A Catequese do Papa – 21/06/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 21 de junho de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No dia do nosso Batismo, ressoou para nós a invocação dos santos. Muitos de nós, naquele momento, éramos crianças, portanto, nos braços dos pais. Pouco antes de fazer a unção com o óleo dos catecúmenos, símbolo da força de Deus na luta contra o mal, o sacerdote convidou toda a assembleia a rezar por aqueles que estavam para receber o Batismo, invocando a intercessão dos santos. Aquela era a primeira vez em que, no curso da nossa vida, nos era presenteada esta companhia dos irmãos e irmãs “maiores” – os santos – que passaram pela nossa mesma estrada, que conheceram nossos mesmos cansaços e vivem para sempre no abraço de Deus. A Carta aos Hebreus define esta companhia que nos circunda com a expressão “multidão de testemunhas” (12, 1). Assim são os santos: uma multidão de testemunhas.

Os cristãos, no combate contra o mal, não se desesperam. O cristianismo cultiva uma incurável confiança: não crê que as forças negativas e que dividem possam prevalecer. A última palavra sobre a história do homem não é o ódio, não é a morte, não é a guerra. Em todo momento da vida nos assiste a mão de Deus e também a discreta presença de todos os crentes que “nos precederam com o sinal da fé” (Canone Romano). A existência deles nos diz, antes de tudo, que a vida cristã não é um ideal inatingível. E junto nos conforta: não estamos sozinhos, a Igreja é feita de inúmeros irmãos, muitas vezes anônimos, que nos precederam e que pela ação do Espírito Santo estão envolvidos nos eventos de quem ainda vive aqui embaixo.

A do Batismo não é a única invocação dos santos que marca o caminho da vida cristã. Quando dois noivos consagram o seu amor no sacramento do Matrimônio, é invocada de novo para eles – desta vez como casal – a intercessão dos santos. E esta invocação é fonte de confiança para os dois jovens que partem para a “viagem” da vida conjugal. Quem ama verdadeiramente tem o desejo e a coragem de dizer “para sempre” – “para sempre” – mas sabe ter necessidade da graça de Cristo e da ajuda dos santos para poder viver a vida matrimonial para sempre. Não como alguns dizem: “até que o amor dure”. Não: para sempre! Do contrário é melhor que não se case. Ou para sempre ou nada. Por isso na liturgia nupcial se invoca a presença dos santos. E nos momentos difíceis é preciso ter a coragem de levantar os olhos para o céu, pensando em tantos cristãos que passaram pela tribulação e preservaram brancas suas vestes batismais, lavando-as no sangue do Cordeiro (cfr Ap 7, 14): assim diz o Livro do Apocalipse. Deus nunca nos abandona: toda vez que temos necessidade virá um anjo seu a nos levantar e infundir consolação. “Anjos” algumas vezes com uma face e um coração humanos, porque os santos de Deus estão sempre aqui, escondidos no meio de nós. Isso é difícil de entender e também de imaginar, mas os santos estão presentes na nossa vida. E quando alguém invoca um santo ou uma santa, é justamente porque está próximo a nós.

Também os sacerdotes preservam a recordação de uma invocação dos santos pronunciada sobre eles. É um dos momentos mais tocantes da liturgia da ordenação. Os candidatos se prostram por terra com o rosto na direção do pavimento. E toda a assembleia, guiada pelo Bispo, invoca a intercessão dos santos. Um homem ficaria esmagado sob o peso da missão que lhe é confiada, mas sentindo que todo o paraíso está em suas costas, que a graça de Deus não faltará porque Jesus permanece sempre fiel, então sim pode partir sereno e reforçado. Não estamos sozinhos.

E o que somos nós? Somos pó que aspira ao céu. Frágeis as nossas forças, mas poderoso o mistério da graça que está presente na vida dos cristãos. Somos fiéis a esta terra, que Jesus amou em cada instante da sua vida, mas sabemos e queremos esperar na transfiguração do mundo, na sua realização definitiva onde finalmente não haverá mais lágrimas, maldades e sofrimento.

Que o Senhor dê a todos nós a esperança de ser santos. Mas alguém de vocês poderá me perguntar: “Padre, se pode ser santo na vida de todos os dias?”. Sim, se pode. “Mas isso significa que devemos rezar o dia inteiro?”. Não, significa que você deve fazer o teu dever todo o dia: rezar, ir para o trabalho, cuidar dos filhos. Mas é preciso fazer tudo com o coração aberto para Deus, de modo que o trabalho, mesmo na doença e no sofrimento, mesmo na dificuldade, seja aberto a Deus. E assim se pode tornar santo. Que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos. Não pensemos que é uma coisa difícil, que é mais fácil ser delinquente que santo! Não. É possível ser santos porque nos ajuda o Senhor; é Ele que nos ajuda.

É o grande presente que cada um de nós poderá dar ao mundo. Que o Senhor nos dê a graça de acreditar tão profundamente Nele chegando a se tornar imagem de Cristo para este mundo. A nossa história precisa de “místicos”: pessoas que rejeitam qualquer domínio, que aspiram à caridade e à fraternidade. Homens e mulheres que vivem aceitando também uma porção de sofrimento, porque carregam também a fadiga de outros. Mas sem esses homens e mulheres o mundo não teria esperança. Por isso desejo a vocês – e desejo a mim também – que o Senhor nos dê a esperança de sermos santos.

Obrigado!

Liturgia do Dia – 21/06/2017

Caridade“Grande e belo é o coração que acolher a Palavra do Senhor.  Feliz quem anda em seus caminhos.  A Palavra é o amor de Deus ao alcance de nós.  Deixemos que ela nos ensine a viver. “

Primeira leitura:  2Coríntios 9, 6-11

Salmo Responsorial:  111

Evangelho: Mateus  6, 1-6.16-18

Liturgia do Dia – 18/06/2017

Mateus 9, 35-10,1.6-8“A Palavra de Deus vem nos alertar que a missão de liberar o povo requer a colaboração de muitas pessoas.  A palavra e a prática libertadoras de Jesus devem estar em cada um de nós, pois somos chamados a fazer as mesmas coisas que Ele fez.”

Primeira leitura:  Êxodo 19, 2-6a

Salmo Responsorial:  99

Segunda leitura:  Romanos 5, 6-11

Evangelho:  Mateus 9, 16-10,8

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Meditação para este Domingo , XI do Tempo Comum

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Comecemos nossa contemplação com o povo de Israel, tão amado e protegido por Deus. O Senhor o amou, o Senhor gratuitamente o escolheu como Seu povo: “Vistes como vos levei sobre asas de águia” – quanto carinho, quanto cuidado de Deus, um Deus que nos leva nas costas, como a águia conduz os seus filhotes.

“Vistes como Eu vos trouxe a Mim!” – Para onde Deus conduz o Seu povo? Para a Terra Prometida, nós pensamos logo. É verdade. Mas, a verdadeira Terra Prometida é o próprio Deus: “Eu vos trouxe a Mim!” Foi para ser o Seu povo que o Senhor tirou Israel do Egito e o escolheu… A verdadeira herança de Israel, mais que uma terra, é o próprio Deus! Deus, mais que dons, dá-Se-nos a Si mesmo. Por isso o Salmista exclama: “Quanto a mim, eu estou sempre Contigo, Tu me agarraste pela mão direita! Quem teria eu no Céu? Contigo, nada mais me agrada na terra! Minha carne e meu coração podem se consumir: a Rocha do meu coração, a minha porção é Deus, para sempre” (Sl 73/72,23.25s).

