Liturgia do Dia – 28/08/2016

images-81“Será grande no Reino aquele que serve, pois é capaz de ver nos pequenos e mais abandonados o rosto de Deus.  Jesus Cristo é o mediador da nova Aliança que Deus fez com a humanidade.  Ele se identificou com os humildes e fracos.”

Primeira leitura:  Eclesiástico 3, 19-21.30-31

Salmo Responsorial:  67

Segunda leitura: Hebreus 12,18-19.22-24a

Evangelho:  Lucas 14, 1.7-14

Liturgia do Dia – 27/06/2016

Mateus 25, 14-30“‘Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios.’ Ele deseja que os dons recebidos sejam colocados a serviço do amor e da vida, jamais para a edificação pessoal.”

Primeira leitura:  1Coríntios 1, 26-31

Salmo Responsorial:  32

Evangelho:  Mateus 25, 14-30

Liturgia do Dia – 26/08/2016

mateus 25, 1-13“O Senhor convida-nos para participar da festa da vida, da união com Ele.  Deus fez conosco a Aliança definitiva, por meio de seu Filho Jesus.  É preciso estar vigilantes para acolhê-lo.”

Primeira leitura:  1Coríntios 1,17-25

Salmo Responsorial:  32

Evangelho:  Mateus 25, 1-13

 

Liturgia do Dia – 24/08/2016

João 1, 45-51

“A Palavra do Senhor nos guia e nos desperta para o compromisso com a verdade de Cristo. A Igreja primitiva deu seu testemunho de fé, mesmo enfrentando adversidades e perseguições. E nós?”

Primeira leitura:  Apocalipse 21, 9-14

Salmo Responsorial:  144

Evangelho:  João 1, 45-51

Liturgia do Dia – 21/08/2016

Lucas 1, 39-56“Escutemos o Senhor e nosso coração, como o de Maria, deve exultar de alegria  com a Palavra.  Feliz quem se põe diante do Senhor com o desejo de ouvir e acolher o que Ele diz.  Assim fez Maria e devemos também fazer.”

Primeira leitura:  Apocalipse 11, 19a; 12,1-3-6a.10ab

Salmo Responsorial:  44

Segunda leitura:  1Coríntios 15, 20-27a

Evangelho:  Lucas 1, 39-56

Missa da Vigília – Celebra-se à tarde, tanto antes como depois das primeiras Vésperas da Solenidade

“Cristo é a Arca, a Aliança eterna do amor de Deus por nós.  Sua Palavra é força transformadora, é vida nova para quem a escuta e a guarda no coração, como fez Maria.”

Primeira leitura: 1Crônicas 15,3-4.15-16;16,1-2

Salmo Responsorial: 131

Segunda leitura:   1Coríntios 15, 54-57

Evangelho:  Lucas 11, 27-28

 

A Catequese do Papa Francisco – 17/08/2016

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CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje queremos refletir sobre o milagre da multiplicação dos pães. No início do relato que Mateus faz (cfr 14, 13-21), Jesus acaba de receber a notícia da morte de João Batista e, com um barco, atravessa o lago em busca de “um lugar deserto, à parte” (v. 13). O povo, porém, soube e o precedeu a pé de forma que “descendo do barco, Ele viu uma grande multidão, moveu-se de compaixão para com ela e curou seus doentes” (v. 14). Assim era Jesus: sempre com a compaixão, sempre pensando nos outros. Impressiona a determinação do povo, que teme ser deixado sozinho, como que abandonado. Morto João Batista, profeta carismático, confia-se em Jesus, do qual o próprio João Batista tinha dito: “Aquele que vem depois de mim é mair forte que eu” (Mt 3, 11). Assim, a multidão o segue para todo lugar, para escutá-lo e para levar-lhes os doentes. E vendo isso Jesus se comove. Jesus não é frio, não tem um coração frio. Jesus é capaz de se comover. De um lado, Ele se sente ligado a essa multidão e não quer que vá embora; por outro, precisa de momentos de solidão, de oração, com o Pai. Tantas vezes passa a noite rezando com o seu Pai.

