Liturgia do Dia – 22/02/2017

mateus 16, 13-19“‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’, confessou Pedro a Cristo, que confiou a ele a responsabilidade de pastorear a Igreja.  Hoje, são continuadores dessa mesma missão os Ministros da Igreja.”

Primeira leitura:  1 Pedro 5, 1-4

Salmo Responsorial: 22

Evangelho:  Mateus 16, 13-19

Liturgia do Dia – 20/02/2017

marcos 9, 14-29“A Sabedoria divina nos leva a evitar o mal e a temer o Senhor.  Nossa fé é na pessoa de Jesus e não numa teoria ou filosofia.  Somente nele nos tornamos livres de nossas ‘feridas’ humanas.”

Primeira leitura:  Eclesiástico 1,1-10

Salmo Responsorial:  92

Evangelho:  Marcos 9, 14-29

Liturgia do Dia – 19/02/2017

mateus 5, 38-48“Cristo nos chama para realizar em nossa vida o amor ao extremo, amando do jeito que Ele amou, seguindo seu ensinamento que transforma o mundo e a nós mesmos.  Deixemos, pois, que a Palavra ressoe entre nós.”

Primeira leitura:  Levítico 19, 1-2.17-18

Salmo Responsorial:  102

Segunda leitura:  1Coríntios 3, 16-23

Evangelho:  Mateus 5, 38-48

-*-

Meditação para este Domingo

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

Caríssimos irmãos no Senhor, mais uma vez a liturgia sagrada no reúne para a santa Eucaristia dominical, na qual encontramos o Ressuscitado, alimentamo-nos da Sua Palavra e nutrimo-nos do Seu Corpo sagrado. Com efeito, Ele está conosco, Ele nos fala, Ele se dá a nós, totalmente!
Ouvir o Senhor, alimentar-se Dele – pensai bem -, significa abrir-se para Ele porque Nele cremos. É isto crer, meus caros: viver abertos de verdade para o Senhor, deixando que Ele plasme a nossa vida, ilumine os nossos caminho, vá invadindo e transformando toda a nossa existência, em todos os seus aspectos!

Se pensarmos bem, é a uma atitude assim que a Palavra de Deus hoje nos convida.
O Senhor Deus nos diz: “Sede santos, porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”; depois, no Evangelho, insiste: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!” Em outras palavras: Sede como o vosso Deus, deixai-vos invadir por Ele, transformar por Ele! Deixai que Ele seja o lastro, o alicerce, o fundamento, o rumo da vossa vida! Crer Nele e deixar-se invadir por Ele e ir assumindo Seus sentimentos, Seus pensamentos, Seus desígnios.
Observai como na primeira leitura o Senhor Deus afirma: “Eu sou o Senhor!” Se Eu sou o Senhor para vós, sede santos como Eu, tende um coração como o Meu: não guardes ódio no coração, não te vingues, repreende o teu próximo com bom coração, ama de verdade o próximo como a ti mesmo!

Compreendeis, caríssimos? Não podemos dizer que Deus é o Senhor e, ao mesmo tempo, vivermos do nosso modo, como se nós próprios fôssemos o nosso Deus! Alguém que viva do seu modo, seguindo seus próprios critérios, alguém que se julgue o senhor do bem e do mal e veja, analise, julgue e aja de acordo com seus próprios pensamentos, gostos e prioridades, independente da vontade de Deus – e essa vontade de Deus não é teórica, distante, mas nos aparece nas Escrituras interpretadas século após século pela Igreja com a autoridade de Cristo – alguém assim, mesmo que dissesse que acredita, não crê de verdade, não exprime na vida que Deus é seu Senhor!
Ah, caríssimos, que há tantos crentes de nome e ateus de vida! Há tantos, como diz o Apóstolo, “que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O seu fim será a perdição; o seu deus, é o ventre; e sua glória, eles a põem na própria ignomínia, já que só levam a peito as coisas da terra” (Fl 3,18-19). Viver na vontade do Senhor, abertos ao Senhor, Àquele Deus Santo que Se manifestou como Poder, Santidade, Sabedoria e Salvação na fraqueza, na maldição, na loucura e na perdição da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!

A mesma ideia aparece na segunda leitura de hoje: vede como São Paulo nos convida ter plena consciência de que não nos pertencemos: “Irmãos, acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?” Somos santuário de Deus, isto é, somos templo, morada do Seu Santo Espírito, Aquele Espírito que Jesus morto e ressuscitado derramou em nossos corações desde o nosso batismo.
Então, como poderíamos viver do nosso jeito?
Como poderíamos seguir a lógica da moda, da maioria, do mundo atual?
Como poderíamos abraçar a louca e tola sabedoria do mundo atual?