Escutemos ainda: “Agora, pois, se ouvirdes a Minha voz e guardardes a Minha aliança, sereis para Mim a porção escolhida diante de todos os povos, um reino de sacerdotes e uma nação santa”. O Deus que tirou Israel do Egito e fez dele uma propriedade para Si, colocou-o no meio das nações como um povo santo e uma porção escolhida. Israel é todo de Deus, todo para Deus e, ao mesmo tempo, povo no meio das nações como povo consagrado ao Senhor, povo que deve viver na fidelidade ao Senhor, na escuta da Sua Palavra, testemunhando o Senhor perante as nações da terra.

Ora, caríssimos, o que Israel fora, nós somos agora em plenitude! Jesus fundou Sua comunidade, um novo povo, um novo Israel, que é a Igreja. O Evangelho deste Domingo no-lo mostra chamando os Doze – doze é o número das tribos de Israel -, tendo Pedro como chefe.

Esses Doze são o alicerce do Seu novo povo, a Igreja, o novo Israel. Jesus envia Sua Igreja com poder para anunciar o Reino e curar os males do mundo, daquelas “multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor”.

Eis, portanto, o que somos: povo de Deus, povo da Aliança nova e eterna: “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de Sua particular propriedade, a fim da que proclameis as maravilhas Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz maravilhosa. Vós que outrora não éreis povo, mas agora sois o povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1Pd 2,9s).

Que enorme graça! “Ele mesmo nos fez e somos Seus: nós somos o Seu povo e o Seu rebanho!” Pelo sangue de Cristo, o Filho único, o Filho amado, o Senhor nos atraiu quando ainda éramos pecadores! Éramos fracos e Cristo morreu por nós; éramos inimigos e fomos reconciliados com Deus pela morte do Seu Filho amado e bendito. Éramos sem Deus no mundo e fomos salvos da ira e alcançamos misericórdia em Deus por Jesus Cristo. Ser cristão, ser membro e filho da Igreja não é um direito, não é um merecimento: é graça, é atração que Deus opera em nós na potente força do Seu Espírito! Não merecemos nada! Tudo é graça!

Por isso mesmo, quando dizemos – e fazemos bem em dizê-lo – que pertencemos à Igreja de Cristo, povo santo, conquistado e redimido por Ele, não devemos nos gloriar disso! A glória é de Cristo que com Seu sangue nos reuniu como Sua Igreja. Nada de auto-complacência, de nos achar já salvos; nada de desprezar os outros! O dom de ser cristão católico deve nos levar a uma humilde gratidão a Deus e também à consciência do serviço que o Senhor nos confia: anunciar o Reino dos Céus neste mundo. Esse Reino é o próprio Jesus que viveu entre nós anunciando o Pai pleno de amor e misericórdia, consolando e curando a todos; Jesus, que Se entregou por nós, revelando todo o amor do Pai.

Assim, Ele nos faz viver uma nova vida, vida plena, vida feliz, porque uma vida com um novo sentido, um sentido verdadeiro: aconteça o que acontecer, venha o que vier, somos amados e esperados por Deus. Ele tanto nos amou que nos entregou o Seu Filho! Quem experimenta isso, quem vive isso, sente necessidade de compartilhar com os outros, com o mundo todo! Uma Igreja que não fosse missionária seria uma Igreja morta, uma Igreja que nunca teria experimentado de verdade a alegria, a felicidade de ter sido encontrada por Cristo e, Nele, ter encontrado um sentido para a vida. Se não somos missionários, se em casa e onde vivemos e atuamos, não sentimos a necessidade de contagiar os próximos com a alegria de Jesus, então é porque nós mesmos nunca experimentamos essa alegria explosiva, expansiva, contagiante!

Eis, pois o que somos; eis o que é a Igreja: o povo de Deus da Nova Aliança, o povo conquistado e redimido por Cristo para ser neste mundo um povo sacerdotal, um povo que presta culto a Deus em nome de todos os povos; um povo de missionários que, a um mundo que procura vida e alegria em tantas realidades que não comunicam nem alegria nem vida, anuncia o Reino de Deus, Cristo em nós, esperança de salvação!

Caríssimos, ainda hoje Jesus olha essa multidão que é a humanidade cansada e abatida… Ainda hoje Ele nos envia! Iluminados pela Palavra tão viva e consoladora do Senhor e alimentados, daqui a pouco, pelo Seu Corpo e Sangue, será que vamos sair daqui tão preguiçosos e acomodados, tão frios e indiferentes como entramos?

– Pai santo, Pai amado, Deus bendito, somos o povo eleito que Cristo veio reunir no único santificante Espírito. Faze-nos fieis a tão grande vocação. Amém.

Liturgia do Dia – 17/06/2017

Mateus 5, 33-37“A sinceridade nos traz a paz.  Por isso, Jesus vem nos pedir ‘para não jurar’, pois, se há sinceridade é dispensável o juramento.  Ele ensina-nos a ser autênticos na vida e no relacionamento entre nós.”

Primeira leitura:  2Coríntios 5 ,14-21

Salmo Responsorial:  102

Evangelho:  Mateus 5, 33-37

Liturgia do Dia – 16/06/2017

mateus 5, 27-32“O Evangelho nos oferece o sentido da vida e o amor verdadeiro.  Quem o busca encontra-se com Deus, consigo mesmo e com os outros, pois o amor verdadeiro gera comunhão, e não egoísmo.”

Primeira leitura:  2Coríntios 4, 7-15

Salmo Responsorial:  115, 10-18

Evangelho:  Mateus 5, 27-32

Terço da Misericórdia encerra Semana Eucarística

Encerrando a Semana Eucarística na Paróquia São Paulo Apóstolo, amanhã as reflexões do Terço da Misericórdia serão inspiradas no Pão da Vida e da Salvação. Traga o seu pedido de oração. #compartilhe

Sim!!! O Santíssimo será exposto!!! #amormaior ❤

Terço da Misericórdia - Semana Eucarística

O Mistério de uma Presença

eucaristia

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

Estamos para celebrar Corpus Christi. Eis alguns pensamentos para nos preparar para a Solenidade do Corpo do Senhor.
A presença do Cristo Jesus no sacramento da Eucaristia foi querida por Ele próprio para permanecer junto do homem e oferecer-Se como seu alimento, seu companheiro, seu sustento e para manter-se no seio da Igreja.
No mistério admirável da Presença eucarística, cumpre-se a promessa do Senhor: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos!” A resposta do homem a tão grande dom é a fé na presença real e substancial do Senhor nas espécies, isto é, nas aparências do pão e do vinho eucarísticos.