Também naquele dia, então, o Mestre se dedicou ao povo. A sua compaixão não é um vago sentimento; mostra, em vez disso, toda a força da sua vontade de estar próximo a nós e nos salvar. Jesus nos ama tanto e quer ser próximo a nós.

Ao cair da noite, Jesus se preocupa de dar de comer a todas as pessoas, cansadas e famintas, e cuida de quantos o seguem. E quer envolver nisso os seus discípulos. De fato diz a eles: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (v. 16) E demonstrou a esses que os poucos pães e peixes que tinham, com a força da fé e da oração, podiam ser partilhados para todo aquele povo. Jesus faz um milagre, mas é o milagre da fé, da oração, suscitado pela compaixão e pelo amor. Assim, Jesus “partiu os pães e lhe deu aos discípulos e os discípulos à multidão” (v. 19). O Senhor vai ao encontro das necessidades dos homens, mas quer tornar cada um de nós concretamente participantes da sua compaixão.

Agora nos concentrando no gesto da benção de Jesus: Ele “tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu, recitou a benção, partiu os pães e lhes deu” (v. 19). Como se vê, são os mesmos gestos que Jesus fez na Última Ceia; e são também os mesmos que cada sacerdote faz quando celebra a Santa Eucaristia. A comunidade cristã nasce e renasce continuamente desta comunhão eucarística. Viver a comunhão com Cristo, portanto, está longe de permanecer passivos e estranhos à vida cotidiana, ao contrário, sempre mais nos insere na relação com os homens e as mulheres do nosso tempo, para oferecer a eles o sinal concreto da misericórdia e da atenção de Cristo. Enquanto nos alimenta de Cristo, a Eucaristia que celebramos transforma pouco a pouco também nós em corpo de Cristo e alimento espiritual para os irmãos. Jesus quer alcançar todos para levar a todos o amor de Deus. Por isso torna todo crente servidor da misericórdia. Jesus viu a multidão, sentiu compaixão por essa e multiplicou os pães; assim faz o mesmo com a Eucaristia. E nós crentes, que recebemos este pão eucarístico somos impulsionados por Jesus a levar este serviço aos outros, com a sua mesma compaixão. Esse é o percurso.

O relato da multiplicação dos pães e dos peixes se conclui com a constatação de que todos se saciaram e recolheram os pedaços que sobraram (cfr v. 20). Quando Jesus, com a sua compaixão e o seu amor, nos dá uma graça, nos perdoa os pecados, nos abraça, nos ama, não faz as coisas pela metade, mas completamente. Como aconteceu aqui: todos ficaram satisfeitos. Jesus preenche o nosso coração e a nossa vida com o seu amor, com o seu perdão, com a sua compaixão. Jesus, então, permitiu aos seus discípulos executar a sua ordem. Desse modo, esses conhecem o caminho a percorrer: alimentar o povo e mantê-lo unido; isso é, estar a serviço da vida e da comunhão. Invoquemos, então, o Senhor, para que sempre torne a sua Igreja capaz deste santo serviço e para que cada um de nós possa ser instrumento de comunhão na própria família, no trabalho, na paróquia e nos grupos de pertença, um sinal visível da misericórdia de Deus que não quer deixar ninguém na solidão e na necessidade, a fim de que descendam a comunhão e paz entre os homens e a comunhão dos homens com Deus, porque essa comunhão é vida para todos.

O Testemunho da Fé: medalha de ouro nos Jogos Olímpicos

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Por Michelle Neves (*)

Mais de dez mil atletas foram acolhidos na cidade do Rio de Janeiro para a edição dos Jogos Olímpicos de 2016, e mesmo que alguns deles não tenham uma Bandeira a qual defender, o evento demonstra tratar de forma significativa a importância da inclusão e da fraternidade entre os povos, em contraposição ao atual quadro de conflitos mundiais que tem por imperativo o individualismo, o egoísmo e a discriminação sem limites.

Mas este não é o único destaque das olimpíadas. Ao lado da perseverança, do foco, da transpiração e da inspiração sempre presentes nos campeonatos esportivos, desta vez, salta aos olhos a quantidade de atletas que expressamente colocam a fé como um dos seus principais alicerces na superação das dificuldades enfrentadas na disputa das medalhas, e também para testemunhar oportunamente a gratidão a Deus pelo dom recebido.

