento, Missão

Celebrar como cristãos é entender a mística de Jesus

A busca para celebrar melhor é busca de Deus e de sentido para a vida que temos e vivemos. Por isso, para melhor celebrar e celebrar bem é preciso compreender a “mística” de Jesus.

Mística é o jeito. A mística de Jesus é o jeito de Jesus. Um jeito de viver a vida, de se relacionar consigo mesmo, com Deus, com o mundo, com os outros. Jesus nos aponta um caminho, quando, ao celebrar a Páscoa com os seus, toma o pão, parte-o e o reparte, significando sua total entrega, chegando mesmo a dizer: “Como eu fiz, façam vocês também. Como eu me entreguei, entreguem-se também. Como eu dei a vida por vocês, dêem a vida uns pelos outros.” Esta é a mística de Jesus: a mística da entrega, da doação incondicional. Mas esta mística, este jeito de Jesus, não é um jeito qualquer. É um jeito que dá sentido à vida, um jeito que conduz ao Reino e ao Pai, um jeito que realiza as pessoas, um jeito que liberta a todos transformando a realidade.

Sob este aspecto, podemos observar que não celebramos como Jesus, do jeito de Jesus… E é justamente isso que faz a diferença! Comunidades que buscam celebrar do jeito de Jesus transformam suas realidades pessoais e sociais, são comunidades fecundas, anunciadoras da Palavra e testemunhas do Reino. Comunidades que celebram do jeito de Jesus são comunidades que buscam sempre viver na prática da fraternidade, da solidariedade, da justiça, e não somente ficam no discurso com palavras sem atitudes; são comunidades que verdadeiramente são Igreja! É importante que nos lembremos do exemplo dos primeiros cristãos: “e todos repartiam o pão, e não havia necessitados entre eles”: tudo era de todos, do jeito de Jesus!

Dessa forma, podemos concluir que Jesus não inventa um novo jeito de celebrar, não inventa ritos, o que Ele faz é trazer à tona o verdadeiro sentido de celebrar. Jesus busca viver na eucaristia a mística de sua vida: o amor. E o amor de Jesus é o amor solidário, partilhado, fraterno, ecológico, repleto de respeito profundo e de cuidado.

Assim, se queremos celebrar como cristãos, toda a liturgia tem que carregar esse “jeito”, essa mística de Jesus. Toda a prática celebrativa tem que ter essa marca: ser uma busca da vivência da fraternidade, da solidariedade, do cuidado, e da consciência da entrega total.

Domingo é o dia de celebrar a Eucaristia ou de celebrar a Palavra. É dia de um encontro mais festivo com o Senhor. Apresentamos a seguir, alguns pontos que podem ajudar a celebrar bem o encontro festivo com o Senhor: 1) Comece pensando, na véspera da celebração: “que bom, amanhã é dia de participar da Eucaristia!”; 2) Tente deixar seu coração ansioso por esse momento e, se tiver um tempinho, dê uma olhada nas leituras que serão proclamadas na celebração; 3) Se tiver um tempo maior, faça uma meditação com as leituras (no folheto de celebração, sempre aparecem as leituras da semana seguinte, você pode seguir as orientações das leituras do domingo seguinte); 4) Faça uma listinha das coisas que você irá agradecer ao Senhor; 5) Pense no que você irá pedir ao Senhor (não precisa fazer listinha, Ele já conhece suas necessidades…); 6) Pense por quem você precisa pedir na celebração e pense sobre a importância da celebração em comunidade; 7) Pense, com alegria, nas pessoas da comunidade que você encontrará na celebração; 8 ) Pense que, mesmo com todas as dificuldades, você se esforçará para viver bem a Eucaristia no seu dia-a-dia; 9) Pense que, na celebração, você renovará seu compromisso de sempre se encontrar com a comunidade e com o Senhor; 10) Por fim, coloque um sorriso no rosto e pense: “eu sou feliz por poder participar da mesa do Senhor”.

Concluindo, observamos que diante do tesouro escondido na graça da celebração, é importantíssimo que acolhamos o tema do “cuidado” como um princípio que acompanha a pessoa humana em cada passo da vida, ao encontro de mais vida. Assim, a grande diferença em tudo não está somente nas nossas liturgias, mas naquilo que elas produzem de significação em nós, em qualidade de vida, em convivência, em serviço e amor.

Fonte: Revista Em Cantar nº 37 (Cenor); Artigo de Frei Luiz S. Turra, ofm (assessor na CNBB do Setor de Canto Litúrgico)

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