De todas as dimensões da Eucaristia, aquela que é central e põe à prova a nossa fé é o mistério da presença real do Senhor nas espécies consagradas. Com toda a Tradição da Igreja, acreditamos que, sob as humildes aparências do pão e do vinho, está realmente presente Jesus. Essa presença chama-se “real”, não por exclusão, como se as outras formas de presença não fossem reais, mas por antonomásia, por excelência, já que por ela Se torna substancialmente presente Cristo completo na realidade do Seu Corpo e do Seu Sangue, isto é, da Sua humanidade imolada e glorificada, unida substancialmente à Segunda Pessoa da Trindade Santa: sim: Deus está ali, nas espécies; elas são Corpo e Sangue de Deus, do Filho eterno feito homem! Mistério!
Por isso, a fé pede-nos para estar diante da Eucaristia com a consciência de estar na presença do próprio Cristo presente de modo tão real quanto está no Céu. Esta presença do Senhor possui um significado que ultrapassa, e muito, o de puro simbolismo.
A Eucaristia é mistério de presença, mediante o qual se realiza de modo excelso e surpreendente a promessa que Jesus fez de ficar conosco. É necessário, portanto, evitar aquelas afirmações que se fazem contrárias à transubstanciação e à presença real, entendendo-as num sentido apenas simbólico, bem como comportamentos e atitudes concretas que revelam implicitamente essa convicção errônea.
Por vezes tem-se a impressão que, na Liturgia, alguns comportam-se como animadores, mais preocupados em chamar a atenção do público para a sua pessoa, do que ser servos de Cristo, chamados a levar os fieis à união com o Senhor. Tudo isto obviamente tem reflexos negativos no povo, que corre assim o risco de ficar confuso na compreensão e na fé da presença real de Cristo no Sacramento.

Na Tradição da Igreja criou-se uma verdadeira e própria linguagem dos gestos litúrgicos, orientada a exprimir retamente a fé na presença real de Cristo na Eucaristia, tais como a cuidadosa purificação dos vasos sagrados depois da comunhão ou quando caem no chão as espécies eucarísticas, a genuflexão diante do sacrário, o uso da bandeja na distribuição da comunhão, a substituição regular das hóstias conservadas no sacrário, a colocação da chave do sacrário em lugar seguro, a postura respeitosa e o recolhimento do celebrante em consonância com o caráter transcendente e divino do Sacramento. Omitir ou descurar tais sinais sagrados, que contêm um significado mais profundo e vasto que o seu aspecto exterior, esvaziaria o sentido sagrado da Eucaristia e a consciência profunda que a Igreja sempre teve da presença real do Cristo no Sacramento do altar.

Em todos os sacramentos, Jesus Cristo atua através de sinais sensíveis que, sem mudarem de natureza, adquirem uma capacidade transitória de santificação. Na Eucaristia, contudo, Ele está presente com o Seu Corpo e Sangue, alma e divindade, dando ao homem toda a Sua Pessoa e a Sua Vida.
No Antigo Testamento, o Senhor Deus, através dos Seus enviados, indicava a Sua presença na Nuvem (shekhinà), no Tabernáculo, no Templo. Com o Novo Testamento, na plenitude do tempo, Ele, o Santo, veio habitar entre os homens no Verbo feito carne (cf. Jo 1,14), tornando-Se realmente Emanuel (cf. Mt 1,23); falou por meio do Filho, Seu herdeiro (cf. Hb 1,1-2). São Paulo, para fazer compreender o que acontece na comunhão da Eucaristia, afirma: “Aquele que se une ao Senhor constitui com Ele um só espírito” (1Cor 6,17), numa nova vida que promana do Espírito Santo. Diz São João Crisóstomo: “Quando estás para abeirar-te da sagrada Mesa, acredita que nela está presente o Senhor de todos”. Por isso, a adoração é inseparável da Comunhão.

Desde as origens, a Igreja repete solenemente os gestos do Senhor, decompondo-os para meditá-los um a um, como a procurar aprofundar, num esforço constante e renovado, o significado dos mesmos: a apresentação dos Dons, a consagração, a fração e a distribuição da Comunhão. Por isso, as palavras ‘Tomai e comei’ não incluem o gesto simultâneo da fração da hóstia; nessa lógica, deveria seguir de imediato a comunhão… Ao invés, nesse momento altamente místico, a Liturgia convida o celebrante a inclinar-se e a proferir as palavras com voz clara, mas não alta, para se favorecer a contemplação, a voz como que sopra sobre as espécies eucarísticas o sopro do Espírito suplicado para santificar as oferendas, como faz o Bispo na Quinta-Feira Santa, quando sopra sobre o crisma. O celebrante “nas suas atitudes como na forma de proferir as palavras divinas, procurará sugerir aos fieis a presença viva de Cristo”. Nesse momento, de fato, realiza-se o Sacrifício sacramental.

Nos primeiros séculos, antes da consagração dirigia-se ao Pai uma invocação, acompanhada do gesto das mãos estendidas (epíclesi), suplicando o envio do Espírito Santo para santificar e transformar o pão e o vinho no Corpo e Sangue do Senhor. O fundamento dessa oração encontra-se nas palavras que o Senhor proferiu após a instituição do mistério: “Quando vier o Paráclito. Ele dará testemunho de Mim e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Ele Me glorificará” (Jo 15,26; 14,26; 16,14).
Os grandes doutores cristãos da antiguidade acharam por bem unir a invocação do Espírito às palavras da instituição, para que o sinal sacramental se realizasse. As palavras do Senhor são, de fato, Espírito e vida (cf. Jo 6,63). Cristo atua juntamente com o Espírito Santo, mas mantém-Se o único que consagra a Eucaristia e concede o mesmo Espírito: é Cristo, o ungido, Quem consagra, mas o faz na potência do Espírito enviado de junto do Pai.
Como observa Santo Ambrósio: “Que dizer da bênção dada pelo próprio Deus, em que operam as mesmas palavras do Senhor e Salvador? Sendo este Sacramento que recebes realizado com a palavra de Cristo não poderá a palavra de Cristo, que pôde criar do nada o que não existia, mudar as coisas que são naquilo que não eram? Certamente não é menos difícil dar às coisas uma existência do que mudá-las noutras. É o mesmo Senhor Jesus que diz: ‘Isto é o Meu Corpo’. Antes da bênção das celestiais palavras, a palavra designava um determinado elemento; depois da consagração, passa a designar o Corpo e o Sangue de Cristo. É Ele mesmo que o chama Seu Sangue. Antes da consagração, tem um outro nome; depois da consagração, chama-se Sangue. E tu dizes: ‘Amém’, ou seja, ‘Assim é’”.

Dos documentos antigos da Igreja aprendemos que a Comunhão não se toma como um direito adquirido, dela não se apropria alguém como de uma posse, mas se recebe humildemente, como um mendigo, como símbolo do que ela significa, ou seja, Dom de total gratuidade divina, recebido em atitude de adoração. Recomenda-se, pois, uma verdadeira devoção ao aproximar-se da Comunhão. São Francisco de Assis ardia “de amor em todas as fibras do seu ser pelo sacramento do Corpo do Senhor, cheio de incomensurável maravilha perante tão benévola bondade e generosíssima caridade. Comungava com tanta devoção a ponto de tornar devotos também os outros”. E São Nicolau Cabasilas, místico ortodoxo do século XIV, convida a ter presente que, “ao comungar uma Carne e um Sangue humano, recebemos na Alma Deus: Corpo de Deus, não menos que de homem; Sangue e Alma de Deus, mente e vontade de Deus, não menos que de homem”.
Que tenhamos em nós esta certeza: A realidade do Corpo de Cristo é a Sua Pessoa e a Sua vida, mistério e verdade salvífica, que se devem abraçar com a fé e a razão!