Allyson Felix, norte-americana do atletismo; Ashleigh Moolman-Pasio, sul-africana do ciclismo; Asafa Powell, jamaicano do atletismo; Bubba Watson, norte-americano do golfe; Christine Ohuruogu, britânica do atletismo; Francena McCorory, norte-americana do atletismo; Gabby Douglas, norte-americana da Ginástica Olímpica; Kevin Lisch, australiano do basquete americano; Leone Nakarawa, de Fiji, no rúgbi de sete; Sunette Viljoen, sul-africana do lançamento de dardos; Usain Bolt, o jamaicano do atletismo, considerado o homem mais rápido de todos os tempos, são alguns exemplos de atletas que professam sua fé com o mesmo entusiasmo com que lutam para se destacarem nas modalidades que representam.

As histórias pessoais dos atletas citados servem de inspiração para todo cristão, pois não deixam dúvidas de que somente uma força maior foi capaz de trazê-los até aqui. O abandono, a pobreza, a falta de incentivos, acidentes e toda sorte de obstáculos não foram capazes de detê-los, pois a fé em Deus, conforme citado por diversas autoridades do esporte, é o grande diferencial em suas caminhadas.

A experiência, embora inserida no exercício da atividade esportiva deles, não se limita a esta.

Kevin Lisch, por exemplo, refletindo sobre como a sua fé e o esporte interagem, afirmou recentemente a uma mídia católica: “No esporte, assim como em outras coisas na vida, é fácil sermos pegos centrados sobre nós mesmos e ou em nossos próprios problemas e realizações. Mas ao colocar Deus no centro, sou lembrado de que não se trata apenas de mim. Trata-se de ajudar os outros. Tem a ver com difundir aquela alegria aos outros, a alegria de viver uma vida cristã… A minha fé ajudou a me dar um propósito e uma perspectiva no esporte e na vida. É um trabalho constantemente em progresso, uma batalha feliz, penso eu”.

Se ganhar ou perder, pelo senso comum, faz parte da vida, tudo indica que na percepção dos atletas cristãos o tema exige uma abordagem mais profunda: o saber ganhar ou perder é o indicativo da vitória, pois a fé redimensiona o sentido da competitividade, e, uma vez reconhecido que o esporte é um dom especial, quem crê, torna-se, inexoravelmente, um medalhista em outros aspectos da vida cotidiana.

Claro que se tomarmos em conta os desafios vencidos na trajetória esportiva de todos os participantes, cada um é merecedor do primeiro lugar no podium, e sem dúvidas, continuaremos a torcer para que os atletas do nosso país vençam em suas modalidades, todavia, não há como negar que nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro é uníssona a relação entre esporte e espiritualidade.

Este diferencial faz com que o testemunho da fé seja o grande medalhista desta edição, pois, o contexto histórico atual, nos remete a certeza de que o exemplo desses atletas inspira a caminhada cristã, para o constante fortalecimento da fé e o correspondente testemunho, capazes de vencer os desafios impostos num mundo cada dia mais secularizado.

(*) Ministra do Acolhimento

Artigo publicado no portal da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Acesse aqui

Liturgia do Dia – 17/08/2016

Mateus 20, 1-16“A Palavra divina penetra não só o coração humano, mas, também, em outas culturas e lugares diferentes se a reconhecermos, de fato, como Palavra do Senhor dirigida com amor a  nossa humanidade.”

Primeira leitura:  Ezequiel 34, 1-11

Salmo Responsorial:  22

Evangelho:  Mateus 20, 1-16a

Liturgia do Dia – 16/08/2016

Mateus 19, 23-30“O Senhor, em sua Palavra, interroga e desmascara os desejosos de serem ‘deuses’ no mundo.  Jesus nos ensina a pertencer ao Reino e viver seus servidores insubstituíveis no mundo.”

Primeira leitura:  Ezequiel 28, 1-10

Salmo Responsorial:  Deuteronômio 32, 26-32

Evangelho:  Mateus 19, 23-30

Liturgia do Dia – 14/08/2016

Lucas 12, 49-53“Os sofrimentos, dores e perseguições testam a consistência de nossa fé.  Somente persevera quem coloca e assume Cristo como o referencial de sua vida.”