Que palavras claras e escandalosas as do Apóstolo: “Ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez para se tornar sábio de verdade; pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus!” O que significam tais palavras? É preciso deixar nossa lógica mundana para abraçar a lógica de Deus; e esta lógica – nunca esqueçamos, nunca deixemos de repetir – manifestar-se-á sempre e somente na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Era isto que o nosso bendito Salvador dizia no Domingo passado e continua a dizer neste hoje: a nossa religião tem que superar a dos escribas e fariseus!
Lembrai-vos ainda de oito dias atrás? “Se a vossa justiça, isto é, se o vosso modo de praticar a religião, de cumprir os preceitos, não for maior que a justiça dos escribas e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus!”
Em que nossa prática deve ser maior? No modo de viver a religião: um modo interior, nascido do amor a Deus e aos irmãos; um amor que deixa de verdade Deus entrar, habitar em nós como num templo, nos questionar, nos transformar; uma prática da religião suscitada, sustentada, impulsionada, animada pelo Santo Espírito!

Observai, amados no Senhor, como Jesus chama atenção não primeiramente para a letra do preceito, mas para o espírito, a intenção, a motivação com a qual se realiza o preceito:
“Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente” – é justo, era a medida da justiça da Lei de Moisés e ainda hoje é a medida de todos os tribunais do mundo. Este preceito não é de vingança; é de justiça: um olho por um olho, um dente por um dente! “Eu, porém, vos digo: não só justiça, mas misericórdia, generosidade, porque vosso Deus é assim!”
“Ouvistes o que foi dito: amarás a quem te ama, não tens obrigação para com teus inimigos. Eu, porém vos digo: amai a todos, amai sem esperar recompensa, porque o coração do vosso Pai no céu é assim!” Abri-vos, pois, irmãos meus, abri-vos para Deus, Aquele Deus que vos deu tudo quando vos deu o Filho Único, o Amado, até a morte e morte de cruz!

Caríssimos, vivemos num mundo no qual o homem se colocou como o centro. Até mesmo na Igreja há pessoas que pensam num cristianismo à medida do homem e do gosto das modas atuais. Há cristãos, há teólogos que pensam assim: “Se fizermos como o mundo espera, vamos atrair o mundo para a Igreja; se fizermos adaptações no cristianismo e na Igreja ele se tornará atraente…”
Não! É Cristo Quem atrai, é Cristo crucificado e ressuscitado o critério! Não se trata de atrair para a Igreja, mas para o Jesus vivo e verdadeiro, com toda a Sua verdade, com todo o Seu amor, com toda a Sua exigência que nos liberta, nos tira de nós e nos dá a Vida em abundância! O resto é pensamento humano, vazio e estéril!
Repito, caríssimos: o centro é Cristo Jesus que nos leva ao Pai: é Ele o critério, é Ele a medida, é Ele a única verdade! Quando nos deixamos transformar por Ele somos livres de verdade e de verdade damos glória a Deus.
Nunca esqueçais, amado meus: “Tudo vos pertence, tudo é vosso, mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus”. A Ele a glória pelos séculos. Amém.

Liturgia do Dia – 18/02/2017

Marcos 9,38-43.45.47-48“A montanha é o lugar da revelação divina, da proximidade de Deus.  Ali a voz do Pai se fez ouvir, proclamando seu Filho amado.  Escutar o que ele diz é nosso dever e nossa salvação.”

Primeira leitura:   Hebreus 11,1-7

Salmo Responsorial:  144

Evangelho:  Marcos 9, 2-13

Liturgia do Dia – 16/02/2017

marcos 8, 27-33“A Palavra vem a nosso encontro. É Deus quem nos fala e nos revela seu amor, sua vontade: ‘Tu és o Messias…’ E começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito.”

Primeira leitura:  Gênesis 9,1-13

Salmo Responsorial:  101

Evangelho:  Marcos 8, 27-33

A Catequese do Papa – 15/02/2017

brasão-papa_-Francisco

CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Desde pequenos nos é ensinado que não é bonito vangloriar-se. Na minha terra, aqueles que se vangloriam são chamados “pavões”. E é justo, porque vangloriar-se daquilo que se é ou daquilo que se tem, além de uma certa soberba, denuncia também uma falta de respeito para com os outros, especialmente para com aqueles que são menos afortunados que nós. Neste trecho da Carta aos Romanos, porém, o Apóstolo Paulo nos surpreende, quando por duas vezes nos convida a nos vangloriarmos. Do que, então, é justo vangloriar-se? Porque se ele convida a vangloriar-se, de algo é justo fazê-lo. E como é possível fazer isso, sem ofender os outros, sem excluir ninguém?