Liturgia do Dia – 15/06/2017 (Solenidade de Corpus Christi)

João 6, 35-40“A Palavra nos aponta para a verdadeira liberdade, e se opõe à escravidão e opressão. Chama-nos à partilha e à vida: ‘Aquele que come este pão viverá para sempre'”.

Primeira leitura:  Deuteronômio 8,2-3.14b-16a

Salmo Responsorial:  147

Segunda leitura:  1Coríntios 10, 16-17

Evangelho:  João  6, 51-58

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Meditação para a Solenidade do Corpo de Deus

Por Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares/PE

“Hoje a Igreja te convida: ao Pão vivo que dá Vida vem com ela celebrar!” – Caríssimos irmãos, é, precisamente, este o sentido da hodierna solenidade: celebrar, proclamar, professar, expressar a nossa fé inabalável na presença real do Cristo morto e ressuscitado nas espécies, isto é, nas aparências, eucarísticas!

Eis a nossa fé: cremos com todo o nosso coração e com toda a nossa mente que, nas espécies eucarísticas oferecidas como Sacrifico de Cristo – sacrifico único, perfeito, eterno – o Senhor Jesus está realmente presente no Seu Corpo e no Seu Sangue, alma e divindade, tão perfeito e real como está no Céu.
Ante o pão e o vinho consagrados, podemos cantar, como o povo cristão canta: “Deus está aqui! Ó vinde, adoradores, adoremos a Cristo redentor!” Eis: nas espécies consagradas já não há mais pão, já não há mais vinho: há somente o Corpo e o Sangue do Senhor morto e ressuscitado, todo no que era vinho, todo no que era pão. É Ele: adorável, amável, Vida para nossa vida!

Caríssimos, trata-se de um Mistério de fé que somente pode ser compreendido de joelhos! Trata-se de uma realidade concreta que somente pode ser apreendida se abrirmos o coração ao desígnio amoroso e salvífico de Deus!
Não há como perceber, não há como provar, não há como demonstrar cientificamente! Não podemos apreendê-lo, capturá-lo com nossa razão e nossos sentidos:
o paladar falha, pois saboreia pão e vinho;
o tato falha, pois pega pão e vinho;
a visão falha, pois enxerga pão e vinho;
o olfato falha, pois cheira pão e vinho…
Somente pelo ouvido, que crê o que escuta, podemos perceber o Mistério; somente a audição não falha: “Isto é o Meu Corpo; isto é o Meu Sangue! Eu sou o Pão vivo descido do Céu. O pão que Eu darei é a Minha Carne dada para a Vida do mundo!” Eis, que mistério tão grande: o pão que Cristo dá é a carne dada, a carne sacrificada, entregue na cruz, para a vida do mundo! Que mistério! Que amor!

Os judeus entenderam, os judeus contestaram, os judeus se escandalizaram, muitos judeus O abandonaram! Infelizmente, há cristãos que não entendem, que contestam, que se escandalizam e não comem nem bebem a Vida que dura eternamente!

Mas, Jesus insiste: “Em verdade, em verdade os digo: se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu Sangue, não tereis a Vida em vós! Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a Vida eterna e Eu o ressuscitarei!”
– São palavras impressionantes, quase que inacreditáveis: o Corpo e Sangue de Jesus devem ser comidos como fonte de Vida, pois são alimentos vivos e vivificantes! Não de qualquer vida, mas da Vida eterna, Vida plena, Vida de Deus!
Esta vida é o próprio Espírito Santo, que ressuscitou Jesus e que impregna Seu Corpo e Sangue nas espécies eucarísticas! Por isso, na comunhão, recebemos, comemos a Vida já agora e plantamos esta Vida para a ressurreição final! “Porque a Minha Carne é verdadeira comida e o Meu Sangue, verdadeira bebida. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele!”
– O que mais Jesus poderia dizer para deixar mais claro e patente que Sua presença na Eucaristia é realmente real? É “verdadeiramente comida, é verdadeiramente bebida!” “Como o Pai que Me enviou vive – é o Deus vivente e pleno de Vida -, e Eu vivo pelo Pai, o que come de Mim viverá por mim!” – Que dom, que graça: viver por Jesus, viver com a mesmíssima Vida que Jesus ressuscitado recebeu do Pai: viver daquela Vida escondida no pão e no vinho! Eis o dom que o Senhor faz de Si mesmo! E Jesus conclui, no Evangelho de hoje: Este é o Pão que desceu do Céu, não é um simples pão deste mundo! Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram!
O maná não dava a vida divina, o maná não era transfigurado pelo Espírito Santo, Senhor que dá a Vida! Aquele que come este Pão viverá eternamente, isto é, viverá divinamente, viverá a Vida do Eterno!”

Caríssimos! Na travessia do deserto da vida, o Senhor nos conduz entre humilhações e provas, que nos revelam quem somos, o que temos no coração… O Senhor não nos infantiliza, não nos livra dos embates da existência, mas permanece conosco: “Não te esqueças do Senhor teu Deus: Ele foi teu guia no vasto e terrível deserto. Foi Ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima e te alimentou no deserto com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas o homem vive de toda Palavra que sai da boca de Deus!”
Nos nossos desertos, nesse deserto da longa história humana, que a Igreja vai atravessando, sobretudo nestes tempos tão dolorosamente confusos, tão tristemente incertos, nutramo-nos desse Pão e bebamos da bebida que sai do Cristo, nossa Rocha! Este Alimento verdadeiro, de Vida verdadeira, ei-lo no altar: “O cálice que abençoamos é a nossa comunhão com o Sangue de Cristo. O pão que partimos é a nossa comunhão com o Corpo de Cristo!” Comunguemos, pois, com Ele: comunguemos no Sacramento, no afeto, nas escolhas, nas situações da vida, nas certezas, na morte e na Vida eterna!

“Bom Pastor, Pão de verdade,/ piedade Jesus, piedade, / conservai-nos na unidade, / extingui nossa orfandade,/ transportai-nos para o Pai.
Aos mortais dando comida,/ dais também o Pão da Vida;/ que a família assim nutrida/ seja um Dia reunida/ aos convivas lá do Céu”. Amém.

Obs: “Corpo de Deus” – assim esta Solenidade era chamada no Junqueiro da minha infância! Título provocativo, ousado, louco, de santa loucura, de quem crê efetivamente que, em Jesus nosso Senhor, Deus mesmo, pessoalmente, Ele e não outro, fez-Se matéria, fez-Se carne, fez-Se homem e, assim, deu-Se a nós como Vida de nossa vida!

A Catequese do Papa Francisco – 14/06/2017

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CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 14 de junho de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje fazemos esta audiência em dois lugares, mas ligados pelas telas: os doentes, para que não sofram tanto no calor, estão na Sala Paulo VI, e nós aqui. Mas permanecemos todos juntos e nos conecta o Espírito Santo, que é aquele que sempre faz a unidade. Saudemos aqueles que estão na Sala!