Primeira leitura: Jeremias 38, 4-6.8-10

Salmo Responsorial:  39

Segunda leitura: Hebreus 12, 1-4

Evangelho:  Lucas 12, 49-53

 

Liturgia do Dia -13/08/2016

Mateus 19, 13-15“É preciso olhar a disposição do coração, que precisa abrir-se para a conversão, lembra-nos o profeta.  E Jesus apresenta-nos a simplicidade que devemos ter nesta vida, na figura da criança.”

Primeira leitura:  Ezequiel 18, 1-10. 13b. 30-32

Salmo Responsorial:  50

Evangelho:  Mateus 19, 13-15

Liturgia do Dia – 12/08/2016

Mateus 19, 3-12“Deus mostra sua beleza amorosa ao povo de Israel, mas a nação é acusada de ser infiel a sua história.  A infidelidade gera a morte, enquanto que o amor gera a vida.  A escolha é nossa.”

Primeira leitura:  Ezequiel 16, 1-15. 60.63

Salmo Responsorial:  Isaías 12, 2-4.5-6

Evangelho:  Mateus 19, 3-12

A Catequese do Papa Francisco – 10/08/2016

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CATEQUESE
Sala Paulo VI – Vaticano
Quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O trecho que ouvimos do Evangelho de Lucas (7, 11-17) nos apresenta um milagre de Jesus realmente grandioso: a ressurreição de um jovem. No entanto, o coração deste relato não é o milagre, mas a ternura de Jesus para com a mãe deste jovem. A misericórdia assume aqui o nome de grande compaixão para com uma mulher que tinha perdido o marido e que agora acompanha ao cemitério o seu único filho. É esta grande dor de uma mãe que comove Jesus e o provoca ao milagre da ressurreição.

Ao introduzir esse episódio, o Evangelista insiste em alguns detalhes. À porta da cidade de Naim – um vilarejo – encontram-se dois grupos numerosos que são de direções opostas e que nada têm em comum. Jesus, seguido pelos discípulos por uma grande multidão, está prestes a entrar na cidade, enquanto dela sai o cortejo que acompanha um defunto, com a mãe viúva e muita gente. Junto à porta os dois grupos passam um ao lado do outro, caminhando cada um na sua direção, mas é então que São Lucas observa o sentimento de Jesus: “Vendo [a mulher], o Senhor foi tomado por uma grande compaixão por ela e lhe disse: ‘não chore!’. Aproximou-se e tocou o caixão enquanto as pessoas que o carregavam pararam” (vv. 13-14). Grande compaixão guia as ações de Jesus: é Ele que para o cortejo tocando o caixão e, movido pela profunda misericórdia por essa mãe, decide enfrentar a morte, por assim dizer, face a face, na Cruz.

Durante esse Jubileu, seria bom que, ao passar pela Porta Santa, a Porta da Misericórdia, os peregrinos recordassem esse episódio do Evangelho, ocorrido na porta de Naim. Quando Jesus viu essa mãe em lágrimas, isso entrou em seu coração! À Porta Santa todos chegam levando a própria vida, com suas alegrias e seus sofrimentos, os projetos, os fracassos, as dúvidas e os temores, para apresentá-los à misericórdia do Senhor. Estamos seguros de que, na Porta Santa, o Senhor se faz próximo para encontrar cada um de nós, para levar e oferecer a sua poderosa palavra de consolo: “Não chore!” (v. 13). Esta é a Porta do encontro entre a dor da humanidade e a compaixão de Deus. Cruzando o limiar realizamos a nossa peregrinação entre a misericórdia de Deus que, como ao rapaz morto, repete a todos: “Digo a ti, levanta-te!” (v. 14). A cada um de nós diz: “Levanta-te!”. Deus nos quer de pé. Criou-nos para estarmos de pé: por isso, a compaixão de Jesus leva àquele gesto da cura, a curar-nos, de que a palavra-chave é: “Levanta-te! Coloque-se de pé, como Deus te criou!”. De pé. “Mas, padre, nós caímos tantas vezes” – “Adiante, levanta-te”. Esta é a palavra de Jesus, sempre. Ao atravessar a Porta Santa, procuremos sentir no nosso coração essa palavra: “Levanta-te!”. A palavra poderosa de Jesus pode nos fazer levantar e trabalhar também em nós a passagem da morte à vida. A sua palavra nos faz reviver, dá esperança, alegra os corações cansados, abre a uma visão do mundo e da vida que vai além do sofrimento e da morte. Na Porta Santa está para cada um de nós o inesgotável tesouro da misericórdia de Deus!