No primeiro caso, somos convidados a nos vangloriarmos da abundância da graça da qual somos imbuídos em Jesus Cristo, por meio da fé. Paulo quer nos fazer entender que, se aprendemos a ler cada coisa com a luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça! Tudo é dom! Se prestamos atenção, de fato, a agir – na história, como na nossa vida – não somos somente nós, mas é antes de tudo Deus. É Ele o protagonista absoluto, que cria toda coisa como um dom de amor, que tece a trama do seu desígnio de salvação e que o leva a cumprimento por nós, mediante o seu Filho Jesus. A nós é pedido reconhecer tudo isso, acolhê-lo com gratidão e fazê-lo se tornar motivo de louvor, de benção e de grande alegria. Se fazemos isso, estamos em paz com Deus e fazemos experiência da liberdade. E esta paz se estende depois a todos os âmbitos e a todas as relações da nossa vida: estamos em paz conosco mesmo, estamos em paz em família, na nossa comunidade, no trabalho e com pessoas que encontramos todos os dias no nosso caminho.

Paulo, porém, convida a nos vangloriarmos também nas tribulações. Isto não é fácil de ser entendido. Isso é mais difícil e pode parecer que não tem nada a ver com a condição de paz há pouco descrita. Em vez disso, constitui o pressuposto mais autêntico, mais verdadeiro. De fato, a paz que o Senhor nos oferece e nos garante não deve ser entendida como ausência de preocupações, de desilusões, de falhas, de motivos de sofrimento. Se fosse assim, no caso em que conseguíssemos estar em paz, aquele momento acabaria logo e cairíamos inevitavelmente no desconforto. A paz que surge da fé é, em vez disso, um dom: é a graça de experimentar que Deus nos ama e que está sempre próximo a nós, não nos deixa sozinhos nem mesmo um minuto da nossa vida. E isso, como afirma o apóstolo, gera a paciência, porque sabemos que, também nos momentos mais duros e chocantes, a misericórdia e a bondade do Senhor são maiores que qualquer coisa e nada nos arrancará de suas mãos e da comunhão com Ele.

Eis porque a esperança cristã é sólida, eis porque não desilude. Nunca desilude. A esperança não desilude! Não é fundada naquilo que nós podemos fazer ou ser nem mesmo naquilo em que nós podemos acreditar. O seu fundamento, isso é, o fundamento da esperança cristã, é aquilo que de mais fiel e seguro pode existir, o amor que o próprio Deus alimenta por cada um de nós. É fácil dizer: Deus nos ama. Todos o dizemos. Mas pensem um pouco: cada um de nós é capaz de dizer: sou seguro de que Deus me ama? Não é tão fácil dizer isso. Mas é verdade. É um bom exercício, isso, dizer a si mesmo: Deus me ama. Esta é a raiz da nossa segurança, a raiz da esperança. E o Senhor infundiu abundantemente nos nossos corações o Espírito – que é o amor de Deus – como artífice, como garantia, justamente para que possa alimentar dentro de nós a fé e manter viva essa esperança. E essa segurança: Deus me ama. “Mas neste momento ruim?” – Deus me ama. “E a mim, que fiz essa coisa ruim?” – Deus me ama. Essa segurança ninguém nos tira. E devemos repetir isso como oração: Deus me ama. Sou seguro de que Deus me ama. Sou segura de que Deus me ama.

Agora compreendemos porque o apóstolo Paulo nos convida a nos vangloriarmos sempre de tudo isso. Eu me vanglorio do amor de Deus, porque me ama. A esperança que nos foi dada não nos separa dos outros, nem tão pouco nos leva a desacreditá-los ou marginalizá-los. Trata-se, em vez disso, de um dom extraordinário do qual somos chamados a ser “canais”, com humildade e simplicidade, para todos. E então o nosso orgulho maior será aquele de ter como Pai um Deus que não tem preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa a todos os seres humanos, a começar pelos últimos e distantes, para que como seus filhos aprendamos a nos consolar e a nos apoiar uns aos outros. E não se esqueçam: a esperança não desilude.

Liturgia do Dia – 15/02/2017

marcos 8,22-26“Assim como Noé foi obediente ao Senhor, e aquele cego suplicou misericórdia a Jesus, mas também nós, deixemo-nos tocar pela Palavra do Senhor e sejamos mais autênticos em nossa fé.”

Primeira leitura:  Gênesis 8,6-13.20-22

Salmo Responsorial:  115

Evangelho:  Marcos 8,22-26

Liturgia do Dia – 14/02/2017

marcos 8, 14-21” A presença do mal entre nós é a negação dos apelos de Deus sobre nossa humanidade.  Não podemos nos fazer surdos a eles.  É preciso estar atentos ao fermento que não dá vida.”

Primeira leitura:  Gênesis 6,5-8;7,1-5,10

Salmo Responsorial:  28

Evangelho:  Marcos 8, 14-21

Liturgia do Dia -13/02/2017

marcos 8, 11-13“Os homens continuam a cometer transgressões, tornam-se audaciosos, mas Deus é inesgotável em sua bondade.  Jesus é o sinal vivo, real, presente da bondade e da misericórdia de Deus para conosco.” 