Ninguém de nós pode viver sem amor. E uma bruta escravidão em que podemos cair é aquela de acreditar que o amor deve ser merecido. Talvez boa parte da angústia do homem contemporâneo deriva disso: acreditar que se não somos fortes, atraentes e belos, então ninguém se ocupará de nós. Tantas pessoas hoje procuram uma visibilidade somente para preencher um vazio interior: como se fôssemos pessoas eternamente necessitadas de confirmações. Porém, imaginem um mundo onde todos mendigam motivos para suscitar atenção dos outros e ninguém, em vez disso, está disposto a querer o bem gratuitamente a uma outra pessoa? Imaginem um mundo assim: um mundo sem a gratuidade de querer bem! Parece um mundo humano, mas na verdade é um inferno. Tantos narcisismos do homem nascem de um sentimento de solidão e de orfandade. Por trás de tantos comportamentos aparentemente inexplicáveis está uma pergunta: é possível que eu não mereça ser chamado pelo nome, isso é, ser amado? Porque o amor sempre chama pelo nome…

Quando a não ser amado ou não sentir-se amado é um adolescente, então pode nascer a violência. Por trás de tantas formas de ódio social e de delinquência muitas vezes há um coração que não foi reconhecido. Não existem crianças más, como não existem adolescentes malvados, mas existem pessoas infelizes. E o que pode nos tornar felizes se não a experiência do amor dado e recebido? A vida do ser humano é uma troca de olhares: alguém que nos olhando nos arranca um sorriso e nós gratuitamente sorrimos a quem está fechado na tristeza e assim lhe abrimos um caminho de saída. Troca de olhares: olhar nos olhos e se abrem as portas do coração.

O primeiro passo que Deus dá para nós é aquele de um amor antecipado e incondicionado. Deus ama primeiro. Deus não nos ama porque em nós há qualquer razão que suscita amor. Deus nos ama porque Ele mesmo é amor, e o amor tende, por sua natureza, a difundir-se, a doar-se. Deus não liga nem mesmo a sua benevolência à nossa conversão: essa é uma consequência do amor de Deus. São Paulo diz de maneira perfeita: “Deus demonstra o seu amor por nós no fato de que, enquanto éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5, 8). Enquanto ainda éramos pecadores. Um amor incondicional. Éramos “distantes”, como o filho pródigo da parábola: “Quando ainda estava distante, seu pai o viu, teve compaixão…” (Lc 15, 20). Por amor nosso Deus realizou um êxodo de Si mesmo para vir nos encontrar nesse lugar onde era insensato que Ele passasse. Deus nos quis bem também quando estávamos errados.

Quem de nós ama dessa maneira, se não quem é pai ou mãe? Uma mãe continua a querer bem seu filho mesmo quando este filho está no cárcere. Eu recordo tantas mães, que faziam fila para entrar na prisão, na minha diocese anterior. E não se envergonhavam. O filho estava na prisão, mas era seu filho. E sofriam tantas humilhações nas pesquisas, antes de entrar, mas: “É o meu filho!”. “Mas, senhora, seu filho é um delinquente!” – “É o meu filho!”. Somente este amor de mãe e de pai nos faz entender como é o amor de Deus. Uma mãe não pede o cancelamento da justiça humana, porque todo erro exige uma redenção, porém uma mãe nunca deixa de sofrer pelo próprio filho. Ama-o mesmo quando é pecador. Deus faz a mesma coisa conosco: somos os seus filhos amados! Mas pode ser que Deus tenha alguns filhos que não ame? Não. Todos somos filhos amados de Deus. Não há maledição alguma sobre nossa vida, mas só uma benévola palavra de Deus, que deu sentido à nossa existência. A verdade de tudo é aquela relação de amor que liga o Pai com o Filho mediante o Espírito Santo, relação em que nós somos acolhidos pela graça. Nele, em Cristo Jesus, nós fomos queridos, amados, desejados. Há Alguém que imprimiu em nós uma beleza primordial, que nenhum pecado, nenhuma escolha errada poderá jamais cancelar completamente. Nós somos sempre, diante dos olhos de Deus, pequenas fontes feitas para jorrar água boa. Disse Jesus à mulher samaritana: “A água que eu [te] darei se tornará em [ti] uma fonte de água que brota para a vida eterna” (Jo 4, 14).

Para mudar o coração de uma pessoa infeliz, qual é o remédio? Qual é o remédio para mudar o coração de uma pessoa que não é feliz? [respondem: o amor] Mais forte! [gritam: o amor] Bravo! Bravo, bravo, todos! E como se faz uma pessoa sentir que alguém a ama? É preciso antes de tudo abraçá-la. Fazê-la sentir que é desejada, que é importante, e não será mais triste. Amor chama amor, de modo muito mais forte de quanto o ódio chama a morte. Jesus não morreu e ressuscitou por si mesmo, mas por nós, para que os nossos pecados sejam perdoados. É, portanto, tempo de ressurreição para todos: tempo de se elevar os pobres do desânimo, sobretudo aqueles que estão no sepulcro de um tempo muito maior do que três dias. Sopra aqui, sobre nossos rostos, um vento de libertação. Germina aqui o dom da esperança. E a esperança é aquela de Deus Pai que nos ama como nós somos: nos ama sempre e todos. Obrigado!

Liturgia do Dia – 14/06/2017

Mateus 5, 17-19“Jesus é a nova e eterna Aliança de amor do Pai para com a humanidade.  Ele cumpre as promessas do Antigo Testamento, por isso, cumpre a Lei, e ao mesmo tempo a supera, porém, infunde agora a misericórdia em nosso coração.”

Primeira leitura:  2Coríntios 3, 4-11

Salmo Responsorial:  98

Evangelho:  Mateus 5, 17-19

Liturgia do Dia – 11/06/2017

joão 3, 16-18“A Palavra do Senhor vem nos revelar a imensidão do amor de Deus por nós.  É feliz  quem coloca sua confiança no Senhor, e em sua Palavra descobre o quanto Ele nos ama e se põe ao nosso lado com sua misericórdia.”

Primeira leitura:  Êxodo  34, 4b-6.8-9

Salmo Responsorial:  Daniel 3, 52-56

Segunda leitura: 2 Coríntios 13, 11-13

Evangelho:  João 3, 16-18

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Comentário de Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares, PE.

Após termos celebrado o Natal do Senhor, quando contemplamos o amor do Pai, que preparou na Antiga Aliança e, na plenitude dos tempos, enviou Seu Filho ao mundo na potência do Espírito Santo, Espírito que tornou fecundo o seio virginal de Maria Mãe de Deus; após a celebração do santo tempo pascal, quando fizemos memorial da Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, que por nós ofereceu-Se ao Pai num Espírito eterno; após concluirmos a Santa Páscoa com a celebração do dom do Espírito em Pentecostes, neste Domingo, a Igreja nos faz proclamar a glória da Trindade Santa, o Deus uno e trino que é amor e deu-Se a nós e nos salvou por amor!

Na Liturgia, no correr do ano, é o Mistério e a história do nosso Deus conosco que celebramos, contemplamos e experimentamos na nossa vida! Todo o mistério de salvação consiste nisto: o Pai que, pelo Filho, no Espírito, veio ao nosso encontro, nos perdoou, nos encheu de Sua Vida divina e Se nos dá continuamente nos sacramentos da Sua Igreja.

Mas, o que nos revela essa história de Deus, do Pai que nos enviou o Filho na força do Espírito Santo? Revela-nos que o Deus uno e único, o Santo Deus de Israel é, ao mesmo tempo e de modo misterioso e impenetrável, uma eterna e perfeita Comunidade de amor!

Ele é um só! Perfeitamente Uno, infinitamente Um: Deus é um só, o Senhor é Único! Ele é indivisível, nada ou ninguém pode ser colocado ao lado Dele: um só é o nosso Deus no céu e na terra!