Atingido pela palavra de Jesus, “o morto se sentou e começou a falar. E Ele o entregou à sua mãe” (v. 15). Essa frase é tão bela: indica a ternura de Jesus: “Restituiu-o à sua mãe”. A mãe reencontra o filho. Recebendo-o das mãos de Jesus essa se torna mãe pela segunda vez, mas o filho que agora lhe é restituído não foi dela que recebeu a vida. Mãe e filho recebem, assim, a respectiva identidade graças à palavra poderosa de Jesus e ao seu gesto amável. Assim, especialmente no Jubileu, a mãe Igreja recebe os seus filhos reconhecendo neles a vida doada pela graça de Deus. É em força de tal graça, a graça do Batismo, que a Igreja se torna mãe e cada um de nós se torna seu filho.

Diante do rapaz que voltou à vida e foi restituído à mãe, “todos foram tomados pelo temor e glorificavam a Deus dizendo: ‘Um grande profeta se levantou entre nós’ e ‘Deus visitou o seu povo’. Quanto Jesus fez não foi, portanto, só uma ação de salvação destinada à viúva e ao seu filho, ou um gesto de bondade limitado àquela cidadezinha. No resgate misericordioso de Jesus, Deus vai ao encontro do seu povo, Nele aparece e continuará a aparecer à humanidade toda a graça de Deus. Celebrando esse Jubileu, que eu quis que fosse vivido em todas as Igrejas particulares, isso é, em todas as igrejas do mundo, e não somente em Roma, é como se toda a Igreja espalhada no mundo se unisse no único canto de louvor ao Senhor. Também hoje a Igreja reconhece ser visitada por Deus. Por isso, aproximando-nos da Porta da Misericórdia, cada um sabe estar se aproximando da porta do coração misericordioso de Jesus: é Ele, de fato, a verdadeira Porta que conduz à salvação e nos restitui a uma vida nova. A misericórdia, seja em Jesus, seja em nós, é um caminho que parte do coração para chegar às mãos. O que significa isso? Jesus nos olha, nos cura com a sua misericórdia, nos diz: “Levanta-te!” e o teu coração é novo. O que significa realizar um caminho do coração às mãos? Significa que, com o coração novo, com o coração curado por Jesus, posso entender as obras de misericórdia mediante as mãos, procurando ajudar, curar tantos que precisam. A misericórdia é um caminho que parte do coração e chega às mãos, isso é, às obras de misericórdia.

[ao término, saudando os peregrinos de língua italiana]

Eu disse que a misericórdia é um caminho que vai do coração às mãos. No coração, nós recebemos a misericórdia de Jesus, que nos dá o perdão de tudo, porque Deus perdoa tudo e nos alivia, nos dá a vida nova e nos contagia com a sua compaixão. Daquele coração perdoado e com a compaixão de Jesus, começa o caminho rumo às mãos, isso é, rumo às obras de misericórdia. Dizia-me um bispo, outro dia, que na sua catedral e em outras igrejas fez portas de misericórdia de entrada e de saída. Eu perguntei: “Por que você fez isso?” – “Porque uma porta é para entrar, pedir o perdão e ter a misericórdia de Jesus; a outra é a porta da misericórdia em saída, para levar a misericórdia aos outros, com as nossas obras de misericórdia”. Mas esse bispo é inteligente! Também nós façamos o mesmo com o caminho que vai do coração às mãos: entremos na Igreja pela porta da misericórdia, para receber o perdão de Jesus, que nos diz: “Levanta-te! Vai, vai!”; e com isso “vai!” – de pé – saiamos pela porta de saída. É a Igreja em saída: o caminho da misericórdia que vai do coração às mãos. Façam esse caminho.