Primeira leitura:  Gênesis 4,1-15.25

Salmo Responsorial: 49

Evangelho:  Marcos 8, 11-13

Liturgia do Dia -12/02/2017

mateus 5, 17-37“A Lei do amor é objeto de meditação e a razão dos humildes de justos.  A Palavra do Senhor é fonte de paz, de misericórdia e de salvação.  Feliz quem a acolhe e procura vivê-la com intensidade.”

Primeira leitura:  Eclesiástico 15, 16-21

Salmo Responsorial:  118

Segunda leitura:  1 Coríntios 2,6-10

Evangelho:  Mateus 5, 17-37

-*-

Meditação para o Domingo

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

Caros Irmãos, hoje a Palavra santa nos fala sobre a Lei de Deus.
Logo de saída, impressiona a afirmação peremptória de Jesus, nosso Senhor: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, Eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra!”
Sejamos sinceros: um cristão deveria ficar inquieto com tais palavras, afinal nós não mais observamos a Lei de Moisés: não nos deixamos circuncidar, não guardamos o sábado, não fazemos restrições alimentares, distinguindo entre alimento puro e impuro…
E agora: como nos haveremos com a palavra tão clara de Jesus?

Mas, o que o Senhor deseja mesmo dizer? Ele diz que não vem abolir a Lei, vem cumpri-la. Atenção: cumprir, aqui, não significa obedecer a Lei, mas realizá-la, dar cumprimento ao que ela anunciou e prometeu! Assim, cumprindo a Lei, Jesus a supera, como um botão que se cumpre na flor. Pensai, irmãos: o botão prepara a flor e sem botão não há flor. Mas, o botão existe para tornar-se flor e, quando se torna, cumpre-se, passa, deixando lugar à flor. É assim que Jesus cumpre a Lei: realiza o que ela anunciou. Agora, como o Velho Simeão, a Lei bem que pode dizer: “Agora, Senhor, podes deixar Tua serva ir em paz. Meus olhos viram a Tua salvação que prometeste!” (Lc 2,29s).
Jesus não abole a Lei no sentido de inutilizá-la, não a despreza; cumpre-a plenamente e, cumprindo-a, supera-a definitivamente! Com a chegada do nosso Salvador, com Sua santa morte e ressurreição, nem uma letra, nem uma vírgula da Lei ficou em vão: tudo se cumpriu Nele, que é a plenitude da Lei e dos profetas.
Por isso mesmo, no Tabor, Moisés e Elias, a Lei e os profetas, apareceram envoltos na Glória de Jesus. É Ele, o Santo Messias, Nosso Senhor, Quem leva a Lei e os profetas à plenitude do cumprimento! É Ele – e só Ele – que, realizando tudo quanto a Antiga Aliança legislou e profetizou, a tudo deu cumprimento e a tudo superou!

Talvez algum de vós pergunte: Então não há mais lei alguma no cristianismo? Os cristãos são livres para fazerem como bem desejarem, para viverem como bem imaginarem, tudo em nome da bondade e da misericórdia de Deus reveladas em Jesus?
Não, queridos irmãos! Este pensamento seria totalmente falso! O próprio São Paulo nos previne contra esta ideia torta: “Iremos pecar porque não estamos sob a Lei, mas sob a graça? De modo algum!” (Rm 6,15) – ele mesmo responde!
A Lei de Moisés foi superada, mas o cristão vive sob uma nova Lei, dada no Espírito Santo de Amor, Espírito de Cristo Jesus, Espírito de Amor! Por isso mesmo, o Espírito foi derramado sobre a Igreja no dia de Pentecostes, festa judaica que celebrava o dom da Lei. Para os discípulos de Cristo, a Lei é o Espírito de Amor que, no Batismo, foi derramado nos nossos corações (cf. Rm 5,5); o cristão vive agora debaixo da Lei do Espírito de Cristo! Por isso o Apóstolo diz: “Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós!” E previne: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo!” (Rm 8,9) Portanto, é Ele, esse Santo Espírito, Quem nos dá a Vida de Cristo, os sentimentos de Cristo, a sabedoria de Cristo, tão diferente daquela do mundo, para viver segundo Cristo. É o que diz o santo Apóstolo na Epístola de hoje: quem pode compreender os preceitos do Senhor? Somente os que são sábios segundo Deus! Mas, essa sabedoria de Deus é escondida aos olhos do mundo, à lógica da nossa sociedade; é uma sabedoria que desde a eternidade Deus destinou para nossa glória! Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria! E São Paulo adverte: “Se a tivessem conhecido não teriam crucificado o Senhor da Glória”.
A sabedoria do mundo, fechada para o Espírito de Cristo, mata o Senhor da Glória no nosso coração! A verdadeira sabedoria, da verdadeira lei, somente pode ser revelada através do Espírito, que “esquadrinha as profundezas de Deus!”