Ao mesmo tempo, Ele é Comunidade de Amor! Ele é eternamente Trino, perfeitamente Trino, totalmente Trino!

Absolutamente Um e absolutamente comunidade! Eis o Mistério que nem no Céu poderemos esquadrinhar!

Não é a toa que, na primeira leitura de hoje o Senhor Se revela Se escondendo na noite e na nuvem: “Ainda era noite… e o Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés”.
Eis! Nosso Deus Se faz próximo, desce até nós por amor, mas não podemos compreendê-Lo, abarca-Lo, domá-Lo, domesticá-Lo!

Ele Se revela como amor puro e generoso: Seu Nome é Amor e Misericórdia: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel…”, mas para experimentá-Lo, para caminhar com Ele, e preciso a atitude de Moisés: “ele curvou-se até o chão, prostrado por terra… E disse: ‘Senhor, acolhe-nos como propriedade Tua’”.

Nosso Deus nos ama, nosso Deus faz-Se próximo, mas jamais será nosso parceiro, nosso amiguinho, nosso coleguinha, que pode por nós ser subornado e com o qual podemos negociar! Não! Ele é Deus! O Seu Nome é Eternidade, o Seu Nome é Infinitude, o Seu Nome é Amor! Ele é Deus!

E, no entanto, Ele quis caminhar conosco, veio a nós e revelou-Se no Mistério da Sua intimidade. Que coisa: um Deus que nos procura e quer nos unir a Ele!

Como dizia Santa Teresa: “Juntais aquela que não é com a Plenitude acabada: sem acabar, acabais; sem ter que amar, amais, e engrandeceis nosso nada!”

Ele, gratuitamente, deu-Se a nós, para nos salvar, fazendo-nos viver com Ele, participando da Sua Vida: por isso o Pai entregou ao mundo o Seu Filho, Seu Amado: para viver conosco, sonhar conosco, sofrer e morrer conosco e, assim, dá-nos sua vitória e Seu Céu: “Deus, o Pai, amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho unigênito, para que não morra quem Nele crer, mas tenha a Vida eterna. Pois Deus não enviou o Seu Filho para condenar o mundo, mas que o mundo seja salvo por Ele”.

No Filho único, Jesus, o Pai mostrou o Seu Rosto, o Pai mostrou Sua bondade, o Pai mostrou o Seu amor. Jesus mesmo disse: “Quem Me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos uma só coisa! (Jo 14,9s).

Mas, não bastava para Deus viver no nosso meio, entre nós! Ele quis viver em nós, dentro de nós, sendo mais íntimo de nós que nós mesmos! Por isso, o Filho Jesus, Deus entre nós, Deus conosco, após Sua Morte e Ressurreição, deu-nos o Seu Espírito Santo, que Ele mesmo recebera do Pai: “Porque sois filhos, Deus, o Pai, enviou aos vossos corações o Espírito do Seu Filho, que clama: Abbá, Pai! (Gl 4,6).

Deus foi grande para conosco!

Foi bom demais! Foi infinitamente generoso, foi magnânimo!

Não só nos revelou coisas, mas revelou-Se a Si mesmo! Eis o Mistério totalmente impenetrável até mesmo aos anjos do Céu: Ele, no mais íntimo de Si, sem deixar de ser Um só, é Pai, eterno Amante, é Filho, eterno Amado, é Espírito, eterno Amor!

E não somente revelou-Se a nós como é, mas deu-Se a nós: o Pai, pelo Filho, no Espírito deu-nos a própria Vida divina!

Deus veio a nós, quis fazer história na nossa história, quis viver a nossa vida para nos elevar à Vida Dele, Vida feliz, Vida plena, Vida eterna!

É nesta fé que vivemos, é na Vida desse Deus triúno que fomos batizados. Aquele amor eterno entre o Pai, o Filho e o Espírito, é o amor que nos invade e que devemos viver entre nós!

A Trindade não é uma teoria para os doutores em teologia. Ela é uma realidade concreta que deve invadir a nossa vida e a vida da Igreja: “Amemo-nos uns aos outros, pois o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é Amor!” (1Jo 4,7-8).

Porque somos cristãos, nascidos nas águas batismais, em Nome da Trindade, nossa vida deve ser vida e comunhão de amor: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” Estas palavras de São Paulo revela o que nós somos, o que devemos ser, o que devemos testemunhar diante do mundo: uma comunidade que nasceu do amor, vive no ninho do Deus de amor e caminha para o Deus de amor. Por isso o Apóstolo recomenda-nos: “Alegrai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, saudai-vos com o ósculo santo!”

Caríssimos, crer e experimentar que Deus é uno e trino é viver no amor que nos faz uma só coisa no Filho Jesus e nos conserva respeitosos das diferenças e diversidades entre nós.

Uma comunidade cristã que não seja unida e respeitosa das diferenças de dons, carismas, ministérios e sensibilidades, não é uma comunidade realmente nascida da Trindade, que vive o mistério da Trindade e caminha para a Trindade.

Nunca esqueçamos: vimos do Pai pelo Filho no Espírito; caminhamos, peregrinos, para o Pai, pelo Filho no Espírito.

A Trindade é nosso berço, nosso ninho e nosso destino. Contemplá-La e adorá-La é viver o amor. Como dizia Santo Agostinho: viste o amor, viste a Trindade!

“Bendito seja Deus Pai, bendito seja o Filho unigênito, bendito seja o Espírito Santo! Deus foi misericordioso para conosco!” A Ele, a glória pelos séculos. Amém.

Liturgia do Dia – 10/06/2017

marcos 12,38-44“Deus responde com generosidade à generosa piedade de Tobias.  Um dia, todos nós veremos a luz de Deus e quem vive a generosidade do amor como a viúva no templo, alcança mais depressa a misericórdia divina.”

Primeira leitura:  Tobias 12, 1.5-15.20

Salmo Responsorial: Tobias 13, 2.6.7.8

Evangelho:  Marcos 12, 38-44

Liturgia do Dia – 09/06/2017

Marcos 12, 35-37“As dificuldades podem nos surpreender, como a Tobias e sua família, mas a confiança no Senhor sempre será luz nas diversidades.  Em Cristo, nós nos identificamos verdadeiramente, pois Ele é a vida em plenitude.”

Primeira leitura:  Tobias 11, 5-17

Salmo Responsorial:  145

Evangelho:  Marcos 12, 35-37

Liturgia do Dia – 08/06/2017

Marcos 12, 28-34“Não existe outro mandamento ou ensinamento maior que o amor.  Cristo deu-nos a prova cabal desse amor, dando-nos sua própria vida.  Deus deve ocupar o primeiro lugar em nossa vida.”

Primeira leitura:  Tobias 6, 10-11; 7,1.9-17; 8, 4-9a

Salmo Responsorial:  127

Evangelho:  Marcos 12,28b-34

A Catequese do Papa Francisco – 07/06/2017

brasão-papa_-Francisco

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 7 de junho de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Havia algo de fascinante na oração de Jesus, de tão fascinante que um dia os seus discípulos pediram que fossem introduzidos nela. O episódio se encontra no Evangelho de Lucas, que entre os evangelistas é aquele que mais documentou o mistério de Cristo “orante”: o Senhor rezava. Os discípulos de Jesus ficam atingidos pelo fato de que Ele, especialmente de manhã e à noite, se retira em solidão e se “imerge” em oração. E por isso, um dia, lhe pedem para ensinar também a eles a rezar (cfr Lc 11, 1).