Os Valores Olímpicos e a Caridade Cristã

Logo-OlimpiadaA proximidade dos jogos olímpicos ensejou inúmeras questões acerca dos legados infraestruturais que o evento mundial deixará para a cidade e seus moradores.

Se compararmos a realização das olimpíadas em outras cidades que antecederam o Rio de Janeiro, verificaremos que em todas elas, aconteceram problemas das mais diversas ordens, em maior ou menor grau, o que é previsível, dada a grandiosidade do evento.

Polêmicas à parte, refletir sobre o legado humano trazido pelos jogos olímpicos, através de seus valores fundamentais, e sobretudo o quanto esses podem contribuir com a ação da Igreja, é uma proposta bastante atraente e que nos abre para a um futuro promissor, que não se encerra.

Idealizado nos Jogos Olímpicos da Grécia, o evento une esporte, cultura e educação, três pilares importantes para o salutar desenvolvimento da sociedade, e é constituído sobre sob os valores da excelência, da amizade e do respeito.

E é justamente sob esse viés que a prática da caridade cristã pode ser ainda mais enriquecida em cada um de nós, que primamos pelo bem comum, que nos torna mais próximos do Senhor, através do serviço, ofertado principalmente aos mais pobres e necessitados.

A Caridade, como nos diz o Papa Emérito Bento XVI, em sua Carta Encíclica “Caritas in Veritate, sobre o Desenvolvimento Humano Integral na Caridade e na Verdade”, tem sua origem em Deus e “impele as pessoas a se comprometerem, com coragem e generosidade no campo da justiça e da paz.”  E nesses campos, os valores fundamentais dos jogos olímpicos revelam a Verdade, que caracteriza a essência cristã.

Na excelência da prática esportiva encontramos a inspiração para dar o nosso melhor, com determinação e esforço, empreender sempre mais rumo à meta estabelecida. E vem do Apóstolo Paulo nosso maior exemplo.

Ele, que a partir da experiência em Cristo, tornou-se apóstolo pela vontade de Deus, mesmo que inicialmente desacreditado em virtude do seu passado, foi incansável em sua missão de transmitir a Verdade e promover a fé em todos os lugares.  Independente das dificuldades e limitações, como um verdadeiro atleta, São Paulo combateu o bom combate, terminou a sua missão conservando a fé e por isso, morreu na certeza de receber a coroa da Justiça (2Timóteo 4, 7-8).

O que impelia São Paulo era o desejo de ver um mundo melhor e mais pacífico, possível somente pela comunhão com Cristo. Esse sentimento que inspirou outros tantos santos e santas da Igreja e que encontra morada no coração em cada um de nós (atletas olímpicos ou não), nos conduz à prática da solidariedade e da partilha, e pode ser retratado também através da didática de Jesus que deu a conhecer, aos seus amigos, tudo o que ouviu do Pai (João 15, 15).

Nesta vivência única, à luz da Santíssima Trindade, podemos encontrar o espírito de equipe, a alegria e o otimismo, alicerces da verdadeira amizade, que não por acaso encontra sua raiz na palavra amor, que é caridade: a maior de todas as virtudes, onde é possível superar as diferenças e realizar a felicidade plena.

Por derradeiro, porém não menos importante, temos o terceiro valor fundamental dos jogos olímpicos: o respeito. Sinônimo do que conhecemos como “jogo limpo” nos esportes, o respeito é acima de tudo um dever ético, consigo em primeiro lugar, com o próximo, pelo meio ambiente como um todo, através da observação de “regras”.  É também a expressão autêntica do que se entende por humanidade.

A caridade, nos ensinou Jesus, é “a síntese de toda a Lei” (Mt 22,36-40), logo, caridade e respeito, caminham juntos, como fonte da esperança de um mundo onde o desenvolvimento humano integral, em todos os povos, é uma realidade capaz de tornar homens e mulheres instrumentos da graça de Deus, promotores da justiça e da paz.

Definitivamente, os jogos olímpicos têm muito a contribuir com nossa cidade e com nossa missão de batizados.  Cabe-nos acolher com alegria sua realização.

Por Michelle Neves – Ministra do Acolhimento

Arquivo publicado no Portal da Arquidiocese do Rio de Janeiro – Acesse aqui