Compreendei, Irmãos: é o Espírito que Cristo nos deu no Batismo e nos dá sempre de novo nos sacramentos da Igreja, é Ele, esse Espírito de Amor, Quem imprime em nós a nova Lei, a Lei do Amor!
Para os cristãos, a Lei, os mandamentos, resumem-se nisto: amar ao Senhor Deus e amar os irmãos como Cristo Jesus amou! E amou até entregar-Se na cruz! Eis a Lei de Cristo, eis a medida, eis o desafio, eis nosso consolo (porque ela é tão bela!), eis a nossa desolação (porque, por nós mesmos, é impossível amar assim, na medida de Cristo!)…
Pensando na Lei do Senhor Jesus, sigamos o conselho do Eclesiástico: guardemos o preceito de amor do Senhor e viveremos Nele, graças a presença do Seu Espírito de Amor em nós! Deixemo-nos conduzir pelo Espírito, obedeçamos a voz do Espírito em nós, pois “o Senhor não mandou ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar”, muito menos pecar contra o Espírito Santo de Amor, que nos impele a amar como Jesus!
Mas, irmãos meus, coragem: o que é impossível ao homem não é impossível ao Senhor! Por isso Ele nos deu o Seu próprio Espírito: para que impulsionados por Ele, nós tenhamos em nós os Seus sentimentos, as Suas atitudes, cumprindo o preceito do Apóstolo: “Tende em vós os mesmos sentimentos do Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Agora sim, podemos compreender a palavra do Senhor Jesus: “Eu vos digo: se a vossa justiça não for maior que a justiça dos escribas e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus!”
Vede bem: a justiça, isto é a religiosidade, o cumprimento da Lei dos escribas e fariseus, ficava na Lei de Moisés, tinha a Lei de Moisés como critério. Isto serve para os judeus, não para nós! Para o cristão, a Lei é o Espírito de Cristo, Espírito de Amor, que nos imprime no coração os sentimentos de Cristo Jesus!
A justiça do cristão, sua prática religiosa, deve ultrapassar a dos escribas e fariseus, pois é impulsionada pelo Espírito de Jesus! Por isso mesmo, no evangelho de hoje, o Senhor dá três exemplos da Lei de Moisés e os radicaliza, indo direto ao espírito mais profundo contido neles. São apenas exemplos, que nos mostram que o Espírito de Amor em nós, Espírito Santo de Cristo, leva-nos a amar na medida de Cristo, Ele que nos amou sem medida! Que coisa, que mistério, que desafio: diante do amor de Cristo, jamais poderemos estar em dia, tranquilos, achando que merecemos um prêmio! Diante Dele, por nós entregue, morto e ressuscitado, seremos sempre tão pequenos, tão devedores, tão deficitários!

Pensemos nestas coisas, Amados no Senhor, e deixemo-nos guiar pelo Espírito do Senhor! Que Ele mesmo venha amar em nós e nos fazer sentir como Jesus, pensar como Jesus, falar como Jesus, agir como Jesus, viver como Jesus – esta é a Lei e os profetas! A Cristo nosso Senhor, plenitude e cumprimento da Lei, que nos libertou da Lei de Moisés, a glória pelos séculos eternos. Amém.

Encontros de Acolhimento: A Espiritualidade da Quaresma

a-espiritualidade-da-quaresma

A Espiritualidade da Quaresma” é o tema do próximo Encontro de Acolhimento, que acontecerá no dia 18 de fevereiro, às 15:30, na Paróquia São Paulo Apóstolo, que fica a rua Barão de Ipanema, 85, em Copacabana. A participação é gratuita e serão abordados os aspectos para a boa vivência do próximo período do tempo litúrgico.

Alguns aspectos da programação:

Qual a origem? – Quando começa? Quando termina? – Por que quarenta dias? – Como compreender a liturgia da Quaresma? – Como ficam as Solenidades, Festas e Memórias no Tempo Quaresmal? O que é a Quaresma dominical e ferial? Jejum, penitência e abstinência. – Como se preparar para o Sacramento da Confissão? – Como deve ser o lugar da celebração das missas?  A preparação na Quaresma encerra dois aspectos o contemplativo e o incorporativo.  Como vivenciá-los?

Distribuição da Mensagem do Santo Padre para a Quaresma 2017 e do Roteiro para uma boa confissão (números limitados).

Atenção!

Slides da Apresentação do Encontro de Acolhimento sobre a “Espiritualidade da Quaresma”, clique no link abaixo.  Na partilha, não esqueça de citar a fonte.