É então que Jesus transmite aquela que se tornou a oração cristã por excelência: o “Pai Nosso”. De fato, Lucas, em relação a Mateus, nos restitui a oração de Jesus de uma forma um pouco abreviada, que começa com a simples invocação “Pai” (v. 2).

Todo o mistério da oração cristã se ressume aqui nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai. Afirma-o também a liturgia quando, convidando-nos à oração comunitária da oração de Jesus, utiliza a expressão “ousamos dizer”.

De fato, chamar Deus com o nome de “Pai” de forma alguma é um fato normal. Estaríamos inclinados a usar os títulos mais elevados, que nos parecem mais respeitosos à sua transcendência. Em vez disso, invocá-lo como “Pai” nos coloca em uma relação de confidência com Ele, como uma criança que se dirige ao seu pai, sabendo ser amada e cuidada por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, porém não causa medo, não nos sufoca, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de acolher na nossa alma humana; tanto é verdade que nos relatos da Ressurreição se diz que as mulheres, depois de terem visto o túmulo vazio e o anjo “fugiram […] porque estavam cheias de espanto e estupor” (Mc 16, 8). Mas Jesus nos revela que Deus é Pai bom, e nos diz: “Não tenhais medo!”.

Pensemos na parábola do pai misericordioso (cfr Lc 15, 11-32). Jesus fala de um pai que sabe ser somente amor para seus filhos. Um pai que não pune o filho pela sua arrogância e que é capaz até mesmo de confiar-lhe a sua parte na herança e deixá-lo ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não à maneira humana, porque não há pai algum nesse mundo que se comportaria como o protagonista desta parábola. Deus é Pai à sua maneira: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, capaz somente de conjugar o verbo “amar”. Quando o filho rebelde, depois de ter esbanjado tudo, retorna finalmente à casa natal, aquele pai não aplica critérios de justiça humana, mas sente antes de tudo a necessidade de perdoar, e com o seu abraço faz o filho entender que em todo aquele longo tempo de ausência lhe fez falta, dolorosamente fez falta ao seu amor de pai.

Que mistério insondável é um Deus que alimenta esse tipo de amor em relação aos seus filhos!

Talvez é por esta razão que, evocando o centro do mistério cristão, o apóstolo Paulo não sente de traduzir em grego uma palavra que Jesus, em aramaico, pronunciava “abbà”. Por duas vezes São Paulo, em seu epistolário (cfr Rm 8, 15; Gal 4, 6), toca este tema, e por duas vezes deixa aquela palavra não traduzida, da mesma forma como brotou dos lábios de Jesus, “abbà”, um termo ainda mais íntimo em relação a “pai”, e que alguns traduzem como “papai, papaizinho”.
Queridos irmãos e irmãs, nunca estamos sozinhos. Podemos estar distantes, hostis, podemos também nos professarmos “sem Deus”. Mas o Evangelho de Jesus Cristo nos revela que Deus que não pode estar sem nós: Ele nunca será um Deus “sem o homem”; é Ele que não pode estar sem nós, e isso é um grande mistério! Deus não pode ser Deus sem o homem: grande mistério é este! E esta certeza é a fonte da nossa esperança, que encontramos preservada em todas as invocações do Pai Nosso. Quando precisamos de ajuda, Jesus não nos diz para nos resignarmos e nos fecharmos em nós mesmos, mas para nos dirigirmos ao Pai e pedir a Ele com confiança. Todas as nossas necessidades, das mais evidentes e cotidianas, como o alimento, a saúde, o trabalho, até aquela de sermos perdoados e sustentados nas tentações, não são o espelho da nossa solidão: há, em vez disso, um Pai que sempre nos olha com amor e que seguramente não nos abandona.

Agora vos faço uma proposta: cada um de nós tem tantos problemas e tantas necessidades. Pensemos um pouco, em silêncio, nestes problemas e nestas necessidades. Pensemos também no Pai, que não pode ficar sem nós, e que neste momento está nos olhando. E todos juntos, com confiança e esperança, rezemos: “Pai nosso, que estás nos Céus…”.

Obrigado!

Liturgia do Dia – 06/06/2017

marcos 12,13-17“Deus nos conduz em seu caminho, e sua Palavra é luz que nos guia.  Mesmo diante das adversidades e acontecimentos, Ele está presente. É preciso ter olhos abertos para compreender sua presença, para distinguir o que é dele e o que é do mundo.”

Primeira leitura:  Tobias 2, 9-14

Salmo Responsorial: 111

Evangelho:  Marcos 12,13-17

Liturgia do Dia – 05/06/2017

Marcos 12, 1-12“Tobias procura viver nos caminhos da verdade e da justiça, sendo fiel a nosso Senhor.  O Evangelho mostra-nos a atitude dos injustos que não aceitam nem mesmo o que vem de Deus.  Expulsam até o próprio Filho de Deus.”

Primeira leitura:  Tobias 1,3; 2,1a-8

Salmo Responsorial:  111

Evangelho:  Marcos 12, 1-12

Estudo Dirigido: Instrução geral sobre o Missal Romano

Instrução Geral do Missal Romano

No próximo dia 03 de julho de 2017, segunda-feira, às 20 horas, daremos início ao Estudo Dirigido Online sobre a Instrução Geral sobre o Missal Romano.

O objetivo da atividade é auxiliar Equipes de Pastoral Litúrgica e de Celebração, bem como os fiéis em geral, na acolhida das orientações da Igreja sobre o modo de celebrar a Ceia do Senhor, numa linguagem simples e acessível a todos.

Serão 09 módulos, apresentados todas as segundas-feiras, a partir do dia 03 de julho de 2017, sempre às 20 horas, contando com material escrito, vídeos, reuniões digitais pelo hangout para esclarecimentos de dúvidas, indicações bibliográficas, dentre outros recursos, visando o melhor aproveitamento do estudo.

A participação é livre e gratuita.

 

Liturgia do Dia – 04/06/2017

joão 20, 19-23“Após sua ressurreição, Jesus oferece a força e o impulso de seu Espírito, necessários aos que se dispõem a anunciar e testemunhar o Evangelho.  É o Espírito Santo que confere à Igreja a unidade e os dons necessários para a realização de sua missão, tornando-a capaz de se renovar e de se atualizar em meio às transformações do mundo.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 2, 1-11

Salmo Responsorial: 103

Segunda leitura: 1Coríntios 12, 3b-7.12-13

Evangelho: João 20, 19-23

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Meditação para a Solenidade de Pentecostes

Por Dom Henrique Soares da Costa – Bispo Diocesano de Palmares/PE

A Igreja conclui hoje o Tempo Pascal com a Solenidade de Pentecostes. Não poderia ser diferente, pois o Espírito Santo é o fruto da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus.
Ele morreu entregando na cruz, amorosamente, o Espírito ao Pai e, no mesmo Espírito, foi ressuscitado pelo Pai. Agora, plenificado por esse Espírito, derramou-O e derrama-O sobre a Igreja e sobre toda a criação.

Vejamos alguns aspectos da ação do Espírito.