A Espiritualidade da Quaresma

Liturgia do Dia – 10/02/2017

marcos 7, 31-37“Deus nos propõe a vida e nos dá a liberdade para escolher a vida ou a morte.  Aquele homem que se aproxima de Jesus e alcança sua misericórdia, fez a escolha da vida e de Deus em sua vida.  Abra-se, pois, nosso coração para acolher o Senhor e sua Palavra.”

Primeira leitura: Gênesis 3, 1-8

Salmo Responsorial:  31

Evangelho:  Marcos 7, 31-37

Diálogos do Nosso Tempo

“Mulher: Direitos e Papel na Sociedade Hoje”

dialogos-do-nosso-tempo-mulher

A Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Comunicação (PascomRio) promoverá no próximo dia 08 de março, o primeiro encontro da série “Diálogos do Nosso Tempo”.  O encontro tem como objetivo promover a reflexão e a troca de conhecimento a respeito de diversos temas de interesse social, destinado especialmente aos agentes de pastoral, blogueiros católicos e produtores de conteúdo católico em geral.

A primeira edição traz como tema: “Mulher:  Direitos e Papel na Sociedade hoje”  e refletirá o universo feminino, suas responsabilidades e contribuições no contexto histórico atual, como agente de direitos e deveres na vida social, política e econômica, sem contudo esquecer a importância da retomada da consciência da sua natureza, dignidade e missão.

O evento será realizado no auditório 2, do Ed. João Paulo II, a Rua Benjamin Constant, 23, na Glória/RJ, a partir das 20h. A programação reunirá nomes de lideranças femininas da Igreja Católica, que atuam em diversas ações da promoção da mulher na sociedade civil.

Realização:  Comissão Arquidiocesana da Pastoral da Comunicação

Apoio:  Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

A Catequese do Papa Francisco – 08/02/2017

brasão-papa_-Francisco

CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bom dia, amados irmãos e irmãs!

Na quarta-feira passada vimos que São Paulo, na primeira Carta aos Tessalonicenses, exorta a permanecermos radicados na esperança da ressurreição (cf. 5, 4-11), com a bonita expressão «estaremos sempre com o Senhor» (4, 17). No mesmo contexto, o Apóstolo mostra que a esperança cristã não tem apenas um alcance pessoal, individual, mas comunitário, eclesial. Todos nós esperamos; todos nós temos esperança, inclusive de modo comunitário.

Por isso, o olhar é imediatamente ampliado por Paulo, abrangendo todas as realidades que compõem a comunidade cristã, pedindo-lhes que rezem umas pelas outras e que se ajudem reciprocamente. Ajudar-nos uns aos outros! E ajudar-nos não apenas nas necessidades, nas numerosas dificuldades da vida quotidiana, mas ajudar-nos na esperança, apoiar-nos na esperança. E não é por acaso que ele comece referindo-se precisamente àqueles aos quais foram confiados a responsabilidade e o governo pastoral. São os primeiros chamados a alimentar a esperança, e isto não porque são melhores que os outros, mas em virtude de um ministério divino que vai muito além das suas forças. Por este motivo, têm mais necessidade do que nunca do respeito, da compreensão e do apoio benévolo de todos.

Depois, presta-se atenção aos irmãos que mais correm o risco de perder a esperança, de cair no desespero. Nós recebemos sempre notícias de pessoas que caem no desespero e cometem gestos tremendos… O desespero leva-os a muitas ações negativas. Referimo-nos a quem está desanimado, àquele que é frágil, a quantos se sentem abatidos pelo peso da vida e pelas próprias culpas, e já não consegue levantar-se. Nestes casos, a proximidade e o afeto de toda a Igreja devem tornar-se ainda mais intensos e amorosos, assumindo a forma requintada da compaixão, que não quer dizer ter pena: compaixão significa padecer com o outro, sofrer com o próximo, aproximar-se de quem sofre; uma palavra, uma carícia, mas que venha do coração; isto é compaixão. Por quantos têm necessidade do conforto e da consolação. Isto é mais importante do que nunca: a esperança cristã não pode renunciar à caridade genuína e concreta. Na Carta aos Romanos, o próprio Apóstolo das nações afirma com o coração na mão: «Nós, que somos os fortes — que temos fé, esperança, ou que não temos muitas dificuldades — devemos suportar as fraquezas dos que são frágeis, e não agir à nossa maneira» (15, 1). Suportar as debilidades do próximo. Depois, este testemunho não permanece fechado nos confins da comunidade cristã: ressoa em todo o seu vigor também fora, no contexto social e civil, como apelo a não criar muros mas pontes, a não pagar o mal com o mal, a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão — o cristão nunca pode dizer: vais pagar, nunca; este não é um gesto cristão; a ofensa vence-se com o perdão — a viver em paz com todos. Assim é a Igreja! E é isto que faz a esperança cristã, quando assume os lineamentos fortes, e ao mesmo tempo ternos, do amor. O amor é forte e terno. É bonito!

Então, compreende-se que não aprendemos a esperar sozinhos. Ninguém aprende a esperar sozinho. Não é possível! Para se alimentar, a esperança precisa necessariamente de um «corpo», no qual os vários membros se ajudem e se reavivem uns aos outros. Então, isto quer dizer que se nós esperamos é porque muitos dos nossos irmãos e irmãs nos ensinaram a esperar, mantendo viva a nossa esperança. E entre eles, distinguem-se os pequeninos, os pobres, os simples, os marginalizados. Sim, pois quem se fecha no próprio bem-estar não conhece a esperança: só espera no seu bem-estar, e isto não é esperança, mas segurança relativa; quem se fecha na própria satisfação, quem se sente sempre à vontade não conhece a esperança… Quem espera, ao contrário, são aqueles que experimentam cada dia a provação, a precariedade e o próprio limite. São estes nossos irmãos que nos dão o testemunho mais bonito, mais vigoroso, porque permanecem firmes na confiança no Senhor, conscientes de que, para além da tristeza, da opressão e da inevitabilidade da morte, a última palavra será sua, e será uma palavra de misericórdia, de vida e de paz. Quem aguarda, espera um dia ouvir esta expressão: «Vem, vem a mim, irmão; vem, vem a mim, irmã, para toda a eternidade!».

Caros amigos, se — como dissemos — a morada natural da esperança é um «corpo» solidário, no caso da esperança cristã este corpo é a Igreja, enquanto o sopro vital, a alma desta esperança é o Espírito Santo. Sem o Espírito Santo não se pode ter esperança. Então, eis por que razão no final o Apóstolo Paulo nos convida a invocá-lo incessantemente. Se não é fácil acreditar, ainda menos é esperar. É mais difícil esperar do que acreditar, é mais difícil! Mas quando o Espírito Santo habita nos nossos corações, é Ele quem nos leva a entender que não devemos temer, que o Senhor está próximo e cuida de nós; Ele molda as nossas comunidades, num Pentecostes perene, como sinais vivos de esperança para a família humana. Obrigado!

 

Liturgia do Dia -08/02/2017

marcos 7, 14-23“Deus nos deu toda a possibilidade de encontrarmos a felicidade.  Por isso, somos responsáveis por nossas escolhas e decisões.  Porém, o cristão sempre se deixa guiar pelos valores do Reino e pelos do mundo.”

Primeira leitura:  Gênesis 2, 4b-9.15-17

Salmo Responsorial:  103

Evangelho:  Marcos 7, 14-23

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2017

brasão-papa_-Francisco

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 2017
Terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Boletim da Santa Sé

A Palavra é um dom. O outro é um dom

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro – Festa do Evangelista São Lucas – de 2016.

Francisco

 

Liturgia do Dia – 07/02/2017

marcos 7,1-13“‘Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens’, diz Jesus.  A Palavra que agora vamos ouvir deve encontrar seu lugar em nossa vida.  Por isso, deixemos que Deus nos fale de sua vontade sobre nós.”

Primeira leitura:  Gênesis 1,20-2,4a

Salmo Responsorial:  8

Evangelho:  Marcos 7,1-13

 

Liturgia do Dia – 05/02/2017

mateus 5, 13-16“Quem ama o Senhor e escuta sua Palava com fervor torna-se amável, piedoso, misericordioso.  Resplandece nele a luz do Senhor e na vida testemunha sua verdade.  Deixemos, pois, a Palavra ressoar em nós.”

Primeira leitura:  Isaías 58, 7-10

Salmo Responsorial:  111

Segunda leitura:  1 Coríntios 2, 1-5

Evangelho:  Mateus 5, 13-16

-*-

Meditação para este Domingo

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

Hoje, no Evangelho, escutamos umas frases de Jesus que nos são velhas conhecidas, tão velhas, que é arriscado não significarem muita coisa: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” – diz-nos o Senhor! Pois bem, com unção e humildade, como se escutássemos pela primeira vez, escutemos, procuremos compreender e acolhamos essas afirmações, para encontrarmos nelas a Vida e vivermos de verdade!