(1) Primeiramente, por ser Espírito do Cristo, Ele nos une ao Senhor Jesus, dando-nos a Sua própria Vida, como a cabeça dá vida ao corpo e o tronco dá vida aos ramos.
É no Espírito que Cristo habita realmente em nós desde o nosso Batismo, e faz crescer Sua presença em nós em cada Eucaristia, quando comungamos o Corpo e o Sangue Daquele Senhor, que é pleno do Espírito, tão pleno que a Escritura chega a exclamar, sobre o Ressuscitado: “O Senhor é o Espírito” (2Cor 3,17).
Só no Espírito podemos dizer que Cristo permanece em nós e nós permanecemos Nele; só no Espírito podemos dizer que já não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós, com Seus sentimentos, Suas atitudes e sua entrega ao Pai. Por isso, somente no Santo Espírito nossa vida pode ser vida em Cristo, vida de santidade.

(2) Mas, o Espírito, além de agir em cada cristão, age na Comunidade como um todo, edificando a Igreja, fazendo-a sempre Corpo de Cristo.
Antes de tudo, Ele vivifica a Igreja com a Vida do Ressuscitado, incorporando sempre nela novos membros, fazendo-a crescer mais na plenitude de Cristo. Depois, Ele suscita incontáveis ministérios, carismas e dons, desde os mais simples até aqueles mais vistosos ou mais estáveis, como os ministérios ordenados: os Bispos, padres e diáconos.
É o Espírito que mantém esta variedade em harmonia e unidade, para que tudo e todos contribuam para a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja, em liberdade interior, a liberdade dos filhos de Deus, pois “onde Se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2Cor 3,17).
Assim, é no Espírito que surge e ressurge sempre a vida consagrada, com tantas expressões, tantos modelos e tantos carismas diferentes,
é no Espírito que os mártires testemunham Cristo até a morte,
é no Espírito que se exerce a caridade, se visitam os enfermos, se consolam os sofredores, se aconselha, se socorrem os pobres, se prega o Evangelho…
Enfim, é no Espírito que a Igreja vive, cresce e respira!

(3) É no Espírito que os santos sacramentos são celebrados com eficácia, pois que o Espírito é a própria Energia, a própria Graça, a própria Força de Vida e Ressurreição que o Cristo recebe do Pai e derrama sobre a Igreja. Sendo assim, é no Espírito que a Igreja é continuamente edificada e renovada, num Pentecostes constante, continuado, no todo do Corpo e em cada um dos membros que a ele está unido, até a Vida eterna.

(4) É no Espírito que os cristãos podem rezar, proclamando do fundo do coração que Jesus é Senhor e que Deus é nosso Pai de verdade.
Somente porque temos o Espírito recebido no Batismo é que somos realmente filhos de Deus, já que recebemos o Espírito do Filho que clama em nós “Abbá” – Pai.
O Espírito une a nossa oração à oração de Jesus, dando-lhe valor e eficácia e colocando-nos na Vida da própria Trindade Santa. Sem o Espírito, não poderíamos chamar a Deus de Pai, sem o Espírito nossa oração não seria a de Jesus e nosso louvor, nossa adoração e nossa intercessão não estariam unidas e inseridas na própria união de Jesus com o Pai. Sem o Espírito, a Igreja não estaria inserida em Cristo e jamais seria povo sacerdotal!

(5) É o Espírito Quem recorda sempre à Igreja a verdade do Evangelho, conduzindo-a sempre mais adiante no conhecimento de Cristo. Por isso, assistida pelo Espírito da Verdade, a Igreja jamais pode separar-se da memória do seu Senhor e jamais poderá errar na sua profissão de fé; jamais poderá afastar-se da verdade católica que recebeu dos apóstolos.
Assim, somente no Espírito é que cremos com fé certa na fé da Igreja e sabemos com certeza que a fé da Igreja é a fé católica e apostólica!

(6) É ainda no Espírito que a Igreja, ansiosa, olha para a frente, para o futuro e, inquieta, clama que o Esposo venha logo para consumar todas as coisas. Por isso, na força do Espírito, a Igreja deverá ser sempre fiel a cada época, sem saudosismos nem medos, acolhendo, vivendo e testemunhando e difundindo com humildade o Reino de Deus, até que venha o seu Esposo e leve tudo à consumação.
É no Espírito que os cristãos devem viver como profetas do Reino que está por vir, denunciando com doçura e vigor tudo quanto se oponha à manifestação desse Reino, a começar por seus próprios pecados, presentes em cada coração.
No Espírito, a Igreja anunciará sempre o Evangelho, superando todo medo de falar de modo novo a constante e imutável verdade do Evangelho, que interpela, transforma e converte o coração.

(7) Mas, o Espírito não está restrito à Igreja. Dado à Igreja, Ele, que a habita e a impregna, a partir do Corpo da Igreja, que é Corpo de Cristo, enche também, impregna e renova o universo inteiro e toda a humanidade. Onde menos esperamos, onde ainda não chegamos, lá já podemos encontrar a ação do Espírito do Senhor, que cai, que age, suave e fortemente, cristificando toda a humanidade e todas as coisas.

(8) É o Espírito que vai, com força e discrição, guiando a história humana para a plenitude de Cristo, e isto por mais que, tantas vezes, o mundo pareça perdido e sem rumo, em meio a guerras, injustiças, hipocrisias, violências, tristezas e mortes. Cabe aos cristãos, saber discernir e interpretar os sinais dos tempos, que o Santo Espírito faz brotar por toda parte, tendo ouvidos para ouvir o que o Ele diz à Igreja.

(9) Finalmente, é no Espírito, que um dia, no Dia de Cristo, quando Ele, nossa Vida, aparecer em Glória, tudo será glorificado, a história será passada a limpo, a criação inteira será transfigurada, o pecado será destruído para sempre, a Morte será vencida e nossos corpos mortais ressuscitarão, transfigurados como o corpo do Cristo Jesus ressuscitado.
Então, plena do Espírito, toda criação será plenamente corpo de Cristo. O Ressuscitado será Cabeça dessa nova criação e entregará tudo ao Pai, para que o Pai, pelo Filho, no Espírito, seja tudo em todas as coisas.

É esta a nossa esperança, a nossa certeza e a plenitude da nossa salvação. É esta realidade estupenda que se iniciou com o dom do Espírito, celebrado na festa de hoje.
Só nos resta implorar novamente o que cantamos antes do “aleluia”:

“Espírito de Deus,/ enviai dos Céus/ um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres,/ dai aos corações/ Vossos sete dons.
Consolo que acalma,/ Hóspede da alma,/ doce Alívio, vinde!
No labor, Descanso,/ na aflição, Remanso, / no calor, Aragem.
Enchei, Luz bendita,/ Chama que crepita,/ o íntimo de nós.
Sem a Luz que acode,/ nada o homem pode,/ nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai,/ ao seco regai,/ curai o doente.
Dobrai o que é duro,/ guiai-nos no escuro, o frio aquecei.
Daí à Vossa Igreja,/ que espera e deseja,/ Vossos sete dons.
Dai em prêmio ao forte/ uma santa morte,/ alegria eterna./ Amém.

 

Liturgia do Dia – 03/06/2017

joão 21, 20-25“Os apóstolos são testemunhas de Cristo, de seu ensinamento, de sua vida, principalmente da sua ressurreição.  Testemunhar a verdade de Cristo e a missão de todo cristão.”

Primeira leitura:  Atos dos Apóstolos 28, 16-20.30-31

Salmo responsorial:  10

Evangelho:  João 21, 20-52