“Vós sois o sal da terra!” O sal, na Escritura, aparece como o elemento que dá sabor, purifica e conserva, tornando perenes e duradouros os alimentos… Daí a expressão “aliança de sal”, isto é, “uma aliança perene aos olhos do Senhor” (Nm 18,19). Por causa dessa pureza e perenidade, é que Israel deveria ajuntar o sal a toda oferta que fizesse ao Senhor Deus: “Salgarás toda a oblação que ofereceres, e não deixarás de pôr na tua oblação sal da aliança de teu Deus; a toda a oferenda juntarás uma oferenda de sal a teu Deus” (Lv 2,13).
Pois bem, irmãos caríssimos, vós sois o sal que dá sabor, pureza e conservação ao mundo diante de Deus! Sois a pitadinha de sal que torna o mundo uma oferenda agradável e aceitável ao Senhor! Sois tão pequenos, tão poucos, tão frágeis, tão impotentes, tão tolos! Lembrai-vos da leitura do Domingo passado: “Entre vós não há muitos sábios de sabedoria humana nem muitos poderosos nem muitos nobres… Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que o mundo considera sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para, assim, mostrar a inutilidade do que é considerado importante… É graças a Ele que vós sois em Cristo..” (1Cor 1,26-31).
Sim, sois essa pitadinha de nada, esse tico desprezível de sal.. E, no entanto, sois o sabor, a purificação, a conservação da aliança entre Deus e o mundo! Sois, em Cristo Jesus, o povo sacerdotal! Por isso, a nós, o Senhor ordena: “Tende sal em vós mesmos” (Mc 9,50); em outras palavras: uni-vos a Mim, ao Meu sacerdócio, à Minha vida entregue ao Pai como amor que se entrega para a vida do mundo!
Lembremo-nos do conselho de São Paulo: “Exorto-vos, portanto, irmãos, pela misericórdia de Deus, a que ofereçais vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: esse é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito” (Rm 12,1-2). Era este o significado daquela pitadinha de sal que o sacerdote colocou nos nossos lábios no momento do nosso Batismo, quando nos tornamos membros do povo da aliança, povo sacerdotal. Colocando-nos o sal, ele recordou as palavras de Jesus: “Vós sois o sal da terra!” No entanto, não nos iludamos: somente seremos sal, se permanecermos unidos a Cristo! Sem Ele, seremos insípidos, seremos como o mundo, sem sabor e para nada serviremos, “senão para sermos jogados fora e pisados pelos homens”.

“Vós sois a luz do mundo!” – Que afirmação impressionante! Um só é a luz: Aquele que disse de Si próprio: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8,12). Como pode, então, dizer agora que nós somos luz? Escutemos: “Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida!” (Jo 8,12). Eis: se em Cristo – e somente Nele – somos sal da aliança selada na cruz, também somente na Sua luz, seguindo Seus passos, tornamo-nos luz. É isso que nos afirma o Apóstolo: “Outrora éreis treva! Agora, sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz!” (Ef 5,8).
Por nós mesmos não somos sal, mas insípidos; por nós mesmos não somos luz, mas trevas tenebrosas! Mas, em Cristo, damos sabor ao mundo e somos reflexos da luz do Senhor! Não somos luz, mas iluminados pela luz de Cristo, refletiremos a luz sobre o mundo tenebroso, como a lua que, sem ter luz própria, mas iluminada pela luz do sol, ilumina de modo belíssimo a noite escura…

Portanto, meus caros, tenhamos cuidado: somente seremos sal se nos deixarmos salgar pelo Senhor no cadinho da provação e da participação na Sua cruz; somente seremos luz se nos deixarmos iluminar pela luz fulgurante que brota da Sua cruz!
Que o cristão não busque outro sal ou outra luz, a não ser o Cristo e Cristo na Sua humildade, na Sua pobreza, no Seu serviço, na Sua disponibilidade total em relação ao Pai: “Não julguei saber coisa alguma entre vós, a não ser Jesus Cristo, e Este, crucificado!” Aquilo que passa da cruz do Senhor, que foge da cruz do Senhor, que procura outro caminho e outra lógica, que não a da cruz que conduz à ressurreição, não salga e não ilumina! Então, que brilhe a luz de Cristo em nossa vida e em nossas obras! Que o nosso modo de viver dê novo sabor a este mundo tão insosso pelo pecado – vede no carnaval que se aproxima: quanta treva, quanta insipidez, quanto velho gosto da velha podridão do velho pecado, da velha manha humana! Se no nosso modo de viver formos sal e luz, cumprir-se-á em nós a palavra do Profeta: “Então, brilhará tua luz como a aurora e a glória do Senhor te seguirá!”

Eis a nossa missão, eis a nossa vocação, eis a ordem que o Senhor nos dá! Agora, compete a nós! Como nos perguntava Paul Claudel, poeta francês, convertido a Cristo na metade do século XX: “Ó vós, cristãos, que tendes a luz, que fazeis com essa luz?” Ó irmãos, ó irmãs! “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus!” Que o Senhor no-lo conceda por Sua graça. Amém!

Liturgia do Dia – 02/02/2017

Lucas 2, 22-40“Maria ouviu a profecia de Simeão e compreendeu sua união à paixão e ao destino de seu Filho Jesus.  Quem cumpre os desígnios do Senhor encontra a paz e santifica-se.”

Primeira leitura:  Malaquias 3,1-4 ou Hebreus 2,14-18

Salmo Responsorial:  23

Evangelho:  Lucas 2,22-40 ou Lucas 2, 22-32